31 de agosto de 2006

Beco Estreito - Lançamento da 2ª Edição

“BECO ESTREITO”
Cinqüenta Enredos nas Terras do Major Antão


Autor: Hugo de Macedo Vieira (jornalista e fotógrafo)
Ilustrações: Leonardo Sodré (artista plástico e jornalista)

O livro descreve cinqüenta causos contados nas ruas, mesas de bares e esquinas de Parelhas. O autor resgata e eterniza as histórias cômicas do folclorista Mané Bonitim, do poeta Baé, do matuto Boró, do esperto e manhoso Galego de Emídio, de Mané Diana e tantos outros parelhenses que circulam na cidade insultando, instigando, brincando, enfim, contado o dia a dia do município, de maneira alegre e divertida. Textos curtos, diretos e bem humorados, usando linguagem simples, de fácil entendimento, de muito encanto.


O AUTOR

Hugo Macedo (1961), Potiguar de Parelhas, é fotógrafo, jornalista e estudioso da geografia e história do Rio Grande do Norte. Foi funcionário público, professor e técnico em recursos hídricos. Beco Estreito é o seu primeiro livro.


O QUE DIZ O AUTOR

...Não pode deixar que se perca da memória as histórias de Parelhas. Inúmeras vezes ouvi esse apelo de amigos conterrâneos, de visitantes da cidade e de intelectuais de Natal. Ninguém cedeu ao imperativo e coube a mim essa empreitada saborosa e cheia de caminhos.

Para Luís da Câmara Cascudo “a cidade é um ser vivo”, consubstanciada em fatos, experiências e sonhos que formam, não apenas uma, mas várias histórias. E todas merecem ser contadas para não se perderem nos labirintos dos tempos.



CAUSOS


FIADO OU À VISTA
Jorge Tenente suava e espantava as moscas enquanto salgava carne no seu açougue, quando entrou Miguelzinho, conhecido como o maior devedor da cidade. O mesmo, de uma conversa escabreada, disparou:

- Jorge, meu amigo, me venda dois quilos dessa carne que amanhã, bem cedinho, eu venho lhe pagar?

- Ora Miguezim, eu já tô salgando pra não perder! – Rebateu o açougueiro.


BACURAU

O cobreiro Chico Vilar pretendia abrir uma conta e foi ao Banco do Brasil de Parelhas. A gerente o atendeu e pediu para que ele sentasse, e começou a fazer as perguntas do cadastro:

- Nome?
- Francisco Vilar.
- Filiação?
- PMDB.
- Não! Os seus pais?!
- Esses é que são bacuraus mermo!
SERVIÇO
Lançamento: Beco Estreito - 2ª Edição
Local: Livraria Siciliano - Natal Shopping
Horário: 19:00
Dia: 31 de agosto

Revista Papangu - 31ª Edição

Mês do desgosto? Que nada!

Bem ao gosto dos inúmeros leitores da Papangu do solo papa-jerimum, nossa publicação chega mais uma vez, com “gosto de gás”, às melhores bancas de revistas do nosso Estado. Agora em seu trigésimo primeiro número.

As peripécias dessa trupe super-animada (nós, no caso), podem ser observadas já na arte de capa, chamando a atenção para uma outra trupe, esta desengonçada e sem graça: “Os Filhinhos de Papai”. Trata-se de uma turminha para lobisomem nenhum botar defeito, querendo a todo custo dar continuidade a projetos políticos familiares. Como era de se esperar, Troféu Papangu neles!

Luz, câmera, ação! O jornalista Cefas Carvalho traz para as páginas da Papangu, no Especial do mês, “Buca Dantas, Uma Câmera na Mão e Várias Idéias na Cabeça”. Buca, que é hoje o mais prestigiado cineasta norte-rio-grandense. Imperdível.

Em Autores & Obras, o bibliófilo Carlos Meireles discorre sobre a obra de Polycarpo Feitosa, pseudônimo literário do potiguar Antônio José de Melo e Sousa, Gizinha — digna dos grandes artífices da novelística.

Prossegue no Em Cartaz o filme X-Men. Nesse número 2, acusações e maus-tratos de um mutante ensangüentado para com seus irmãozinhos de fé e camaradas. Nossos redatores esquentaram o sangue tal qual um boxeador em cima do ringue, no décimo assalto, ao narrar este filme.

Com fotos de Carlos José, os papangus Túlio Ratto e Clauder Arcanjo assinam a entrevista do mês com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna, que fala de seus começos, de suas alegrias e dissabores neste nada fácil universo da arte literária. Em dado momento do bate-papo, inesperadamente, Affonso diz: “Eu sou um escritor maldito, embora não pareça.” A entrevista foi concedida aos papangus quando de sua vinda à Feira do Livro de Mossoró, na primeira quinzena deste mês de agosto.

No espaço dedicado aos artistas da terra, “Talento Potiguar”, o jornalista Alexandro Gurgel apresenta aos nossos leitores “Fotografias, Letras e Seridó: A Arte Criptográfica de Hugo Macedo”. Com um trabalho repleto de composições inusitadas, esse fotógrafo renomado do Rio Grande do Norte busca sempre pela melhor imagem — sejam paisagens sertanejas, nos retratos de anônimos ou no detalhe de uma flor brejeira. Hugo, que escreveu o livro “Beco Estreito”, lançado recentemente com edição do autor, conta os causos e contos dos seus conterrâneos parelhenses.

Crônicas, contos, artigos e a opinião dos nossos papangunistas Antônio Alvino da Silva Filho, Alexandro Gurgel, Antonio Capistrano, Cefas Carvalho, Damião Nobre, David Leite, Lívio Oliveira, Louro Dedé, Marco Túlio, Raildon Lucena, Túlio Ratto, Yasmine Lemos e a estréia do jornalista apodiense, Jotta Paiva. Jotta, que é radialista, pautará todos os meses assuntos da região oeste, informando ainda mais o leitor de Papangu.

Também contamos com os talentos dos chargistas Antonio Amâncio e Edmar Viana, arrancando muitos sorrisos dos nossos estimados leitores.

Finalizando, queríamos pedir: parem com essa estória de que o mês de agosto é o mês do desgosto, pois, com a Papangu, todo mês é só alegria.

Boa leitura.

30 de agosto de 2006

Cascudo, Guardião das nossas tradições

“Cascudo, Guardião das nossas tradições”,
livro de crônicas organizadas pela professora Isaura Rosado.

Lançamento: Palácio da Cultura
Dia: 30 de agosto
Hora: 18:00

Tributo a Fernando Athayde: Missão Cumprida

Foto: Divulgação
Por Alexandro Gurgel

Fernando Luiz Costa Athayde de Almeida nasceu em Natal, passou sua adolescência na avenida Deodoro da Fonseca, trabalhando na Sorveteria Belém, de propriedade de sua mãe, onde depois, funcionou por muito tempo a loja Hombre. Formou-se em eletro-técnica, na antiga Etfern, tornando atleta de volebol da entidade, no início dos anos setenta.

Em meados de 1976, conheceu o teatrólogo Jesiel Figueredo, então diretor de teatro. Sua primeira peça teatral como ator foi “Simbad, o Marinheiro”, com direção de Jobel Costa. Anos mais tarde, atuou no espetáculo “Apareceu a Margarida”, com direção de Lenício Queiroga, em cartaz por mais de dois anos no Teatro Alberto Maranhão.

Em 1983, Fernando ganhou o prêmio de Melhor Ator, no Festival de Teatro do Paraná, em Curitiba, com a peça “Ponto de Partida”, escrita por Gianfrancesco Guarniere. Seu último trabalho como ator foi na peça “A Missão”, dirigido por Carlos Nereu.

Em um depoimento publicado no Jornalzinho do Sebo Vermelho, o teatrólogo Jesiel Figueredo escreve que trabalhou com Fernando Athayde, reconhecendo seu enorme talento. “Fernando fez uma colagem de textos, peças infantis, e depois de adulto, atuou na peça ‘Santo Inquérito’, de Dias Gomes, onde teve grande destaque”, escreveu Jesiel Figueredo.

No dia 16 de agosto de 1994, quando dirigia seu carro para assistir à missa de primeiro ano de falecimento do amigo Fernando Atahyde, o teatrólogo Jesiel Figueredo sofreu um acidente de carro, falecendo no local e causando muita tristeza na classe artística potiguar.

Hoje, 13 anos depois, Fábio Athayde, irmão de Fernando, está produzindo a 4ª edição do tributo à memória do grande ator que foi Fernando Athayde. O evento intitulado “Missão Cumprida” acontece no Bardallo’s, nesta quarta-feira, dia 30 de agosto, a partir das 18 horas.

O evento contará com exposições de fotos de Fernando, troféus conquistados, projeção do espetáculo “A Missão”, além das atrações musicais como Pedro Mendes, Khrystal, Geraldo Carvalho, Carlos Bem, Donizete Lima, entre outros.

De acordo com Fábio Athayde, a importância do evento é resgatar a memória de figuras que fizeram o teatro potiguar, como Jesiel Figueredo, Carlos Nereu, o próprio Fernando Athayde, entre outros que já se foram. “Essa homenagem é necessária para que novos talentos se espelhem nas pessoas que contribuíram para o teatro norte-riograndense”, declarou Fábio Athayde.

SERVIÇO

Tributo a Fernando Athayde: Missão Cumprida
Dia: 30 de agosto
Local: Bardallo’s
Hora: 18:00
Entrada Franca

29 de agosto de 2006

Primeiro debate político entre os candidatos ao governo do Rio Grande do Norte, Wilma de Faria e Garibaldi Filho.
Texto e foto: Alexandro Gurgel

Num clima pacífico, de elogios mútuos, aconteceu o primeiro debate eleitoral entre os candidatos ao governo do Estado, Garibaldi Alves e Wilma de Faria, na manhã desta segunda-feira, no Hotel Barreira Roxa, Via Costeira de Natal. De acordo com as regras do evento intitulado "Encontro pelo Desenvolvimento Econômico do RN", somente os empresários puderam fazer as perguntas aos candidatos, com tempo igual para as respostas de ambos.

O objetivo do "Encontro pelo Desenvolvimento Econômico do RN" era ouvir as propostas dos candidatos para o setor empresarial do Estado. O evento foi patrocinado pelo Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Estado; Federação das Associações Comerciais do RN; Cooperativa de Desenvolvimento da Atividade Hoteleira e Turística; Sistema Fecomércio do Estado; Associação Brasileira da Indústria de Hotéis e Pólo Turístico Via Costeira.

De acordo com o candidato Garibaldi Filho, um grande avanço econômico para o Estado será a implantação do aeroporto de cargas de São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Natal. De acordo com o candidato, em torno do novo aeroporto, será construída uma área de livre comércio internacional, atraindo empresas para se estabelecer no local. "O Rio Grande do Norte é geograficamente privilegiado. Nossa intenção é transformar Natal na capital comercial da América Latina", ressaltou.

A candidata Wilma de Faria falou sobre os investimentos estruturais feitos no seu governo, tornando o Rio Grande do Norte auto-suficiente em energia elétrica, destacando o Parque Eólico em operação, em Rio do Fogo, e outro parque em Guamaré sendo implantado. "Em breve, vamos poder consumir a energia que fabricamos no nosso Estado, levando luz para todos e aposentando a lamparina. Também poderemos vender energia elétrica para os Estados vizinhos", disse a governadora.

Sobre a redução da carga tributária para os empresários, os dois candidatos foram enfáticos em afirmar que farão esforços para reduzir as alíquotas. O senador Garibaldi Filho pretende conversar com os empresários para encontrar soluções para a redução das taxas. A governadora Wilma de Faria disse que já está dando incentivos ao setor empresarial com a redução do valor do ICMS que era de 17% e agora está em 4%, dentro do programa Cresce-RN.

Com uma ação enérgica na segurança pública, Wilma de Faria afirmou que dentro de 15 dias serão implantadas câmeras de filmagens em Ponta Negra, com intenção de inibir o sexo-turismo e o tráfico de drogas. A governadora disse que vai implantar uma "guarda turística", com fardamento especial para trabalhar somente em pontos turísticos do Estado. O senador Garibaldi Filho reconhece a importância da implantação de câmeras, mas aconselha criar um aparato para analisar o que será documentado. "Os corredores turísticos precisam de uma iluminação privilegiada", disse.

Para incrementar o turismo no Estado, o senador Garibaldi Filho pretende criar uma "política agressiva" para divulgar o Rio Grande do Norte para os mercados internacionais. "Os vôos charters foram conquistados porque fui pessoalmente à Europa buscar esses parceiros", disse Garibaldi. Segundo a governadora Wilma de Faria, os empresários do Estado precisam elevar sua auto-estima porque o RN foi o Estado que mais cresceu com o turismo internacional. "Em três anos, crescemos mais de 120% no turismo internacional, ficamos em 1º lugar em crescimento desse setor", declarou a governadora.

Com intenção de desenvolver o turismo interiorano, a governadora destacou o investimento de R$ 200 milhões para recuperar as estradas estaduais, totalizando 3.500 km em todo o Estado. Conforme Wilma de Faria, a Ponte Newton Navarro vai incrementar o turismo na região costeira, onde 48 empreendimentos turísticos já estão em curso, como resort de luxo, hotéis, campos de golfe e restaurantes. "Além disso, estamos ampliando o Centro de Convenções de Natal e inaugurando o Centro de Eventos em Mossoró para incrementar o turismo de eventos no Estado", disse Wilma.
Matéria publicada no jornal O Mossoroense, em 28 de agosto de 2006.

28 de agosto de 2006

Inauguração do Ateliê de Flávio Freitas

24 coisas que todos devem saber antes de morrer!

01 - O nome completo do Pato Donald é Donald Fauntleroy Duck.
02 - Em 1997, as linhas aéreas americanas economizaram US$40.000 eliminandouma azeitona de cada salada.
03 - Uma girafa pode limpar suas próprias orelhas com a língua.
04 - Milhões de árvores no mundo são plantadas acidentalmente por esquilos que enterram nozes e não lembram onde eles as esconderam.
05 - Comer uma maçã é mais eficiente que tomar café para se manter acordado.
06 - As formigas se espreguiçam pela manhã quando acordam.
07 - As escovas de dente azuis são mais usadas que as vermelhas.
08 - O porco é o único animal que se queima com o sol além do homem.
09 - Ninguém consegue lamber o próprio cotovelo, é impossível tocá-lo com a própria língua.
10 - Só um alimento não se deteriora: o mel.
11 - Os golfinhos dormem com um olho aberto.
12 - Um terço de todo o sorvete vendido no mundo é de baunilha.
13 - As unhas da mão crescem aproximadamente quatro vezes mais rápido que as unhas do pé.
14 - O olho do avestruz é maior do que seu cérebro.
15 - Os destros vivem, em média, 9 anos mais que os canhotos.
16 - O "quack" de um pato não produz eco, e ninguém sabe por quê.
17 - O músculo mais potente do corpo humano é a língua.
18 - É impossível espirrar com os olhos abertos.
19 - "J" é a única letra que não aparece na tabela periódica.
20 - Uma gota de óleo torna 25 litros de água imprópria para o consumo.
21 - Os chimpanzés e os golfinhos são os únicos animais capazes de se reconhecer na frente de um espelho.
22 - Rir durante o dia faz com que você durma melhor à noite.
23 - 40% dos telespectadores do Jornal Nacional dão boa-noite ao William Bonner no final.
24 - Aproximadamente 70% das pessoas que lêem este texto, tentam lamber o cotovelo.

26 de agosto de 2006

Blog de Helmut

Foto: Alexandro Gurgel
O salão nobre do Sebo Vermelho será o palco para o lançamento do blog de José Helmut, o filósofo do Beco da Lama. O blog será um espaço para a publicação dos poemas, crônicas, pinturas e toda produção artístico-literária de Helmut, além de fotos do próprio filósofo em momentos de êxtase.

“Entre demorados tragos de Derby, lapadas de canas e enrroladas partidas com Marcelo Fernandes, o velho filósofo, romancista, poeta, artista plástico e bom vivant faz o que mais gosta, canta Nelson Gonçalves”, avisa o texto de abertura.

Visite o blog de Helmut:
http://helmutposts.blogspot.com/


Três poemas de Helmut

Despedida

O adeus de despedida
De quem parte
Deixando ficar
despida
A alma a penar,
Não pode mais
edificar
No terreno que deixou
Como sem planta, deserto
como céu aberto.


Desventura

O poder da mansuetude
Parecendo uma fraqueza
É no entanto pleno de
riqueza
Sendo uma das maiores
virtudes!
A violência conduz
Á desventura e não seduz!


Águas sagradas

O mar não singrado
Cujas águas
convoladas
O campo que não viu o arado
de árvores intactas
são sagrados.

24 de agosto de 2006

XII Congresso Brasileiro de Folclore - XII Encontro de Folclore e Cultura Popular

Foto: Hugo Macedo
Programação Cultural

De 22 a 26/agosto/2006
Memorial Câmara Cascudo
Semana do Folclore
22/agosto/2006
Das 08:00h às 17:00h - Exposição "Câmara Cascudo: Uma história que o tempo não leva"
16:00h – Espetáculo "Boi Brasil", Projeto Operart – Instituto FAL

23/agosto/2006
16:00h – Espetáculo "Popular Dança Antônio Nóbrega" – Grupo de Dança Popular do Colégio Marista de Natal

24/agosto/2006
16:00h – Espetáculo "Cascudo canta lá que eu conto cá" – Trotamundos Companhia de Artes

25/agosto/2006
16h – Espetáculo "As traquinagens de Mateus e Catirina" – Grupo de Teatro Artes & Traquinagens

26/agosto/2006
Pátio da Igreja de Santos Reis
Folia de Reis
16:00h – Lançamento do livro "Folia de Reis", do folclorista Afonso Furtado
17:00h – Boi de Manoel Marinheiro
17:45h – Boi de Reis de São Gonçalo do Amarante

29/agosto/2006
Fundação José Augusto
10:00h – Exposição: Cultura Popular nas artes plásticas

CEFET
18:00h – Abertura do XII Congresso Brasileiro de Folclore – Programação Científica
18:00h – Lançamento da Revista Continente – Câmara Cascudo: Vida dentro da obra
21:00h – Fandango de Canguaretama

30/agosto/2006
CEFET
08:00h – XII Congresso Brasileiro de Folclore – Programação Científica
18:30h – Boi de Reis de Bocas
19:00h – Bandeirinhas de Touros
19:30h – Declamadores: Paulo Varela, Antônio Francisco, Bob Motta
20:30h – Isaque Galvão – Musical "Lírio Verde"Palácio Potengi

Praça 7 de Setembro
18:00 - Abertura da exposição "Cultura Popular nas artes plásticas do RN"
18:00h – Lançamento do livro "Cascudo Guardião das Nossas Tradições", organizado pela professora Isaura Amélia Rosado Maia

Noite Cornélio Campina
Redinha
50 anos à vida das danças antigas e semi-desaparecidas
21:00h – Tema de Abertura: "Linda Baby", de Pedro Mendes, por Carlos Bem
21:10h – Boi de Manoel Marinheiro
21: 50h – Pastoril de Tibau do Sul
22:30h – Grupo Cavalo Marinho de Bayeux
23:10h – Caboclos de Major Sales
23:50h – Boi de Reis de Dedé Veríssimo
00:30h – Grupo Araruna – Danças antigas e semi-desaparecidas
01:10h – Musical "Usina", com Khrystal
01:50h – Coco de Roda de Tibau do Sul
02:30h – Congos de Calçola de Ponta Negra
03:00h – Coco Maracajá
03:30h – Serenata do Pescador – Fernando Tovar

31/agosto/2006
CEFET
08:00h – XII Congresso Brasileiro de Folclore – Programação Científica
18:30h – Caboclinhos de Ceará Mirim
19:00h – Congos de Calçola de Ponta Negra
19:30h – Grupo Araruna – Danças antigas e semi-desaparecidas
20:00h – Roberto do Acordeom

Santa Cruz da Bica – Memorial Câmara Cascudo – Palácio da Cultura – Praça André de Albuquerque
I Cortejo Folclórico do Centro Histórico de Natal
16:00h – Caboclinhos de Ceará Mirim
16:40h – Congos de Calçola de Ponta Negra
17:20h – Pastoril de Pirangi
18:00h – Cavalo Marinho de Bayeux
18:40h – Boi de Reis Estrela do Oriente
19:20h – Coco de Roda de Dona Neném
20:00h – Caboclos de Major Sales
20:40h – Companhia Parafolclórica da UFRJ
21:20h – Grupo Parafolclórico da UFRN
22:00h – Maracatu Leão Coroado de Recife
22:40h – Espetáculo Teatral "Viva Cascudo na terra dos folguedos", de Dimas Carlos

01/setembro/2006
CEFET
08:00h – XII Congresso Brasileiro de Folclore – Programação Científica
18:30h – Coco de Zambê
19:00h – Pastoril de Tibau do Sul
19:30h – Concerto de Violeiros: Antônio Sobrinho – Francisco Sobrinho – Sebastião da Silva – Cícero Nascimento – Amâncio Sobrinho – Aldaci de França – José Isidro – Luiz Maurício – Assis Sobrinho – Raimundo Lira20:00h – Chegança de Barra de Cunhaú20:30h – Tirinete de Tracuá

23 de agosto de 2006

Minhas botas canguleiras

Por Laélio Ferreira

Nos idos de 43/45, no auge da presença dos sobrinhos do Tio Sam em Natal - os "galegos" como os chamávamos, entre os meus cinco e sete anos de idade -. Quando tudo era novidade até mesmo para os adultos, tomei muita Coca-Cola, mastiguei, masquei, muito chiclete daquele fininho, uma tirinha e vi muita "gente grande" tomando cerveja em lata e fumando "Camel", "Phillips Morris", "Lucky Strike".

Dos maços de cigarro vazios, fazíamos as "notas" para apostar biloca nos quintais vizinhos.Como meu pai e um irmão mais velho trabalhavam em "Parnamirim Field" não faltavam as "cocas", de segunda ao sábado de meio-expediente. Geladeira nesse tempo era coisa de rico. As garrafas escuras meu Pai as trazia, seis ou mais, do "Campo", quase anoitecendo, bem acomodadas sob muito gelo e serragem, num depósito de madeira com alça. Rafick de "Seu" Izidin (Nagib) da bodega, Doca de "Seu" Ruben (Câmara) da "Saúde" e Zelinho de "Seu" João (Vasconcelos) da padaria, olhos pidãos, pigoravam, quase todo santo dia, a tal novidade "made in USA" e bebiam, satisfeitos, arrotando a cada gole, pelo menos um copo. Era uma festa na rua Felipe Camarão, ali bem perto da Juvino Barreto...!

Washington, o mano mais velho - que deixara o emprego na "Força e Luz" e o Sindicato dos Eletricitários com um companheiro de diretoria (que depois virou "gente fina") chamado Jessé Pinto Freire -, era o Pagador-Geral do pessoal civil da Base Aérea, conhecendo Deus e o mundo: brasileiro paisano ou fardado, de soldado raso a general americano. Falando fluentemente inglês, nos dias e horas de folga, apesar dos renovados protestos de mamãe, farreava adoidado com os gringos.

Competentíssimo cicerone, "guia turístico" de largos conhecimentos em uma Natal de apenas uns 50 mil habitantes, até antes da guerra uma aldeia provinciana e quieta.O "pacote", em geral - pude saber, anos depois, já taludo -, além dos meretrícios mais manjados, o "baixo" (XV de Novembro, Beco da Quarentena, Bica da Telha e Rua São Pedro) e o "alto" (Maria Boa, Maria de Josino, Rita Loura), circunavegava também pelo Grande Ponto, Tavares de Lira, Canto do Mangue, Grande Hotel, Lagoa do Bonfim, Macaíba, São José e - pasmem todos - Fernando de Noronha!

Para o "tour" no arquipélago, chegava a patota a requisitar, nessas "missões", B's25 (Parnamirim-Noronha-Parnamirim) e hidroaviões Catalina (Rampa-Noronha-Rampa). As desculpas (amarelas) para tantos deslocamentos eram as mais diversas: pagamento do pessoal civil, checagem de equipamentos e instalações, inspeções, testes das aeronaves - o escambau. Nessas esbórnias todas por Natal e adjacências, à exceção de outra rota aérea Rampa-Lagoa do Bonfim-Rampa, os traslados terrestres eram todos cumpridos por "jeep's". Raramente em "carros-de-praça" (os táxis de hoje), usados tão-somente quando as "girl's friend's" (leia-se piranhas) exigiam maior discrição e comodidade. Parnamirim, a incipiente Vila de então, obviamente, face à proximidade dos chamados "escalões superiores", era descartada de toda essa azáfama turística...

Saudades do meu irmão Washington ! Em um desses seus dias de turista irresponsável, chegou lá por casa, de-meio-lastro-a-queimado, na companhia de um aviador americano do tamanho de um bonde, galego rosagá, sujeito suado como os seiscentos. Levaram-me, os dois, e a Netinho, outro irmão mais velho do que eu um ano, à oficina de um amigo na Travessa Aureliano, na Ribeira. Em meio ao alvoroço do estabelecimento, cheio de operários e clientes, "Seu" Edísio, o inventor das famosas "flying boots", ajoelhado e risonho, tirou-nos as medidas, riscando sobre uma cartolina,um a um, os contornos dos nossos pés descalços. Uma semana depois, sob os olhares mansos e risonhos de Othoniel e Maria, posávamos, na Praça Pedro Velho, para a máquina de Washington. Nas canelas finas, brilhando mais do que espinhaço de pão doce, as famosas "botas dos americanos", tão canguleiras quanto eu - que nasci na rua Ferreira Chaves, Ribeira velha de guerra...
Publicado no jornal O Mossoroense, em 22 de agosto de 2006.

22 de agosto de 2006

Ministro visita Centro de Tecnologia de Camarão e se reúne com pescadores no RN

Altemir Gregolin, ministro da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca da Presidência da República.

Texto e foto: Alexandro Gurgel

O ministro da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca da Presidência da República (Seap), Altemir Gregolin, esteve reunido nesta segunda-feira com pescadores e carcinicultores do Rio Grande do Norte.

Durante a manhã em Extremoz, o ministro visitou o Centro Tecnológico do Camarão, estrutura cuja implementação teve recursos destinados pela Seap. Em Caraúbas, Gregolin teve um encontro com pescadores artesanais, entregando as primeiras “Carteiras do Pescador” do Estado. “As novas carteiras são impressas em papel-moeda, para evitar falsificações. Elas foram elaboradas a partir do recadastramento nacional dos pescadores”, ressaltou o ministro.

Segundo o ministro Altemir Gregolin, o trabalho para recadastrar todos os pescadores artesanais do país foi necessário para atualizar e também para moralizar o cadastro, identificando e eliminando o registro de “falsos pescadores” que recebiam benefícios indevidamente. O ministro afirmou que o recadastramento está em fase final e que, em setembro, começa a distribuição das novas carteiras aos outros Estados.

Nesta terça-feira, o ministro participa do peixamento de viveiros no Pólo de Tilápia da comunidade de Aracati, em Touros. Em seguida, Gregolin segue para Rio do Fogo, onde participa do lançamento do Programa de Desenvolvimento das comunidades Costeiras. De acordo com o ministro, o programa é realizado em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e é o maior projeto em andamento no país para o fomento ao crescimento sustentável da maricultura (fazendas de criação de frutos-do-mar).

Conforme Altemir Gregolin, o programa é destinado a gerar renda, trabalho, qualificação profissional e melhoria das condições de vida das comunidades através do desenvolvimento do cultivo marinho (algas, camarão, ostras, mexilhões ou outros organismos aquáticos).

Com orçamento de US$ 5 milhões a serem investidos nos próximos cinco anos, o projeto começa a ser implementado no Rio Grande do Norte e em mais dois Estados do Nordeste (Ceará e Paraíba).

Rio do Fogo será a primeira comunidade atendida no Estado. Lá os moradores serão capacitados para cultivar algas. “Hoje, a alga é extraída do ambiente natural pelas algueiras da região. O cultivo vai garantir mais renda e sustentabilidade ambiental à atividade”, garantiu.

A meta agora é consolidar as ações que estão em andamento

Altemir Gregolin assumiu, em 3 de março, a Secretaria Especial da Aqüicultura e Pesca. O novo ministro substitui José Fritsch, que pediu exoneração do cargo.

Gregolin, que até então era o secretário-adjunto da Seap, passou a integrar a Pesca em novembro de 2004, como subsecretário de Desenvolvimento de Aqüicultura e Pesca. Veterinário com especialização em administração rural e mestrado em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRJ), o novo ministro é professor da Universidade Comunitária Regional de Chapecó (Unochapecó), de Santa Catarina, desde 1996.

Em 1997, Gregolin foi convidado por Fritsch, então prefeito de Chapecó, para coordenar a implantação do orçamento participativo na cidade. O catarinense continuou na administração como secretário municipal de Fritsch nos seus dois mandatos, comandando as pastas da Administração e Fazenda e Planejamento e Urbanismo. Foi também secretário de governo e chefe de gabinete.

Nascido em Coronel Freitas (SC), Gregolin tem 42 anos e integra o PT desde 1985. Em 2002, disputou a eleição à Assembléia Legislativa catarinense e é suplente de deputado.

O ministro conhece bem as necessidades dos pescadores e aqüicultores brasileiros. Foi ele quem coordenou a 2ª Conferência Nacional de Aqüicultura e Pesca, que reuniu mais de 2 mil pessoas em Luziânia (GO) para discutir e formular propostas para o fortalecimento da pesca artesanal e industrial e da aqüicultura.

Agora, o compromisso é a consolidação das ações que vêm sendo desenvolvidas pela Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca e a efetivação das decisões tomadas na Conferência, afirma Gregolin.

Desenvolvimento sustentável, inclusão social, aumento da produção, da renda e do consumo de pescado são as bases das políticas adotadas pela Seap desde a sua criação, em 2003, implementadas a partir da 1ª Conferência Nacional de Aqüicultura e Pesca e consolidadas na 2ª Conferência.
Matéria publicada no jornal O Mossoroense, em 22 de agosto de 2006.

21 de agosto de 2006

Soneto para Natal

Foto: Alexandro Gurgel

Licurgo Carvalho
(Currais Novos - RN)

Filha de uma Mãe Luíza qualquer,
Com cheiro nobre de Alecrim,
No Potengi, nasceste uma mulher,
Espraiada numa Cidade Jardim.

Mundana com os gringos na Ribeira,
No Beco, enche a cara de poesias e lama,
E sob a leveza de uma brisa costeira,
Oração ébria na candelária de quem ama.

Aventuras descabidas nas dunas do Tirol,
Cidade de esperança no oculto feminino,
Felações permitidas no concreto Mirassol.

Menina de Ponta Negra, crescida no carnaval,
Formidável comborça nas ruelas das Rocas,
Eterna noiva cascudiana, teu belo nome é Natal.

20 de agosto de 2006

Um olhar sobre a Ponte

Foto: Alexandro Gurgel

por Antoniel Campos


é sob a ponte que olho sobre a ponte.
eu, abstrato, me vejo assim: concreto.
pilar oblíquo, fingindo um ângulo reto.
estou aqui na margem — e no horizonte.

18 de agosto de 2006

Um jeito Khrystalino de cantar


Foto e texto: Alexandro Gurgel

A primeira vez que vi Khrystal cantar foi durante o show “Cosern Musical”, há quatro anos atrás, ao lado da Praça Cívica. Era época natalina, um grupo de músicos potiguares fazia uma homenagem à Natal, cantando louvores à Cidade dos Reis Magos. A superprodução era de Zé Dias, que reuniu em um único projeto, o que há de melhor na musicalidade do Estado.

Uma pequena multidão se aglomerava, sentando diante do palco onde eu estava ao lado de Cléo, minha esposa. Ficamos deslumbrados ouvindo Khrystal cantar “Linda Baby” - um poema de Pedrinho Mendes que tornou-se o hino de Natal. A voz magnética daquela menina baixinha, para mim desconhecida, ecoava pela praça e seduzia minha’alma como sua maneira ‘khrystalina’ de canta as coisas da nossa terra.

No carnaval de Ponta Negra, dancei frevo e marchinhas ouvindo as músicas que Khrystal cantava, relembrando antigos carnavais. Fiquei surpreso com sua evolução musical, sua performance no palco. O Festival de Música do Beco da Lama, o MPBeco, foi o último show que vi Krystal cantando para uma multidão exaltada que gritava seu nome pelo Grande Ponto.

Confesso que já havia me tornado um fã quando fui designado pelo editor Túlio Ratto para fazer uma matéria exclusiva com Khrystal para as páginas da Papangu. Trocamos telefone via internet com promessas de uma conversação. No horário e lugar ajustado, ela chegou cheia de simpatia, bem falantes, gesticulando muito.

Com um pitada de orgulho, Khrystal começou falando sobre seu nascimento musical no Beco da Lama, no Bar de Pedrinho Abech, por volta de seis ou sete anos atrás. O bar era um sítio acolhedor de todas as tribos da cidade, onde havia uma atmosfera nova, algo deslumbrante em torno da jovem cantora. Ela nunca tinha vivido num ambiente que respirava arte o dia inteiro. “Eu era atraída ao bar porque havia exposição de artes plásticas, música e pessoas interessantes”, ressaltou.

Naquela época, Khrystal revela que era muito inexperiente, tinha uma voz muito esganiçada e pouco sabia lidar com o microfone. No bar havia uma guitarra, usada por ela para fazer um som para uma audiência de amigos e, às vezes, Pedrinho também entrava em cena, tocando bateria. Foi durante as apresentações no Beco da Lama que conheceu o músico Carlança e ficou encantada com o som que saía da sua guitarra. “Ele tem uma tremenda musicalidade e me ensinou muito do que sei hoje”, disse. Também travou amizades com Donizete Lima, Luís Gadelha, Pedro Mendes e tantos outros. “Quando comecei a cantar, Cida Lobo estava na frase de transição para São Paulo, mas tive o prazer de conviver um pouco com ela”.

Khrystal lembra que, quando cantava em barzinhos, gostava de cantar MPB. Sua canção preferida era “Minha História”, de Chico Buarque de Holanda, numa fase muito boêmia, com um repertório recheado da melhor música brasileira. “Eu cantavam Lobão, Cássia Eler, Adriana Calcanhoto, etc. Eu continuo gostando desses ídolos, mas hoje meu prazer é cantar de uma forma diferente”, frisou.

Apesar de sentir saudades daqueles tempos, onde as dificuldades eram estímulos para continuar cantando, Khrystal disse que atualmente há uma estrutura profissional para trabalhar, tendo ao seu lado o produtor cultural Zé Dias, seu empresário. “Zé Dias foi uma das melhores coisas que aconteceu na minha vida. Ele não é só meu marido. É ele quem produz o show, que segura a onda, que vai atrás de cachê e tudo mais. Eu fico mais relaxada para trabalhar”.

Recentemente, Khrystal lançou um disco “demo” chamado “Meia dúzia ou seis”, com seis canções para promover sua música, distribuindo com profissionais de rádio, jornalistas, amigos e produtores musicais. “Pra valer mesmo, eu nunca gravei um disco. Estamos finalizando o meu primeiro cd e é totalmente diferente das paradas que eu fazia antes”, disse entusiasmada.

Seu primeiro disco será intitulado “Coisa de Preto”, que segundo Khrystal, são coisas que remetem a maneira doce, descontraída e cheia de swing para encarar a vida da melhor forma possível. A música que dá nome ao disco é um samba-funk, escrita em parceria com Tertuliano Aires, conhecido como Cabrito, “uma pessoa que amo de paixão e um grande poeta”, frisou.

Conforme Khrystal, o disco traz novas leituras do coco cantado no Rio Grande do Norte. Ela confessa que não é cantora de coco, mas decidiu homenagear o ritmo porque é pouco conhecido numa terra onde tem os cocos de Ganzá e de Zambê. Nesse disco, Krystal interpreta o poeta Jacinto Silva, Elino Julião, Galvão Filho, Babal, Aldir Blank, Lenine Pinto, Kátia de França, entre outros.

Apesar da musicalidade de Elino Julião ser reconhecida como forró, Khrystal afirmou que fez outra roupagem na música “Forró da Coréia”, um som mais pesado, em ritmo de rock. “Fizemos uma coisa arrepiante, que não deixa de ser coco, que não deixa de ser rock e não deixa de ser forró. É música”, completou. Nos shows, Krystal é acompanhada por uma banda composta por Franklin Novaes, no piano e violas - o maestro responsável pelos arranjos do disco. Ricardo Baia no baixo, Zé Fontes na guitarra e na bateria, Didja Novaes, o filho de Franklin. “Eu também gravei Kátia de França e eu a admiro muito, ela tem uma nordestinidade muito profunda, sem entrar na pieguice. Se ela tiver a oportunidade de participar do lançamento, vai ser muito bom”.

O disco e o show “Coisa de Preto” serão lançados no final de agosto, no Palácio da Cultura. Em setembro, Khrystal e banda partem para uma temporada na Casa da Ribeira. A cantora afirmou que os ensaios já estão na parte final e garantiu mostrar uma musicalidade brasileira pouco conhecida pelo grande público. “A temática do show será mostrar, através da música, um Brasil que o próprio povo brasileiro não conhece”, afirmou.

Nossa entrevista deixa transparecer a certeza que a música potiguar vive uma ebulição qualitativa, tendo a cantora Khrystal como uma autêntica representante dessa geração. Recentemente, Krystal esteve em Mossoró para mostrar alguns cocos, dando uma palhinha do que será seu novo trabalho, exaltando a musicalidade de Jacinto Silva e Elino Julião. Agora, nos resta esperar que os ventos de agosto soprem Krystal para os palcos potiguares, presenteando a todos com seu talento.
Texto publicado na revista Papangu número 30, edição de julho de 2006.

17 de agosto de 2006

O homem que virou bicho

Por Clotilde Tavares
Finalmente vão começar as filmagens de “As pelejas de Ojuara”, o espetacular romance de Nei Leandro de Castro. Vejo nos jornais que as locações já estão escolhidas, o elenco definido – ninguém melhor do que Marcos Palmeira para fazer o herói - e a data de 15 de setembro marcada para que os trabalhos comecem. Leio com prazer a matéria publicada nesta Tribuna do Norte na quinta-feira passada, que informa detalhes, e é muito bom saber que o filme será inteiro rodado no Rio Grande do Norte e que contará com nomes locais no elenco, com destaque para a nossa Quitéria Kelly, atriz de talento que já se firmou na cena teatral da cidade e que agora mostra sua arte também na tela grande.
Para quem não conhece, “As pelejas de Ojuara” é um épico potiguar, um romance com gosto e jeito de folheto de cordel e história de trancoso, cheio de personagens reais, misturados com outros imaginários de tal forma que todos passam para um plano de sonho e delírio, numa história desvairadamente picaresca e cômica. Todo potiguar devia por obrigação ler este romance para conhecer melhor a alma da sua gente, a essência da sua terra, o humor dos seus tipos populares.
A adaptação cinematográfica de uma obra como essa é tarefa não muito fácil, e às vezes o leitor do romance se aborrece por não encontrar no filme todos os fatos e personagens que viu no livro. Mas não devia se aborrecer. O filme é outra obra, diferente do livro, embora inspirado nele. Trabalha com outros elementos da linguagem artística e, ao contrário do livro, que se passa dentro de nós, na tela da nossa imaginação, e por isso mesmo com recursos ilimitados, o filme se passa fora da gente, diante dos nossos olhos, e para leva-lo à real tela dos cinemas é preciso gastar muito dinheiro. É preciso então ir ao filme preparado para uma obra nova, mesmo que já se tenha lido o livro antes.
Finalmente, só para esclarecimento do leitor e antes que se crie uma história fictícia, trabalhosa de desmanchar depois, não foi o escritor Carlos Drummond de Andrade quem apresentou o livro ao produtor Luís Carlos Barreto, como refere a matéria da Tribuna de quinta-feira passada. O produtor Luís Carlos Barreto conheceu o livro por meu intermédio, e vou contar como foi.
Tenho uma amiga em Recife, a produtora cultural Andréa Mota, a quem dei de presente um exemplar de “As pelejas de Ojuara”, ainda da primeira edição. Ela ficou louca pelo livro e vivia me atazanando para fazer dele uma peça de teatro. Eu, sempre com mil coisas a fazer, nunca tinha tempo de discutir a idéia com ela. Até que uma noite ela me ligou. “Olha”, disse, “estou aqui em Recife com o produtor Luís Carlos Barreto e falei a ele de Ojuara. Ele ficou muito interessado em ler o livro e quer saber onde pode conseguir um exemplar”. Eu pedi a ela dez minutos, liguei para Nei Leandro de Castro que nessa época morava no Rio e coloquei ele em contato com Andréa Mota e Luís Carlos Barreto. Eles tiveram então a primeira conversa, e Nei mandou o livro para Barreto que, em seguida, adquiriu os direitos sobre a obra para transformá-la em filme.
De qualquer modo, o importante é que em breve teremos Ojuara nas telas, para deleite dos nossos sentidos e para orgulho da nossa identidade potiguar e nordestina. Ojuara, o homem que virou bicho, redimido e salvo do Capeta nos capítulos finais por Clotilde Alicate – porque eu também sou personagem do livro, meu caro leitor.
Publicado na Tribuna do Norte, em 13 de agosto de 2006.

16 de agosto de 2006

Poucos Hai-Kais para o Beco e sua Alma

Lívio Liveira
(Natal RN)

I
Beco virtual?
Sonhei que era sincero
meu cartão postal.

II
Peço teu copo.
Vi teu batom pintado,
boca que toco.

III
Se bebes ao mar,
tens o rio esperando
só pra te afogar.

IV
Publicas livros.
Para ler só tem quatro:
os mais precisos.

V
O Beco solto.
Lá! Vê naquela mesa?
Mora um louco.

VI
És só famosa.
Se não há quem o prove,
foi tudo prosa.

VII
Mais um amigo
mergulha nas duas luas
de teu umbigo.

VIII
Posso penetrar?
Já não é libertário
esse teu lugar?

IX
Sinto exagero.
Não é dessa mocinha
esse mal cheiro.

X
Em muito assuntas.
Mas eu quero perguntar:
já és defunta?

14 de agosto de 2006

Chico Doido de Caicó

FRAGMENTOS DE UMA ENTREVISTA

Afinal, Chico Véio, você existiu mesmo?
Ô xente, minha Nossa Senhora das Bucetanças, o fato de estar mortinho da silva não quer dizer que eu não tenha existido, viu, seu minino! O ator pernambucano Emanuel Cavalcanti, muito amigo do seu amigo Zé Marinho, uma vez me viu na Feira de São Cristóvão, tá sabendo!?! E o historiador Neto Araújo, de Caicó, não confirmou a minha vivença pra você mesmo, e para o seu irmão, nos idos de 1994, lá na cidade que cantei em prosa e verso?

Bem, na verdade ele apenas supôs que você poderia ter sido o órfão conhecido como Chico de Manuel Avelino, um vivente muito do presepeiro e mulherengo na Caicó dos anos 40, e que, de lá saindo para a marinha mercante, nunca mais voltara...
Então, sou o próprio! Juro pelo Nosso Senhor das Boas Trepadas!

Mas Chico, você, como amigo de São Francisco de Assis, precisa se comportar mais adequadamente do alto de seu Plano Astral, em pleno Além. Não fale assim...
Mas Chiquim de Assis é uma energia muito destabocada, assim como esse vosso Chico Véio.

Na última entrevista que você concedeu ao Balaio, afirmava que continuava sentindo uma saudade danada do sexo da mulher e de...
Deixa de ser abestalhado, seu minino, isso aí tem nome, variando de lugar para lugar: buceta, xota, xoxota, xereca, xibiu, priquita, pirsiguida, perereca, quiquiriquinha, catedral-do-amor, palácio-dos-mil-prazeres, santa-quentura, santa-perdição, flor-dos-mil-pecados, flor-do-cheiro-quente, lambedeira, gruta-dos-mil-amores, doce-quentura, flor-de-jabuticaba, triângulo-das-tentações, doce-vaginilda, maria-da-noite. Ou será que lá no plano terrestre os homens agora renegam a pirsiguida e só querem dar o foba?

Não é nada disso, Chico Véio, continua tendo gosto pra tudo. Mas continuemos... Aliás, você, o maior mulherengo de Caicó e adjacências, sempre respeitou os viados...
Os viados e todos os animais da fauna humana. Até fiz um poema em homenagem a eles, baseado num poeta português, que também foi num foi aparece por aqui. Veja só, seu seridoense acariocado de uma figa:

Homem com homem
Mulher com mulher
Pessoa com pessoa.
Tudo vale a pena
Se a foda não é pequena.

Os doutores das letras têm uma palavra pra esse tipo de homenagem-metaplágio, mas deixa pra lá que isso é de pouca serventia no mundo dos mortos.

Entre os seus poemas, mais de 200, qual o que você mais gosta?
Escute só, pode não ser o melhor, mas hoje é o que me parece mais representativo:

A rapariga que eu mais quis bem
Me dava dinheiro
Me dava cigarro
Me dava cafuné
Me dava cachaça
Me dava embalo na rede
Me dava tudo
Só não me dava o cu.

Ainda se lembra que você foi patrono de uma turma de formandos de Comunicação da UFF, a turma do segundo semestre de 93?
Claro! E eu, mesmo no Além, iria me esquecer daquele 4 de março de 94? Cada minina bonita... Me senti mais feliz do que quando me lançaram à Academia Brasileira de Letras. Aquilo ali é uma bosta.

Dá para acompanhar a poesia brasileira do momento -- ou as energias que o envolvem não lhe permitem ter uma visão mais clara da vida terrena?
Até que dá... Gosto de Glauco Mattoso, gosto de Sebastião Nunes, de Bráulio Tavares, do Bom trepador de Lúcia Nobre, gosto do poeta que me revelou para a vida literária: Nei Leandro. Gosto dos poetas populares anônimos. Mas, confesso, às vezes misturobeio tudo: o que seria um poema de Bráulio pode ser do Nei, ou vice-versa. Um poema da Lúcia pode ser do Bráulio, um poema do Tião pode ser de um poeta popular.

Se vivo ainda fosse, você estaria fazendo o quê, com seus 80 anos?
Em primeiro lugar, lambendo xibius; em segundo lugar, lambendo rapaduras; em terceiro lugar, não estaria lambendo o saco de ninguém. Sou caicoense dos bons, viu!?!

Publicado no Balaio Vermelho, em 14 de agosto de 2006.
http://www.balaiovermelho.blogger.com.br/

13 de agosto de 2006

Ojuara e a Associação dos Cornos Potiguares

Foto: Alexandro Gurgel
Fábio di Ojuara e seu livro sobre o universo dos cornos.


Por Alexandro Gurgel

Como funcionário público, trabalhando há 15 anos na Câmara Municipal do Natal, seu registro profissional é Fábio Ferreira de Araújo, mas como artista plástico e presidente da Associação dos Cornos Potiguares, é conhecido como Fábio di Ojuara. Nasceu e foi criado em Natal, morou um período em Recife onde obteve seus primeiros contatos com a arte e, atualmente, mora em Ceará Mirim.

Fábio afirma que levou chifres da primeira mulher por oitos anos consecutivos. “Agüentei porque era uma mulher linda e gostosa. Descobri que ninguém consegue comer sozinho uma melancia grande e uma mulher bonita”, frisou. Fábio destacou que passou um tempo sofrendo, sem acreditar no que acontecia – característica de um corno ateu. “Passei mais de um ano aperreado, querendo que ela voltasse e sentindo uma dor de corno danada”, completa.

Depois dessa primeira experiência, assumido a condição de corno, Fábio di Ojuara foi pesquisar o assunto. Descobriu que chifre nunca foi um problema. Ele chegou a conclusão que tudo não passava de uma simples terminologia do universo da traição conjugal. “Chifres foi feito para homem, o boi usa de atrevido”, rebate Ojuara, justificando que a fidelidade no casamento tem que ser facultativa. “A mulher moderna, desse novo milênio, tem um lema em relação a chifre: botou, levou”, disse.

Fábio fez muita investigação, interando-se bastante sobre o assunto. Quando descobriu outras pessoas na sua mesma situação, resolveu fundar a Associação Potiguar de Cornos. Conforme Ojuara, se todos os cornos resolvessem aderir à associação, poderia se configurar a maior categoria organizada em funcionamento. Como presidente, Ojuara disse que perdeu as contas do número de associados, mas promete atualizar o cadastro.

Para registrar esse folclore do chifre, Fábio escreveu um livro onde juntou toda uma literatura sobre o assunto. Intitulado “Sabendo usar... chifre não é problema”, o livro traz os mais diversos tipos de corno, piadas de corno, poesias, provérbios, casos verídicos de traição, entre outras cornagens.

Numa entrevista exclusiva, Ojuara avisa ao leitor: “O ministério dos Cornos adverte: ao terminar de ler esta entrevista, se não desaparecer os sintomas do seu chifre, procure imediatamente um psicanalista. Seu caso é patológico e perigoso”.

Como surgiu a idéia de criar a Associação dos Cornos Potiguares?
Vi que o número de cornos era grande no Estado e além do mais, há associações de prostitutas, de empregadas domésticas, de gays, enfim, de tudo no mundo há algumas associação. Então, pensei: “corno também é gente” e resolvi cria a nossa associação que vem aumentando o número de filiados a cada dia.

Quantos associados tem a ACP?
Eu já perdi as contas. No início, eu ainda controlei o cadastro, mas agora perdi as contas. Todo mundo quando me encontra na rua diz que quer entra na Associação dos Cornos Potiguares e possuir uma carteirinha de corno oficial. Contei até 350 associados, depois, perdi a conta. Agora, estou empenhado para organizar toda a papelada, transformando a Associação dos Cornos Potiguares em uma associação de utilidade pública com sede, estatuto e tudo mais. É necessário que o corno colabore também com uma entidade que pertence a ele mesmo.

Então, essa organização que o senhor que fazer é para que associação crie condições de dá apoio psicológico e jurídico aos cornos?
Exatamente. Unidos, os cornos têm condições de pagar um advogado para que a mulher não tome tudo dele. Mesmo levando chifres, o corno pode manter parte do seu patrimônio. O Ministério Público oferece um advogado ao corno, mas tudo fica mais lento. Agora, eu mesmo dou conselhos aos cornos, fazendo um trabalho psicológico, falando sobre minha experiência e mostrando que chifre não é nada de mais. Nossa associação também que criar uma creche para aqueles cornos que são deixados com uma ruma de crianças, enquanto a mulher foge com o pé de lã.

Qual o perfil do corno potiguar?
É o melhor corno do Brasil, o mais consciente. Em todo lugar do mundo há cornos de todos os tipos. Vejo relatos que chegam em nossa associação de muitos casos de homicídios em São Paulo, onde o corno mata a mulher no meio do desespero. No Rio Grande do Sul e Paraná já houve casos de suicídio porque o coitado do corno não agüentou a pressão na cabeça. Hoje, o corno potiguar é um “corno light”, que conversa abertamente sobre seu problema, convive com a mulher, mesmo sabendo que está levando chifres. Em andei pesquisando em delegacias da cidade e o índice de crimes passionais é quase zero por cento.

Para fazer parte da associação tem que ser corno ou uma pessoa simpatizante pode entrar?
Aquele que gosta do assunto, mesmo sem ser corno (o ateu), pode participar da nossa confraria. Alguns têm curiosidade para saber a reação de um corno quando está levando chifres. Outros preferem ouvir as conversas entre os associados para saber a resenha das últimas novidades na cidade. Afinal, chifre sempre despertou a curiosidade alheia.

Ojuara, como você se sentiu na primeira vez que levou chifres?
Eu passei quase um ano chorando feito um menino novo, com saudades e uma dor no peito que não se acabava. Quando conto a história, muita gente não acredita. Um dia, cheguei em casa às nove da noite, cansado do trabalho, doido pra tomar um banho, dá um cheiro no mulher e dormir. Mas, logo escutei um barulho e fui olhar devagarzinho. Vi o cabra fungado em cima da mulher. Na mesma hora, deu um nó na goela, fiquei sem saber o que fazer, mas não fiz nada. Eles não me viram. Ela nunca falou em me deixar, mas continuava se encontrando com o vizinho. Nessa época, eu não estava preparado para ser corno e sofri uma barra pesada muito grande até me acostumar.

E quando o sujeito passa a gostar de levar chifres, como fica a situação?
Depois que o corno alcança certa experiência no assunto e descobre que chifre não é nada de mais, ele vive feliz com qualquer mulher. Atualmente, vivo com uma mulher que não quer botar chifres em mim. Ela diz que quer ser diferente das outras mulheres.

Mas, isso não descaracteriza um pré-requisito básico da associação dos cornos?
Não. Eu já levei muito chifre antes e não existe um ex-corno. O cabra quando é corno, vai ser corno pelo resto da vida. É um sentimento que fica enraizado feito uma cicatriz na memória.

Como surgiu a odeia de Lançar o livro “Sabendo usar... chifre não é problema”?
O livro é uma junção de tudo que pesquisei, um fruto da minha experiência como corno. Depois que descobrir que havia um universo de corno com problemas semelhantes, resolvi ajudar aos meus irmão que não têm a maturidade para entender a importância do chifre. Esse livro é como se fosse a Bíblia dos cornos. Um livro para qualquer um ter na cabeceira da cama e ser consultado toda noite, antes de dormir. Por outro lado, o chifre também é folclore presente na literatura de cordel, nos textos de Nelson Rodrigues e outras manifestações artísticas. A primeira edição já está esgotada, mas pode ser encontrado nas livrarias de Natal. Estou trabalhando para fazer a segunda edição ampliada do livro. O livro também é carregado de mensagens filosóficas que vai fundo no leitor.

Tipos de corno:

Corno Vidente: tem pressentimento toda vez que leva chifre;
Corno Perito: examina a mulher quando ela chega em casa;
Corno Cofre: cheio de segredos;
Corno Garçom: vive entregando a mulher de bandeja;
Corno Turista: a mulher fica planejando viagens pra ele;
Corno Camaleão: quando vê a mulher, muda de cor;
Corno Religioso: no dia que leva chifre, entrega a Deus;
Corno Cigano: muda de lugar a cada chifre que leva;
Corno Padeiro: além de corno, queima a rosca;
Corno Consórcio: vive ansioso, esperando ser contemplado com um par de chifres.


Provérbios para cornos:

Um chifre só se cura com outro chifre;
Cada um tem o chifre que merece;
Corno só é solidário no chifre;
Chifre é como ferida, se não tratar demora a curar;
Corno que ama não mata;
Chifre não é para todo mundo, mas está ficando cada vez mais popular;

Entrevista publicada n’O Mossoroense, em 13 de agosto de 2006.

11 de agosto de 2006

A sedução e a palavra

Nei Leandro de Castro

EscritorAbimael da Silva, audaz navegante dos livros, é um grande sedutor. Só mesmo ele, com aquele jeito sonso dos nativos de Várzea, poderia convencer Ivan Maciel a publicar o seu primeiro livro. E que livro! Quatrocentas páginas de erudição sem frescura, escrita fina, humor e outros atributos. Ivan vai de uma análise profunda do universo de Marcel Proust às aventuras de uma adolescente de minissaia, em pleno inverno nova-iorquino, acabando o namoro por um celular; vai da crítica literária, com uma lucidez e um rigor que vejo em poucos críticos brasileiros, a uma viagem em boa companhia, com muita emoção. Ivan teimava em condenar as suas palavras a um exílio sombrio que prejudicava principalmente os seus leitores. Agora, graças ao sedutor Abimael da Silva, ele pode ser lido, relido, curtido, no livro que tem o título de O Exílio das Palavras. Como se não bastasse, o prefácio é de Sanderson Negreiros.
Na esteira do lançamento do livro de Ivan Maciel, Abimael faz planos para publicar uma seleção das crônicas que escrevo neste espaço da TN há cerca de dois anos. O jogo de sedução já começou. Ele me promete um lançamento nas varandas do restaurante Guinza, numa noite em que uma lua cheia de amor estiver seduzindo o mar de Ponta Negra. Não haverá discursos e Khrystal cantará as mais belas canções da MPB. O bufê será indicado por Jota Oliveira. O vinho generoso (“vin d’honneur”, segundo Abimael) será oferecido por Manoel Onofre Jr., que adora essas extravagâncias. Pra completar, Diógenes da Cunha Lima, um esbanjador à altura do cordialíssimo Manoel Onofre, entrará com 10 caixas de Old Parr. Resistir quem há-de?
Difícil mesmo vai ser Abimael da Silva convencer Woden Madruga a publicar uma seleção de seus artigos e crônicas, que dariam mais volumes do que A Comédia Humana de Balzac. Só de Tribuna do Norte são 47 anos no dia-a-dia de escrita saborosa, de quem sabe escrever, de quem já leu todos os livros e, hélas!, já não bebe Cointreau como antigamente. WM tem uma memória privilegiada. Poucas pessoas passeiam pelo passado de Natal com tanto conhecimento de causa. O seu prefácio para o livro Almas de Rapina, de Alex Nascimento, é uma preciosidade. Essa e muitas outras preciosidades precisam entrar para a coleção da editora Sebo Vermelho.
Num futuro bem próximo, Abimael vai tentar seduzir o mossoroense Marcos Ferreira, que mostrou como se usa uma metralhadora giratória, na entrevista que concedeu a Alexandro Gurgel, para a revista Papangu n° 30. O entrevistado, de família muito pobre, analfabeto até os onze anos de idade, demonstra muita inteligência, boa bagagem literária e grande facilidade de se expressar. A palavra exata, a frase certa, o raciocínio muito claro, tudo sai dele num bate-pronto certeiro. Bom, existe em Marcos Ferreira um certo mossoroísmo, ou seja, a eterna viagem em volta do umbigo de Mossoró, mas isso é normal entre os nativos da terra onde chuva de bala é uma festa. Aos 36 anos de idade, esse menino é uma fera ferina. A observação que ele faz sobre a Academia Norte-rio-grandense de Letras está à altura do melhor Agripino Griecco. Espero que Abimael publique os contos e poemas de Marcos, pra gente ficar sabendo se ele é tão bom na poesia e na ficção quanto nas suas tiradas de ferro e fogo.
Crônica publicada na Tribuna do Norte, em 11 de agosto de 2006.

De Lucinha a Mohana passando pelo pôr-do-sol do Potengi

Foto: Divulgação
Tarô Sagrado dos Deuses Hindus vai ser relançado na Capitania

Por Flávio Rezende

Quando o mês de fevereiro apontou no calendário nos idos dos anos 60, bem numa época de profundas conturbações políticas, com prisões, revoluções, atos institucionais e muitas lágrimas derramadas, aos vinte e um dias de 64, nascia em sua própria casa, num vilarejo na pacata Fernando Pedroza, a então sertaneja Maria Lúcia Baracho. Inquieta ao nascer, com doze anos Natal se fez presente e, a família ligada a estrada de ferro, transferiu-se para a capital, instalando móveis e utensílios domésticos na Guarita.

Aos 16 anos, já incorporada de espírito camaleônico, ninguém mais a conhecia pelo nome original. Morando só, observando em inquietas visões o por do sol no rio Potengi, na hoje famosa rua da Misericórdia, atendia pela graça de Lucinha Moreno.

E sua vida de mudanças e transformações continuou levando-a para o universo cultural, com passaporte para uma participação no teatro, mais precisamente na peça "Navio Negreiro", num trabalho feito para o finado expoente do teatro potiguar Jesiel Figueiredo. Suas lembranças remetem a partir daí, a uma sucessão de entradas e bandeiras pelo mundo das artes, como um programa infantil com Enock Domingos, exibido na Tv-U, de caráter educativo. No programa fez o papel de uma cantora chamada Sapinha Geré, dando início assim a sua vivência no universo da música. Depois Lucinha encarnou o papel de uma cangaceira numa produção de Racine Santos.

Trabalhando na tv, decidiu se inscrever no Sesc, que estava promovendo um concurso musical e, para seu deleite, chegou as finais. Foi o sol de sua vida, um novo sentido para viver e, feliz, foi por esta vertente.

E seguiu "doida por música", encontrando em Jorge Macedo, um grande parceiro e incentivador, a ponto de casar com o mesmo. A vida lhe apresentou uma bela seqüência, um vestibular, trabalho como professora em três escolas públicas do Estado, participou de projetos culturais com a Alcatéia Maldita e, começou a fazer shows, cantando músicas próprias e interpretando Cátia de França. Projetos culturais diversos passaram a fazer parte de seu cotidiano, como também um entra e sai de maridos, todos músicos e gurus, num total de quatro, hoje todos ex.

Os shows continuaram e surgiu a necessidade de escrever, inspirada pelo guru indiano Rajneesh. O casamento com a literatura gerou o nascimento de dois filhos em parceria com alunos da rede pública e apoio total do então secretário Hélio Vasconcelos.

A leitura de Rajneesh, que depois mudou o nome para Osho, também pescou Lucinha e começou a enfeitiçá-la ao ponto dela publicar seu primeiro livro "Peregrinação Simbólica", onde ela aparece nua na capa, com asas de borboleta e poesias como "Feriado Místico", "Nego Blues" e "Deidades", pura revolução pois a professora de artes, pisciana e hermética jovem, simplesmente pousava nua na posição da suástica, que para os não iniciados podia ser hitlerista, mas na verdade era mística, eso e exotérica, pois Lucinha já compreendia, mesmo adolescente, os caminhos plurais de Deus.


E o tempo voou e a borboleta mudou...

E o tempo voou, no hoje do século XXI, Morena está seis anos celibatária e publicou outro livro: "Enigma Feiticeiro", além do famoso "Tarô Sagrado dos Deuses Hindus", publicado pela editora Pensamento e vendido em todo o Brasil. O envolvimento espiritual de Lucinha a levou aos braços azuis do alegre Krishna, encarnação divina que movimentou seu corpo no território indiano há 5 mil anos atrás e, que até hoje, tem devotos em todo o planeta, que entoam alegremente o cântico mântrico Hare-Krishna. Desse acasalamento espiritual nasceu uma nova Lucinha, agora chamada de Sri Madana Mohana. E sua música seguiu esse caminho, entrando para o mundo mágico dos mantras, surgindo daí o vinil e o CD "Índia o Poder do Som", indicado pela famosa Astrid Fontenele, à época ícone da MTV, como uma boa audição.

Madana agora mistura seus mantras indianos com o candomblé baiano, optando pela fusão dos ritmos espirituais, num terreiro que conhece, pois de Krishna, entidades, deidades, Sai Baba, Jesus, acarajé e tapioca, ela entende bem.

Empresária com loja instalada em Natal (Casa da Índia), residindo no eixo São Paulo-Natal, desembarca em sua terra potiguar, para temporada, onde aproveita para lançar por aqui, no próximo dia 24, a partir das 19h30, na Capitania das Artes, o livro "Tarô Sagrado dos Deuses Hindus", com algumas performances e a presença dos amantes da magia e da energia dos deuses de todos os cantos e recantos, além de uma apresentação do jornalista Flávio Rezende.

O por do sol no rio Potengi é testemunha das revoluções que Baracho, Lucinha, Madana e Mohana está fazendo pelo mundo e, antes que acabe e ela não declare nada, registro que Madana tem uma parceria com Rogério Duarte, percorrendo várias cidades divulgando o livro dele "Canções do Divino Mestre" numa peregrinação que rendeu bons frutos para a mística cantora, que declara, "andando com Rogério eu conheci a turma do Filhos de Gandhi e estamos juntos fazendo trabalhos que misturam os ritmos irmãos. Pretendemos levar essa apresentação coletiva para programas de peso como Ana Maria Braga e outros". Dessa união vai nascer o projeto: "Sri Madana Mohana e Filhos de Gandhi apresentam em nome da paz o CD Mantra Afoxé Filhos de Gandhi".

E ela não para, pretende fazer um projeto cultural em frente a sua casa na rua da Misericórdia e mil outras coisas. Por enquanto fiquemos com o lançamento do seu famoso livro por aqui. Ia esquecendo, no dia 25, ela vai reinaugurar a Casa da Índia com uma concentração em frente ao busto do Padre João Maria e caminhada em direção ao local do empreendimento, na rua da Misericórdia, número 705, que também vai funcionar como Espaço Cultural. Essa caminhada Mohana diz que é em nome da ecologia, da vida e da criação de uma área em frente ao seu espaço, voltada para o lazer e o prazer de ser feliz e harmonizado com a natureza.
É pouco? Gravite em torno de Sri que ela tem muito mais.

Curiosidades sobre Sri Madana Mohana:

- Ela é a primeira escritora feminina brasileira a ser publicada pela editora Pensamento, na linha hinduísta;
- É a primeira mulher cantora a ser aceita com o Filhos de Gandhi;
- É lacto-vegetariana com seis anos de celibato;
- Foi iniciada pelo guru vaisnava Dhanvantari Swami;
- Fez turnês pela Fnac Brasília e Sescs, percorrendo vários estados.

Serviço:
- Lançamento em Natal do livro "Tarô Sagrado dos Deuses Hindus".
- Dia 24 – quinta-feira
- 19h30
- Capitania das Artes
- Apresentação do jornalista Flávio Rezende, performance de Harrison Gurgel, aplicação de johrei por membros da Igreja Messiânica.
- Quem comprar o livro vai ter direito a uma mensagem do tarô por Madana Mohana.
- Apresentação de Madana Mohana acompanha pelo pai de santo Omar de Oxalá e do baterista Helder Lima.

10 de agosto de 2006

Hugo Macedo expõe imagens do Gargalheiras

Foto: Hugo Macedo
"Gargalheiras, Oásis do Sertão" é a nova exposição fotográfica de Hugo Macedo, em Acari.


Por Alexandro Gurgel

A exuberante beleza do açude Marechal Dutra, mais conhecido como Gargalheiras, será tema de uma exposição fotográfica no Museu do Sertanejo, em Acari. Com o título “Gargalheiras, Oásis do Sertão”, o fotógrafo Hugo Macedo apresenta 30 imagens inéditas, expondo vários ângulos desse lugar aprazível de beleza rara.

A exposição começa no dia 10 de agosto, estendendo-se até o final do mês, fazendo parte das comemorações de Nossa Senhora da Guia, padroeira de Acari. Durante esse período, a cidade recebe os acarienses ausentes, pessoas de toda região do Seridó e muitos turistas que querem descobrir as riquezas do interior do Estado.

Há dez anos atrás, Hugo Macedo descobriu a arte de fotografar quando trabalhava na Secretaria de Recursos Hídricos, viajando pelos municípios do Estado, montando e provendo manutenção em dessalinizadores para uma população que sobrevivia sem água de beber. Durante esse período, o olhar atento do fotógrafo foi descobrindo a beleza do sertão em meio a caatinga, as paisagens deslumbrantes do litoral potiguar com seus coqueirais infindáveis e a simplicidade de um povo ordeiro, contente em sobreviver com muito pouco.

Hugo Macedo já realizou quatro exposições em Parelhas, três em Natal, uma em Acari e outra na estação de metrô em Barcelona, Espanha. Seus temas preferidos sempre estão relacionados com as coisas do Rio Grande do Norte. A cultura popular é sempre registrada em tempos de festas, o contraste entre o sertão e litoral, a fauna, a flora e os aspectos do povo sertanejo, seus olhares e costumes.

Atualmente, Hugo Macedo tem uma casa às margens do açude Gargalheiras, onde contempla uma natureza deslumbrante, rodeada por lajedos de granito, onde a forma de uma garganta apertada lembra o nome do lugar. “O contato direto com o sertão me inspira a fotografar, registrando a mudança de estação e os aspectos de uma região pouco conhecida pelos nossos conterrâneos”, ressaltou.

Na mostra fotográfica “Gargalheiras, Oásis do Sertão”, Hugo tem a oportunidade de mostrar para o público sua nova fase fotográfica. Utilizando uma câmera profissional Cânon digital de última geração, o fotógrafo percorreu todos os cantos do açude para expor nuanças de cores em vários estágios da luz que escorrega em torno do Gargalheiras.

De acordo com o fotógrafo, a atual exposição deverá percorrer outras cidades do Rio Grande do Norte, dependendo da disponibilidade e dos locais para a exibição das imagens. “Acho importante que outras pessoas possam ver esse meu trabalho. Só é necessário que as prefeituras interessadas entrem em contato comigo para viabilizar a exposição”, disse.

Serviço:

Gargalheiras, Oásis do Sertão
Exposição Fotográfica de Hugo Macedo

Local: Museu do Sertanejo, Acari RN
Dia: 10 de agosto de 2006
Hora: 18:00 h.

Contato com Hugo Macedo (9904-0762)

9 de agosto de 2006

Academia elege novos imortais

Foto: Eduardo Felipe
Os novos imortais, que por tradição não podem comparecer à votação, foram eleitos pela unanimidade dos acadêmicos.

Por Alexandro Gurgel
Na última segunda feira, os imortais potiguares se reuniram para eleger três novos membros da Academia Norte-rio-grandense de Letras. Em torno da grande mesa da sala Manoel Onofre, por unanimidade, foram eleitos os confrades: América Fernandes Rosado, José Hermógenes e Diva Cunha. Todos foram eleitos por unanimidade.

A eleição começou no final da tarde com os membros presentes votando e, em seguida, fazendo a apuração dos votos. Depois de realizado o pleito eleitoral, o presidente da ANL, Diógenes da Cunha Lima, declarou eleitos os candidatos por maioria de votos.

Respeitando uma tradição da Academia, os candidatos não compareceram para acompanhar a votação. De acordo com o jornalista e imortal Nilson Patriota, a ausência dos candidatos evita uma “boca-de-urna” de última hora. Conforme o jornalista, uma outra tradição dá o direito ao eleito escolher o dia da posse.

A escritora mossoroense dona América Rosado ocupou a cadeira nº 38, pertencente ao grande baluarte da literatura potiguar, Vingt-un Rosado, seu esposo e companheiro de vida literária. A cadeira nº 20, pertencente a Dorian Jorge Freire, foi ocupada pelo professor José Hermógenes e a poeta Diva Cunha foi eleita para preencher a cadeira nº 30, que pertencia ao escritor Aluízio Azevedo.

Segundo Élder Heronildes, escritor mossoroense ocupante da cadeira nº 37, a presença de América Rosado Maia na cadeira de Vingt-un representa uma tradição literária mossoroense. “Como costuma dizer o nosso presidente Diógenes, Vingt-un era uma força da natureza. Dona América também dispõe dessa energia natural que contagia todos”, completou.

Mesmo diante de uma eleição atípica, onde foram escolhidos três novos imortais no mesmo dia, a Academia Norte-rio-grandense de Letras ainda dispõe de três vagas a ser ocupadas até o dia 14 de dezembro, quando a ANL completará 70 anos de existência. As cadeiras vazias, ainda sem postulantes, foram deixadas por Aluízio Alves, Olavo de Medeiros Filho e Maria Eugênia Montenegro.

Padrão acadêmico
Esta tradicional instituição remonta ao final do século XIX, quando alguns escritores e intelectuais brasileiros desejaram criar uma academia nacional. Fundada por Luis da Câmara Cascudo, a Academia Norte-rio-grandense de Letras tem 40 cadeiras, que devem ser preenchidas pelos maiores nomes da intelectualidade do Estado. Segundo Diógenes da Cunha Lima, o modelo acadêmico foi copiado da Academia Francesa de Letras, que também é o padrão das Academias Brasileiras de Letras em todo o país.

Há sempre um patrono, que foi o primeiro escolhido e deve orientar seus sucessores. “Se diz que o membro é um imortal por uma razão muito simples: toda vez que um acadêmico morre, seu sucessor vai estudar a obra”.

Para ser um imortal, o candidato deve ter tido um comportamento exemplar ao longo da vida, respeitando a ética e mantendo a moral elevada. “Os membros devem ser cidadãos de reputação ilibada. Ninguém poderá concorrer à Academia se tiver, contra a pessoa, acusações de um comportamento repreensivo”, disse o presidente da ANL. Outro pré-requisito para entrar na Academia é ter publicado pelo menos dois livros.

Os eleitos tomam posse em sessão solene, nas quais todos os membros vestem o fardão da Academia. Nesse momento, o novo membro pronuncia um discurso, onde tradicionalmente se evoca o seu antecessor e os demais ocupantes da cadeira para a qual foi eleito. Em seguida, assina o livro de posse e recebe das mãos de dois outros imortais o colar e o diploma.

A cerimônia prossegue com um discurso de recepção, proferido por um confrade, referindo os méritos do novo membro.

Perfil dos imortais eleitos segundo o presidente da ANL, Diógenes da Cunha Lima:

América Rosado - “A viúva de Vingt-un Rosado, que ao seu lado, trabalhou a vida inteira para construir a Coleção Mossoroense. Ela sempre deu suporte à obra de Vingt-un. A legítima parceira na pesquisa, na forma, na publicação, na luta dele em favor da cultura norte-rio-grandense. Sem ela, tudo seria impossível. Para que se tenha uma idéia da importância de dona América Rosado para a Academia, quero dizer que nenhuma cidade brasileira tem a bibliografia de Mossoró que ela ajudou a construir. A eleição de dona América Rosado é o reconhecimento que Mossoró é a cidade da cultura literária do Rio Grande do Norte”.

Diva Cunha - “Uma das maiores poetizas do Nordeste. Quando Diva Cunha escreve, há momentos de grandeza literária. Ela faz uma ponte emocional, lírica, entre as pessoas. Diva Cunha fez cursos de pós-graduação na Universidade de Barcelona, na Espanha, tem mestrado em Letras, é professora da UFRN e tem um trabalho literário notável junto com a professora Constância Lima Duarte sobre as mulheres potiguares escritoras. Escrevendo sobre a literatura potiguar, pouca gente atingiu um nível de objetividade, simplicidade e clareza, numa visão panorâmica das nossas letras. Diva Cunha é uma conquista da Academia”.

José Hermógenes - “Um homem iluminado. Ele trabalha com yoga há muito tempo e tem mais de trinta livros publicados. Natalense, morando no Rio de Janeiro, mas sempre vem a Natal. O professor Hermógenes é conhecido em vários lugares do mundo, tendo seus livros sido traduzidos em várias línguas. Ele é ex-militar, tendo dedicado sua vida para a construção de um mundo mais feliz para as pessoas através da yoga. Hoje, a Academia reconhece o trabalho do professor Hermógenes em favor do cidadão”.
Matéria publicada n'O Mossoroense, em 09 de agosto de 2006.

Encontro com os Becodalamenses

Foto: Alexandro Gurgel
Carçança e Geraldinho Carvalho deram um show a parte na última reunião da Samba.

No próximo sábado, dia 12 de agosto, a Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacência (SAMBA) reúne seus confrades para uma tarde de música, poesia e boa comida no Beco Sul, no Bar da Amizade (dona Magda) e na retaguarda do Bardallo’s, por trás da loja Insinuante.

Na ocasião, o presidente da Samba, professor Bira, divulgará as últimas diretrizes e o calendário cultural da entidade para o segundo semestre de 2006 (Feira de Sebos, Prato do Mundo, Carnabeco, Reveillon, confraternização, entre outras).

O Bar da Amizade serve a “rabada”, uma deliciosa iguaria que concorreu à última edição do Festival Gastronômico Prato do Mundo. A BBL (Banda Beco da Lama) fará uma apresentação especial com o violão do Galego Delson e a guitarra de Carlança.

Serviço

Beco da Lama
Dia: 12 de agosto
Hora: a partir das 13:00 h
Local: Bar da Amizade (Beco sul, próximo ao Banespa)

8 de agosto de 2006

Curso de Fotografia OUTUBRO

CURSO DE FOTOGRAFIA PARA INICIANTES
Passo a passo para iniciantes
Telefone: 3211-5436

Programação Cultural

TERÇA BORTOLAI
Sarau Lítero – Musical

Quando: TERÇA-FEIRA, DIA 08 DE AGOSTO
Local: Livraria Bortolai
Avenida Afonso Pena, 805
Petrópolis – Tel. 3201.2611
Horário: 19 às 22 horas


Luar de Agosto no Rancho
De 09 a 12 de agosto de 2006

Dia 09 - 20:30 hs: Exposição de Arte - Grupo Universitário de Aquarela e Pastel, GUAP UFRN
Vernissage - Sarau Poético e Musical

Dia 10 - 20:30 hs: Lançamento do Livro: Um Rio Grande e Macau, de Getúlio Moura
Show Musical - Getúlio Moura e Cia.

Dia 11 - 20:30 hs: Lançamento do Livro: Papo Jerimum, de Cleudo Freire
Show Musical a cargo de Cleudo Freire e Cia.

Todas as noites haverá Mostra de Artesanato e Comidas típicas

. Oficina de Escultura / Instalação com o professor Dr. Vicente Vitoriano da UFRN - dia 09 às 16 horas.

. Oficina de Aquarela c/ o artista plástico Vandemberg / GUAP - UFRN - de 10 a 12 - Manhãs e Tardes.

. Oficina de Teatro de Rua com o ator Grimário Farias - de 10 a 12 - Manhãs e Tardes.

. Oficina de Desenho para Crianças - Programa CAUIM - dia 12, Sábado, 09 horas.

. As Escolas da Região agendarão Visitas acompanhadas à Exposição de Arte do GUAP.

Rancho - Centro Petrobras de Desenvolvimento Sustentável
Realização do Centro Ama-Goa de Cultura e Meio ambiente, através da Lei Câmara Cascudo
Patrocínio Petrobras / Apoio Prefeitura Municipal de Macau


SEAWAY CULTURAL
Programação de 09 à 12de agosto de 2006.

09/08/06 - quarta-feira -ERI GALVÃO em show acústico, às 21:00 h;
10/08/06 - quinta-feira -LUCIANE ANTUNES canta RITA LEE, às 21:00 h;
11/08/06 - Sexta-Feira -BELINA MAMÃO em Clássicos do brega, às 21:00 h;
12/08/06 - sábado -SILVIA CAMILO e ANDERSON MARIANO em Clássicos da MPB, às 21:00 h.

7 de agosto de 2006

Feira do Livro de Mossoró 2006


A segunda maior cidade do Rio Grande do Norte e considerada capital do semi-árido, abre as suas portas para as editoras e livreiros de todo o Brasil. Entre os dias 08 e 13 de agosto de 2006, a cidade irá receber mais uma edição da Feira do Livro de Mossoró.

Além do seu grande potencial econômico, com exploração de petróleo e exportação de frutas, o município de Mossoró tem a sua história marcada pela ousadia e pelo empreendedorismo do seu povo. A Feira do Livro é um bom exemplo disso. A prefeitura, principal apoiadora do evento, já tem assegurados mais de R$100 mil para a compra de livros durante a feira e conseguiu o apoio de outros municípios, ampliando ainda mais o convênio de vale livro.

Com um novo layout, a Feira do Livro de Mossoró acontecerá novamente na Estação das Artes, um local público e aberto, esperando uma visitação superior a 30 mil pessoas nessa segunda edição do evento, que se repetirá anualmente.
Programação
Terça, dia 08 de agosto
19h00: Solenidade de Abertura
19h30: Diógenes da C. Lima
20h00: Aniello Avella
Quarta, dia 09 de agosto
10h30: ATRAÇÃO ARTÍSTICA
(Atividade pra Criança)
15h30: Mamulengo do Senado Federal
18h00 às 19h00: ATRAÇÃO ARTÍSTICA (Circo da Luz)
19h00: Clauder Arcanjo, Kalliane de Amorim e Leontino Filho
Quinta, dia 10 de agosto
10h30: ATRAÇÃO ARTÍSTICA (Atividade pra Criança)
15h30: ATRAÇÃO ARTÍSTICA (Atividade pra Criança)
18h00 às 19h00: ATRAÇÃO ARTÍSTICA (Circo da Luz)
19h00: Jornalismo Cultural: Tobias Queiroz, Leonardo Sodré e William Robson
20h00: Cangaço no Cordel: Kydelmir Dantas e Geraldo Maia
Sexta, dia 11 de agosto
10h30: ATRAÇÃO ARTÍSTICA (Atividade pra Criança)
15h30: Mamulengo do Senado Federal
19h00: Ney Leandro de Castro
20h00: Affonso Romano de Sant'Anna
Sábado, dia 12 de agosto
15h30: Mamulengo do Senado Federal
19h00: Paulo Varela
20h00: José Arrabal
Domingo, dia 13 de agosto
16h00: ATRAÇÃO ARTÍSTICA
18h00 às 19h00: ATRAÇÃO ARTÍSTICA (Circo da Luz)
19h00: Antônio Francisco
20h00: Danuza Leão

6 de agosto de 2006

Cantares Fesceninos

Da Mata
(Poeta, NATAl- RN)
A Celso da Silveira e Zé Limeira

Oh! Doce cú que me encanta
Na vida tu vens atrás
Mais fede a boca que zanga
Que os peidos que dás

Quevedo já te cantou
As graças e as desgraças
Teu olho pode ser cego
Mas cego quem não usou

Poucos são os sábios
Das glórias não vale o cú
Apesar dos alfarrábios
A vida sabe a chuchu

Duas coisas me fascinam
E são da minha paixão
Um bom cú o ano inteiro
E os livros por diversão

Da boca sai palavrão
A bunda é nacional
E o que a boca goza
O cú sofre com razão

O ânus foi quem pariu
Da vida um pobre coitado
“a dar por um ano inteiro
o cú de graça ao diabo”
E vou partindo em segrêdo
Pedindo desculpas às musas
Se te cantei cú -amado
Porque quem tem cú tem medo.

Me despeço dando um peido
Para os que em cú
Não tem peito
E segue o cú - balançando.

Antoniel o brincante das palavras

Foto: Alexandro Gurgel
Poeta Antoniel Campos

Por Leonardo Sodré

O escritor e poeta Eduardo Alexandre de Amorim Garcia, o Dunga, costuma dizer que o poeta Antoniel Campos “brinca com as palavras”. E, ele brinca mesmo por meio de uma poesia lírica, romântica, que muitas vezes, como ele próprio afirma “explora, de leve, quase erótico, o sensual”.

O poeta Antoniel Campos é engenheiro civil, tem 39 anos, duas filhas e é funcionário do Ministério da Educação. Trabalho como engenheiro para sobreviver e faço poesia para viver.
Para ele, “poesia é você dizer com palavras o que as palavras não dizem”.

Acosta-se, embora intempestivo,pedido de sustar-se esse processoem que deliberei-me réu confessono Campo absoluto e relativo.

É pedra cada instante que atravesso, e inútil perquirir por qual motivo quis pedra fosse o instante onde me vivo e por que não me paro e recomeço.

Mercê da própria vaga em que derivo, um quê me diz de pleito impeditivo e raras as nuances de sucesso...

Mas sendo o que me resta e ora peço, o embargo dessa lide faço expresso: acosta-se, embora intempestivo.

Boêmio, freqüentador do reduto mais tradicional da cultura natalense, o Beco da Lama, ele é, sobretudo, discreto, às vezes quase invisível. Mas, quem o conhece sabe da sua capacidade de conciliar, de fazer amigos e não é raro vê-lo compenetrado escrevendo poesia, em guardanapo, numa mesa de bar. E, diferentemente de outros poetas, que fazem do sofrimento um motivo de inspiração, ele acha que o poeta é alegre, que sente prazer na alegria, no viver e isso “é o norte da escrita poética”..

Escreveu três livros: “Crepes & Cendais”, de 1998; “De Cada Poro um Poema”, de 2002; e “A Esfera”, de 2005.

Recebeu vários prêmios literários: Menções honrosas nos concursos de poesias Othoniel Menezes e Luis Carlos Guimarães, primeiro lugar no 1° Concurso de Poesia Erótica Brasil/Portugal e primeiro lugar no Concurso de Poesia Falada.

O poeta não é ligado em política, mas como sua mente é voltada para o belo e o sensual, ele aproveitou umtempo de muitas CPIs para fazer poesia:
Eu vou colher o teu depoimento,/traçar o rumo da investigação./À tua fala ficarei atento/a ver se apanho-te em contradição./Se não convences, por requerimento,/te chamarei para acareação./E com ou sem o teu consentimento/quebro o sigilo do teu coração./Eu titular e nunca o teu suplente,/teu relator e o teu presidente,/bato o martelo nessa comissão./Eu tranco a pauta, fecho o expediente/e dispensando cada depoente,/beijo tua boca em absolvição.

Prosista, caminha no rumo da sensualidade com a leveza a que se propõe, quando escreve:
Ela ousa declinar a mão esquerda em suposto tanto faz, como se o ângulo de repouso pensado não o fosse. Quer deixar os cabelos — loiros — parecerem assim como num lance fortuito do acaso. E olha assim para um nada, como se para mim não fosse esse olhar. E ela quer deixar transparecer um sorriso assim meio podia ou não podia ser, entende? E ela se senta assim meio largadona. E eu volto às suas mãos e digo: juro que posso lhe sentir o cheiro e dizer qual perfume. E esse “U” que vai de ombro a ombro num deixar só na medida nem um mais nem um menos: só o que deve. Falo dos peitos dessa mulher. Dos peitos de sharon. Eu que tantas vezes os tive rentes à barba de dois dias e agora nessa de três só minhas mãos a alisá-la... Como quem diz: nossa, como você mudou. Mas ela olha de lado como se aqui eu não estivesse. Mas eu estou e digo a ela, a você: são inesquecíveis.

PRODUÇÃOLITERÁRIA NO RN
“Gosto do que vem sendo escrito pela nova safra de poetas do RN. Destacaria, e aí cometendo o pecado de certamente esquecer nomes, a poesia de Alexandre Abrantes, Xavier del Neto, Lívio Oliveira, Daniel Minchoni e Cefas Carvalho, em Natal; Théo Alves, Iara Maria e Wescley da Gama, em Currais Novos; Marcos Ferreira, Cid Augusto, Caio César Muniz, o mestre Antônio Francisco e Kalliane Sibelli, no país de Mossoró. É o sangue jorrando novo e quente no cenário poético potiguar”.

MOVIMENTO LITERÁRIO NO RN
“Vejo todas as tribos, cada uma com sua linguagem, seu grito — aí incluindo, igualmente, suas idiossincrasias —, dizendo para o mundo as suas propostas no contexto da poesia. E aqui eu gostaria de citar a recente entrevista do poeta Marcos Ferreira à revista Papangu. Engana-se quem pensa que o desabafo do bardo mossoroense é coisa localizada, daqui do RN, da província. Não! Embora os citados sejam os “de casa”, vejo nas palavras do Marcos Ferreira, no que tange à poesia, o grande debate, muito embora às vezes sub-reptício, que vem sendo travado a nível nacional, onde uma parcela significativa de poetas tenta impor, ainda que de forma velada, a sua proposta poética, como se apenas uma única via fosse possível. Rotulam-se mutuamente de poetas inventivos e o resto dos mortais, que eles chamam de neoparnasianos, que se lixe. Essa outra parte, atacada, revide de forma às vezes irresponsável, destilando seus rancores em forma de suposta crítica literária, como foi o caso de um artigo do poeta paraibano Hildeberto Barbosa que, sem conhecer a poesia dos autores que ele ataca, coloca todo mundo no caldeirão do inferno. São esses extremos que depõem, atualmente, contra o cenário poético nacional que, de resto, vive exatamente esse momento, que é a busca do caminho a seguir. Ora, cada poeta que faça o seu! Nada de imposições e cerramento de fileiras”.
Publicado n'O Mossoroense, em 06 de agosto de 2006.