30 de maio de 2006

Homenagens à Elino Julião

Gravura de Franklin Serrão
A sombra do juazeiro murchou com saudade de Elino Julião

Gilmar Leite

A sombra do juazeiro potiguar estar solitária com a partida do saudoso cantador do sertão, Elino Julião. Sua copa, que outrora nos deu sombra através da criação artística musical, numa espécie de conforto espiritual, perdeu as folhas, e o tronco ficou envergado, com os galhos em forma de braços, numa súplica cristã, dando um adeus ao poeta musical que cantou o sertão potiguar com a mesma naturalidade que tem os pequenos córregos que deslizam no coração da mata. Elino que rima com menino, era a pureza humana de um coração infantil no corpo de um adulto. O riso estampado entre as curvas enrugadas do seu rosto, expressava uma felicidade tão eterna, como os eternos beijos das ondas na beira do mar. Acredito que a tristeza e o pranto, que tanto assola os seres humanos, não encontraram moradia na alma do cantador potiguar. Como o próprio juazeiro que oferece sua copa frondosa pra o sertanejo se abrigar, fugindo do sol escaldante do meio dia, Elino oferecia constantemente a sua imensa copa de afetos para quem se aproximava dele.

O seu espírito bondoso se projetava através da criação artística, fazendo com que a sua música expressasse sempre o lado bom da vida. Elino não foi o poeta/cantador da negatividade, da falta de esperança e do descontentamento. Tudo pra ele era feito de alegria e felicidade. Mesmo com a idade avançada, onde o crepúsculo da velhice cria sombras pra existência humana, Elino em cima do palco ou fora dele era uma aurora de vigor, de vitalidade e de desempenho. Quem teve a oportunidade de assistir o cantor do sertão, viu que ele não parava um instante sequer.

O grande legado do poeta/cantador foi o compromisso de cantar a sua terra. Através da simplicidade poética musical, Elino exaltou o sertão potiguar com a mesma verdade que Elomar usa ao cantar as barrancas do Rio do Gavião. Acredito que o Rio Seridó deve está vertendo prantos com saudade do seu filho ilustre. Elino abraçou a sua terra com os olhos da observação contemplativa, e fez do seu lugar um mundo encantado de esperança, fé e fraternidade. Na sua música encontra-se a fé cristã do homem sertanejo; nos seu canto, a paisagem da caatinga é expressa com imagens poéticas líricas da relação homem natureza; dentro do seu canto, o romantismo sertanejo é exaltado com pureza e autenticidade; a poesia da saudade da terra é constante pra quem como ele viveu distante do seu lugar, percorrendo os palcos de várias cidades do Brasil; o sentimento ecológico é a grande marca da sua preocupação com os animais do sertão, principalmente o jumento, um dos grandes símbolos da identidade sertaneja.

Elino foi durante o século passado, um dos pioneiros e desbravadores que levou o estandarte cultural da arte nordestina para o Brasil, junto com Luiz Gonzaga, Zé Marcolino, Zé Dantas, Humberto Teixeira, Jackson do pandeiro, Antônio Barros, Rosil Cavalcante, João do Vale e outros compositores menos conhecidos. O cantador de Timbaúba foi percussionista durante alguns anos do ritmista Jackson do pandeiro e teve várias músicas gravadas na voz de Luiz Gonzaga. Na história da musica produzida no Nordeste, Elino tem a mesma importância que têm todos os compositores acima citados. Ele não fez só discos (mais de 40); ele usou a música pra mostrar pro Brasil a sua terra, e fez da vida e da arte musical o compromisso de ser porta voz de um povo simples, que habita uma região repleta de manifestações humanas, complexa e cheia de adversidades. Por isso Elino foi e é imprescindível como forma de patrimônio cultural. O cantador resistiu as banalidades que o forró e outros estilos passam hoje em dia com a deturpação das chamadas bandas de forró. O poeta de Timbaúba universalizou a sua terra com simplicidade, capacidade e responsabilidade. Por isso é autentico e imortal.

Acredito que nesse instante o sertão chora sua partida. Na prosopopéia da imaginação literária, os galhos do velho juazeiro estão suplicando pra que Deus envie de volta quem o cantou tão bem; as folhas da árvore que sempre estão verdes, murcharam de tristeza por não puder mais oferecer a sua sombra ao vate do Seridó; o jumento baixou a cabeça e não relincha mais ao meio dia, e o seu rabo estar assustado com medo de outros “Nascimentos”, que paradoxalmente ameaçam a vida do animal símbolo do sertão. Todas as coisas humanas ou não, que foram cantadas por Elino choram de saudade, sabendo que o cantador menino viajou pra região celestial, e só voltará em forma de música e poesia, se seu trabalho musical continuar tocando em rádios, televisões e demais espaços destinados à cultura nordestina.

Mas nesse momento, acredito que existe um lugar transbordando de alegria com relação a Elino Julião. Esse lugar é o paraíso celestial da música. Pode ter certeza que debaixo dum Juazeiro, lá no céu, Elino está nesse momento cantando sua musica bela pra Zé Marcolino, Zé Dantas, Luiz Gonzaga, Rosil Cavalcante, João do Vale, Humberto Teixeira, Antonio Barros e outros, numa confraternização universal, oferecida com simplicidade e amor através das coisas belas que alimentam o espírito humano.


TRIBUTO A UM ÍDOLO, AMIGO E PARCEIRO - Cantinho do Zé Povo

Bob Motta

Elino Julião da Silva é o nome do meu saudoso ídolo, amigo e parceiro. Nos conhecemos nos idos de 1968, numa fria noite de um sábado do mês de junho, no auditório da Rádio Borborema de Campina Grande-PB, durante o Programa Forró de Zé Lagoa. O saudoso Rosil Cavalcante era o apresentador e a cidade de Campina Grande, ainda não tinha “o maior São João do Mundo”. A coisa era mais simples, mais poesia, mais amor, mais sertão...Um sertão onde a droga não passava nem perto ( pra se falar em maconha, era por debaixo de “sete capas”...); não tinha discoteca e os forrós eram puxados a fole de oito baixos (Pé de Bode); não existia zabumba, era o melê (uma espécie de tambor feito com uma ancoreta sem tampa e o local onde o melezêro batia, não era de couro, era de borracha de câmara de ar); e complementado com o triângulo e o pandeiro, que só faltava falar na mão de um bom pandeirista.

E ali, no Forró de Zé Lagoa, tinha todos esses apetrechos. Foi nesse ambiente que conheci meu saudoso e querido amigo Elino. Nos sábados à noite, quando eu estava por lá pela fazenda Pocinhos ou Malhada de Roça, meu pai mandava Rivaldo Motorista na velha e saudosa veraneio, que vinha cheia para o Forró de Zé Lagoa. Lá, conheci Elino, Marinês, Jackson do Pandeiro, Genival Lacerda em início de carreira e muitos outros ícones da música popular nordestina. Depois do forró do auditório, ia-se para o forró propriamente dito, nas Buninas, Quartel do Quarenta, Bodocongó, Santo Antonio, Zé Pinheiro, e principalmente no Canarinho, o famoso primeiro andar da Rua Quebra Quilos, esquina com o Mercado Central. E sempre nesses lugares, além dos freqüentadores e freqüentadoras costumeiras, “abrejava” de cantores da época.

Minha convivência com Elino foi muito curta, mas intensamente vivida. Nossos laços de amizade estreitaram-se, quando o encontrei por acaso, na casa de Nascimento, seu cunhado, casado com sua irmã Mariquinha, lá na Cidade da Esperança. Aí a gente passou a ser ver mais vezes, sempre que tinha um “pé de cachaça” no quintal da casa de Nascimento, lá estávamos, e Elino, quando estava em Natal, dificilmente faltava a esses encontros...Chico Brasileirinho ao violão e Zezinho do Cavaquinho ao dito cujo, acompanhavam tudo que se propunha a cantar nesses agradabilíssimos encontros.

Em 2000, compartilhamos o palco pela primeira vez, na esquina da Miguel Castro com Jaguararí, no Tributo a Luiz Gonzaga, organizado pelos nossos queridos amigos Mano Targino, do então Bar e Restaurante O Beradeiro, e pelo Marcos Lopes, hoje com o Forró da Lua. Depois, participamos juntos, de vários eventos, onde estava havendo qualquer coisa sobre cultura popular, lá estávamos, às vezes sem termos nem combinado, mas estávamos juntos, nessa parceria informal e voluntária, em defesa das nossas raízes culturais.

A última vez que estivemos juntos, foi na entrega do Título de Cidadão Natalense ao Dominguinhos. Na semana passada, pouco antes de “sua passagem”, nos falamos por telefone, combinando sua participação no meu segundo CD; entraríamos em estúdio dentro de uns vinte dias. Ele iria participar cantando uma marcha de minha autoria, intitulada Entre a Praia e o Cariri, onde falo de todos esses lugares que palmilhamos juntos. Mas não deu tempo. Faz mal não, querido Elino; fica para a próxima encarnação!...Deus te tenha!...


Elino, sempre!

Eduardo Alexandre

Levar Elino Julião ao Beco da Lama foi minha maior alegria enquanto diretor executivo da Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências. Maior ainda por representar um desafio, aos olhos de muitos, intransponível: levar público ao centro de Natal durante uma passagem de ano.

Para mim, aquele evento seria, se alcançado sucesso, a porta aberta para a realização do I Carnaval do Centro Histórico.

Quando, durante a segunda etapa do Pratodomundo, o Festival Gastronômico do Beco da Lama, o secretário de turismo da cidade, Fernando Bezerril, trouxe-nos a notícia de que podíamos anunciar a realização do ‘Réveillon do Beco’, não tive outra reação: dessa vez trazemos o maior forrozeiro vivo do Nordeste para uma apresentação aqui.

Elino era a única garantia de sucesso, se pensássemos em atrações com artistas norte-riograndenses. Era o nosso maior nome. O que representava o que de melhor tínhamos em nossa música. Não podia ser outro.

Porque Elino era, e continua sendo em sua música, pura alegria. Um menino que trouxe no sangue o vírus da música de sua terra. Uma caixa de fósforos bastava como acompanhamento. Ou só as palmas das mãos. Bate aqui, bate ali, abria a voz e a música fluía fácil de sua alma. E vinha o puladinho que o acompanhava em todas as apresentações. Puladinho que puxava o ritmo, que trazia a coreografia que caracterizava o seu forró mais genuíno de pé-de-serra: sanfona, pandeiro, zabumba e triângulo.

Da combinação destes instrumentos com a voz de Elino, estava servida a melhor receita do som do nordeste. E como Elino contagiava! Como, além de alegre, era bem humorado em sua música! E como cantava com amor a sua terra, seja o Seridó, seja Natal ou o próprio RN, o Nordeste, o Brasil!

Sim, porque Elino representava e representa o que de melhor temos de Brasil e de música brasileira. Até na picardia. Na pulha nordestina.

Os temas de Elino podiam ser o São João ou próprio forró, como o rela-bucho de tanto sucesso interiores afora. Podia ser a cidade e seus logradouros, como no Forró da Coréia.

Quando anunciei a programação que propúnhamos para o Réveillon, chamaram-me de doido: Forró em plena passagem de ano?

Forró, sim. Forró de Elino Julião.

Tomei coragem e telefonei para ele.

Como dizem os daqui: pense numa conversa gostosa! O homem era pura simpatia. Que energia transmitia em cada palavra!

Ah, Elino! Sei ser fácil em palavras e gestos como você, não. Deixo aqui, entre os que ficaram, mais que uma palavra de saudade e homenagem. Deixo uma palavra de agradecimento por você ter-nos feito felizes em tantos momentos, e por toda essa vasta obra que continuará para sempre, com grande alegria, invadindo os sertões nordestinos e brasileiros. Sei que você merecia muito mais do que teve em vida. Mas também sei que você partiu feliz por ter deixado tudo o que deixou. Especialmente o ritmo alegre e o jeito feliz que foi você e todas as suas composições, até nas debochadas, todas, sempre, cheirando a povo.

Povo do Nordeste do Brasil.Obrigado, esse menino de Timbaúba.

Valeu!

26 de maio de 2006

Rumo ao Hexa

Tradução do inglês para o nordestinês

What the hell is that? = Diabéisso?
Hurry up! = Avia, homi!
Take it easy! = Se avexe nao!
Don't be stupid! = Deixe de ser jumento!
Let's go, fellows! = Rumbora negada!
No thanks! = Carece nao!
Very far away! = Lá na caixa prego!
Very good = Danado de bom
This way = Pêralí
So so = Marromeno
Straight ahead = No rumo da venta
Get out of the way = Sai do mei!
That's cool! = É massa!
I give up! = Peço penico!
Wait for me! = Perainda!
Hey, mister! = Ei, seu cabra!
Son of bitch = Fi duma égua!
Come to me, baby! = Simbora, Tonha

24 de maio de 2006

O Porto Seguro do Mar de Galinhos

Texto: Alexandro Gurgel
Fotos: Hugo Macêdo

Uma praia pouco conhecida cercada de natureza por todos os lados, onde a brisa constante de um mar sereno e azul enche os olhos do visitante com tanta beleza. A ilha de Galinhos possui uma vila de pescadores, um farol e vários deslumbramentos que o turista vai descobrindo devagar, andando passo a passo numa areia alva e fina.

Segundo o historiador Luís da Câmara Cascudo, em seu livro “Nomes da Terra”, Sebo Vermelho Edições, Galinhos tornou-se município em 26 de março de 1963, desmembrando-se de São Bento do Norte. A origem do nome “Galinhos”, ainda segundo o mestre Cascudo, deu-se por razão da grande quantidade de peixes denominados “galos”, que se pescava naquela praia.

Viajando pela BR 406, litoral norte do RN, Galinhos está a 175 km de Natal. A praia, é na verdade uma ilha, numa península de mar tranqüilo, acessada somente através de barcos. O trajeto até a ilha é pelo rio Aratuá, onde é possível observar toda a natureza viva dos manguezais com suas garças brancas, aninhando-se nos finais de tarde em busca do repouso.

Quando o barco atraca no Porto do Urubu, só é possível ver os chamados “Burros Táxi”, pois o vilarejo não possui nenhum carro de passeio por suas ruas – a exceção fica por conta de um único buggy da Polícia Militar, que patrulha a área garantindo a segurança dos veranistas e aldeões.

A praia abriga um povo simples, sendo na sua maioria, famílias de pescadores e pequenos comerciantes. Pessoas humildes e hospitaleiras, as quais estão sempre prontas para ajudar ou fazer amizades com o visitante. Suas casas são ladeadas por coqueirais e cercadas de varinhas. “O lugar é residência de pescadores, em aldeias rudimentares, mas de gente laboriosa”, disse Câmara Cascudo referindo-se a Galinhos e seu povo. As ruas são de areia praieira, pois só é calçada a rua principal, que dá acesso a entrada da cidade.

Algumas pousadas foram instaladas recentemente em Galinhos para atender a demanda de turista que visitam a praia. Dando maior conforto ao visitante, e ainda, conservando a rusticidade do lugar, a pousada é uma opção barata e aconchegante.

A praia tem suas águas bravias ao longo da costa atlântica, por ser um braço de terra entrando no mar, com ondas intensas quebrando na beira da praia. Suas areias finas e alvas misturam-se ao banco de pedras que sustenta o Farol de Galinhos, instalado estrategicamente na curva da ilha – onde é possível vê-lo de qualquer lugar do vilarejo –, é um fiel sentinela, avisando aos navios sobre esse pedaço de paraíso.

Ao entardecer, o pôr-do-sol, no estuário do rio Aratuá é um desses momentos mágico da vida. O sol teima em cair mansamente sobre as dunas móveis de areias finas, enquanto as testemunhas ocasionais apreciam o espetáculo no trapiche do porto, ou dentro dos barcos ancorados na beira do rio.

A tranqüilidade da Praia de Galos
Galos é um povoado essencialmente de pescadores, pertencente ao município de Galinhos. Galos é mais primitivo do que Galinhos, não há pousadas em Galos, e para o visitante conseguir hospedagem, tem que falar com Dona Maria, uma velha nativa fazedora da melhor tapioca de coco da região.

Saindo de barco de Galinhos em direção a Galos, pelo rio Aratuá, é possível observar as dunas móveis, conhecidas como “Dunas de Capim”, e as grandes falésias de areia vermelha que circundam a ilha. Garças voando entre os manguezais e as gaivotas fazendo barulho com seus gritos rasgados, enquanto seguem o barco, dão um tom lúdico a vigem até Galos.

Com suas águas marinhas ricas em cloro e sódio, a exploração de sal grosso pode ser vista ao longo da costa, onde várias salinas contribuem para a economia do lugar.

O casamento perfeito entre o rio e o mar, a boa pesca, a tranqüilidade da vida mansa, qualquer coisa sempre será um bom motivo para visitar e curtir a praia de Galinhos, no litoral norte do Rio Grande do Norte.

23 de maio de 2006

Notícias de alguns jornais do Rio de Janeiro

01. "A nova terapia traz esperanças a todos os que morrem de câncer a cada ano."
(Na cova?) JORNAL DO BRASIL

02. "Apesar da meteorologia estar em greve, o tempo esfriou ontem intensamente."
(O frio não estava filiado ao sindicato grevista) - O GLOBO

03. "Os sete artistas compõem um trio de talento."
(Hã?) - EXTRA

04. "A vítima foi estrangulada a golpes de facão."
(uma nova modalidade de estrangulamento) - O DIA

05. "Os nossos leitores nos desculparão por esse erro indesculpável."
(De modo algum!) - O GLOBO

06. "No corredor do hospital psiquiátrico os doentes corriam como loucos."
(naturalmente....) - O DIA

07. "Ela contraiu a doença na época que ainda estava viva."
(Jura?) - JORNAL DO BRASIL

08. "Parece que ela foi morta pelo seu assassino."
(Não diga!) - EXTRA

09. "Ferido no joelho, ele perdeu a cabeça."
(Espera, onde foi o machucado mesmo?) - O DIA

10. "O acidente foi no triste e célebre Retângulo das Bermudas."
(Gente, mas até ontem era um triângulo!) - EXTRA

11. "O tribunal, após breve deliberação, foi condenado a um mês de prisão."
(E será que ele tem cela especial?) - O DIA

12. "O velho reformado, antes de apertar o pescoço da mulher até a morte, se suicidou."
(Seria a volta dos mortos- vivos?) - O DIA

13. "A polícia e a justiça são as duas mãos de um mesmo braço."
(Que aberração!) - EXTRA

14. "Depois de algum tempo, a água corrente foi instalada no cemitério, para a satisfação dos habitantes."
(Água no além para purificar as almas...) - JORNAL DO BRASIL

15. "Há muitos redatores que, para quem veio do nada, são muito fiéis às suas origens."
(Do pó ao pó...) - O GLOBO

16. "O aumento do desemprego foi de 0% em novembro."
(Onde vamos parar desse jeito?) - O DIA

17. "O presidente de honra é um jovem septuagenário de 81 anos."
(Quanta confusão!) - EXTRA

18. "Quatro hectares de trigo foram queimados. A princípio, trata-se de um incêndio."
(Ah, bom achei que fosse uma churrascada!) - O DIA

19. "Na chegada da polícia, o cadáver se encontrava rigorosamente imóvel."
(Viu como ele é disciplinado?) - JORNAL DO BRASIL

20. "O cadáver foi encontrado morto dentro do carro."
(Sem Comentários) - O DIA

21. "Prefeito de interior vai dormir bem, e acorda morto."
(acorda?) - O DIA

Dois poemas de Lívio Oliveira

Poema das Correntes

(Lívio Oliveira)

A cada cadeado
quebrado
um grito
a mais
abafado
antes
será
dado
a
não
ser
que
seja
tarde
demais
e o mago verdugo
te transforme em refugo .


Tolo Poema para Alta Cidade

(Lívio Oliveira)

Alma.
Lama.

Um beco
encrustrado
entre os nervos
estalados
e as veias hirtas
da cidade
é sempre
o início
da trama.

22 de maio de 2006

Lula visita obras da Ponte Newton Navarro

Senador Fernando Bezerra, prefeito Carlos Eduardo e o presidente Lula, em Natal.

Foto e texto: Alexandro Gurgel

Presidente vistoria construção da ponte sobre o rio Potengi que ligará litorais Norte e Sul do RN e anuncia R$ 10 milhões para obras de urbanização

Na manhã da última sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou em Natal as obras da “Ponte de Todos Newton Navarro”, que ligará os litorais norte e sul do Rio Grande do Norte e facilitará o turismo na região. Com 1.800 metros de extensão, a obra vai gerar cerca de mil empregos durante a construção, e receberá financiamento de mais de R$ 140 milhões, sendo R$ 90 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) E R$ 50 milhões do governo estadual. Após a inauguração, a ponte de incrementar o pólo turístico e econômico do litoral norte e sua integração com as praias do sul, criando aproximadamente 90 mil empregos diretos e indiretos.

Na ocasião, o prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, agradeceu ao presidente Lula o repasse de R$ 10 milhões, através do Ministério das Cidades, destinados a obras de reurbanização na comunidade de Lenigrado e nas favelas do Fio e do Alemão, que ficam no bairro Planalto. Os recursos são provenientes do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS) e vão atender 580 famílias, beneficiando diretamente 2.500 pessoas. As obras incluem recuperação de áreas degradadas, construção e forma de residências, pavimentação, iluminação pública e serviços de abastecimento de água e esgoto.

A governadora Wilma de Faria falou sobre a importância da Ponte de Todos Newton Navarro e da sua determinação em construí-la desde que era prefeita de Natal. O empreendimento é considerado o maior em concreto construído no Estado. A governadora ainda cobrou do presidente subsídios para a construção do aeroporto de cargas de São Gonçalo do Amarante e falou sobre as obras que vem fazendo pelo interior do Rio Grande do Norte. “Este é um governo que está fazendo os benefícios para a população sem vender nenhum patrimônio do Estado”, frisou.

No seu discurso, o presidente Lula falou da competência da governadora Wilma de Faria como política, ressaltando suas qualidades desde quando era deputada constituinte. O presidente citou o encontro que teve com a governadora em Brasília, em seu gabinete: “Falei para a governadora que ia liberar os R$ 50 milhões para a construção da ponte e estou cumprindo a palavra”. Lula ainda falou sobre a violência em São Paulo, afirmando que o problema no Brasil passa pela educação, dizendo que gasto é quando se faz uma cadeia, mas com educação é investimento. “Eu prefiro gastar um milheiro de tijolos para colocar uma criança na escola, mas não quero gastar um tijolo para colocar nenhum adolescente na cadeia”, disse.

A Ponte de Todos Newton Navarro

A principal característica da ponte é ser estaiada (ao invés de ser sustentada apenas por pilares, possui estrutura suportada por cabos de aço), permitindo que o vão central tenha altura suficiente para a entrada de navios no Porto de Natal. A ponte terá 31 metros de largura, 110 metros de altura, duas faixas duplas de tráfego, duas de segurança e uma faixa para pedestres. A entrega da obra está prevista para o segundo semestre deste ano.

A ponte deverá absorver um tráfego da ordem de 15 mil veículos por dia, o que representa um quarto de sua capacidade, que é de 60 mil automóveis/dia. Além de criar uma nova via de conexão para transporte coletivo de passageiros entre a Zona Norte e o centro da cidade, também vai viabilizar novos empreendimentos turísticos a partir do litoral norte de Natal.

Segundo o governo do Estado, a obra terá impacto direto para cerca de 300 mil pessoas da região, beneficiando o trânsito entre Natal e outros 16 municípios. Atualmente, existe apenas uma travessia viária do rio Potengi, a Ponte de Igapó, que já foi duplicada, mas está com sua capacidade de tráfego perto do limite. Com as obras da ponte, vários investimentos estão sendo feitos no litoral norte potiguar e mais de 70 empreendimentos turísticos serão construídos na região.

Matéria publicada no jornal O Mossoroense, em 20.05.2006

18 de maio de 2006

Elomar, O menestrel da Caatinga

Elomar fazendo um concerto em Natal.


Texto: Gilmar Leite
Foto: Alexandro Gurgel
Poema: Elomar


Elomar Figueira Mello é um cantador do povo, um menestrel do sertão, um poeta da caatinga, um bardo medieval, um instrumentista virtuoso, um chiqueirador de bodes, um tangedor de gado, um fazedor de cercas e um contador de histórias. O vate da caatinga é o cronista de um povo humilde e pobre que vive escondido e esquecido nos rincões do sertão nordestino. Arquiteto por formação e criador de bodes por opção, o poeta cantador resolveu transformar em lendas as tantas e tantas histórias que ouviu na casa dos mais velhos, durante a infância, às margens do "Rio do Gavião", em Vitória da Conquista, Sul da Bahia.

Avesso ao mundo dos urbanos, principalmente das metrópoles, Elomar se afastou da suposta civilização pra viver na caatinga ao lado dos animais e do sertanejo humilde, tornando-se um cronista do seu povo, cantando através da sua singular música os fatos e acontecimentos da terra em que nasceu e se criou A criação poética, ambientada no sertão mítico e místico, tem raízes ibéricas, barrocas, medievais, clássicas e orientais; todas moldadas por um violão virtuosíssimo e cantadas por uma linda voz que soa como o som de um fagote.

A sofisticação da sua obra reveste-se de uma beleza poética/musical, que engrandece e universaliza o telurismo do sertão nordestino; lugar repleto de adversidades naturais e de manifestações humana.

O cantador do sertão, usando o domínio técnico da música erudita, recria a tradição popular. Enquanto muitos compositores clássicos, que vão de Bach a Villa-Lobos, passando por Ravel e Mozart buscaram a fonte do folclore pra alimentar sua criação erudita, Elomar faz o caminho inverso: ele inunda com sua cultura musical e poética o mundo de sua gente.

A obra do bardo menestrel se afigura com um imenso vórtice de criação, com obras que remontam à sua juventude, trechos de óperas que ficaram inacabadas e que hoje grande parte já está concluída, canções populares, louvações, longos lamentos, concerto para violão, orquestra e coral.

O Sertão como elemento principal da sua poética é mostrado desde as canções até as óperas e sinfonias como um mundo místico e mítico. Nele o poeta cantador relata os dramas seculares das secas, como o êxodo, a fome e a miséria; fala das tragédias de casamentos não realizados, das festas, das donzelas sertanejas, dos desafios de poetas repentistas, do vaqueiro, da maneira dialetal do povo falar e da relação do homem com a terra e com Deus. Na sua obra magnífica o cantador transcende o medieval, quando mergulha na idade média, nos trazendo todo o universo da cavalaria, com seus cavaleiros, menestréis, reis, rainhas, príncipes e princesas. Mas é no sertão que Elomar torna a sua obra mais fincada na raiz da nossa identidade cultural. Nos seus cantos sempre há uma súplica do cantador pra que o caatingueiro não deixe a terra; mesmo nas condições mais adversas. O poeta afirma que a chuva um dia voltará e tudo renascerá; mas a saída do homem sertanejo, Elomar vê o não retorno, ou quando retorna, volta com outro corpo de valores culturais, influenciado pelo mundo dos urbanos, perdendo assim a sua alma caatingueira.

Embora a sua obra mostre através do épico as tragédias do universo sertanejo, onde a morte e as desventuras fazem parte do cotidiano, ela tem um compromisso profundo com a vida, e nos enche de um sentimento telúrico profundo, nos tornando mais humano e preparados para vida.

Apesar de ter um público fiel e crescente, Elomar ainda é rotulado por grande parte dos urbanoides, ou alguns "nordestinos", como radical e regionalista de maneira pejorativa, cheia de descriminação. Mas enquanto essas pessoas e grande parte da mídia o tratam com indiferença, o velho menestrel da caatinga mergulha cada vez mais na raiz profunda do seu povo e universaliza a sua aldeia através de um belo canto cósmico sobre o Homem, a Terra e Deus.


Na Quadrada das Águas Perdidas

Da Carantonha mil légua a caminhá
muito mais, inda mais, muito mais
da Vaca Seca, Sete Varge indo pr'á lá
muito mais, inda mais, muito mais
Dispois dos derradêro cantão do sertão
lá na guadrada das águas perdida
Réis, Mãe- Senhora, beleza isquicida
bens, a lagoa arriscosa função
O Câindo chiquera as cobras mais cedo
aparta os cabritos mi cura Segredo
chincha Lubião, esse bode malvado,
travanca o chiquerô, ti avia a cuidar
Alas qui as polda di Sheda rincharo ao luá
na madrugada suadas de medo pr'a lá
Runcas levando acesas candeia inlusão
da Carantonha mili légua a caminhá
mil badaronha tem aqui tê pr'a chegá lá
Sete jinela sete sala um casarão
Laço dos Moura, Varge dos trumento
Velhos Domingos, Casa dos Sarmentos
Moça, sinhoras, Mitriosa função
Dá pressa in Guilora a ingomã nossos terno
Albarda as jumenta cum as capa de inverno
cuida as ferramenta num dêxa ela vê
Si não pode ela num anuí nois í
Onte pr os norte de Mina o relampo raiô
Mucadim a mãe do ri as águas já tomo
Anda muntemo o mondengo pra nois í prá lá.

Glossário
alas qui: acontece que consta que
as poldas: éguas ainda jovem
Sheda: nome próprio, o dono das poldas
runca: senhoras festeiras
badaronha: maneirices, artifícios
albarda: arreia os jumento (de albarda)
anuí: do verbo anuir, consetir
mucadim: pode acontecer que
a mãe do ri: mãe do Rio, o jeito mais fundo
motemo o modengo: tomemos iniciativa

10 de maio de 2006

Funeral de Aluízio Alves comove o Estado

Governadora Wilma de Faria, Aluízio Filho e o deputado federal Henrique Eduardo contemplam o corpo do ex- governador Aluízio Alves.

Texto e Foto: Alexandro Gurgel

“Aluízio Alves, vem do sertão lá do Cabugi...” era a marchinha da memorável campanha para governador, em 1960, que tocava no carro de som, em frente ao Palácio Potengi, onde uma multidão se aglomerava na esperança de ver, pela última vez, o corpo do ex-ministro Aluízio Alves. O velório atraiu gente de todo o Estado. Nas proximidades do Palácio Potengi, ônibus de várias cidades do interior indicavam o prestígio que Aluízio Alves exercia no Rio Grande do Norte.

Sobre o caixão estavam a bandeira do Rio Grande do Norte, o Estado que ele ajudou a desenvolver; a bandeira do PMDB, o partido que foi liderado por ele durante muitos anos; e a bandeira do Brasil, de onde foi ministro de estado por duas vezes. Ao lado do caixão, o filho, herdeiro político e deputado federal, Henrique Eduardo Alves era a imagem da tristeza que se abateu no seio da família. Aluízio Alves Filho, o senador Garibaldi Filho (sobrinho), Ana Catarina (filha) e Madre Alves (irmã) recebiam os pêsames da população emocionada. “Recebemos o carinho e agradecemos ao Rio Grande do Norte, razão da vida dele. Muito obrigado todos”, declarou Henrique Eduardo.

Solidários com a dor do deputado federal, também estiveram os centenas de potiguares que acompanharam a missa de corpo presente num telão, instalado ao lado do Palácio Potengi. Durante a missa, Dom Matias Patrício lembrou que o arcebispo emérito do Rio de Janeiro, dom Eugênio de Araújo Sales, no domingo, celebrou uma missa em memória do ex-ministro Aluízio Alves. “Vamos celebrar a vida. A vida que quando Deus quer chama para si”, ressaltou dom Matias.

No final da tarde, a Guarda de Honra da Polícia Militar acompanhou o caixão até o carro do Corpo de Bombeiros, que esperava na saída lateral da Praça André de Albuquerque. Durante o trajeto pela Rua Rafael Fernandes, no Alecrim (proximidade do Passo da Pátria), aconteceu a primeira manifestação popular, uma demonstração de que o cortejo ficaria na memória do povo.

Nas calçadas, janelas, no meio da rua, correndo atrás do carro do Corpo de Bombeiros, o povo saudava o cortejo fúnebre com galhos de árvores, lenços brancos e bandeiras verdes. Depois de passar pela Praça Gentil Ferreira, onde Aluízio Alves realizou discursos memoráveis, a multidão seguiu pelas ruas das Quintas, relembrando o “Trem da Esperança” em direção ao bairro da Cidade da Esperança, criado pelo ex-governador e onde outra multidão o aguardava.

Em todo o trajeto, podia ser observada a emoção das pessoas com choros e aplausos. O corpo do ex-ministro seguiu pela Prudente de Morais e Avenida da Integração, até a BR-101. A passarela de Neópolis ficou lotada de pessoas que foram se despedir de Aluízio Alves. O cortejo chegou ao cemitério Morada da Paz no final da tarde e foi recebido por centenas de pessoas que aguardavam a chegada do ex-ministro no cemitério desde as primeiras horas da manhã de domingo.

Com a entrada do caixão pelo cemitério, três salvas de tiros de cadetes da Polícia Militar fizeram as honras militares ao ex-governador. Enquanto o féretro seguia para o jazigo, as antigas marchinhas de campanha eram entoadas pela multidão, numa emocionante despedida a um dos maiores líderes do Rio Grande do Norte. O bispo de Campina Grande, Dom Jaime Vieira Rocha, pediu a Deus para recebê-lo entre seus eleitos. O ex-senador Geraldo Melo falou pelos amigos, ressaltando sua amizade com Aluízio Alves. O filho, deputado federal Henrique Alves, discursou em nome da família e se emocionou ao homenagear o pai.

O caixão desceu à sepultura, a eterna morada do “Cigano Feiticeiro”, ao som melodioso de “Ave Maria”, representada pela flauta de Carlos Zen e pelo violino de Larissa Rodrigues e sob os aplausos das pessoas emocionadas.

6 de maio de 2006

Léo, todo dia três

O intrépido jornalista Léo Sodré voltou à Mossoró com todo o gás.

por Frei Carmelo

O jornalista Léo Sodré, recuperando-se de uma pneumonia, com internação em UTI, após se submeter a um cateterismo, já está pronto pra voltar à Mossoró.

Consciente que abandonará o cigarro e o run exagerados,por vontade própria,sem pressão, mas evidentemente, com algum medo, Léo é outra pessoa. Mesmo lembrando-se, da agonia que passou no hospital, tendo que respirar ares de ova de curimatã do Gargalheiras,azêda e úmida e pensando nos dois joelhos de um efermeiro de 80 Kg, no seu abdomen e os braços fortes de outro agarrado em suas pernas, para remover a válvula do catéter.

Com a responsabilidade de ser editor chefe do maior jornal da região oeste do estado, O Mossoroense, ele se dedicará quase que tempo integral a esta missão.

Voltará à Natal no próximo dia 3 de junho e ficará vindo uma vez por mês, visitar seus familiares e sua amada.

Ontem conversando com Cid, Léo se mostrava bastante animado para retomar suas funções no jornal, quando foi perguntado:

-Léo, como você está se sentindo com esta abstinência ao cigarro, à bebida e ao sexo?

-Êpa, para lá, respondeu rápido, à bebida e ao cigarro, tudo bem,mas, ao sexo não. Ainda não pratiquei, mas antes de voltar vou testar. Continuou..

-O médico me liberou e estou tinindo, é todo dia três.

-Vige, disse Cid, você tá tomando Cialis, Viagra ou o que?

-Porque?

-Três por dia, nem os jovens casais apaixonados.

-Quem falou em três por dia ? É todo dia três, do mês, umazinha, quando vier à Natal.

-Ah bom!

3 de maio de 2006

E tudo terminou em Samba

Becodalamenses no Bar de Nazareth.

Por Alex de Souza

“Aqui vale tudo, vale declarar voto - se quiser pode até anunciar no megafone, vale propaganda, vale boca de urna, boca de fumo, vale tudo!" Calma, não precisa chamar a Justiça Eleitoral nem a Polícia Militar. É só o poeta Plínio Sanderson, presidente da comissão eleitoral, explicando como funciona a democracia na Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências (Samba). A eleição para a diretoria da associação de boêmios mais pitoresca da cidade movimentou a tarde de sábado no Cento de Natal.

A urna foi liberada às 11h, sob um sol de rachar, na esquina das ruas Coronel Cascudo e Doutor José Ivo, em frente ao bar Quatro Cantos. Inscritos no "livro marrom" do Beco, 322 figuras estavam aptas a exercer o direito etílico de escolher a nova diretoria.

Mas, convenhamos, ninguém acreditava que o Beco tivesse tanto freqüentador assim. O "livro marrom", com a lista dos votantes, era uma esculhambação - mas de respeito. Cada página vinha com o nome do votante, ou o número da carteira de identidade, ou um apelido, ou só o número telefônico. Para evitar a presença de fantasmas, cada chapa tinha um fiscal, com uma cópia dos votantes, e cada voto era marcado nas duas cópias. Daí, não era de se estranhar se demorasse um pouco para localizar o nome de alguém.

Quem chegava, fazia sua fezinha num dos candidatos, o jornalista Alex Gurgel e o professor Ubiratan Lemos, o "Professor Bira", e ia engrossar a boca de urna no Bar de Nazaré, na expectativa da apuração dos votos, programada para as 17h30, no Bardallos.

Nas pesquisas de mesa em mesa, uma coisa era certa: mais do que 100 votantes e o resultado seria uma incógnita. Menos que isso, dava Professor Bira. O candidato Alex Gurgel, já pressentindo o pior, reclamava da 'politização' do pleito. "O 'PCdoBeco' e o PT vieram votar em peso, o que vai pesar na hora do resultado", declarou.

E foi dito e feito. Às 17h, a urna foi fechada, para tristeza do professor Giancarlo Vieira e do sebista Harrison Gurgel, que chegaram com dois minutos de atraso. A comissão eleitoral conferiu o número de eleitores que compareceram e pediu a conta, ao som de Lapada na Rachada. Deu R$ 29: seis cervejas, um prato de macaxeira com carne-de-sol ("e dois camarões de brinde", acrescentou o fiscal Robério 'o Coisa'), um refrigerante e um burrinho de cana. "Assim queria ver faltar mesário. Fica a sugestão para o TRE", declarou Plínio Sanderson.

A festa se transferiu para o Bardallos, para tristeza de Dona Nazaré. Lá, o primeiro aviso foi proferido pelo megafone: "Faltam cinco minutos para a abertura da urna, favor trazer uma cerveja para a mesa de apuração." Quando a apuração chegou à metade, todo mundo já sabia que o Professor Bira tinha levado.

O que ficou difícil foi saber o número exato de votantes. A primeira contagem de 100; a segunda, 99; teve uma até que findou em 98; e, por fim, confirmaram 100 votos. Eleição de boêmio...

No final, o agradecimento dos candidatos, o discurso do eleito e a despedida de Eduardo Alexandre, o Dunga, da presidência da Samba. Ainda teve um gaiato que gritou: "Ele tá bêbado." Mas o professor Eugênio Soares rebateu de pronto: "Quem não tá bêbado tá com inveja!" Ah, ia esquecendo: o resultado oficial. Professor Bira levou 72 votos, Alex Gurgel teve 26 votos e dois malucos conseguiram a façanha de anular o voto.

Dando vida ao Centro

A Samba vem desenvolvendo um trabalho de resgate do Centro Histórico de Natal desde que foi fundada. De uma pequena agremiação de boêmios criada meio que na galhofa, a Sociedade ganhou destaque nos últimos dois anos, sob a presidência do poeta Eduardo Alexandre, com o desenvolvimento de atividades como a Lavagem do Beco, que mobilizou artistas e intelectuais para a importância do local, o Carna-beco, uma aposta na folia tradicional, e o Prato-do-mundo, o festival gastronômico com iguarias dos botecos da região.

O presidente eleito, Professor Bira, pretende dar continuidade a esses projetos. E quer também aumentar a mobilização dos artistas que freqüentam o espaço. "Queremos reforçar o compromisso com o resgate e conservação do Centro Histórico e abrir espaço para movimentos culturais alternativos e demais movimentos sociais", declarou. Um proposta de Bira é o "Dê uma hora ao Beco", projeto que visa ajudar as crianças de rua que freqüentam o Centro da Cidade. "É muito bom a gente se divertir, mas não custa nada tirar só uma hora do dia para ajudar", explica.

Matéria publicada no Correio da Tarde, em 02/05/2006.

Beco vivo da Lama

Professor Bira, eleito Diretor Executivo da Samba e o jornalista Alexandro Gurgel
Por Rafael Duarte

Caldo de mocotó, “churrasquinho de gato” e cerveja gelada. Tudo isso no meio da rua com a população desavisada, mas de olho na urna instalada no coração do Beco. Na medida certa para consagrar o novo presidente da Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências (Samba) - entidade organizada há 14 anos para levantar a imagem de um dos pontos mais tradicionais da cultura boêmia de Natal - na primeira eleição direta da história da comunidade.

O pleito ocorreu sábado passado em frente ao bar Quatro Cantos (antigo bar do Nasi) e “lavou” o Beco. Agora, a responsabilidade pela gestão da Samba, durante os próximos três anos, está nas mãos do professor de xadrez e matemática Ubiratan Lemos, de 43 anos. Ele encabeçou a chapa Beco Vivo e conquistou 72 dos 100 votos válidos. A concorrente liderada pelo jornalista Alex Gurgel, Sempre Samba, teve o apoio de apenas 26 pessoas. Dois sócios anularam o voto.

Ao todo, 322 eleitores estavam aptos a escolher o sucessor do poeta e jornalista Eduardo Alexandre (Dunga), segundo presidente da história da Samba e reconhecido pelo trabalho que fez à frente da entidade. A posse da nova gestão deve ocorrer no dia 17 de maio, durante o II Carnabeco.

Professor Bira diz que grande projeto para o Beco é social

Poeta, comunista, libertário, casado, pai de uma menina e freqüentador do Beco há 18 anos, o “Professor Bira” acredita que a vitória veio pelo empenho dos 38 componentes de chapa. Ele prometeu equilibrar as ações culturais e sociais da região ao lembrar que o carro chefe da campanha, o projeto “Dê uma hora ao Beco”, pretende ocupar a juventude que freqüenta o Beco da Lama e as adjacências, como a praça André de Albuquerque. “Vamos manter e ampliar os projetos culturais desenvolvidos pela gestão passada porque ninguém é doido de fazer o contrário se deu certo. Mas o grande projeto da gente é social. Aqui tem muito jovem abandonado, menino de rua mesmo, sem ter para onde ir”, disse o professor.

”Acho que temos o dever de mudar isso. E não vai custar nada. Vamos pedir que quando os freqüentadores vierem tomar sua cerveja, que cheguem uma hora mais cedo para orientar, ensinar e passar alguma mensagem para a juventude que cresce aqui. No Beco a gente tem artista, jornalista, advogado, professor... A idéia é fazer uma programação e até remunerar esse pessoal”, explicou Bira.

O plano prevê parcerias com empresas privadas através das leis de incentivo à cultura. “Nosso primeiro contato será com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) para mostrar as idéias e tentar acertar um apoio. A gente tem que ocupar essa garotada. Todo mundo tem que participar”, disse.

Bira conta que seu nome surgiu entre os “amigos de copo” quando a chapa concorrente já havia sido definida. No entanto, o nome de Alex Gurgel não foi digerido pelo grupo, segundo ele, pela ausência do jornalista nos principais eventos realizados no Beco. Na verdade, o Beco da Lama ganhou tanta visibilidade nos últimos anos por conta dos eventos organizados pela Samba com o apoio do Estado, que a eleição teve uma importância ainda maior para a comunidade que freqüenta o local. Prova disso é que em vez de um grupo apontar um nome para administrar a Samba, como ocorria até então, pela primeira vez na história do Beco o pleito foi decidido através de votação direta.

De fato, por atrás do discurso fraterno do vencedor, havia uma declarada disputa de terreno. “Todo mundo das duas chapas se conhece, toma cerveja junto. Mas o Alex é muito recente aqui. Quando ele anunciou a candidatura, vieram me perguntar se a gente ia deixar ele tomar o Beco da gente. No I Carnabeco ele não apareceu, no I Pratodomundo também não veio. Acho que não chegou a vez dele”, disse.

Procurado pela reportagem ainda durante a votação, Gurgel desmentiu o concorrente e criticou algumas propostas da chapa Beco Vivo, como o “Tributo à Che Guevara” que, com a vitória de Bira, deve ocorrer durante esta gestão.

O jornalista centrou suas propostas na área cultural e defendia a construção de uma sede para a entidade. “Essa história de que eu não estava aqui nos eventos é conversa fiada dele. O problema é que eu dou aula no sábado e não posso chegar aqui mais cedo. Agora, eles têm umas propostas que não entendi. Homenagear Che Guevara!? A gente tem tanta gente importante do nosso Estado que poderia ser valorizada, como Newton Navarro, Câmara Cascudo, Auta de Souza... e eles querem fazer um tributo à Guevara!? O Beco tem que valorizar a cultura da terra”.

Mesmo diante das provocações veladas e tão comuns em eleições, a votação ocorreu num clima de harmonia até às 17h, quando a comissão eleitoral divulgou o resultado. Daí para frente não mudou muita coisa. Mais caldo de mocotó, “churrasquinho de gato” e muita cerveja gelada.

A fauna do beco só cresce
Marcos Boi, Ajax Felipe, Zé da Pindoba e Anaxágoras de Lima. Artemilson, Robério “O Coisa” e Biba Thompson. Paulo Zero Grau e Adebal Galego Feio. Assim de supetão, a relação parece a escalação de um time de pelada. Mas estavam todos lá marcando presença. Titulares absolutos da lista de sócios da Samba. Afinados para a escolha do presidente mais popular do Beco.

Ainda que consagrado pelo tempero libertário, o universo do Beco da Lama é democrático. Principalmente quando o assunto é o convívio humano. A rotina da região é feita sem distinção. Da anarquia à direita. Da esquerda ao que sobrou do paraíso. É onde o guardador de carros e o deputado passam para tomar a saideira antes de voltar para casa.

Ponto de encontro de artistas, jornalistas, advogados, professores e autoridades, o Beco, hoje, tem mesa reservada até na Câmara Municipal de Natal, onde cinco vereadores montaram o que a boemia local chama de “bancada do beco”. A idéia é trazer à tona carências como questões de infra-estrutura ligadas ao espaço.

O presidente da Comissão Eleitoral que organizou o pleito de sábado, Plínio Sanderson, contou que o grupo de parlamentares incluiu no orçamento geral deste ano uma verba de R$ 300 mil para a urbanização do Beco. “O Beco hoje está precisando de ajuda. Está sujo, largado nesse aspecto”.

Cerveja e nome na lista
Em dia de eleição, regra é regra até no Beco da Lama. É verdade que a boca de urna estava institucionalizada pelo megafone na mesa da comissão eleitoral - usado pelo sócios que quisessem declarar o voto. Mas só votou quem tinha o nome na lista. Ainda assim, alguns “companheiros de copo” desavisados insistiam em participar.

O caso mais curioso foi o de uma senhora meio “alta” com pinta de alemã que se identificou, atropelando as palavras e depois de muita discussão, como artista plástica Josineide Varela, de 63 anos. Ela queria votar de qualquer jeito, mesmo admitindo que não conhecia os candidatos nem as chapas concorrentes.

A cena não chegou a ser um “barraco” (não passou de um bate-boca com o candidato pela chapa Sempre Samba, Alex Gurgel), mas valeu pelo inusitado e para mostrar porque o Beco da Lama é considerado ainda o ponto mais rico da boemia natalense. Eis os “melhores momentos” do diálogo entre Josineide e Alex Gurgel:

Josineide: Eu gosto de chutar (faz o movimento rápido como se levasse o copo à boca) por aqui. Mas onde é que a gente vota?.
Alex: O nome da senhora está na lista? Josineide: Que lista, meu amigo! Venho aqui todos os dias. Só quero votar...

Alex: Mas a senhora só pode votar se tiver o nome na lista. Se não tem, não vota.
Josineide: Como é que é? Você vai me dizer agora como eu devo fazer, é? Minha mãe morou por aqui a vida toda! Todo mundo me conhece aqui. Vou votar sim.

Alex: Minha senhora, entenda: é uma regra. Imagine se todo mundo que quisesse votar viesse para cá? Não ia ter condições. Se o prefeito de Natal quisesse votar hoje ele não podia porque o nome dele não está na lista. Me diga porque a senhora votaria?
Josineide: O que é isso, meu amigo!? O prefeito é uma autoridade! Você não pode fazer isso. Vou votar e ainda trouxe dois amigos que vieram da Alemanha para votar também.

Alex: Minha senhora, não pode! A senhora conhece pelo menos os candidatos que estão participando da eleição?
Josineide: E eu lá quero saber de candidato, meu amigo! Vou votar no melhor. Me diga uma coisa: vocês tem sede?
Alex: Não.
Josineide: Meu amigo, vocês não têm nem sede e ainda querem me impedir de votar? Como é que pode?
Alex: Mas se a senhora não sabe nem quem são os candidatos...

Josineide: E você lá conhece algum candidato!
Alex: EU SOU CANDIDATO! Ta vendo? Como é que a senhora quer participar se não sabe de nada?
Josineide: Olha aqui, quero uma cerveja. Não dá para conversar com você sem tomar cerveja.
Alex: Tem vários bares aqui...(ele aponta para a região)

Josineide:(depois de entrar e sair do bar em frente onde a discussão se dava, ela volta provocando) Aqui não tem cerveja. Quero votar.

Alex: Eu já lhe disse que a senhora não vai votar.

Josineide: Que absurdo! Você sabe por que isso está acontecendo?
Alex: Porque a senhora não tem o nome na lista...

Josineide: Não! Porque não tem organização! Isso é coisa de brasileiro! O Congresso Nacional só tem safado. Isso o que está acontecendo aqui é uma sacanagem...

Alex: A senhora está misturando as coisas. Não tem nada a ver uma coisa com outra. Aqui é a eleição da Samba.

Josineide: De quem? Está vendo? Até o nome é uma porcaria (diz o nome Samba com desdém e dança na frente do repórter e do candidato numa cena que lembrava as chanchadas da década de 70).

Alex: Mas Samba é Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências. Olhe, a senhora não sabe nem o que significa o nome da entidade. Quanto mais votar...

Josineide: Olhe aqui, meu amigo: eu vou me candidatar à vereadora nas próximas eleições e ainda vou ter mais votos que você! Agora eu vou tomar uma cerveja e depois vou votar, você não vai me impedir!

(depois de se despedir, ao seu estilo, Josineide vai até à urna e fala alguma coisa para o mesário, que balança a cabeça negativamente. Em seguida, ela resmunga, olha para o lado e entra no bar mais próximo atrás da famigerada cerveja).

Texto publicado na Tribuna do Norte, em 02/05/2006.

1 de maio de 2006

Carta aberta aos becodalamenses

Por Alexandro Gurgel
alexgurgel@interjato.com.br

A tarde caía mansamente no Beco da Lama quando o poeta Plínio Sanderson, presidente da Comissão Eleitoral, profetizou: “você e o professor Bira vão perde feio para o PC do B”. Naquela altura dos acontecimentos, o poeta previa o resultado porque viu uma caravana de comunistas aderir ao pleito, numa demonstração de mobilização política em favor de um “companheiro”. Poucos desses “eleitores”, de fato, freqüentam o Beco da Lama, mas detêm o direito legítimo ao voto por terem assinado o Livro Preto da Samba durante o Ferstival Gastronômico Pratodomundo.

Alguns assessores do vereador petista Fernando Lucena também deram apoio declarado para a chapa birista, contribuindo ativamente com confecção de panfletos e outras milongas de última hora. “Não sei por que o caro Alex está tão incrédulo, se há long time já tinha lhe dito que obteria 1/3 dos votos. O que pode explicar tão esmagadora maioria do prof. Bira? Óbvio e ululante: as forças obscuras, reacionárias e esdrúxulas que aderiram a sua canidatura”, escreveu o poeta Plínio Sanderson, em e-mail à lista de discussão do Beco.

Com 70% dos votos válidos, o professor Bira foi eleito o novo Diretor Executivo da Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências (Samba), com mandato para os próximos três anos, abraçando a responsabilidade para dar continuidade às ações culturais que caracterizaram a gestão do jornalista Eduardo Alexandre.

De acordo com o jornalista Leonardo Sodré, o professor Bira terá que iniciar sua administração mostrando força para bater forte na porta da Fundação José Augusto para cobrar o pagamento das pessoas que trabalharam durante o carnaval e que ainda não viram a cor do dinheiro. “Bira herda três anos de profícua administração. Também, alguns problemas. Um deles, um tanto ‘cabeludo’: o pagamento das mais de 100 pessoas que trabalharam no I Carnaval do Centro Histórico de Natal, incluindo-se aí, a sua vice-diretora executiva, Civone Medeiros”, escreveu o intrépido jornalistas nas páginas d’O Mossoroense.

Como candidato e becodalamense apaixonado, despendi todas as forças para que os confrades, aqueles que realmente fazem a alma do Beco da Lama, entendessem o bem-querer que eu pretendia dispor ativamente, contribuindo para uma cultura sólida no Centro Histórico natalense. Como prometi em campanha, vou colaborar, no que for possível, para a futura gestão do professor Bira, sem fazer oposição tacanha, mas com autoridade para cobrar que o Beco da Lama permaneça vivo e pulsante.

Aproveito para agradecer o apoio substancial, ressaltado pelos amigos e representado por vinte e tantos por cento dos votos, os quais se depuseram a vir ao Beco da Lama para participar do sufrágio, votando neste escrevinhador, o que muito me honra, cuja confiança será levada durante a vida por este coração becodalamense.

Meu reconhecimento e respeito às pessoas como Cid Augusto, Leonardo Sodré, Laélio Ferreira, Karl Leite, Júnior Amaral, Venâncio Pinheiro, Falves Silva, Edson Negão, Yasmine Lemos, Camilo Lemos, Abimael Silva, Jácio Torres, Marcelo Fernandes, Osório Almeida, Ramos do Balalaika e tantos outros verdadeiros bocodalamenses, que acreditaram nas boas intenções que a chapa Sempre Samba propôs aos confrades.

Dói n’alma quando um amigo querido não cumpre suas obrigações sociais com a própria entidade que um dia teve intenção de ajudar. A ausência de Hugo Macêdo, candidato à vice-presidente na chapa Sempre Samba, foi um prejuízo político incalculável, uma falta de consideração sentida por todos que compareceram ao pleito. Apesar de nunca ter contribuído diretamente para a campanha, o candidato à vice na chapa Sempre Samba parece que preferiu ficar escondido por trás de um grande lajedo, as margens do Gargalheiras, do que a participar da eleição.

Fiz minha parte, contribuindo para a histórica eleição da Samba num exercício democrático nunca antes visto pelas bandas do Beco da Lama. Espero que partidos políticos não exerçam influência na condução do novo mandato, limitando a participação dos mesmos ao fatídico dia da eleição.

Com a alma lavada pelo dever cumprido, saúdo o novo Diretor Executivo da Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências, desejando ao professor Bira toda a sorte do mundo e que sua gestão seja caracterizada por um Beco da Lama sempre vivo.

Natal RN, segunda-feira, 1º de maio de 2006.

Eleição no Beco da Lama

Acabou o processo eleitoral com a vitória do professor Ubiratan Lemos por mais de 70 votos
Presidente da Comissão Eleitoral Plínio Sanderson e Júnior Amaral, representante da chapa Sempre Samba nas eleições do Beco da Lama.

Desde o começo da manhã era grande o número de becodalamenses que esperavam pela urna, que foi aberta nas proximidades das quatro bocas, pontualmente ao meio dia do sábado.

Por Leonardo Sodré
leosodre@omossoroense.com.br
De Natal

Ainda faltavam alguns minutos para a conhecida hora ‘mágica’ dos fotógrafos, 18 horas, quando todos já conheciam o resultado da primeira eleição realmente disputada pela diretoria executiva do Beco da Lama e Adjacências. Durante a contagem de votos, os que torciam pela vitória do professor Ubiratan de Lemos, professor Bira, já comemoravam e até era difícil alguém conseguir ouvir a voz do presidente da Mesa Escrutinadora, o também professor Plínio Sanderson. Eduardo Alexandre, o Dunga, que se intitulou de magistrado durante todo o processo sucessório, também comemorava. Silenciosamente torceu e influiu na vitória de Bira, que ele achava como a melhor opção para a sua sucessão.

Bira herda três anos de profícua administração. Também, alguns problemas. Um deles, um tanto ‘cabeludo’: o pagamento das mais de 100 pessoas que trabalharam no I Carnaval do Centro Histórico de Natal, incluindo-se aí, a sua vice-diretora executiva, Civone Medeiros, que, também, até hoje, não recebeu um centavo sequer pelos dias trabalhados durante o carnaval de 2006. Ele terá que iniciar sua administração mostrando a mesma força que o fez derrotar o jornalista Alex Gurgel por mais de 70 votos, num pleito de cerca de 100 votantes: bater forte na porta da Fundação José Augusto em busca da solução que não foi conseguida por Eduardo Alexandre, o Dunga, desde fevereiro, quando estorou chamado ‘Folioduto’.

Essa ação é ponto fundamental de honra para o eleito. E, se ele tiver a força necessária para resolver essa questão, sua vitória, que foi, repito, almejada ansiosamente pelo diretor executivo anterior (leia-se Dunga), será completa. Se não, se a solução se arrastar, parecerá que o vencedor – hábil negociador e com grande experiência no Partido Comunista – poderá dar a impressão apenas de habilidade eleitoreira, assim como outros políticos, em várias esferas por esse Brasil.

Elegância

Mesmo antes da divulgação do resultado, o candidato Alex Gurgel levantou-se e cumprimentou o vencedor dizendo: “Parabéns. Conte comigo para o que precisar. O Beco precisa de trabalho e eu estou ao seu lado”. Outros correligionários de Alex também cumprimentaram o vencedor, que fez um discurso ponderado, ressaltando que “a vitória não era somente dele, mas de todo o esquema político que o tinha ajudado”. Realmente, grande parte da militância do Partido dos Trabalhadores e Comunistas estiveram presente para votar.

Publicado no "O Mossoroense", em 30 de abril de 2006.