30 de abril de 2006

Sempre Beco

Sempre Beco da Lama.

Amigos, confrades,

Acabei de chegar em casa, ainda meio tonto pelo resultado e por muitas bhramas bebidas...

Confesso. Não esperava uma diferença tão gritante. Também acho que ninguém poderia prever esse resultado. Mais de 70% de deferência é foda para qualquer candidato. Seja lá “canidato” a que Diabos for!

Durante essa semana, quando a campanha do “presidente eleito” foi posta (leia-se de véspera), eu fui o primeiro a reclamar de uma série de problemas que poderia influir no resultado. Pois posto com muitas testemunhas... Depois comentarei.

Bom... Minhas considerações serão postadas no blog durante essa semana, a parti de terçar-feira...

Amanhã, viajarei à Jaçanã para curtir o clima frio de uma serra encantada, na companhia do meu sogro e, provavelmente, iremos à Campina Grande no feriado do trabalhador para mais um encantamento serrano.

Confesso de novo. O gosto da perda é muito ruim. Mas, pior é a falta de consideração daquelas pessoas que pensamos contar e nunca estão por perto na hora h.

No blog, depois da primeira terça-feira de maio, serei mais contundente e farei observações do pleito e da campanha.

Espero que aguardem... se interessar possa.

Com sua atenção,

Alex,

Sempre pelo Beco.

29 de abril de 2006

Quem ‘paga’ a conta no Beco da Lama?

Foto: Hugo Macedo
Jornalista Alexandro Gurgel, representante da chapa Sempre Samba.
A boêmia natalense decide hoje quem paga a conta no Beco da Lama pelos próximos três anos. A partir das 10h, o professor universitário Ubiratan Lemos pela chapa “Beco Vivo” e o jornalista Alex Gurgel representando o grupo “Sempre Samba”, disputam a direção da Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacência (Samba) na primeira eleição direta da entidade, que desde 1994 tomou as rédeas da cultura do centro da cidade. Os 322 sócios da Samba terão até às 17h para escolher entre os dois candidatos.
O pleito ocorre no bar Quatro Cantos (antigo bar do Nazi) em ritmo de festa com direito a apresentação de artistas potiguares.O presidente da comissão eleitoral, Plínio Sanderson, conta que as chapas tentam convencer os eleitores há dois meses na base do boca-a-boca ou através de um grupo virtual na internet. “Está muito acirrada. A eleição vai ser no clima de showmício porque cada candidato vai trazer seus artistas”, disse.
Para ele, a Samba se confunde hoje com a cultura do centro histórico por conta dos eventos recentes criados pela atual gestão, como o primeiro festival de gastronomia do beco (Pratodomundo), o carnaval e o reveillon. “O beco é o epicentro das atividades culturais de Natal.
A Samba conseguiu formar uma bancada do Beco na Câmara dos Vereadores que consegiu colocar no orçamento R$ 300 mil para a revitalização do Beco. Os candidatos têm o mesmo discurso. A idéia é continuar no mesmo passo da gestão atual.
O professor universitário Ubiratan Lemos quer iniciar um projeto social do beco, da mesma forma que, hoje, a cultura é valorizada. “Temos um projeto chamado “Dê uma hora ao beco”, onde vamos incentivar que sempre uma hora antes da comunidade vir brincar, tomar sua cerveja, venha prestar um serviço social aos jovens e meninos de rua que moram hoje no beco. É uma outra realidade que merece atenção. Além disso, queremos ampliar o calendário de eventos organizado pela atual gestão”, disse.
Já o jornalista Alex Gurgel apresenta como prato principal de propostas a criação de um jornal já batizado de Almanaque do Beco, o primeiro arraial do centro histórico (Forrobeco), além de um festival de poesia declamada com a instituição do prêmio Jorge Fernandes de poesia. “Vamos dar continuidade ao que Eduardo Alexandre (Dunga) vinha fazendo. O beco é o centro vivo, a raiz da cultura”, disse.Para ele, a vitória é certa. Mas deve ser apertada. “Acho que metade do pessoal que pode votar vai comparecer”, disse.

Publicado na Tribuna do Norte

27 de abril de 2006

Reflexão para uma convocatória de um Beco Vivo

Foto: Hugo Macêdo
Professor Bira, candidato da chapa Beco Vivo, Plínio Sanderson, presidente da Comissão Eleitoral, e o jornalista Alexandro Gurgel, candidato da chapa Sempre Samba.

Vi o panfleto feito pela chapa birista, que chegou ao Beco nas vésperas da eleição, fazendo uma convocatória. O material impresso está bem elaborado, mas, sem trazer novidades no texto. Uma das fotos que ilustra o texto é de Hugo Macedo, cujo crédito não foi respeitado. A própria foto do candidato à Diretor Executivo da Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências foi publicada com péssima qualidade, numa demonstração que sua assessoria não teve qualidades para trabalhar a imagem do professor.

As "propostas específicas" lista todos os eventos do Beco, realizados na gestão de Dunga, com a promessa de continuar (nada de novo no ar). Mas, o que chamou minha atenção foi o "Tributo a Che Guevara" como um evento "novo" no Beco. Com tantos nomes importantes de poetas e escritores que passaram pelo Beco da Lama, merecedores de um verdadeiro tributo, como Newton Navarro, Othoniel Menezes, Jorge Fernandes, Câmara Cascudo, Celso da Silveira, só para citar alguns, o professor Bira quer fazer um tributo para Che Guevara...

No início da desta semana, no Bar de Nazareth, Robério (o Coisa, como se auto-denomina) dizia que ele é quem havia dado o panfleto para a campanha do professor Bira. Como "o Coisa" é assessor do vereador Fernando Lucena, fico me perguntando se terá o dedo do gabinete petista nessa história.

Meu medo é que apareça uma ruma de gente lá do sindicato dos garis dizendo que é do Beco. E pensar que o confrade Oswald da Ribeira estava preocupado com as pessoas (fictícias) que vinham lá das bandas da Zona Norte...

Na quarta-feira, o sebista Abimael estava mordido da silva porque seu nome constava na relação da chapa birista indevidamente. O alfarrabista disse que não autorizou ninguém usar seu nome. Será que isso é legal? Sob o ponto de vista lúdico-jurista becodalamense, claro. Um caso para ser decido pelos membros da OABeco.

No panfleto também há algumas coisas muito interessantes para o Beco da Lama. A publicação de um site, um mural e um jornal mensal são propostas viáveis e inteligentes para poder divulgar o Beco, bem como os eventos propostos pela chapa Beco Vivo. O grande problema da chapa será encontrar um bom “homem de mídia” para trabalhar as propostas jornalísticas que propõem os biristas.

Com a criação, em Assembléia Geral, de um Diretoria para assuntos de juventude, o panfleto traz uma preocupação muito interessante com a nova geração de becodalamenses, querendo estimular as ações da juventude no Beco da Lama, um lugar onde é marcado pela boemia madura. Uma composição que o seu membro mais novo beira os quarenta anos, não será uma tarefa das mais fáceis trazer a juventude para o Beco da Lama...

No mais, vamos aguardar os acontecimentos nessa reta final da eleição.

Atenciosamente,

Alexandro Gurgel
SEMPRE SAMBA

23 de abril de 2006

A peleja dos candidatos no Beco da Lama

Foto: Hugo Macêdo O candidato da chapa Sempre Samba, Alexandro Gurgel, apresenta aos becodalamenses uma série de propostas para a futura gestão da Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências.


No último sábado pré-eleitoral, durante a Tribuna do Candidato, no Beco da Lama, a chapa Sempre Samba se firmou como a melhor opção para gerir as ações da Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências - Samba. Mais uma vez, apresentamos propostas reais e inovadoras para a construção de uma confraria forte e atuante na vida cultural do Centro Histórico natalense.

Durante toda a campanha eleitoral, a chapa Sempre Samba demonstrou profissionalismo, valorizando a entidade, com a criação de cartaz e camisetas para a divulgação da chapa, dando a devida atenção e respeito que o Beco da Lama merece. Os componentes da Sempre Samba se reuniram periodicamente para desenvolver propostas viáveis para estimular ações culturais no Beco, as quais foram apresentadas em jornais, na televisão, na lista de discussão e no debate com a outra chapa.

No entanto, a chapa comandada pelo professor Bira até agora não disse o que quer fazer pela Samba e pelo Beco da Lama. Não há propostas, ninguém viu nem um panfletinho xerografado sequer, apresentando a chapa como uma alternativa nas eleições. Durante seu discurso na Tribuna do Candidato, o professor também não apresentou propostas, mostrando o total despreparo da sua candidatura, sem planos para uma futura gestão. O professor Bira e seus “pares”, na chapa adversária, estão inertes perante o pleito. Será esse comportamento uma demonstração de uma futura gestão?

Alguns confrades não gostaram quando foi dito que a chapa oponente não consegue se comunicar com a mídia. Na chapa “birista” não há quem comande uma abordagem aos meios de comunicação. A Samba se tornou muito mais forte e atuante no cenário cultural da cidade porque o presidente Dunga é um homem de mídia, sempre preocupado em trabalhar bem a divulgação dos eventos por ele realizados. Além de ser um jornalista atuante, o presidente sempre usou seu ofício de escrevinhador para levar as idéias dos becodalamenses “muito além do Beco”, como diria o confrade cineasta Augusto Lula, agregando valores culturais ao Beco da Lama.

No próximo sábado, dia 29 de abril, os amigos do Beco da Lama e adjacências que assinaram o Livro Preto da Samba vão escolher quem será o Diretor Executivo da entidade pelos próximos três anos. Agora, diante o comportamento dos candidatos, cabe aos eleitores decidir como será a próxima gestão da Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências.

Ciente de ter contribuído para um pleito democrático, participando ativamente da campanha eleitoral, a Sempre Samba agradece aos simpatizantes da nossa candidatura pela confiança depositada.

Por amor ao Beco da Lama, vote Sempre Samba.

Atenciosamente,

Alexandro Gurgel
SEMPRE SAMBA

21 de abril de 2006

Barrados no Salão

Poeta Plínio Sanderson

Por Plínio Sanderson
Foto: Hugo Macêdo

há algo de novo na arte?
depois do escandaloso "salão dos recusados" (1863)
extasiados pela modernagem eufórica da belle èpoque, em 1874
jovens pintores recusados no salão oficial de paris
antenados no futuro constituem "sociedade anônima":
monet, renoir, pissaro, sisley, cézanne, degas, morisot
e expõem (à margem do salão) na casa do fotógrafo nadar
boulevar dos capuchinhos nº 35
deflagrando uma ruptura estética e temática no umbigo da arte
inaugurando com o "impressionismo"
a contemporaneidade das vanguardas.

na "teoria do conhecimento": o pensamento mítico, o senso comum, a ciência a filosofia e a arte são modos de enxergar o mundo.
o conhecimento, entretanto, só é relevante quando transforma ambos
tanto o sujeito (cognoscente) quanto o objeto (fenômeno)...
será que a liberdade assusta? O público gosta do já visto?
detesta ser apanhado desprevenido ou surpreendido pelo imprevisto?

a arte cumpre sua função quando transgride
desafia os parâmetros vigentes.
explorar o mundo sem constrangimento.
desprezo total pelas obras-primas absolutas...
desorientação estética?
durante séculos os artistas foram tolhidos pelos mecenas, pela religião
pelos preceitos dos críticos e, recentemente, pelos curadores.
quebrar as algemas, recusar a rotina e o academicismo.
o inconformismo abre as portas para emancipação.
em natal 2006, o "barrados no salão" celebra o
8 de maio - "dia do artista plástico".
uma plêiade de artistas, deserdados da vida cotidiana
em entrelaçamento de influências e confluências pessoais
num ímpeto de liberdade individual e igualdade social
proclamam contra a receita técnica, o escolhido,
o distinto, o excepcional,
contra o acabado, contra os cânones hierárquicos
e as falsas elegâncias dos salões e vernissagens.

tira as teias esclerosadas dos teus olhos.
a arte não é só fruição, mas síntese da essência cultural de um instante histórico.
sem bulas ou encíclicas
"barrados no salão" prega ver a arte com os olhos livres
sem hors-concours ou excluídos!

20 de abril de 2006

ENTREVISTA: Fernando Lucena

Jornalista Alexandro Gurgel entrevistando o vereador Fernando Lucena (PT). Foto: Carlos Alves


O sindicalista Fernando Lucena começou sua carreira política em Natal, durante o ano de 1986, quando ingressou no serviço público, na Prefeitura Municipal do Natal. Preocupado com a situação precária dos trabalhadores dos serviços de limpeza, asseio e conservação, fundou a ASSURB (Associação dos Servidores da Urbana).

Sua vocação política começou a despontar ainda na adolescência, em 1967, durante o movimento estudantil, tendo sido dirigente da União Estudantil Caicoense e do Diretório Central dos Estudantes de Pernambuco, quando cursava Relações Públicas na Escola Superior de Relações Públicas de Pernambuco.

Em meio a grandes lutas em defesa dos trabalhadores, Fernando Lucena teve habilidade política para fortalecer a categoria, dando origem a criação do Sindicato dos Trabalhadores em Limpeza, Asseio e Conservação do Estado do Rio Grande do Norte, onde exercendo o cargo de Presidente, vem comandando a luta que tem garantido grandes conquistas para a categoria.

Fernando Lucena foi militante do Partido Comunista Brasileiro, fundador do Movimento Gregório Bezerra. Atualmente, Fernando Lucena é filiado e dirigente estadual do Partido dos Trabalhadores. É membro da Comissão de Saúde, Educação, Assistência Social e Defesa do Consumidor e do Conselho Municipal de Saneamento Básico.

Com uma expressiva votação de 4.186 votos, Fernando Lucena foi eleito com o primeiro mandato de vereador natalense nas últimas eleições. Com um comportamento inquieto e posições políticas polêmicas, o vereador Fernando Mineiro promete ser a voz da classe trabalhadora e das camadas mais populares.

Vereador, o senhor vem fazendo severas críticas ao senador Fernando Bezerra, dizendo que ele não era um bom líder do governo Lula no Senado. Até que ponto o senador Fernando Bezerra atrapalha a reeleição de Lula?
É um homem que passou oitos anos como senador e mostrou que não tem coerência ideológica, pois participou de dois governos. Ele é uma contradição. Foi ministro da Integração Nacional e agora, faz parte da bancada do governo Lula. O Antônio Carlos Magalhães, que eu acho uma desgraça, quando era líder do governo, conseguiu para a Bahia o Pólo Petroquímico de Camaçari, a fábrica da Ford, entre outros benefícios. O que o Fernando Bezerro trouxe para o nosso Estado? Nem uma fábrica de carro de mão. É um senador que não disse para que veio. Agora, só porque é líder do governo Lula, eu tenho obrigação de apoiá-lo? Não há menor possibilidade de isso acontecer. Eu não tenho nenhuma identidade política ou ideológica com esse cidadão. Eu só voto em que eu acho que, pelo menos, está próximo daquilo que eu penso.

Como o senhor avalia o comportamento do prefeito Carlos Eduardo em relação a bancada governista na Câmara Municipal.
Olha, é muito complicado. Qualquer vereador da bancada do prefeito que queira uma audiência com ele, não consegue para menos de 60 dias. Ora, para você ser governo - votando aquilo que o prefeito quer -, você precisa ter algumas vantagens sobre os demais vereadores. E a reclamação que vejo da bancada governista é que o prefeito não atende e maltrata os vereadores. E o que é pior, ele não respeita a Câmara Municipal. Aí é onde eu entro. Eu acho que o prefeito deveria ter um bom relacionamento com a Câmara porque é uma instituição de um poder independente e autônomo. Sou um vereador eleito pelo povo e não tenho satisfação a dar a prefeito. E ainda há o voto secreto que querem acabar. É preciso esclarecer que o voto secreto é um avanço em benefício da sociedade. É preciso esclarecer que o voto secreto é bom para umas coisas e ruim para outras. Nessa questão de derrubada de vetos do prefeito, o voto secreto é bom. Os poderes políticos e econômicos do prefeito não influírem nas decisões secretas dos vereadores da própria bancada governista.

Com os vetos dos vereadores aos projetos do prefeito, de vez em quanto, ocorrem algumas retaliações por parte da prefeitura, ameaçando que vai cortar cargos. Como o senhor ver a postura do prefeito Carlos Eduardo?
É uma grande contradição. Acho que as pessoas que apóiam o prefeito devem ter identidade política com Carlos Eduardo. Eu era da bancada do prefeito e meu partido ainda faz parte da bancada, mas agora, eu sou oposição. Quando eu era da bancada do prefeito, eu não via nada de positivo. O prefeito passou o primeiro ano querendo “arrumar a casa”. Ô casa demorada pra ser arrumada! (risos). Já estamos em quase em abril do segundo ano e a coisa está de mal a pior.

Então, o senhor está dizendo que não tem cargos na Prefeitura?
Não tenho e não quero. Acho que Carlos Eduardo tem que dá os cargos aos vereadores que o apóiam. Mas, deveria ser de uma forma transparente. Eu vejo alguns vereadores da bancada governista falando mal do prefeito. Um dia, eu abordei um vereador e disse: “rapaz, você metendo o pau no prefeito e está aí na bancada. Como é que fica isso?” Eu quando era governo tinha que defender porque sou um cara coerente.

Num raciocínio hipotético, há um grupo de vereadores que defende os interesses dos empresários dos transportes urbanos e que formam a chamada “bancada do Seturn”. Como o senhor absorve a atuação desta bancada contra a grande população usuária de transportes coletivos?
Eu quero começar dizendo que o sistema de transportes urbano de Natal é um dos piores do Brasil e um dos mais caros do país. Há uma conivência muito esquisita na Câmara Municipal. E vou além da CMN, vou ao Poder Judiciário. Acho que é preciso que a sociedade natalense acorde! Para você ter uma idéia, lá na periferia, as linhas de ônibus quando não dão lucro, as empresas mandam tirar. Quando entra um alternativo na linha, “eles” botam na justiça e conseguem uma liminar, suspendendo o serviço e o povo fica andando a pé. Há dois anos existe uma liminar de um juiz proibindo as licitações. Isso é uma interferência na prerrogativa do prefeito, na prerrogativa do Poder Legislativo. Essa atitude é uma interferência do Poder Judiciário de maneira nociva a sociedade natalense. Além de você ter essa relação com os vereadores defendendo os empresários, o cidadão não pode contar com a Justiça. O sindicato patronal não poderia controlar um serviço que deveria ser feito pelo Poder Público. O controle dos tiketes estudantis e o vale transporte para o trabalhador nas mãos do Seturn é um absurdo. O cidadão paga adiantado e é desrespeitado por lá com filas quilométricas e mau atendimento. E ninguém faz nada! Quem perde é o povo que paga caro por um serviço de péssima qualidade.

As linhas de transportes urbanos são utilizadas pelas empresas sem uma licitação de acordo com as normais jurídicas. Os empresários preferem esperar até 2010 para começar o processo licitatório para o sistema de transportes urbanos. Como o senhor ver essa situação?
Uma liminar é uma coisa urgente enquanto o juiz não julga a ação principal. Mas, o prefeito não recorre de uma liminar para resolver a situação e não toma nenhuma providência. Então, o Poder Judiciário não poderia dar essa liminar favorecendo os empresários. Moralmente não podia. Todo o sistema de transporte de Natal é clandestino, menos os alternativos. Até porque, houve uma lei e uma licitação para o serviço dos transportes alternativos, mas o restante é ilegal. Aquelas empresas que atuavam há 50 anos atrás não existem mais, como a Barros, por exemplo. Então, as empresas que prestavam esse serviço não existem mais. Os empresários trocaram os nomes das empresas para atuar como vemos. E tudo isso com a conivência do Poder Judiciário. Acho que o juiz deveria dar satisfação à sociedade. Afinal, ele é um funcionário público. E tem que justificar porque uma liminar, que é uma coisa urgente, faz dois anos que está parada e ninguém recorre e fica por isso mesmo. Ainda temos que esperar para 2010? Que história é essa? Eu quero saber. Estou indo ao Ministério Público para saber que promiscuidade é essa que existe entre o Poder Judiciário, o Legislativo e o Seturn.

Em relação a Saúde Municipal, a secretária Aparecida França tem tido um desgaste político com a crise entre a secretaria e a classe médica. Qual a postura do vereador Fernando Lucena com a saúde?
Nessa queda de braços entre a secretária e os médicos, eu fiquei com ela. Sou da oposição, mas o que queriam fazer com essa moça era uma picaretagem. A máfia branca em ação. Esses médicos fizeram uma greve e ficaram 70 dias querendo falir o SUS, extorquindo a população. O SUS é uma conquista do povo brasileiro. Nessa questão, eu estou com ela e acho que ela foi corretíssima. Teria que ser mais dura do que foi. Mas, o “cabra” pode dizer que a consulta é baratinha, mas a população sabe quando custa um marca-passo? 18 mil Reais num hospital particular e R$ 54 mil pelo SUS. “Eles” embolsam muito. Qualquer prótese de perna custa R$ 30 ou 40 mil pelo SUS e no particular, o mesmo serviço fica em torno de 5 mil Reais. Há uma defasagem num e um superfaturamento em outro. Portanto, alguns desses médicos já deveriam ter sido presos, como o juiz e o Ministério Público queriam. Pena que não foram para a cadeia! Agora, é uma prerrogativa de o prefeito mantê-la no cargo ou não. É uma opção política que cabe somente ao chefe do executivo.

Enquanto a saúde da capital passou por uma crise, a Secretaria de Saúde do Estado, tendo a frente seu irmão, Rui Pereira, tem feito um trabalho dignos de elogios da governadora e também da imprensa. O senhor tem alguma informação que está havendo um trabalho de base para colocá-lo ao lado da governadora Wilma de Faria na chapa majoritária?
Eu sou irmão do secretário e não fica bem eu sair dizendo que ele é bom, que vem fazendo um bom trabalho (risos). Eu sempre soube, e todos estão vendo, que ele é um cara muito competente. Já foi assessor nacional do Ministro da Saúde, exerceu o cargo de diretor da Fundação Nacional de Saúde, prefeito de Serra Negra do Norte, no Seridó, entre outras funções. Ele tem um currículo muito positivo. Agora, com relação a candidatura, acho que é uma decisão do partido. O PT tem vários nomes e o dele é um dos que corre nesse sentido. Eu não queria opinar porque é meu irmão e não fica bem.

E o nepotismo político. Qual sua visão sobre o assunto?
O único projeto político contra o nepotismo que circula na Câmara é meu. Eu acho uma aberração. Eu digo sempre: “a corrupção tem pai e mãe. A mãe é a terceirização, uma ‘caixinha preta’ onde se gasta o dobro e todos os políticos defende porque eles devem levar alguma vantagem. E o pai é o nepotismo”. Como alguém pode dizer que o meu parente é melhor do que as outras pessoas? Por isso que não quero dar opinião com o secretário de saúde (risos).

O senhor acredita que as ações contra o nepotismo vão atingir o Poder Legislativo e o Executivo?
Vai sim porque a sociedade brasileira está exigindo isso. Não dá mais para o político ficar empregando seus parentes. Quem quiser cargos que vá a luta! Seja candidato, seja eleito e vá atrás do seu espaço público. E não entrando porque é parente de A ou de B. Eu sou radicalmente contra o nepotismo.

Nas colunas de políticas dos nossos jornais surgiram notas dizendo que o senhor é “o vereador que veio do lixo”, como uma forma pejorativa de atacá-lo. Como o senhor absorve essas críticas?
Eu acho muito bom. Venho mesmo do lixo e defendo esse povo. Se tivessem dito que eu vinha das elites, então eu ficaria bravo. Não estou aqui para defender as elites porque vim do lixo com muito orgulho. Identifico-me com aquele povo trabalhador que limpa a sujeira desses que não tem o que falar de mim e de outros corruptos que tem aqui. E com a ajuda dos garis, vamos varrendo a sujeira e limpando os políticos corruptos que temos. Se os caminhões de lixo fossem carregar corruptos, passariam mais de 24 horas trabalhando, transportando esse lixo humano que está em todo lugar.

O senhor acredita que a lama que se abateu no Planalto Central com as denúncias do mensalão e o indiciamento de Delúbio, José Dirceu, Marcos Valério, José Jenoíno, Duda Mendonça, entre outros, pode atrapalhar a reeleição de Lula?
Nada! Essa questão de mensalão todo menino besta sabe que existe. Na hora que você é minoria, então você tem que negociar. Não estou defendendo essa prática - eu fui primeiro do partido a pedir uma CPI. Acho que qualquer prática de corrupção deve ser punida. Eu sou o único político desse Estado que defende o fuzilamento para corruptos. O estuprador, o assaltante ou outro criminoso, comete o crime duas vezes e na terceira a polícia o prende e vai direto pra cadeia. Agora, o corrupto rouba a farda da criança, a merenda das escolas, a aposentadoria e a saúde dos idosos, o transporte da população, etc. Então, “eles” matam muito mais do que os marginais todos juntos. Portanto, essa história toda não vai prejudicar a eleição de Lula porque ele é um homem sério. Essa sombra vai passar. Demora, mas passa. O governo de Fernando Henrique Cardoso foi o mais corrupto dos últimos 50 anos. Agora, tudo foi abafado. O governo Lula deixou três CPI’s funcionando para poder apurar tudo e tem que cortar a própria carne, como o PT cortou. Por isso, que hoje, Lula está com mais de 48% de aprovação popular. Todo mundo sabe que quem está fazendo essa sacanagem com Lula é a grande imprensa como a revista Veja, a Rede Globo e outras. Como dizia o velho Brizola: “Quando a Globo e a Veja está de um lado, é porque não é bom”.

Como o senhor avalia o comportamento do deputado Paulo Davim, que abandonou o PT durante as denúncias do mensalão quando a imagem do partido estava desgastada e migrou para outro partido, tentando garantir sua reeleição?
Ele deu um tiro no pé. Ele só se elegeu com os votos do PT e agora eu quero ver. Ele chegou ao partido de última hora e não foi por coerência porque o deputado Paulo Davim nunca foi petista. Ele sempre foi um oportunista que se elegeu e cuspiu no prato em que comeu. Mas, nós, os petistas verdadeiros, não vamos sair do PT. E ele agora vai ver com quantos paus se faz uma cadeira na eleição, sem os votos do PT. O partido não vai dar mais nenhuma cadeira para ele sentar lá na Assembléia Legislativa. Aconselho que ele volte a ser médico e vá cuidar da vida dele, porque duvido muito difícil que ele seja reeleito.

O senhor tem pretensões de ser candidato a deputado estadual nas próximas eleições?
Sim, sou candidato. Não tenho mais idade de perder oportunidades (risos). Já passei dos 50 anos e quero partir pra luta. Acho que há um vácuo muito grande na Assembléia e quem sabe se não vou ocupar o lugar do deputado Paulo Davim (risos). Minha base é a grande Natal e já estou fazendo campanha, andando por todo canto. Sou candidato e vou ganhar essas eleições porque sou do lado do povão e como existe mais pobre do que ricos, eu tenho grandes chances.

18 de abril de 2006

Listando 10 em solo Potiguar

10 Maravilhas do RN

1) Farol do Calcanhar, Touros;
2) Morro do Careca, Natal;
3) Forte dos Reis Magos, Natal;
4) Parque das Dunas (Bosque dos Namorados), Natal;
5) Castelo Engady, Caicó;
6) Açude Gargalheiras, Acari;
7) Fazenda Sabe Muito, Caraúbas;
8) Reserva Ambiental Ponta do Tubarão, Diogo Lopes - Barreiras;
9) Serra do Lima, Patu;
10) Lajedo do Soledade, Apodi.


10 Poetas Potiguares

1) Ferreira Itajubá;
2) Jorge Fernandes;
3) Othoniel Menezes;
4) Myriam Coeli;
5) Zila Mamede;
6) Luís Carlos Guimarães;
7) Chico Ivan;
8) João Gualberto;
9) Marize de Castro;
10) Antoniel Campos.


10 Livros das Letras Norte-riograndense

1) Gizinha, Polycarpo Feitosa;
2) Os Brutos, José Bezerra Gomes;
3) Livro de Poemas, Jorge Fernandes;
4) Salvados, Manoel Onofre Júnior;
5) Os de Macatuba, Tarcísio Gurgel;
6) Canto de Muro – romance de costumes, Câmara Cascudo;
7) As Pelejas de Ojuara, Nei Leandro de Castro;
8) Oiteiro, Maria Madalena Antunes Pereira;
9) A Invenção de Caicó, Moacy Cirne;
10) Pequenas Catástrofes, Pablo Capistrano;


10 Articulistas em Exercício no RN

1) Sanderson Negreiros;
2) Nei Leandro de Castro;
3) Marcos Ferreira;
4) Vicente Serejo;
5) Pablo Capistrano;
6) Clauder Arcanjo;
7) Leonardo Sodré;
8) Carmem Vasconcelos;
9) Eduardo Alexandre;
10) Cid Augusto.

17 de abril de 2006

Coisas do Beco da Lama

O remédio de Helmut
“Deve ser o querosene que estou tomando que está me ofendendo”, reclamava o filósofo becodalamense, Helmut Cândido, no Bar de Nazareth, de uma diarréia que o deixou com o fundo das calças todo borrado, além de espalhar uma catinga que não tinha quem agüentasse. Detalhe: toda vez que Helmut se fere em algum lugar do corpo, ele passa querosene “para melhorar”. Ultimamente, ele estava sentindo uns enjôos e resolveu beber o remédio.

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De poeta
“Astral está puto da vida porque Afonso Romano de Santana disse que Natal só tinha 15 poetas e não citou seu nome”, disse o produtor cultural Dorian Lima sobre a palestra que o poeta mineiro fez na Capitania das Artes, durante as comemorações do Dia Nacional da Poesia, mas não agradou ao poeta potiguar que resmungava pelo Beco da Lama por seu nome não ter sido lembrado.

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O Bar de Nazaré

Becodalamenses no Bar de Nazaré. Em pé, o filósofo Helmut Cândido.

Já é meio velho. Situado junto ao Beco da Lama, na Cidade Alta, é freqüentado bastantemente por velhos e novos fregueses, servindo bebidas e almoço ao som de um pequeno toca-fitas a meia-altura.

São gente de todos os níveis, inclusive, alguns meio intelectuais, professores, muito barulhentos do seu lado de fora, em bancas em torno das quais circulam os fregueses – por sinal inofensivos, porém barulhentos a trocarem impressões descabidas de poucos significados.

Risadagens que ressaltam de vez em quanto, mas palavras que os passantes evitam e não se engajam, passam desconfiados.

O clima no bar é sempre o mesmo: poluente, sem preço e aspecto de tudo prejudicante. A proprietária, parece, é desquitada, mas gente boa.

Os que fazem o Bar não se dão conta de si mesmos, mas a teimosia se perdurará mais uns 5 anos. Alex, o repórter, faz exceção, brinca, se diverte e observa.

O autor do artigo, freqüentador novo, da mesma forma, observa, anda fazendo versos e vendendo-os a preços baratos, porém, versos que valem o décuplo do preço que cobra.

Inapelável sob qualquer aspecto, visto que não são edificantes as querelas das bancas a sair a esmo, sem sentido, causando mais prejuízo do que lucro.

O observador, autor deste artigo, ressente-se como uma impinge no corpo. Cossa-se. Não encontra remédio. Depois, aproveita para ouvir asneiras em tom de brincadeira. Perdoável! Porque se não perdoar, perdão!

As palavras seguem-se aos atos e vice versa.

Isso é o Bar de Nazaré.

José Helmut Cândido
(abril de 2006)

A Entrevista

Por Leonardo Sodré

O jornalista Alexandrino Gurgel sempre gostou de grandes reportagens, de matérias lúdicas, que explorassem ao máximo a vida ou fatos históricos. Para ele, era como voltar no tempo e vivia essa sensação como num êxtase. Quando a direção do seu jornal o remetia para algum lugar histórico ou em busca de um personagem poético, escrevia aos borbotões. Sempre abusou dos adjetivos, mas tem um estilo próprio, característico “de um homem de letras”, como se autodenomina.

Naquele sábado, de mala em punho no Aeroporto Augusto Severo, estava eufórico. O próprio dono do jornal, Araújo Jorge, o havia escolhido para fazer uma longa matéria sobre sítios históricos e algumas aldeias indígenas, nas cercanias de Manaus. Seria uma longa reportagem para ser publicada em série no jornal “Falas de Natal”.

Enquanto esperava o seu vôo, tomava um drinque num dos bares do aeroporto, antegozando os dias que passaria na capital do Amazonas. “Será que tem muitos índios brabos, ainda?” Perguntava-se. “Ora, isso não interessa, os nativos hoje em dia estão civilizados”. Depois, começou a escrever a matéria mentalmente. Decidiu que começaria o texto pela sua chegada no aeroporto, faria algumas incursões sobre a história daquele campo durante a Segunda Guerra, colocaria uma linda mulher flertando com ele, etc. Praticamente acordou, quando a voz metálica e sem vida de uma gravação anunciou o momento de subir a bordo do avião que o levaria para a maior viagem da sua vida.

Quando desembarcou em Manaus, tomou o primeiro susto. Uma lufada de vento quente fez-lo lembrar dos conselhos de sua esposa, Clotilde, que insistiu para que ele não comprasse aquele blaze e sim umas roupas mas leves. Mas, ele havia discutido e argumentado que não ficava bem um jornalista editor geral de um periódico, “chegar que nem um esmole numa capital tão importante quanto Manaus”. Pensou: “Clotilde tinha razão, aqui não dá para usar paletó, nem em quadrilha de São João.”

Ainda no aeroporto, alugou um pequeno avião para uma aldeia próxima. Enquanto subia as escadas da pequena aeronave, pensava: “Araújo Jorge está é gastador...”

O avião já estava sobre a imensidão da Floresta Amazônica, quando o único motor começou a tossir, engasgar, falhar, repetidamente. O piloto, um sujeitinho com cara de motorista de ônibus, cigarrinho na boca e tradicional óculos Ray-ban, avisou:

- Vamos ter que fazer um pouso de emergência. Ali tem uma pequena pista, que era usada por antigos contrabandistas de pedras preciosas. Vamos lá! Ajuda aí Nossa Senhora!

Alexandrino estava apavorado. Puta que pariu! Uma porra desta acontecer logo comigo! Vou me reiar logo na minha primeira viagem para a Amazônia? Logo eu, que haveria de ganhar um prêmio pelas reportagens? E Clotilde, tão novinha, viúva? Que quentura é essa entre minhas pernas...

Não percebeu que pensava falando. O piloto, cara de fuinha, interrompeu:

- Espere aí urubu! A gente ainda não morreu! Vire essa boca para o mar! E deixe para mijar quando a gente pousar...

O pouso na pequena pista improvisada, sem motor, foi relativamente tranqüilo, apesar do avião pular e escoicear feito os bodes de Lajes. Mas, o que mais lhe chamou a atenção foi à presença de outro pequeno avião, que estava na final da pista, de cabeça para baixo, todo arrebentado, ainda soltando fumaças. Também havia feito um pouso forçado, sem a mesma sorte que ele teve.

Sentado numa caixa de rum cubano, havia um homem barbudo, muito parecido com o presidente Lula da Silva, triste, todo esfarrapado, fumando um imenso charuto, também cubano.

Alexandrino, todo mijado, aproximou-se e foi logo perguntando, já puxando a máquina digital do “Falas de Natal” de dentro do bolso:

- O que aconteceu amigo? Você sabe que é a cara do nosso presidente!

O barbudo, recompôs-se, ficou sério, arqueou as sobrancelhas e disse:

- Sou eu mesmo, companheiro! Eu sou o presidente Lula da Silva!

O intrépido jornalista ouviu, no silencio que se seguiu, o barulho de sua máquina fotográfica, quando caiu no meio da poeira do pouso. Esqueceu que estava no meio do nada e, rapidamente ligou o gravador que carregava num dos bolsos, apanhando, também, a máquina que estava entre os seus pés. Já ia esboçar uma pergunta, quando Lula falou:

- Você está querendo saber porque eu estava voando nesse jatinho, né? O problema é que eu tinha que fazer uma visita ao meu amigo Fidel – sorriu – e o jatão da presidência estava na revisão. Sabe como é, né companheiro, avião também faz revisão, como carro...

Só então Alexandrino notou as muitas caixas de rum e charutos espalhadas ao redor do avião acidentado.

Lula notou sua curiosidade e disse:

- Presente do companheiro Fidel. Grande cara, generoso...

Depois, conversaram sobre os acidentes, amenidades, enquanto o piloto seguia a mesma trilha do piloto de Lula, em busca de ajuda, até que o jornalista teve a idéia de propor uma entrevista exclusiva ao presidente, que topou, por absoluta falta do que fazer.

Já estavam na metade de uma garrafa de rum, quando Alexandrino começou, depois de fazer uma série de fotos:

- Presidente, como o senhor vê essa sucessão de escândalos no seu governo?

- Companheiro! Eu não vejo. Eu sinto. O Brasil nunca cresceu tanto. A economia esta em ascensão e o Programa Fome Zero, está quase saindo do zero!

- Presidente, me diga: Dirceu sabia?

- Companheiro! Se ele sabia, eu não sei. Eu só sei que o superávit primário está ótimo! Que batemos todos os recordes de exportações...

- Mas, presidente, e o Delúbio?

- Companheiro, como vou saber de Delúbio aqui no meio da mata? Você sabe dos milhares de empregos que eu criei? O Brasil vai bem! Somos elogiados em todo o mundo!

- Presidente, e a conexão de Marcos Valério e o Banco Rural?

- Companheiro, tenho viajado muito e feito grandes conexões comerciais para o crescimento da economia do Brasil!

- Presidente, vamos tomar outra?

- Só se for agora...

* Texto publicado na Revista Papangu, em novembro de 2005.

16 de abril de 2006

Poemas de Gilmar Leite e Antoniel Campos

"Sempre fica a presença do perfume
Entre os dedos da mão que rega a flor"


Mote do poeta Chico Borges

Quando a mão que derrama sutileza
Solta pingos de água num jardim
Cada pétala se abre dum jasmim
Num sorriso de dúlcida pureza.
Uma essência se exala com leveza
Dando beijos na mão com seu olor
Perfumando com plácido fulgor
Numa oferta divina do seu lume
"Sempre fica a presença do perfume
Entre os dedos da mão que rega a flor".

Cada dedo oferece os orvalhos
Derramados do céu da sua mão
E a flor faz surgir do coração
O presente divino dos seus galhos.
Colibris fazem vôos dos carvalhos
Numa pressa coberta de temor
Como lindos parceiros do amor
Beijam flores morrendo de ciúme
"Sempre fica a presença do perfume
Entre os dedos da mão que rega a flor".

A presença dos pingos cristalinos
Derramados da mão como presente
Faz a flor se abrir toda contente
Igualmente o sorriso dos meninos.
Do seu corpo surgem perfumes finos
Com mil beijos dum grande sedutor
Infiltrando-se nos dedos com ardor
Sem ouvir beija-flores com queixume
"Sempre fica a presença do perfume
Entre os dedos da mão que rega a flor".

Eu comparo a grandeza da verdade
Praticada através da ação humana
Quando a mão da virtude soberana
Joga os pingos divinos da bondade
Sobre o campo da vida o amor invade
Com essências tocando o regador
Perfumando o seu gesto doador
Onde Deus no seu peito logo assume
"Sempre fica a presença do perfume
Entre os dedos da mão que rega a flor".

Gilmar Leite

******---******

"Sempre fica a presença do perfume
Entre os dedos da mão que rega a flor"

E do encontro se fez a despedida.
Do sorriso de então se fez o choro.
Da palavra singela, o desaforo
— a intenção se calou despercebida.
Mas se é fato que há vida além da vida,
tu serás minha vida aonde eu for.
Se do instante impensado resta amor,
em amar-te o instante se resume:
Sempre fica a presença do perfume
entre os dedos da mão que rega a flor.

Antoniel Campos

15 de abril de 2006

Remédio pra subir pau

Paulo Varela
(poeta assuense)

Seu dotô, aqui no mato
Tem remédio perparado
Para pau amolecido
Pra pinto véi arriado
Pra mulé num se queixá
Pra madeira levantá
E resultado tem dado

A mulé de Zé Tomaz
Só anda agora se rindo
Pois o Zé tomou um gole
Pois o pau tava caindo
E ela foi quem me disse
- Eu queria que tu visse
Zé agora anda tinindo

Vou ensinar pro sinhô
Cuma é que o cabra faz
Pro pau não esmorecer
Pro véio ficar rapaz
Pro pau nunca mais cair
Anote pois eu não vou repetir

O cabra pega Jurema,
raiz de Urtiga Branca,
Quebra-pedra, Vassourinha
Xanana, Flor de Jucá
Babosa, Pereiro Branco
Quina-Quina, Mulungu
Velame, Casca de Ameixa
Resina de Catingueira
E a casca do Cumaru
Xique-xique, Macambira,
Oiticica, Juazeiro
Flor de Sabugo, Amargoso
Preto Angico, Baraúna
O sumo da Craviúna
a raiz da Cerejeira
Pau de mastruz, Umbuzeiro
Três de folha de Gameleira,
Semente de Trapiá
Uma Cabeça de Frade
Leite do Aveloz e raiz de Jatobá

Pila tudo piladinho
Cuma se fosse Cominho
Numa bacia de barro
E pra ficar mais sacana
Bote mei copo de cana
E pode empurrar o carro

Toma três gole e tá bom
A bicha fica no tom
Todo mundo que tomou
Ficou bom e aprovou
A bicha fica de pé
É tiro e queda
Se não der certo cum tu
O jeito é tu dá o c...
Fazer papé de mulé

14 de abril de 2006

Fala Potiguar

Traduções de expressões e gírias da Jerimulândia

- Pessoa espertinha: "Eita que bixo galado da gota serena!!"ou "Eita que bixo galado da bixiga, bixo!!"

- Rapaz, deixe de frescura: "Esse bixo parece que dá o frinfra"

- Vai pra merda: "Vai te reá galado ..."

- Expressão de dúvida: "Agora pronto!!"

- Vai pra merda e me deixa em paz: "Omi, RAI dá esse boga"

- Expressão de espanto: "Varêite ..."

- Me deixe em paz: "Dexe de caninga ai carai..."

- Homem feio: "Aquele bixo parece um calango malarrumado, doido" ou "Aquele bixo é cafuçu demais, doido"

- Pessoa cheia de manias: "Marmotento", "PRESEPENTO"

- Vou descer na proxima parada do onibus: "Vo saltá na proxima"

- Isso é uma droga ou merda: "Sé um carai de asa, doido !"

- Você é doido: "Eitaaaaa omi réi doidoooo "

- Mal cheguei, mas já to de saida: "Passei aki mas ja to PEGANDO O BECO. "

- Isso é legal: "É FUDEROSO HOMI!!!"

- Vocês são muito espertinhos: "BANDIGALADO!!!"

- Expressão no sentido de nao querer opinar sobre um assunto: "SEI NÃO VISSE!!!! "

- Quando uma coisa está torcida ela está "incriquiada"

- Apressado: "avexado"

- Joguei uma pedra nele: "Rebolei um xexo de peda no kengo dakele doido"

- Quebrei minha sandalia: "Torei a arriata da minha chinela"

- Deixe de conversar besteira: "Omi, deixe de cunversá aresia", ou ainda "Omi, deixe de cunversá miolo de pão" ou ainda "Omi, deixe de cunversá miolo de pote"

- Tá com frio?: "carai, tá foda!"

- Tá com calor?: "carai, tá foda!"

- Quando deu tudo errado diz-se "Você tá GALANDO O PAW!" ou "você cagou no pau"

- Para passar por um lugar dificil: "O caba tem que arrudiar la pelas brenhas pra poder chegar do outro lado"

- Quando tão lhe chateando você fala: "vai inxê o saco duma cega" ou "vai aperriá uma cega"

- O que é isso?: "Que bixiga taboca é isso?" ou "que danado é isso?"

- Surpresa: "Arei maxo! "

- "Onde está sua namorada?: "Kd tua Boy?" ou "Kd tua Bixinha?"

- Sem dinheiro: "Ce ta liso diga!!!"

- Sem dinheiro: "Que bicho/caba Pirangueiro da porra"

- Beijou uma mulher feia: "uauhuhaauhhua, o bicho arrochou uma Pinica pouco feia não"

- Deixe de brincar comigo: "homi deixe de guerra"

- Cade as mulheres?: "Kdê as bixinhas?"

- Mulher bonita: "essa bixinha num é pouco arrumada nao!!!"

- Pessoa insuperável: "Tem parêia não!"

- Fofoqueiro querendo saber a conversa: "Rasgaê a resenha."

- Pergunta se beijou a mulher ou não: "Você arroxou a doidinha?"

- Jogar uma conversa pra enganar outra pessoa: "fazer o migué"

- Pessoa escrota: "caba de pêia"

- Teve uma dor de barriga repentina: "deu um REVESTRÉS no BUXO"

- Eu moro muito longe: eu moro lá nos CAFUNDÓ DO JUDA!

- Vou jogar no lixo: vou REBOLÁ NO MATO!

- Fofoca nova: RESENHA PURA!

- Muita gente: MUNDIÇA

- Pessoa muito magra: SIBITE baleado

- Comichão: XANHA

O Vale Verde do Ceará-Mirim

Mercado do Café

Textos: Alexandro Gurgel
Fotos: Hugo Macêdo

“Nos primeiros tempos da colonização, Estremoz, com seu colégio Jezuítas, onde se educou o grande índio Poti, e sua lagoa povoada de lendas, era o ponto mais avançado no caminho que ia a capital. Pouco adiante do taboleiro, era a mata virgem e misteriosa donde não mais voltavam muitos que nela penetracem. O nome Boca da Mata, como era denominado a região que é hoje o Ceará-Mirim, das terras ubertosas e dos extremos canaviais, infundia certo pavor”. (Manoel Dantas, in “Homens de Outrora”, Editora Sebo Vermelho. Natal, RN, 2001).

No século XVII, quando os portugueses chegaram oficialmente ao Vale do Ceará-Mirim, os índios Potiguares, chefiados por Felipe Camarão, o índio Poti, já habitavam a localidade de Guajiru, as margens do Rio Pequeno, hoje Rio Ceará-Mirim. Logo após a saída dos padres jesuítas, os índios negociaram suas terras com os colonizadores portugueses, os quais utilizaram o trabalho escravo para desenvolverem a economia do lugar, através do plantio de cana-de-açúcar.
O Vale prosperou e cresceu a partir da produção canavieira e, durante a fase patriarcal e escravocrata do açúcar, tornou-se referência de ostentação e de muito luxo, tendo seus senhores de engenhos possuindo carruagens forradas com seda e promovendo pomposas festas para a aristocracia nos salões dos seus Casarões.
Ceará Mirim teve sua origem ligada à criação da primeira Vila do Rio Grande do Norte, a Vila de Estremoz, sucedânea da antiga Aldeia de São Miguel do Guajirú, que foi suprimida por Ordem Régia do rei de Portugal, Dom José I, datada de 3 de setembro de 1759. A Vila Nova de Estremoz foi instalada no dia 3 de maio de 1760.
Ceará Mirim, que na época chamava-se Boca da Mata e pertencia a Estremoz, passou a ser sede do município em 18 de agosto de 1855, sendo chamada Vila de Ceará Mirim. A vila recebeu foros de cidade em 9 de junho de 1882, pela Lei número 837.
De acordo com Luís da Câmara Cascudo, a origem do nome da cidade é dada pela “Seara, várzea do Seara”, rio mencionado pelo historiador no livro “Nomes da Terra”, Sebo Vermelho Edições, que tinha sua nascente entre Lajes e Angicos, atravessando os municípios de João Câmara e Taipu, despejando no mar na Barra de Inácio de Góis. A tradução do vocábulo “Ceará”, segundo o escritor José de Alencar é “fala ou canto do papagaio”.
“No Vale cobriu-se de canaviais e, sede de rico patriarcado agrícola e industrial, com elegância e poderio econômico, Ceará-Mirim tornou-se um dos primeiros municípios da Província do Estado”, escreveu Câmara Cascudo.
O município está localizado a 33 km de Natal, na região do Mato Grande. A cidade preserva alguns casarios do início do século XIX, construídos no auge da produção açucareira.
A economia local continua tendo como grande referencial os produtos agrícolas, com destaque para a produção de cana-de-açúcar, banana, goiaba e mamão. O vale também oferece uma variedade de produtos como a avicultura, o pescado, produção de rapadura e o turismo. O artesanato é representado por vasos de argila e peças ornamentais de cerâmica, abundantes na região.
No folclore, destacam-se os Caboclinhos do Ceará Mirim, que desde o ano de 1952 apresentam-se para o povo. É também Ceará Mirim o município onde existe o maior número de lendas. Entre elas, destaca-se “O Porão e a Lenda da Cabeça”.
A tradicional festa da padroeira da cidade, Nossa Senhora da Conceição, acontece entre os dias 28 de novembro ao dia 8 de dezembro, com extensa programação cultural, religiosa e festiva.

Solar dos Antunes

Casarios contam a história

O Solar Antunes é um imponente casarão no centro da cidade, foi construído em 1888, em estilo colonial, pertenceu à família Antunes e foi doado por Rui Pereira Júnior, seu último herdeiro, para ser a sede da Prefeitura Municipal.

Iniciada pelo Frei Ibiapina, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, levou longos 40 anos para ser construída. Atualmente, a igreja é considerada um dos maiores templos religiosos do Rio Grande do Norte.

Reformado recentemente pela Prefeitura Municipal, o Mercado do Café é o marco de uma economia ativa e próspera durante o ciclo canavieiro. Construído por volta de 1880, o mercado era um grande entreposto para a comercialização dos produtos da cana de açúcar (rapadura, mel, álcool, açúcar, melaço e aguardente).

Inaugurada em 1906, a Estação Ferroviária de Ceará-Mirim integra a população cearamirinense com a capital do Estado. Nos seus vagões, o tem trazia novos comerciantes para a cidade e levava a produção do Vale para Natal.

Engenho Mucuripe

Os Engenhos do Vale

A paisagem bucólica, entre verdes canaviais, palmeiras imperiais e frondosas mangueiras, esconde verdadeiros tesouros históricos. Dezenas de Engenhos, alguns em ruínas e no completo abandono, outros intactos e preservados, formam a “Rota dos Engenhos”, projeto turístico da prefeitura de Ceará-Mirim.

O Museu Nilo Pereira, antiga Casa Grande do Engenho Guaporé, construído em 1850, é de grande importância para a história do RN. Uma das razões é que abrigou o governador da Província, Vicente Inácio Pereira, por volta de 1860. Completamente entregue às traças e morcegos, o Museu Nilo Pereira pertence à Fundação José Augusto, que usa o lugar como depósito.

Na propriedade onde existiu o Engenho Santa Theresa, cuja lembrança é uma enorme chaminé que resistiu ao tempo e permanece de pé, há uma nascente de água cristalina, chamada de “Banho das Escravas”. Como o nome sugere, era o local onde as escravas se banhavam e lavavam as roupas dos seus senhores.

Algumas edificações estão completamente em ruínas, deixando a mostra suas paredes de tijolos duplos, expondo toda a imponência de outras épocas. O velho Engenho Carnaubal, o primeiro do Vale, construído em 1840, oferece ao visitante uma referência da grandeza da arquitetura usada pelos Barões do Açúcar. O engenho Ilha Bela, construído em 1888 pelo Coronel José Felix da Silveira Varela, também está em pleno estado de ruínas.

A terra do Engenho Verde Nasce guarda uma das maiores curiosidades do Vale: o “Túmulo de Emma”. Uma construção onde foi sepultada uma inglesa chamada Emma. Conta a lenda do lugar, que o jovem Victor Barroca, filho do proprietário do engenho Verde Nasce, Marcelo Barroca, foi estudar na Inglaterra e casou-se com uma moça inglesa, vindo morar no engenho.

Ao acompanhar o marido, Emma não resistiu ao clima e faleceu em 1881 (data da lápide). Naquele tempo, a Igreja Católica não permitiu o sepultamento num cemitério, uma vez que sua religião era Anglicana. Seu esposo mandou construir o túmulo no alto de uma colina – local onde o casal costumava passar as tardes – rendendo todas as homenagens possíveis.

A preservação do Patrimônio Histórico está garantida pela conservação de alguns engenhos, uns continuam fechados, mas outros estão em pleno funcionamento. O Engenho Mucuripe, fundado em 1935 por Rui Pereira, o mais antigo em atividade na região, produz anualmente rapadura de boa qualidade, mel e açúcar mascavo.

A Casa Grande do Engenho São Francisco, onde hoje funciona o escritório da Usina Açucareira do Vale do Ceará Mirim, foi residência do Barão do Ceará Mirim. Construído no final do século XVIII, em estilo colonial, o casarão resiste ao tempo e preserva seus traços da arquitetura portuguesa.

Uma gôndola decora a praça do Parque da Cidade, construída em homenagem a cidade portuguesa de Vagos, co-irmã de Ceará-Mirim. O Parque da Cidade é um terminal turístico, com uma infra-estrutura pronta para atender o visitante.

Dentro de uma visão de interiorização do turismo e a diversificação de roteiros culturais, a “Rota dos Engenhos” é uma alternativa cultural, com gosto de aventura histórica, oferecida pelos verdes canaviais do Vale do Ceará-Mirim.

12 de abril de 2006

Um poema de Lívio Oliveira

Silêncio do Tempo

(Lívio Oliveira)

Estou mudo agora.
Mudo, tudo fora.
Mudo, mundo dentro.
Não sei até quando
a mudez será sempre.
Sei que a mudez,
às vezes,
é medo de gente,
é medo do tempo,
uivos do vento.

Minha voz,
nem eu a ouço.
Forço-a como quem,
num pesadelo sem fim,
grita no escuro profundo,
buscando a voz terna
da mãe.

Ficarei assim, mudo,
enquanto tudo durar
como algo que não se deve
ver nem acreditar.
Muito menos repetir,
com ato e voz.

Deixo de acreditar
e emudeço,
no tempo em que meu sonho
trava.

Quando o tempo abrir
e o arco-íris despontar.
Quando um vôo de pássaro
no céu,
uma vaga no mar,
uma folha seca de outono
cair sobre os meus olhos,
bailando, antes, lentamente,
no ar,
dança/esperança,
então, não só os olhos
abrirei.

Abrirei, lá, um sorriso,
o mais verdadeiro,
e minha voz, então,
vibrará, forte,
entre milhões de outras,
nas únicas palavras,
aquelas a que resisto
dizer agora:
creio no homem!

11 de abril de 2006

Dois sonetos de Antoniel Campos

CONTRACANTO

Eu canto se não sinto o que aparento
e invento um contraponto, se nem tanto.
E enquanto me desmonto em fingimento,
sustento o que pressinto em contracanto.

Suplanto esse confronto e me arrebento:
me enfrento, me desminto e me quebranto.
Por manto, em labirinto me apresento:
me ausento, nada aponto e me decanto.

No entanto, me remonto e me acrescento.
Sedento de absinto me transplanto,
conquanto o desaponto seja alento.

E ao vento eu seja extinto, sem espanto,
sem pranto, sem apronto e desatento,
pois lento é que, sucinto, me levanto.


TUDO NADA

O dois que ora divide, ora duplica.
O fogo ainda arde e é já fumaça.
O amargo a mesma língua dulcifica.
Nem sempre o sempre é muito — tudo passa.

O último leitor se chama traça.
O tempo doutros tempos se edifica.
A boca que diz fez dizia faça.
O sempre morre o sempre — nada fica.

Somente quando tudo se erradica
e faz-se do vazio a argamassa,
o sempre se diz sempre — tudo fica.

E aos olhos tudo o mais será mordaça.
E à fala nada mais se clarifica.
E ao sempre sempre o sempre — nada passa.

10 de abril de 2006

Macau, tradição de Sal, Sol e Carnaval no Porto de Ama


Foto e Texto: Alexandro Gurgel

“A ilha de Macau já possuía esse nome velho em maio de 1797, mas seria povoada apenas na década de 1820-1830. Anteriormente seria deserta, por não ter água. Desde a barra do Rio Mossoró, ilhas do Rio Açu, Guamaré, pelo interior às Pendência, estendia-se vida pastoril, fazendas, criação bovina e eqüina, roçarias de mandioca. Pelo litoral, pescarias, exportação de peixe seco, carne-de-sol, couros, sal, muito sal, trabalho de homens livres e negros escravos. Já não mais viviam os indígenas quando a terra se povoou com aldeias, movimentadas e fartas”. (Câmara Cascudo, in Nomes da Terra. 2ª edição, 2002. Editora Sebo Vermelho. Natal, RN.)

A povoação do lugar teve início na Ilha de Manoel Gonçalves, através de portugueses interessados na exploração e no comércio do sal, abundante na região. No ano de 1825, aproximadamente, as águas do Oceano Atlântico, começaram a invadir a pequena ilha, dificultando a permanência dos moradores na área.

Em 1829, tornando-se impossível a permanência dos habitantes na ilha, em função do avanço das águas, decidiram então transferir-se para um outro lugar, escolhendo a ilha localizada na foz do rio Assu-Piranhas, denominada de Macau, nome originado da corruptela da palavra chinesa “Amangao”, que significa “abrigo ou porto de Ama”, deusa dos navegantes.

Macau, com o passar do tempo e com o desaparecimento por completo da Ilha de Manoel Gonçalves, foi crescendo e se desenvolvendo, consolidando-se como um forte povoado às margens do oceano Atlântico.

O povoado de Macau foi fundado pelo capitão português Martins Ferreira e seus quatro genros José Joaquim Fernandes, Manoel José Fernandes, Manoel Antônio Fernandes, Antônio Joaquim de Souza e ainda João Garcia Valadão e o brasileiro João da Horta.

Crescendo sempre, impulsionado pela grade produção de sal, Macau foi desmembrado de Angicos e tornou-se município através da Lei nº 158, de 02 de outubro de 1847. A comarca foi criada pela Resolução nº 644, de 14 de dezembro de 1871, sendo que a Lei nº 761, de 09 de setembro de 1875 elevou à categoria de Cidade e sede do município.

Localizado no litoral norte do Estado, na Região Salineira do Vale do Assu, o município de Macau está a 190 km de distância da Capital, banhada pelo rio Assu, a cidade é cercada por ilhas, praias, mangues e gamboas que encantam nativos e visitantes.

Durante muito tempo, Macau viveu a febre do desenvolvimento da produção salineira e depois teve que enfrentar o declínio de desemprego devido à mecanização da indústria do sal. Nos últimos anos, a economia do município tem se tornado eclética, onde se destacam: a extração de petróleo e gás natural; produção de sal, a maior do país; a pesca; coleta de crustáceos e mariscos; a carcinicultura; atividades turísticas; e é rica na matéria prima de barrilha.

O município de tantas riquezas naturais, e forte potencial econômico é parte do chamado “Pólo Gás Sal” – área de grandes perspectivas de desenvolvimento e produção, localizada entre a região salineira e o Vale do Assu – e tem a esperança de ver funcionar a grande fábrica de Barrilhas, erguida na entrada da cidade.

Percorrendo os caminhos do turismo cultural, o visitante pode relembrar a história da terra macauense através de monumentos históricos como a Coluna da Liberdade, erguida em homenagem ao Centenário da Independência e localizada na Praça da Conceição; e o Cruzeiro da Ilha de Manoel Gonçalves, com quatro metros de comprimentos por dois de largura, construído de madeira rústica, localizado em frente à Igreja Matriz.

Com uma natureza generosa, Macau conta com praias de extraordinárias belezas naturais – Barreiras, Salinas, Camapum, Soledade, Tubarão e Diogo Lopes; com suas antigas e modernas salinas; velhos casarões, o Moinho de Ventos; Museu Marinho. Na área de eco-turismo, a cidade tem a oferecer ainda: passeios de barco, mergulho, manguezais, caminhadas ecológicas e passeio nas dunas. As manifestações folclóricas em destaques são o Fandango, a Chegança, o Coco de Roda, a Lapinha e o Boi de Rei.

O povo macauense é por vocação alegre e festivo. Todo ano, um grande carnaval anima a cidade com trios elétricos e blocos percorrendo as ruas estreitas e muita animação nas praias. Outras atividades festivas no município são: a Festa de São Sebastião, em janeiro; Festival de Música Carnavalesca, no mês de fevereiro; Festa das Flores (comemora a coroação de Nossa Senhora dos Navegantes), em maio; Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, em agosto, com uma grande procissão de barcos; Festa do Sal, em setembro; e a tradicional festa da padroeira da cidade, Nossa Senhora da Conceição, de 28 de novembro a 8 de dezembro.


Patrimônios ecológicos e históricos

As praias que rodeiam Macau apresentam belezas únicas e paradisíacas. Tipicamente de pescadores, as comunidades de Barreiras e Diogo Lopes, localizadas a 30 km de Macau, oferecem toda a beleza da Reserva Ambiental Ponta do Tubarão, onde dunas móveis, falésias, rio, restinga e mangues formam um grande estuário, preservando o lugar contra o turismo predatório.

A 3 km da cidade, a praia de Camapum abriga águas calmas e mornas, atraindo macauenses e turistas. Entre a ilha de Alagamar e a sede municipal, Camapum desponta desde a década de 1990 como a praia mais movimentada do litoral de Macau, tendo como atrativo a vaquejada de praia – única no Brasil – que se realiza anualmente no mês de julho.

Durante o carnaval, a cidade de Macau e suas praias concentram grande quantidade de pessoas, com destaque para o tradicional mela-mela. A cidade se transforma num grande palco com trios elétricos, troças e blocos carnavalescos trazendo alegria e descontração para o povo macauense e visitantes.

O patrimônio histórico concentra o Museu Marinho “Seu Manuíque”, o Museu Marinho, o Museu Carnavalesco “Colo de Santana”, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição com mais de 142 anos, padroeira de Macau, o obelisco comemorativo do I Centenário da Independência do Brasil e os parques salineiros – salinas artesanais. O município disponibiliza à população e visitantes 25 restaurantes e 13 hospedarias.

Terra de poetas como Gilberto Avelino e cronistas como Vicente Serejo, Macau guarda belezas, história e encantamento nas suas terras salgadas, onde o sol aquece a vida de pescadores e foliões.

9 de abril de 2006

Entrevista à TV Câmara

Arte: Túlio Ratto
Cartaz de campanha da chapa SEMPRE SAMBA
O que era para ter sido um debate, terminou transformando-se numa longa entrevista, que vai ao ar na próxima quinta-feira, na TV Câmara, canal 37 da televisão a cabo, no programa Câmara Cultural. Fui convidado por Dunga para o tal debate, cuja gravação começaria às 15:00, da última sexta-feira. Cheguei pontualmente à Câmara Municipal do Natal, mas com a ausência do professor Bira, o programa foi gravado somente comigo. Esperando o outro candidato, começamos a gravação com 10 minutos de atraso e ficamos o tempo inteiro na expectativa que o líder da chapa Beco Vivo aparecesse para apresentar suas propostas (até agora, faltando exatos 20 dias para a eleição, ninguém conhece uma só proposta da citada chapa) e também para podermos debater sobre o nosso querido Beco da Lama.
Numa conversa agradável, muito bem conduzida por Dunga, falamos do Beco da Lama e de algumas idéias que a chapa Sempre Samba propõe para a futura gestão da Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências.
Já falei várias vezes sobre nossas propostas, mas em reuniões periódicas com toda a equipe, as idéias vão se multiplicando e as propostas criam mais argumentos para serem concretizadas.

Segue um resumo das ações que a chapa Sempre Samba pretende trabalhar no Beco da Lama:

a) Pela importância que a instituição representa, defendendo o patrimônio público, promovendo a reestruturação do Centro Histórico de Natal e sempre fomentando ações culturais no Beco da Lama, tentaremos adquirir uma sede própria para a Samba, onde será ministradas oficinas de arte, de literatura, etc. e também servindo de escritório para reuniões, encontros e palestras. Estamos solicitando a casa que foi do poeta Jorge Fernandes, na Rua Vigário Bartolomeu, 601, Cidade Alta, que há alguns anos atrás seria demolida para se transformar em um estacionamento. Além de funcionar como sede da Samba, a Casa Jorge Fernandes pode abrigar a produção dos artistas e escritores becodalamense, vendendo obras de arte e livros.

b) A confraria da Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências reúne um vasto repertório de artistas, poetas, escritores, jornalistas, atores, fotógrafos, professores, advogados, produtores culturais, empresários, entre outros intelectuais que estão dispostos a contribuir para a criação de um jornal cultural que se chamará “Almanaque do Beco”. O jornal também terá a finalidade de fazer uma “prestação de contas” com a confraria, mostrando as ações da entidade.

c) Criação do “Prêmio Literário Jorge Fernandes de Poesias Declamadas” e tentar inserir o evento no calendário oficial da cidade no 14 de Março, Dia Nacional da Poesia. Depois do café da manhã e da palestra, na Capitânia das Artes, faríamos um sarau vespertino no Beco da Lama com música, em parceria com a SPVA e Poesia Esporte Clube com performances e a premiação do melhor declamador.

d) Para celebrar o São João, vamos criar o evento “I Arraiá do Centro Histórico – Forróbeco”. Uma forma de integrar o Beco da Lama com a comunidade da Cidade Alta com muito forró, canjica, milho, pamonha, quadrilha improvisada e tudo que as festas juninas podem proporcionar.

e) Criar um projeto para viabilizar, junto as Tintas Coral, uma pintura das fachadas das casas históricas do Beco da Lama (por enquanto a meta é o Centro Histórico). Já falei com o arquiteto Haroldo Maranhão e ele disse que isso seria viável. Coisa semelhante já foi feito no Recife Antigo.

f) Proibir o trânsito de carros e motos nos finais de semana na Rua José Ivo (principalmente aos sábados) quando a boêmia estará reunida no Beco.

g) Promover a realização de seminários a fim de criar propostas para eventos culturais na no Beco da Lama.

h) Uma prerrogativa estatutária, que pretendemos cumprir ao pé da letra, é em defesa do patrimônio histórico e arquitetônico para que nossa história não seja derrubada. Vários prédios na Cidade Alta estão abandonados, como o prédio que abrigou a TV Universitária, a casa do poeta Jorge Fernandes, o casarão em frente a parada metropolitana (onde abrigou o hotel Magestic), entre outros.

i) Absorver todas as ações da atual gestão que deram certo, como o festival gastronômico, o Carnabeco, Reveillon e outros eventos.

Alexandro Gurgel
SEMPRE SAMBA

NOTAS - Voz do Grande Ponto

“Quebraram meu sigilo bancário, agora podem quebrar meu sigilo do voto, para descobrir que um dia eu votei, porque acreditei em um trabalhador" - Francenildo Costa (caseiro em Brasília).

Justiça na mira da CPI
Com a queda do ministro da Fazenda Antonio Palocci, a crise mudou de endereço e chegou ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Dois funcionários de confiança do ministro depuseram na Polícia Federal. O chefe-de-gabinete de Bastos, Cláudio Alencar, e o secretário de Direito Econômico, Daniel Goldberg, confirmaram que estiveram na casa de Palocci no dia em que ele recebeu o extrato da conta bancária do caseiro Francenildo Santos Costa. Eles negaram ter visto a movimentação financeira do caseiro que fez acusações ao ex-ministro Palocci. Goldberg revelou que Palocci queria que a PF, subordinada ao Ministério da Justiça, investigasse o caseiro. Os depoimentos complicam ainda mais a situação do governo. A oposição já iniciou os ataques a Márcio Thomaz Bastos, que pode ser chamado a dar explicações no Congresso.

Vereador Valente
Sempre disse que a Câmara Municipal de Natal perdeu muito com a saída dos vereadores Jorge Araújo, Olegário Passos, Hugo Manso e George Câmara, que faziam à diferença quando o assunto era de interesse da população. Quem mais perdeu foi a população humilde, que agora sofre com a saúde deficitária, educação de péssima qualidade, com professores em greve e o eminente aumento das passagens dos transportes coletivos. Mas, a Câmara Municipal natalense ganhou a presença do vereador Fernando Lucena que vem preenchendo uma parte da lacuna deixada pelos edis já citados. Com um estilo polêmico, o vereador petista Fernando Lucena faz oposição ao prefeito, cujos partidos são aliados no Estado e no Município (PT e PSB), não mede palavras para criticar correligionários e promete ser um vereador atuante pela causa social.

Concurso de Jornalismo
No próximo dia 5 de abril, o Conselho Regional de Odontologia (CRO/RN) vai promover em sua sede o coquetel de lançamento do “II Prêmio Imprensa de Saúde Bucal”. O concurso vai premiar trabalhos veiculados em televisão, rádio e jornal impresso e que abordem temas relacionados à saúde bucal. As inscrições são gratuitas e começam no dia 21 de abril, dia de Tiradentes (considerado o patrono da odontologia) e podem ser feitas na sede do CRO. No ato da inscrição o candidato deve levar uma cópia do material que será apresentado. Já a entrega do prêmio será no dia 28 de outubro, onde se comemora o dia do dentista. Segundo o presidente do CRO, Ricardo Sá, a idéia do prêmio é incentivar ainda mais o papel da imprensa em informar a sociedade e divulgar o tema da saúde bucal junto a população. “Esse ano iremos dividir em três categorias: tv, rádio e impresso. Antes eram todos juntos e agora resolvemos desmembrar”, informou. Coincidindo com o lançamento do prêmio acontecerá o Sarau Litero-Musical, que é realizado na primeira quarta-feira de cada mês.

Odontologia do Trabalho
Em junho, o Sindicato dos Odontologistas do Estado do Rio Grande do Norte (SOERN) vai ministrar o Curso de Especialização em “Odontologia do Trabalho” para seus associados. O Conselho Federal de Odontologia criou cinco novas especialidades odontológicas, entre elas a “Odontologia do Trabalho”, já reconhecida oficialmente através de um Projeto de Lei 3520/04, de autoria do deputado Vanderlei Assis (PP-SP), que está em tramitação no Congresso Nacional para que seja implantado em todo o território nacional. Mais informações sobre o curso na sede do SOERN ou pelo telefone 84 3206-3498, ou ainda com o doutor Rubens 84 3219.6007 / 8808.3545 e pelo e-mail: soern-odonto@click21.com.br

OABeco e UBE-RN
Depois de inaugurar a nova Ordem dos Advogados do Beco da Lama (OABeco), uma entidade “legal” que tem como objetivo a restauração, em todos os sentidos, do Centro Histórico de Natal, o poeta Lívio Oliveira, junto com um time de intelectuais, refundaram a União Brasileira dos Escritores do Rio Grande do Norte. A UBE-RN pretende integrar e incrementar a produção literária no Estado, cujo objetivo principal é a defesa da presença de escritores locais nas livrarias do Estado. Há ainda o plano de fazer um selo que abrigue a produção de autores da terra. “Nossa entidade está aberta a todos os escritores que estejam comprometidos com a literatura do Rio Grande do Norte”, complementou o poeta.

Homenagem à Othoniel Menezes
A Fundação Cícera Queiroz realizou, no início de março, uma homenagem ao poeta natalense Othoniel Menezes, considerado o “Príncipe dos Poetas” potiguares e autor de “A Serenata do Pescador – Praieira”, canção-símbolo da Cidade do Natal. Poetas, seresteiros, repentistas, trovadores e artistas em geral prestaram um tributo ao poeta, na data de seu nascimento, na casa onde nasceu e onde hoje está instalada a Fundação Cícera Queiroz, na rua das Laranjeiras, centro da cidade.

Eleição no Beco da Lama
No dia 29 de abril, os confrades becodalamenses irão escolher o próximo Diretor Executivo (presidente) da Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências (SAMBA). Devo avisar aos amigos e leitores que sou candidato ao cargo, encabeçando a chapa “Sempre Samba” ao lado do fotógrafo Hugo Macedo, do artista plástico Venâncio Pinheiro, da jornalista Yasmine Lemos, do poeta Falves Silva, do empresário Júnior Amaral, entre outros colaboradores.

Sempre Samba
Para reforçar a identidade cultural do Beco da Lama, nosso grupo pretende lutar para a aquisição de uma sede própria para a Samba, onde serão ministradas oficinas de arte plásticas, literatura, pintura, etc., servindo de escritório para reuniões, encontros e palestras. A chapa Sempre Samba tem intenções de desenvolver um jornal cultural para divulgar a produção literária e os artistas do Beco da Lama, além de ser um instrumento informativo da gestão. Será criado um concurso de poesia declamada com o “Premio Jorge Fernandes” para a melhor performance poética. Para festejar o São João, a Sempre Samba vai tentar viabilizar o “Forrobeco - I Arraia do Centro Histórico”. Os eventos tradicionais como o Carnabeco, o Festival Gastronômico, o Reivellon, entre outros, continuaram fazendo parte do calendário de eventos do Beco.

7 de abril de 2006

Metaplágio 13 POR UM

Metaplagiando a revista Preá, que já foi metaplagiada em processo por Moacy Cirne e que agora está sendo metaplagiada num balaio comum de inutilidades.


13 POR 1 - BECO DA LAMA

Poeta: Antoniel Campos
Poeta Popular: Bob Motta
Contista: Leonardo Sodré
Pintor: Fábio Eduardo
Artista Plástico: Guaraci Gabriel
Músico: Maestro Duarte
Cineasta: Lula Augusto
Fotógrafo: Hugo Macedo
Antropólogo: Plínio Sanderson
Alfarrabista: Abimael Silva
Pesquisador: Oswaldo Ribeiro
Personalidade Literária: Lívio Oliveira
Personalidade Becodalamense: Nazi Canaã


13 POR 1 - BECO DA LAMA underground

Poeta Marginal: Jackson Garrido
Performance Poética: Civone Medeiros
Glosador: Laélio Ferreira
Feiticeiro: Fernando Kalon
Mago Verdugo: Eduardo Alexandre
Artista Plástico: Marcelus Bob
Compositor: Pedro Abech
Músico: Carlança
Aboiador: Chagas Lourenço
Filósofo: Helmut Cândido
Ativista Político: Osório Almeida
Fotógrafo: Lenilton Lima
Personalidade Becodalamense: Gardênia Lúcia


13 POR 1 - POTIGUAR

Poeta: Jorge Fernandes
Poeta visual: Falves Silva
Romancista: José Bezerra Gomes
Pintor: Dorian Gray
Artista Plástico: Ery Medeiros
Cineasta: Moacy Góes
Fotógrafo: Giovanni Sérgio
Político: Djalma Maranhão
Historiador: Câmara Cascudo
Etnógrafo: Oswaldo Lamartine de Faria
Pesquisador: Olavo de Medeiros Filho
Personalidade Literária: Nei Leandro de Castro
Personalidade Cultural: Othoniel Menezes


13 POR 1 - NACIONAL

Poeta: Manoel de Barros
Romancista: João Ubaldo Ribeiro
Contista: Machado de Assis
Músico: Hermeto Pascoal
Cineasta: Glauber Rocha
Pintora: Tarsila do Amaral
Artista: Oscar Niemayer
Dramaturgo: Nelson Rodrigues
Fotógrafo: Alex Uchôa
Sociólogo: Gilberto Freire
Cartunista: Túlio Ratto
Personalidade Literária: Ariano Suassuna
Personalidade Cultural: Luiz da Câmara Cascudo


13 POR 1 - INTERNACIONAL

Poeta: Baudelaire
Romancista: Miguel de Cervantes
Escritor: James Joyce
Dramaturgo: Willian Shakespeare
Artista: Michelangelo
Músico: Villa Lobos
Pintor: Pablo Picasso
Cineasta: Fernando Meireles
Fotógrafo: John Hedgecoe
Sociólogo: Madre Teresa de Calcutá
Político: Nelson Mandela
Personalidade Literária: Fernando Pessoa
Personalidade Cultural: Jorge Luiz Borges

6 de abril de 2006

Música Popular Potiguar no Beco da Lama

Arte Venâncio Pinheiro

Em maio, o Beco da Lama vai sediar o I Festival de Música do Beco da Lama (Mpbeco) que acontece nos dias 13, 20 e 27. Para participar do concurso que vai premiar, em dinheiro, os três primeiros colocados e melhores intérprete e arranjo, é exigido que o artista ou banda residam há, pelo menos, dois anos no Estado e apresentem trabalhos inéditos.
Os prêmios, revela o produtor cultural Dorian Lima, são de R$ 1.700,00 para o primeiro lugar, R$ 1.400,00 para o segundo, R$ 1.100,00 para o terceiro e R$ 900,00 para melhor intérprete e arranjo. "Cada colocação será, também, uma homenagem a freqüentadores do Beco ligados à cultura, como Bosco Lopes, Maestro Mainha, Celso Silveira, Newton Navarro e Nazir Canan", afirma Dorian Lima.
O organizador do evento explica que o Festival surgiu como uma conseqüência das atividades culturais realizados no Beco da Lama. "A Rua Francisco Ivo, no Centro da Cidade, é um local freqüentado por artistas em geral, não só músicos, mas sentíamos que faltava um espaço para divulgação da produção local e começamos a discutir isso, até que no ano passado surgiu a idéia de criarmos uma competição com premiação em dinheiro com o objetivo de estimular ainda mais essa produção", observa o produtor.
Júlio César Pimenta, que também é produtor cultural e organizador do Mpbeco, ressalta que esbarraram em um problema comum aos eventos culturais: falta de verba. "Em maio de 2005 conseguimos enquadrar o projeto na lei municipal Djalma Maranhão e a partir daí começamos a correr atrás da captação de empresas, que é a parte mais delicada. Hoje contamos com o patrocínio da Destaque Promoções, Cardiocentro, Offset gráfica e Instituto de Mama, mas mesmo assim estamos trabalhando com o orçamento no limite para não onerar demais, visto a dificuldade de encontrar parceiros que entendam a importância de eventos como este, mesmo com a isenção fiscal", enfatiza.
Dorian explica que a Destaque Promoções está cobrindo 65% dos gastos do evento, apesar de ser uma proposta diferente do seu perfil de atuação. "A empresa já conhecia a nova efervescência do Beco da Lama e apostou no projeto. Isso se deve ao trabalho que vem sendo realizado pela atual diretoria da Sociedade dos Amigos do Beco e Adjacências (Samba) que investiu em festas como o Carnabeco, o festival de Gastronomia, o reveillon e o carnaval obtendo bons resultados", diz.
Segundo Júlio Pimenta, a seleção das músicas que participarão do I Festival de Música do Beco da Lama será feita por uma comissão formada por três pessoas que escolherão 20 trabalhos que participarão das eliminatórias. "O Mpbeco acontecerá nos três últimos sábados do mês de maio, das 15h30 às 21h, sendo que os dois primeiros são dedicados às eliminatórias nos quais serão escolhidos 5 trabalhos por dia", explica.
No dia 27 de maio acontecerá a grande final do Festival, com os cinco selecionados de cada eliminatória disputando os prêmios oferecidos. "O evento é aberto ao público e será encerrado a cada sábado com atrações a serem definidas. O julgamento será feito por uma outra comissão, formada por cinco pessoas, sendo uma delas indicada pela Fundação Capitania das Artes e as demais pela organização do Mpbeco", afirma Dorian.
Mesmo sendo a primeira experiência em festivais, a organização do Mpbeco está otimista. "A procura por informações tem sido grande, inclusive de artistas de Mossoró, já recebemos alguns CDs e acreditamos que teremos um resultado muito positivo. A idéia é realizar o festival anualmente".

1 de abril de 2006

O Sono de um Justo

Poema de Lívio Oliveira
Foto: Oswaldo Ribeiro

Um mundo à parte,
silêncio e sonho.
O ser mágico entoa cantos
para dentro de si.
Seu pensamento pára
e o tempo estagna
na própria fonte.
Uma fábula estranha
é narrada no idílio
e é só música,
é só cores
a dimensão
em que penetra.

O mago tem poderes
que não são os dos outros,
homens tristes,
ou, iniludivelmente,
tragados pelo real.
Realidade é um mal
que o mago não experimenta.
Foge desse universo,
desse espaço
de dimensões exatas,
exatamente limitadas.
Transmuda-se,
fixa-se
num dos planetas
manchados
das tintas
fortes
que escolheu,
da sua paleta,
depois de ter escolhido
um beco,
um Beco
onde descansar
de sua luta
lúdica,
lunática,
utópica.