30 de dezembro de 2006

Cascudo: 108 anos de cultura potiguar.

"Cascudo: ensinou e escreveu, nada mais aconteceu"


Antes das comemorações da passagem do ano, o Rio Grande do Norte, e porque não dizer o país, festeja, neste sábado, os 108 anos do historiador e folclorista Luís da Câmara Cascudo. A cada ano, essa data vem sendo comemorada fielmente, resultando no resgate da obra de Cascudo e em uma apresentação ao público dos novos estudos sobre os escritos dele e, principalmente, dos novos pesquisadores de sua obra.

Para celebrar a data, além da Semana Câmara Cascudo, promovida pela TV Universitária, em parceria com o Núcleo Câmara Cascudo de Estudos e com o Memorial Câmara Cascudo, acontece de amanhã até o dia 7 de janeiro, a exposição "Cascudo: ensinou e escreveu, nada mais aconteceu", na livraria Siciliano do Midway Mall, ressaltando a memória do folclorista.

A exposição, organizada pelo Memorial e pelo Núcleo de Estudos, em parceria com a Siciliano, será aberta neste sábado, às 10h30, com um café da manhã aberto ao público. Segundo a neta do historiador e diretora do Memorial, Daliana Cascudo (foto), a expectativa é que, através da exposição, o público leitor freqüentador da livraria se aproxime ainda mais do autor Câmara Cascudo.

Nascido em Natal, em 1898, Cascudo escreveu cerca de 150 livros, voltados, principalmente, para cultural brasileira, com destaque para "Dicionário do Folclore Brasileiro", "Antologia do Folclore Brasileiro" e "Contos Tradicionais do Brasil". O historiador, que viveu quase nove décadas no RN, foi o único estudioso em sua especialidade que tinha uma visão verdadeira do que era o folclore.

Além de destacar-se no folclore, Cascudo exerceu a profissão de jornalista - nessa fase ele começou a escrever crônicas sobre manifestações populares e, em 1941, fundou a Sociedade Brasileira do Folclore, da qual foi o primeiro presidente -, professor, crítico literário, etnológico, historiador e advogado.

Em entrevista ao Jornal de Hoje, Daliana Cascudo fala sobre a exposição, sobre o Memorial e sobre o seu avô. Confira:


Fale sobre a exposição "Cascudo: ensinou e escreveu, nada mais aconteceu".

Daliana Cascudo - A exposição tem por objetivo comemorar os 108 anos do nosso mais ilustre potiguar, Luís da Câmara Cascudo. O tema da exposição refere-se a uma citação que o meu avô usava para se auto-definir. Para ele o seu título mais importante era o de professor e sua principal missão era ensinar.

O que essa exposição significa para a família, para o Estado, para o mundo das letras?

Nossa intenção em realizar esta exposição na Livraria Siciliano é justamente aproximar a figura do autor Câmara Cascudo do público leitor, que freqüenta a livraria. O significado maior dela é mostrar particularidades de Cascudo, enquanto escritor e produtor de um dos maiores legados culturais brasileiros.


O que o público encontrará exposto?

O material da exposição é muito diversificado, pertence à nossa família e faz parte do acervo exposto no Memorial Câmara Cascudo. Nele estão presentes banners, a famosa máquina "Remington" na qual meu avô escreveu a quase totalidade de sua obra, anotações manuscritas, os originais da sua obra "Dicionário do Folclore Brasileiro" contendo a última atualização feita por ele em 1979 na 4ª. edição, cartas recebidas de correspondentes ilustres (Carlos Drummond, Gilberto Freyre, Mário de Andrade, Monteiro Lobato e Jorge Amado), primeiras edições de várias de suas obras, além de objetos pessoais. Com este acervo procuramos mostrar como era realizada a produção "cascudiana" e algumas de suas particularidades, como o fato dele não fazer rascunho de nenhum livro, datilografando-os diretamente na sua máquina de escrever.


O que o Memorial e a família esperam dessa exposição? Qual o resultado que vocês esperam alcançar ao final dela?

Nossa maior expectativa é aproximar Câmara Cascudo do seu público leitor, tornando conhecidas particularidades de sua produção intelectual. Ao levar para a Livraria Siciliano verdadeiras "jóias" do acervo cascudiano pretendemos que o público conheça a genialidade de alguém que escreveu cerca de 150 livros, sobre os grandes temas da cultura brasileira, tornando-se um dos maiores "intérpretes do Brasil".


O que você tem a dizer do ano de 2006 para as letras do RN, para o Memorial?

Foi um ano extremamente profícuo em termos de "produções cascudianas". A Global Editora lançou alguns dos livros mais importantes de Câmara Cascudo, entre eles, "Canto de Muro", "Literatura Oral no Brasil" e "Prelúdio da Cachaça". O Memorial Câmara Cascudo (MeCC/FJA), em parceria com diversas instituições de cultura do estado, comemorou os 20 anos de "encantamento" de Câmara Cascudo. Além disso, o Núcleo Câmara Cascudo de Estudos Norte-rio-grandenses (NCCEN/UFRN) lançou várias obras cujo tema central foi a figura de Câmara Cascudo e sua obra. Todos estes trabalhos são "releituras" da obra cascudiana, onde aspectos que ainda não tinham sido sistematizados, foram estudados e enfocados pelos seus respectivos autores. Eles mostram que Câmara Cascudo não é, de forma nenhuma, um autor "esgotado", mas representa ainda um imenso manancial de pesquisa e de estudo.


Fale sobre o trabalho realizado no Memorial e em conjunto com outras entidades, em prol do Câmara Cascudo. O que esperar de 2007? Quais os planos, alguma data significativa?

O Memorial Câmara Cascudo, órgão da Fundação José Augusto, tem por objetivo a divulgação e a preservação da obra cascudiana. Com o intuito de atingir este objetivo firmamos parcerias importantes com instituições culturais do nosso Estado, que estão ligadas intimamente a este objetivo. Dentre estas parcerias podemos destacar duas da maior importância: o Museu Câmara Cascudo (MCC/UFRN) e o Núcleo Câmara Cascudo de Estudos Norte Riograndenses (NCCEN/UFRN). Através da parceria com o Museu Câmara Cascudo realizamos exposições relevantes em diversas ocasiões e com o Núcleo Câmara Cascudo estamos desenvolvendo uma parceria que já resultou em importantes frutos, tais como as comemorações dos 20 anos de "ausência cascudiana". Todo o material (discursos, entrevistas, lançamentos de livros, exposições e artigos) publicado por ocasião deste evento está sendo organizado em forma de livro para ser lançado, em parceria com o Núcleo, no início de 2007. No próximo ano, pretendemos ampliar estas parcerias como forma de divulgar cada vez mais o legado de Cascudo. As datas significativas do ano são os seus aniversários de falecimento (30 de julho) e de nascimento (30 de dezembro), além do dia do folclore (22 de agosto).


O que você acha que de melhor Cascudo deixou para a cultura de nosso Estado? O que você acha que ele deixou e que hoje faz a diferença na cultura regional?

A maior herança que o meu avô deixou, não apenas para a cultura do Estado, mas para a cultura do país, foi a sua valorização, através do reconhecimento de uma identidade cultural enquanto povo único e singular. Ele foi um dos primeiros estudiosos a se voltar para temas regionais, dando ênfase às manifestações mais legítimas do povo: sua maneira de falar, suas danças, suas festas, suas superstições, seus mitos, suas crendices, suas lendas, ou seja, tudo o que o povo expressava através das mais diversas maneiras. Foi o primeiro a sistematizar o folclore em sua monumental obra "Dicionário do Folclore Brasileiro" (1954) e fornecer ao mesmo o status de "ciência". Como qualquer pioneiro, enfrentou preconceitos e teve que superar barreiras importantes nesta empreitada. Mas, como ele mesmo dizia, "foi o que quis ser e estudou o que amava". O mais importante ao se analisar o legado "cascudiano" é descobrir que ele partiu de uma vivência pessoal e popular para uma análise formal e um estudo sistemático. Ou seja, ele viveu, sentiu e emocionou-se com todas as manifestações do povo muito antes de estudar e escrever sobre elas.


Quais as principais conquistas do memorial e as principais dificuldades?

A nossa principal conquista foi a maior divulgação da obra cascudiana, através destas parcerias já citadas, que contribuíram de forma decisiva para que conseguíssemos atingir os nossos objetivos. Trabalhar com cultura no nosso país ainda é muito difícil. A área cultural continua sendo considerada de menor importância e merecendo poucos recursos financeiros para a sua consecução. Logicamente que não podemos desconsiderar as enormes dificuldades estruturais que o Brasil enfrenta, como educação e saúde. O caminho mais viável para a área cultural ainda é a união de esforços, através do estabelecimento de parcerias institucionais. Através delas, as instituições culturais conseguem minimizar suas deficiências e realizar importantes passos na preservação e divulgação da nossa identidade cultural.


O que você tem a dizer da cultura popular no RN? Defeitos, riquezas, o que falta?

A cultura popular do RN, como de todo o Nordeste, é uma das mais ricas do país. Possuímos importantes manifestações populares que ainda resistem a toda a globalização existente: boi de reis, pastoril, araruna, coco, cantadores, violeiros e cordelistas, para citar alguns. Estamos, graças a Deus, reconhecendo cada vez mais esta riqueza que está à nossa porta e valorizando-a como ela merece. Não podemos deixar de citar importantes contribuições que foram dadas nesta área pela Capitania das Artes (Prefeitura de Natal) e pela Fundação José Augusto (Governo do Estado do RN), que deram à cultura popular o seu justo destaque. Como dizia o meu avô: "quem não traz nos pés da alma a areia de sua terra, termina incolor, inodoro e insípido, parecido com todos os outros".

29 de dezembro de 2006

Reveillon em Natal

Festa democrática e gratuita
Festa gratuita, em tempos de “aperto”, funciona como um fôlego extra para quem está com vontade de se divertir nas primeiras horas de 2007, mas não pretende gastar quase nada. Os tradicionais eventos oficiais promovidos pelas prefeituras se destacam pelo capricho - sobretudo, o musical. O Réveillon em Natal será comemorado em quatro pólos multiculturais. A prefeitura, em parceria com a Capitania das Artes, projetou festas para o Centro Histórico (Cidade Alta), Praia do Meio, Ponta Negra e Redinha, com direito a shows de artistas locais e queima de fogos.

Centro Histórico recebe Mad Dogs, Edmundo e Belina
Em cada um dos pólos, a festa com as bandas locais começa às 22h. No chamado Centro Histórico, foi repetida a parceria entre a Funcarte e a Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências (SAMBA). O palco na Praça André de Albuquerque receberá a programação mais eclética de toda a virada natalense, de clima urbano: começa com o “som de preto” moderno de Nêguedmundo, seguindo com Dugiba, indo depois para o brega/pop do Belina Mamão, e encerrando com o rock e blues suingado, cheio de humor, dos Mad Dogs.

Na beira-mar, banda Frevo de Cá, Carlos Zens e outros
Quem preferir respirar os ares da praia, encontrará outros tipos de balanço. Agora o clima é litorâneo, mais solto. Em Ponta Negra, a festa abre com a performance de Rodolfo Amaral e banda, fazendo o auto-explicativo show “O pequeno notável”, onde canta sambas clássicos e quetais; depois, a banda Frevo de Cá deixa um clima pernambucanono ar, encerrando a noite com o suingue do flautista Carlos Zens e banda. Na Praia do Meio, o balanço é mais acelerado, com os sons da banda Terra do Sol, e de Carlança e banda.

Homenagens e o som contagiante de Diogo Guanabara
As ruas sempre alegres da Redinha receberão artistas que, com bom gosto, sabem levantar as massas. A noite começa com o prodigioso bandolinista Diogo Guanabara, tocando choro e samba com o talento habitual; o grupo Ribeira de Pau e Corda promoverão a dança com uma salada de ritmos, enquanto o cantor Isaque Galvão e banda fecharão a festa com muita performance e uma mistura de sons que inclui axé e música pop. O primeiro dia de 2007 será longo.

Pirangi recebe Lane Cardoso
Locais que são pólos naturais de veraneio sempre proporcionam animadas festanças abertas. A prefeitura de Parnamirim já programou as comemorações para a virada para os moradores e turistas que estão veraneando em Pirangi do Norte. E também para quem resolveu mudar de ares. Começará às 22h, com missa campal à beira-mar, próximo ao trapiche do Marina Badauê. Em seguida, haverá a tradicional queima de fogos, seguida pelos shows da cantora Lane Cardoso e banda Pragandaia, artistas acostumados às folias de um trio elétrico.

Ao amanhecer, será posta uma mesa de café da manhã com frutas tropicais, para recuperar as energias. Logo depois, para quem ainda tiver disposição, a orquestra Metais Tropicais sairá tocando da beira-mar até a praça São Sebastião. Serão instaladas quinze tendas na praia, visando maior conforto aos participantes da festa. E a programação em Pirangi vai além do réveillon. A coodernadoria de turismo de Parnamirim elaborou uma programação desportiva e social para o veraneio no local: terá Cinema na Praça, quarta-feira lúdica, sexta-feira musical, festival de verão com atividades esportivas à beira-mar, e a tradicional Festa de São Sebastião, de 13 a 20 de janeiro.

Bandas de sopro em Tibau e Pipa
As belezas naturais de Tibau e Pipa já garantem a presença de muita gente na virada. Apesar do forte na área ser as festas particulares, a prefeitura de Tibau do Sul não deixou os foliões de rua em branco. Pelo terceiro ano, uma banda de sopros percorrerá as ruas da cidade, no trajeto cujo ápica é a parte baixa na praia, onde todos vão para conferir a queima de fogos de artifício. Quem preferir, só segue a banda e garante a festa.

A virada do ano na balada
As festas de reveillon estão cada vez menos formais. Algumas já adquirem um formato semelhante aos dos festivais de música, com várias bandas, DJs, estruturas caprichadas e dinâmicas. Para quem deseja entrar no novo ano em ritmo acelerado de balada, as opções vão da capital até outros pontos mais distantes do estado.

Barramares aposta no pop, rock e axé
Pop, rock e axé music se juntam para dar o tom no reveillon do Barramares, um dos mais tradicionais do litoral sul. Em seu 4º ano, a festa aposta em veteranos e novidades. O baiano Ricardo Chaves é o nome principal da noite, em cena com seus 25 anos de trio elétrico; o natalense Uskaravelho toca o rock/pop nacional dos anos 80, que todo mundo gosta, seguidos pela cantora Thábata e banda, revelações da axé music natalense. Em estrutura, a festa terá “fronstage”, setor de mesas, decoração especial, queima de fogos e café da manhã opcional.

Cervejaria tem de tudo um pouco
Na Via Costeira, mas em clima de balada, o reveillon da Cervejaria Via Continental traz a combinação de músicas que os baladeiros gostam: Almir Rouche (PE) traz o frevo, Axé Oba o batuque axé, D’Vibe o pop/rock, e o DJ Gunner arremata com psy trance e outras batidas eletrônicas. A festa terá ainda uma área VIP da Seven/Music, com bebida free e um buffet de frios, além de um setor de mesas com champanhe Mumm.

Longas mesas de buffet, cardápio caprichado, café da manhã, bandas “pra todo mundo cantar junto”, espumantes, roupas brancas e banhos de piscina na madrugada, costuma ser o roteiro habitual para quem passa a virada nas festas dos hotéis. Para quem não abre mão de confortos e regalias, a programação de agitos hoteleiros está diversificada, indo dos badalados estabelecimentos da Via Costeira, até a orla de Ponta Negra. Em comum: a vista pro mar, sempre.

Serviço
Réveillon do Barramares - Preços: R$50 (pista), R$80 (camarote) e R$320 (camarote). Vendas na Polo Play. Tel.: 4005-1515. Réveillon de Natal na Continental. Vendas na Richard do Midway Mall. Informações pelo 3620-5262.
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28 de dezembro de 2006

A cultura viva em Santa Cruz do Inharé

Teatro de rua fez parte da IX Jornada Cultural de Santa Cruz

Textos e fotos: Alexandro Gurgel

A Cultura Popular é um magnífico tesouro que enobrece a alma de qualquer pessoa, encantando e emocionando os corações. Ela abrange um elenco de manifestações que faz parte do cotidiano do povo; um relicário de valores expressivos que vão se perpetuando através das gerações, alimentando a memória viva da comunidade envolvida.

Tentando criar uma identidade cultural em Santa Cruz, cidade de médio-porte na região do Traíri, o radialista e poeta Hugo Tavares organizou a “IX jornada Cultural”, com o apoio da Rádio FM Comunitária Santa Rita. Durante uma semana, o evento mobilizou a cidade com Torneio Aberto de Dama, Festival de Cinema, Torneio de Futsal, Oficina Fotográfica, teatro de rua, palestras, shows musicais, apresentação de danças, de repentistas, de violeiros, de poetas, etc.

Sem nenhum apoio da prefeitura municipal de Santa Cruz, que se mostrou inerte enquanto a cidade festejava a cultura, o evento vem se consolidando como uma forte tradição na região do Traíri. A idéia de realizar as jornadas surgiu quando Hugo Tavares morava em Catolé do Rocha e ficava fascinado com a “Semana Universitária” que os estudantes realizavam. “Aquelas imagens e iniciativas, fomentando a cultura de uma cidade tão pobre e tão violenta, marcaram o meu coração e a minha mente”, ressaltou Hugo.

Quando Hugo Tavares era estudante universitário da UFRN, foi presidente do Diretório Acadêmico do Nest-Núcleo de Ensino Superior do Traíri, em Santa Cruz, realizou a primeira “Semana Universitária de Santa Cruz”, em 1986, levando a idéia para outros Campi Avançados do interior. ) “Já realizamos 9 Jornadas Culturais, que na verdade são semanas universitárias da minha infância. Agradeço aos estudantes universitários de Catolé do Rocha, anos 60 e 70, que me permitiram cultivar dentro de mim essa semente que atravessou o tempo e que ainda hoje eclode nas ruas e no sentimento do povo de Santa Cruz”, frisou.

Enquanto as cidades norte-riograndenses procuram recuperar suas manifestações culturais, a prefeitura de Santa Cruz cruza os braços, como se o povo santa-cruzetense não fosse digno de celebrar sua própria cultura. De acordo com Hugo Tavares, foram encaminhados ofícios ao chefe de gabinete da prefeitura, Dinamérico Augusto, solicitando prédios públicos para realização de eventos como o teatro e a Vila de Todos, devidamente protocolados e assinados, mas nenhum deles foi atendido.

Por telefone, a reportagem da Papangu falou com o secretário municipal de Cultura, José Iranilson, que demonstrou não ter conhecimento das inúmeras manifestações culturais que aconteciam em sua cidade, apesar de ser atributo da sua pasta. “O senhor procure o prefeito que ele pode fornecer os devidos esclarecimentos”, aconselhou o secretário de cultura, esquivando-se da responsabilidade.

Os caminhos da cultura

Conforme Hugo Tavares, as jornadas culturais em Santa Cruz têm resgatado, gradativamente, as manifestações lúdicas e culturais da cidade. O artesanato santa-cruzetense é um exemplo desse trabalho, que foi valorizado ao ponto dos artesões serem convidados a se estabelecer na recente inaugurada “Vila de Todos” e que, até o ano passado, fazia parte da Jornada Cultural. “Fiquei muito emocionado no dia em que decidimos não mais fazer a feira de artesanato. Avaliamos que talvez fossemos ser incompreendidos e não queríamos atrapalhar, já que os artesões estavam estabelecidos na Vila de Todos. Mas, Fico feliz porque nosso objetivo foi alcançado e todos sabem”, afirmou.

O “Canto Potiguar” é um espaço dentro da Jornada Cultural que busca valorizar a música local, reunindo cantores, compositores e instrumentistas, abrindo espaço para a divulgação do talento regional. Conforme Hugo Tavares, no início, armava-se palco e toda uma estrutura para as apresentações.

Com o tempo, o projeto “Canto Potiguar” ficou sendo transmitido através da Rádio FM Comunitária Santa Rita, em diferentes locais da cidade. Esse ano, no “Canto Potiguar” se apresentou nomes como Valéria Oliveira, Maestro Camilo Henrique, Quarteto de Trombone Seridó (UFRN), Grupo Som Brasil, as Potiguaras, entre outros.

O Torneio de Damas, com regulamento internacional, reuniu atletas de toda a região e atraiu outros jogadores da vizinha Paraíba. “Através da dama, já recebemos vários chamamentos para a realização de um torneio de Xadrez”, frisou Hugo. Outro momento lúdico da 9ª Jornada Cultural foi a Oficina Fotográfica, despertando a criatividade de jovens e adultos em busca da melhor imagem, culminando com uma exposição na Casa de Cultura “Palácio Inharé”.

A Companhia Teatral Arte Viva apresentou dois espetáculos nas ruas do bairro Maracujá: “O Lixo em Verso e Prosa” e “Loja de Chapéus” para o delírio da audiência. Na zona rural e na periferia da cidade, aconteceram torneios de futebol de campo, onde foram reunidos mais de 20 times, cuja premiação para o campeão era um bode. “Quando vamos entregar a premiação ao capitão do time, damos um jeito para o bode se soltar. É aquela gozação e correria. Já teve caso de ninguém pegar o bode”, frisou Hugo.

Preparando a próxima jornada

No último dia do evento, enquanto o povo santa-cruzetense se esbaldava em alegria na “Noite do pega-rela”, no sítio do Seu Dudu, animado pela Banda Fenômeno Musical e As Potiguaras, Hugo Tavares e a equipe da Rádio FM Comunitária Santa Rita já estavam planejando a 10ª Jornada Cultural para o próximo ano.

Segundo Hugo, o evento transcorreu conforme o planejado. Inclusive, acontecendo vários momentos que não estavam na programação. De acordo com a avaliação dos organizadores, a 9ª Jornada Cultural foi umas das mais importantes entre todas. “Foi muito boa e com certeza nasceram muitos frutos. Afinal, plantamos muitas coisas”, revelou.

Apesar da falta de apoio do Poder Executivo Municipal, a Jornada Cultural de Santa Cruz obteve apoio da Casa de Cultura Popular “Palácio Inharé”, da Câmara de Dirigentes Lojistas de Santa Cruz, Banco do Nordeste, IBGE, UFRN, O Boticário, Lojas Maré Mansa, Oeste Lab, Ótica Oriental, entre outros patrocinadores.

Para Hugo Tavares, a Rádio FM Comunitária é a única voz que tem coragem de enfrentar os últimos imperadores do Trairi. “A prefeitura não vai ajudar quem, de vez em quando, discorda de atitudes e procedimentos do prefeito. Ele sabe que a nossa rádio não é uma Maria-vai-com-as-outras e, sempre que necessário, estamos denunciando as coisas erradas e cobrando o direito do povo”, disse.

27 de dezembro de 2006

Revista Papangu - 35ª Edição

Capa da revista Papangu, 35ª edição.
No peito e na raça

Feliz ano velho. Exatamente. Feliz ano velho. Este o título do Troféu Papangu de dezembro. Feliz ano velho. Dedicado à velha prática dos políticos sabidões deste país e Estado. Mais especificamente àqueles nada bestas parlamentares que se auto deram aumento salarial de 91%. Enquanto isso o povo continua com o pé na lama. O trabalhador brasileiro se afundando na miséria com trezentos e cinqüenta reais. Feliz ano-novo apenas para esses espertalhões da política. Profissionais da mentira. Caras-de-pau. Tudo continua como dantes. Por isso feliz ano velho. Perfeitamente. Feliz ano velho.

De novo mesmo apenas esta edição de Papangu. Já nas bancas de todo o Rio Grande. Na capa do cartunista Túlio Ratto o animado réveillon dos políticos locais. Dentre estes a deputada federal Sandra Rosado. Isso mesmo. Dona Sandra votou a favor do vergonhoso aumento do próprio salário em quase 100%. Nada de novo. A mesma sabedoria risonha. Traiçoeira. Nós é que teimamos em quebrar a mesmice. Fugir do convencional. Melhorar o humor e contribuir com a cultura deste sofrido Elefante. É mais um número de Papangu que temos o prazer de anunciar. O trigésimo quinto. No peito e na raça.

No rol de colaboradores fixos o mesmo nível de excelência. Tem Alexandro Gurgel em seu Grande Ponto. Túlio Ratto com a Ratoeira. A Radiola do doutor Damião. O Autores & Obras do Carlos Meireles. A Sétima Arte de Raildon Lucena. O Sem Censura de Jotta Paiva. A Gaiola da Louca do Louro Dedé. O Contraponto de Antônio Alvino. O Pei-Bufo com Amâncio e Edmar Viana. Yasmine Lemos em Deunomundo. Os Badulaques de Marco Túlio. Antonio Capistrano em Alto-relevo. O Palavreando de Cefas Carvalho. As seções Papangusando. Especial. Em Cartaz. Empreendimento. Entrevista. Talento Potiguar. Raio-X e Poemas.

Também colaboram com este número os escritores Clauder Arcanjo. Márcio de Lima Dantas. Francisco Carvalho. Marcos Ferreira. Dimas Macedo e José Craveirinha. Uma edição imperdível.

23 de dezembro de 2006

Um espetáculo pífio marca a estréia de “Um Presente de Natal”

O espetáculo "Um Presente de Natal" é apresentado em frente ao Palácio da Cultura".
Foto e texto: Alexandro Gurgel

O espetáculo “Um Presente de Natal” estreou sua temporada 2006, nessa quarta-feira, 20 de dezembro, apresentando uma performance teatral ordinária, comparando com apresentações de outrora. Considerado o mais antigo espetáculo cênico ao ar livre do Rio Grande do Norte, o “Presente de Natal” celebra o 10º ano com peças diárias, até o dia 29 de dezembro, em frente ao Palácio da Cultura, na praça Sete de Setembro.
Diferente de anos anteriores, onde superproduções montavam elementos cênicos inovadores, a versão 2006 do espetáculo parece ter problemas com a execução da peça porque não mostrou criatividade interpretativa, limitando os diálogos dublados entre Mateus e Catirina, personagens do boi-de-reis. O próprio folclore de boi-de-reis, folguedo tradicional no Estado, tem uma aparição rápida em cena, quase imperceptível para olhos mais desatentos.
Sem a mesma pompa do ano passado, quando o espetáculo percorreu as cidades de Caicó, Pau dos Ferros, Mossoró e Zona Norte de Natal, a peça teatral “Um Presente de Natal” conta com um elenco de 68 pessoas, entre atores e bailarinos, além de um coral de 110 crianças do Paço da Pátria, periferia natalense, que ocupa as janelas do palácio.
Ente as cenas de dança, dois bailarinos em cadeiras de rodas dão um show a parte. O destaque para a atuação dramática fica por conta da atriz Cláudia Magalhães, cujo talento é visto por um pequeno público acomodado em cadeiras de plástico, sem arquibancadas. “Esse ano, o espetáculo está mais fraco do que no ano passado”, resume a dona-de-casa Maria Gorete da Conceição, que assistia ao show.
A edição 2006 do auto natalino “Um Presente de Natal” retrata o nascimento do Menino Jesus e tem a supervisão artística da coreógrafa e produtora Diana Fontes, com direção de Henrique Fontes, Daniela Flor e Bianca Dori. O texto é de Racine Santos e a música de Danilo Guanais, que atua também como dramaturgo. “Inserimos na apresentação deste ano vários momentos dos anos anteriores como forma de celebrar a trajetória deste espetáculo”, revela Henrique Fontes.
De acordo com Henrique Fontes, o texto de “Um Presente de Natal” mantém os folguedos característicos do período natalino, mas com roupagem nova. “Fizemos uma releitura contemporânea do nosso folclore”, conta Fontes. Segundo ele, o ponto alto da peça está justamente no nascimento de Cristo, representando uma nova esperança para a humanidade.
A 10ª edição de “Um Presente de Natal” tem investimento e realização do Governo do Estado, através da Fundação José Augusto, e também patrocínio da Cosern e Banco do Brasil, ambos através da Lei Câmara Cascudo.

22 de dezembro de 2006

Agenda Cultural de Natal

Shows no Praia Shopping
Borogodó Especial de Natal é o nome do show que o intérprete Rodolfo Amaral fará hoje, a partir das 21h, dentro da programação do Praia Shopping Musical. Amanhã os microfones serão entregues a Widger Vale que canta clássicos da MPB, também às 21h. No domingo, às 16h, Ricardo Baia e Zé Fontes fazem o show Sotaque.
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Jam session SOS
A partir das 21h de hoje será promovida a jam session S.O.S Balanço, na Estação Ribeira. As atrações são as bandas Bonsucesso Samba Clube (PE), Cabruêra (PB), DuSouto (RN) e Pangaio (RN) além das participações especiais de Chico Correa da banda Chico Correa & Eletronic Band (PB), Totonho do grupo Totonho e os Cabras (PB) e Josh da Lado 2 Estéreo (PI). Quem também vai marcar presença é o grupo Bambelô da Vila de Ponta Negra (cultura popular), os pernas de pau da Tropa Trupe e atores da Companhia Marmota de Teatro. Os ingressos antecipados custam R$ 7 e parte da renda será revertida para o Movimento S.O.S Ponta Negra, para os grupos folclóricos do bairro e para o Teatro da Vila.
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Capim Cubano na Music
A banda Capim Cubano faz show hoje na boate Music, na Ribeira. Vendas antecipadas na WM do Natal Shopping. Quem doar um quilo de de alimento ganha um desconto. Informações no 3611-1511.
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Tributo ao Queem
Um tributo a banda Queem ocorrerá hoje, a partir das 22h, no Budda Pub - em Ponta Negra. No palco estará o grupo Champions cantando os principais sucessos que marcaram a carreira da banda homenageada. O ingresso custo R$ 8.
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Música no Orla
O projeto Shopping Orla Sul, Música, Cultura e Arte, conta hoje com três apresentações. Às 12h tem o cantor Serginho na praça de alimentação; às 18h é a vez do cantor Arildo e às 20h tem a salsa da banda Havanita. Amanhã, na hora do almoço, tem o chorinho da banda Choro & Cia., às 15h o palco será entregue a banda Salada Sonora e às 19h é a vez do grupo Álibi. No domingo ao meio-dia tem música instrumental e às 15h a banda Xeque-Mate se apresenta.
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Inscrições no Madrigal
O grupo vocal Madrigal prorrogou as inscrições para a seleção de novos candidatos a cantores. Os interessados podem se inscrever até a próxima terça-feira através do endereço
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Festival na Ribeira
Amanhã será pomovido o I Tokando Festival, a partir das 16h, no DoSol Rock Bar, na Rua Chile - Ribeira. As atrações começam a se apresentar às 17h e as atrações serão Telerema (CE), Skolyoze (Pau dos Ferros), Cabozó (Natal, Toy Gunz (Natal), Ad Vintage (Natal) e Altifalante (CE). A entrada antecipada custa R$ 5. Informações: 3201-1177.
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Um Presente de Natal
O espetáculo Um Presente de Natal continua sendo encenado em frente ao Palácio da Cultura, na Praça Sete de Setembro - Centro. A peça celebra os 10 anos de existência e está sendo encenada até o dia 29 deste mês. A entrada é franca.
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Auto de Natal
O Auto de Natal, cujo tema deste ano é O Menino e os Reis, também será encenado hoje e amanhã na Praça Cívica do Campus da UFRN. A programação sempre inicia às 18h com a apresentação da Banda Sinfônica da Cidade do Natal, seguida de uma bênção do padre Nunes. Às 20h começa o Auto e em seguida tem o show de Simone, hoje, e de Elba Ramalho, amanhã. A programação é gratuita.
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Canto Coral
Amanhã, a partir 19h no Shopping Cidade Jardim, haverá a apresentação do coral da Igreja Batista e, no domingo, a apresentação fica por conta do Grupo Misto da Igreja Adventista, também às 19h.
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Fotos Ecológicas
Até 31 deste mês é possível visitar a exposição de fotos Ecofotos, que reúne 28 imagens distribuídas pelos corredores do shopping Orla Sul. O trabalho é fruto de aulas práticas do curso de fotografia digital, oriundo da parceria do Senac e ong Zoon, em atividades realizadas na Pedra da Boca e no santuário ecológico da Pipa.
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Mostras no Orla Sul
Ainda no shopping Orla Sul, o artista plástico português J. Augusto Lopes, utilizando a técnica de Falso Murano, expõe sua nova coleção de telas texturizadas e pintura em vidro tendo como base imagens de relógios, mesas e luminárias. A exposição fica aberta até 29 deste mês no corredor central do empreendimento. Para os amantes do auto retrato, a opção é a exposição de Auto Retrato do artista plástico baiano Igor Rogí, especializado em retratos e caricaturas à óleo e grafite.
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Circulação
Será aberta hoje a primeira exposição individual do artista plástico Alexandre Gurgel. Intitulada Circulação, a mostra reúne dez trabalhos em acrílico sobre papel, que mesclam o figurativo com o abstrato. A exposição ficará em cartaz por todo o verão na Limbo (Avenida Afonso Pena - 666).
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Teatro
A Peleja do Amor no Coração de Severino de Mossoró, espetáculo do Grupo de Teatro O Pessoal do Tarará encerra sua temporada 2006 em Mossoró, encenando a referida peça no Teatro Municipal DIx-Huit Rosado, às 21h de hoje. O ingresso custa R$ 6 (inteiro) e R$ 3 (meio).
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21 de dezembro de 2006

Poemas de Natal RN

Nesse espaço inexiste luz e fala
Antoniel Campos

Nesse espaço inexiste luz e fala,
o seu tempo é estático e indefinido,
seu formato é de nunca concebido
e um aroma de frio se lhe exala.
Nada fixa e tudo lhe resvala,
tem seu sim quando um não lhe tangencia,
não diz nada e de nada se anuncia,
traz em si tudo o quanto não tem nome,
regurgita esse nada e se consome,
só, então, feito nada, se inicia.

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Soneto para Maria
Licurgo Carvalho

Musa galega! Um gesto de dor ou de afeição
Rogo para nunca a feiúra chegue a esse cândido semblante
Diante de Poti, conserva a rudeza pura do sertão
Do Potengi, suplicai a ausência do inferno pálido de Dante.

Em teu olhar não quero a tristeza; não quero
Em tua boca, o suave e idílico veneno da paixão
Contenta-te com o vultoso guerreiro de Homero
Extraindo prazeres de um parnasiano coração.

Deixai-me com memórias do teu corpo, imagem atrativa
O amor, cujo som, de uma harmonia pulsa incessante
Que cante aos ouvidos d’alma, uma poesia limpa e viva.

Versos que acalentem as lembranças no canto do Curió
No leito de Vênus, onde amamos intensamente,
Deixasse impressões nesse epitalâmico chão do Seridó.

20 de dezembro de 2006

Abraço do Natal ao Morro do Careca


DIA 23 DE DEZEMBRO, SÁBADO QUE VEM, ÀS 10H, NO PÉ DO MORRO DO CARECA, ESTAREMOS REUNIDOS UM ABRAÇO GIGANTE DE ANO NOVO.
O Grande Ponto apóia a campanha SOS Ponta Negra:

18 de dezembro de 2006

Amigo secreto

Por Vicente Serejo

Não tenho mais dúvidas: na vida há sofrimentos antigos e modernos. Os velhos, dos tempos do medievo, chamaram de tortura. Os mais modernos, porque certamente mais sutis, tem vários nomes, inclusive Amigo Secreto. No fim, vos digo: se uma pobre vítima, num restaurante, cair bem do lado de uma daquelas mesas compridas, indicadas para as chamadas confraternizações natalinas, está frita. Em azeite fervente. Por esses dias é melhor não sair de casa. E, quanto mais freqüentado o restaurante, mas trepidante e insuportável será a sua noite.

Dou um exemplo. Outro dia, pouco precavido, e vivendo ainda os primeiros dias de dezembro, fui jantar com um amigo num daqueles restaurantes de Ponta Negra. É verdade que, ao entrar, notei as mesas compridas, mas não imaginei o que poderia acontecer. Sentamos do lado de uma delas, pequena, para quatro pessoas. O vinho estava fresco e os primeiros goles desciam bem. Talvez não tivesse o buquê que os nossos enólogos daqui certamente diriam ter 'algo frutado e bem marcante, tipo relva pisada por gazelas, úmidas das chuvas primaveris'.
E ficamos ali, pastorando nossas próprias cismas. Tocando essa vidinha de beira de rio e de mar, feitas das lembranças de ontem e dos planos para amanhã. Ora, somos uns cinqüentões acossados pelos anos num galope sem descanso. De repente, começaram a chegar moças saltitantes. Várias. Alegres, com aquela alegria da vida que nos jovens é sagração. A coisa parecia calma, mas a mesa logo ficou toda ocupada. Conversas animadas enchiam a noite, mas nada que ferisse o conforto do nosso peixe gralhado, indicado para hipertensos sedentários como nós.
De repente, uma delas levantou-se e anunciou num brado forte: Vai começar o amigo secreto! Tremi nas bases. Já tive experiências desastrosas, daí meus traumas sem cura. Basta dizer que uma vez perdi um ótimo aparelho de som porque o sorteio exigia como tarefa dançar na boquinha da garrafa. Quando vi a platéia e até uma máquina fotográfica, nem tentei. Deram três chances, como num leilão. Concederam um último desejo, como aos condenados à morte, mas não aceitei. E vi quando um dançarino exibido ganhou o som com seu rebolado erótico.
Daí pra frente, nunca mais. Nem por isso escapei do Amigo Secreto naquela noite. Enquanto se ouvia a descrição do sorteado, nem tanto. Mas quando cada moça abria seu presente, vinha uma explosão de gritos seguidos de pulinhos nervosos e de abraços cheios de euforia. Ninguém mais conseguiu conversar. Parecíamos os bobos de uma corte estrepitosa. Uns mímicos, balbuciando palavras como se tivéssemos algum pendor com a tal linguagem labial. Moças, rapazes, pratos com restos de comida, e uma pobre vítima com cara de chefe da tribo.
Pagamos a conta, rápido, e fomos jantar noutro lugar. Para não falar nas sessões-relâmpagos de parabéns. De vez em quando, apagavam tudo e a escuridão caía sobre todos e passava uma vela acesa espetada num bolo equilibrado nas mãos de um garçom. O 'parabéns-pra-você' soava quase sempre histriônico. Depois, como se não bastasse, umas palavras de ordem repetidas no ritmo forte das palmas. Tudo isso, leitor, é só para avisar: evite sair de casa nessas noites de dezembro. A menos que você seja o chefe. Aí, paciência. Só com a proteção de Deus.

17 de dezembro de 2006

Luzes de Natal

Expedição fotográfica noturna percorre os principais pontos da cidade
Nesse último sábado, 16 de dezembro, a Associação Potiguar de Fotografia (aphoto) reuniu seus associados para uma expedição noturna, fotografando os principais pontos iluminados de Natal. O primeiro passeio noturno foi denominado “Fotografando o Natal em Natal”, uma forma dos fotógrafos se confraternizarem e, ao mesmo tempo, captar as mais bonitas fachadas iluminadas dos monumentos natalenses.
De acordo com Adrovando Claro, diretor cultural da Aphoto, além de ser um exercício fotográfico, o passeio noturno tem como objetivo divulgar a cidade de Natal durante o período natalino. “A gente só vê fotos noturnas da cidade em matérias de jornal. Nossa intenção é captar imagens noturnas em forma de arte, usando as luzes da cidade para compor as fotografias”, enfatizou adrovando.
O dentista Pedro Morgan, apaixonado por fotografia, se deslocou de Currais Novos para participar do passeio noturno e disse que estava muito satisfeito com a iniciativa da Aphoto. “Eu tive a oportunidade de conhecer melhor a cidade e descobrir belezas que eu não observava antes. Natal a noite é linda. Gostaria de participar mais vezes desses passeios fotográficos,” disse Pedro.
Segundo o presidente da Aphoto, o jornalista Alexandro Gurgel, as fotografias reunidas durante a expedição noturna “Fotografando o Natal em Natal” farão parte de uma exposição fotográfica no próximo ano, já que não há tempo hábil para se fazer a produção de uma exposição. “Com a participação de um bom número de fotógrafos, considero que essa primeira experiência foi um sucesso. Acredito que o resultado será muito bom, com imagens inéditas do Natal em Natal”, declarou.
“Já que a Prefeitura Municipal do Natal está premiando as mais belas iluminações natalinas das fachadas de lojas da cidade, seria interessante pensar em um concurso fotográfico com o tema”, ressaltou Adrovando Claro. O diretor cultural da Aphoto lembra que o prêmio seria uma forma de incentivar a produção fotográfica dos profissionais potiguares.
O passeio fotográfico da Aphoto foi iniciado no centro de Natal, teve uma pausa no mercado de Petrópolis e seguiu para o restaurante Mangai, Casa da Industria, Via Direta, Presépio de Mirassol, Posto da BR 101 e terminou no pórtico da entrada de Natal, com os três Reis Magos. Após o passeio fotográfico, ainda com suas câmeras a postos, a maioria dos retratistas foi assistir ao show de Rita Lee, na praça de eventos da UFRN.

Fotografando o Natal em Natal
http://apofoto.gigafoto.com.br/
Fotos: Alexandro Gurgel
Prefeitura Municipal de Natal


Teatro Alberto Maranhão


Papai Noel no Restaurante Mangai


Vista da entrada da cidade, passarela da BR 101


Show de Rita Lee


Rita Lee

16 de dezembro de 2006

*BREVE

Arte: Fábio Di Ojuara Foto: Lairton
*Ojuara estava em obra. Plena tarde de Beco de Catalivros. Beco da Abela de Cabrito: a Academia do Beco da Lama. Chega pra mim, não perde tempo: -Venha ver. Dura pouco. A obra estava na parede externa do Banco do Nordeste, fundos da Voluntários da Pátria. Breve se propunha, breve se foi. A tinta nova desafia o Beco mais uma vez.

Consumo
Eduardo Alexandre
(Natal RN)

O peixe
a comida
Fagner
Alceu
Carlos Drummond
Portinari
Brahma
Skol
O cigarro
A fumaça poluída da cidade

O ovo
o chifre
da amada com o amado
a dor da literatura
as cores e telas
o mundo

Consumo

O Potengi
As águas que entram e saem

Consumo

O dia-a-dia das tavernas
O vai-e-vem
dos homens nas ruas
Notícias de páginas ao leu

Consumo sou consumido
Breve
também
serei

15 de dezembro de 2006

Fotografando o Natal em Natal

Expedição fotográfica noturna

Preparem suas câmeras!!!

A Associação Potiguar de Fotografia promove neste próximo sábado, dia 16 de dezembro, às 19:00 horas, um passeio noturno fotográfico para registrar as decorações natalinas da cidade. O ponto de encontro vai ser na sede provisória da Aphoto, no prédio do Practical (rua Laranjeiras, 14, cidade alta, atrás da igreja do Galo).

Pedimos aos fotógrafos que possuírem carros, tirar o automóvel da garagem para poder facilitar o acesso de todos neste passeio. A gasolina será dividida entre os associados. É a última atividade fotográfica de 2006, vamos participar e fazer essa confraternização fotográfica com todos!

Roteiro: Prefeitura de Natal, Assembléia Legislativa, Catedral, Teatro Alberto Maranhão, Mercado de Petrópolis (pit stop para molhar a garganta - 15 minutos), Hermes da Fonseca (prédio da Casa da Indústria) e Salgado Filho (passarela do Via Direta), Viaduto de Ponta Negra (arvore de natal e presépio) e para finalizar Os Reis Magos (Atacadão).
BOAS FOTOS!!!

Alexandro Gurgel
Presidente da Aphoto
Cel.: 8817-3359
alex-gurgel@oi.com.br

13 de dezembro de 2006

Um Instituto alternativo para fomentação cultural

Romildo Soares, Paulo Lima e Luiz Peres são os idealizadores do ICAP.

Por Alexandro Gurgel
Foto: AG Sued

Músicos, poetas, escritores, fotógrafos, cineastas, artistas, pintores, atores e demais categorias artísticas, que não encontram espaços para a realização dos seus projetos culturais, agora pode dispor do suporte do Instituto Cultural e Audiovisual Potiguar (Icap), destinado à viabilização das produções culturais alternativas.
O Instituto Cultural e Audiovisual Potiguar é uma entidade sem fins lucrativos, nascendo da união de alguns artistas abnegados que fazem um trabalho em prol da arte potiguar em palcos underground, sem nenhum apoio das entidades oficiais de cultura. O Icap foi criado legalmente com a finalidade de produzir e divulgar a cultura potiguar, através de projetos sociais e da celebração de convênios com entidades públicas e organizações não-governamentais.
Os videomakers Paulo Lima e Luiz Peres, o músico Romildo soares, a poeta Civone Medeiros, entre outros artistas, juntaram as idéias para dar vida ao Icap. De acordo com Paulo Lima, o Instituto Cultural e Audiovisual Potiguar foi criado para valorizar os artistas locais, estabelecendo condição para que as Leis de Incentivo à Cultura possam prestigiar o talento e a arte potiguar.
Vendo que somente poucos projetos são agraciados com a aprovação nas Leis Cascudo, do Estado e a Lei Djalma Maranhão, do município, Paulo Lima afirma: “Alguns produtores culturais se beneficiam com a Lei de Cultura para seus projetos carnavalescos e contratam bandas baianas, pagando cachês altíssimos. Nossos artistas ficam sempre de fora ou, no máximo, em segundo plano”.


Projetos desenvolvidos pelo ICAP

Conforme Romildo Soares, um dos primeiros trabalhos do Instituto Cultural e Audiovisual Potiguar será o projeto “Ecos no Bairro”, destinado a interagir com a comunidade e, ao mesmo tempo, descobrindo as manifestações culturais que estão sendo feitas nos bairros, buscando novos talentos e fazendo um intercâmbio com os artistas mais conhecidos. “Vamos começar pelo bairro de Cidade Satélite, em janeiro. Estamos na fase de produção, procurando parcerias para fechar o projeto”, ressaltou Romildo Soares.
Segundo Luiz Peres, o projeto “Ecos no Bairro” vai acontecer durante um único dia, em cada comunidade, com feira de artesanato, exposição de artes plásticas, oficinas de literatura, exibição de curtas e muita música. Um palco será armado para a apresentação de cinco bandas de rock, sendo três bandas do bairro e duas convidadas. “A princípio, o projeto vai se sustentar através do voluntariado. Precisamos exibir nosso talento, mostrando que somos capazes de fazer arte da melhor qualidade”, frisou Luiz.
Os idealizadores do Instituto Cultural e Audiovisual Potiguar têm outro projeto chamado “MP 30”, destinado para incrementar a musicalidade local, selecionando em um CD 30 músicas, em formato mp3, produzidas no Rio Grande do Norte, para distribuir em rádios, bares, boates e em qualquer lugar que possa ser massificado. “Essa distribuição será gratuita. Os CDs não são para vender”, salientou Romildo Soares.
“Música para ouvir antes que o mundo acabe” é outro projeto, capitaneado pelo Instituto Cultural e Audiovisual Potiguar, que pretende mostra uma musicalidade nova para a cidade, fazendo uma leitura musical pós-moderna. “A idéia é sair desses ritmos regionais e folclóricos, tão propagados em todo canto, criando algo diferente com música eletrônica”, disse Romildo.
Visando contribuir com a produção cinematográfica potiguar, o Instituto Cultural e Audiovisual Potiguar tem um projeto para implementar “oficinas de vídeo” no interior do Estado, expandindo os conhecimentos sobre cinema para a produção de curtas metragens de ficção e documentários. “Vamos procurar as prefeituras e a iniciativa privada para fazer parcerias, a fim de formar cineastas no interior. Não podemos ficar esperando para contar com as Leis de Incentivo à Cultura, que só beneficia uma panelinha. Queremos arregaçar as mangas e procurar as pessoas certas que queiram ajudar a produzir cultura para o Estado”, afirmou Luiz Peres.


Produzindo cinema em solo potiguar

Romildo Soares é natural de Alexandria, região Oeste do Estado e trabalha com música há mais 25 anos, tendo suas músicas gravadas por intérpretes como Simone, Cida Lobo, Valéria Oliveira, Khrystal, Pedro Mendes, Geraldo Carvalho, Glorinha Oliveira, Lupe Albano entre outros. Participou de shows com Eduardo Dusek, Ednardo, Belchior, Renato Bras, Raimundo Fagner e Maria Alcina.
Recentemente, o natalense Paulo Lima e o pernambucano Luiz Peres produziram e dirigiram o documentário “Faces da Rua”, agraciado com o prêmio de Melhor Documentário, durante a 3ª Mostra de Vídeo Potiguar, dentro da XIII edição do FestNatal, em 2003. A mesma fita foi agraciada com o prêmio de Melhor Vídeo no festival Mada, no ano de 2004.
Meses atrás, o trio produziu um curta-metragem chamado “Deus e o Diabo na Cidade do Sol”, uma alusão ao cinema de Glauber Rocha, mas também atrelado a elementos natalenses. Atualmente, Paulo Lima, Romildo Soares e Luiz Peres dedicam-se ao documentário intitulado “A Maldição de Cascudo,” ainda em fase de produção.
De acordo com os produtores, o documentário “A Maldição de Cascudo” tem como tema central a discussão em torno da música potiguar que não faz sucesso no cenário nacional. “Em todos os Estados vizinhos encontramos superstars de renome nacional. Nuca aconteceu de uma música cantada por um norte-riograndense figurasse entre as 10 mais, em qualquer parada musical brasileira”, desabafa Romildo.
Com vários projetos em andamento, o Instituto Cultural e Audiovisual Potiguar está de portas abertas para acolher aqueles que se identificam com os ideais propostos pela entidade. Juntando a bagagem cultural dos seus organizadores com novos adeptos, o Icap pode se tornar uma referência no desenvolvimento da cultura potiguar.

11 de dezembro de 2006

Alceu Valença, Rita Lee e Zé Ramalho em Natal

FINAL DE SEMANA COM SHOWS DE ALCEU VALENÇA, RITA LEE E ZÉ RAMALHO NO PROJETO “NATAL, DANÇA & MÚSICA"

Shows de artistas nacionais, dança e grupos de cultura popular vão abrir a partir desta sexta-feira, dia 15, as comemorações de fim de ano promovidas pela Prefeitura do Natal, através da Fundação Capitania das Artes. Serão três dias de programação cultural variada, com opções para todos os gostos e com entrada franca, sempre no anfiteatro da UFRN.
O projeto “Natal, Dança e Música” começa nesta sexta-feira, a partir das 21h, com a apresentação do Balé da Cidade do Natal e do Grupo Parafolclórico da UFRN. Ao final, show do menestrel pernambucano Alceu Valença, com entrada franca.
No sábado, também às 21h, tem a apresentação do Balé da Cidade do Natal e do grupo da Escola de Dança do Teatro Alberto Maranhão, com show de Rita Lee para deleite dos fãs da roqueira, que apresentará velhos sucessos e o repertório do seu último cd.
E no domingo, a partir das 17h, tem o Balé da Cidade do Natal e dos grupos de cultura popular “Araruna” e “Congos de Calçola”, com show de Zé Ramalho também aberto ao público.
O projeto “Natal, Dança e Música” antecede as apresentações do tradicional espetáculo “Auto do Natal”, que acontece na próxima semana, de quinta (21) a sábado (23), também no anfiteatro da UFRN e terá shows de Fagner (21), Simone (22) e Elba Ramalho (23) abertos ao público encerrando cada apresentação.

Alceu Valença: da raiz nordestina ao pop rock

O cantor e compositor pernambucano Alceu Valença iniciou a carreira artística em 1968, apresentando-se no show "Erosão: a cor e o som", com a banda Underground Tamarineira Village, que depois transformou-se na Ave Sangria.
Poeta e intérprete carismático, com uma obra que mistura as raízes nordestinas com o pop e o rock, já lançou quase trinta discos, tendo suas músicas gravadas por outros intérpretes como Elba Ramalho ("Chego Já" e "Ciranda da Rosa Vermelha") e Maria Bethânia ("Na Primeira Manhã", "Junho" e "Tomara"). Eclético, apresentou-se tanto no Festival de Jazz de Montreux (Suíça) quando no Rock In Rio II, em 1991, tocando logo após o cantor funk Prince.
Algumas de suas canções estão imortalizadas na história da MPB, como "La Belle de Jour" e "Tesoura do Desejo", além de outros como Talismã" (Geraldo Azevedo/ Alceu Valença), "Papagaio do Futuro", "Cavalo de Pau" (Alceu Valença), "Na Primeira Manhã" (Alceu Valença), "Bicho Maluco Beleza" (Alceu Valença), e "FM Rebeldia" (Alceu Valença).


Rita Lee, a ‘vovó’ do rock nacional

Ela é cantora, compositora e instrumentista. A filha de imigrantes italianos e norte-americanos Rita Lee Jones é uma lenda viva do rock brasileiro. Em quatro décadas de carreira, Rita tem na sua biografia a impressionante marca de 42 obras, entre discos e cds, em carreira solo ou em bandas.
Sua mãe era pianista e sua irmã mais velha ouvia discos de artistas como João Gilberto, Paul Anka, Dolores Duran e Tito Madi. Foi aluna da pianista erudita Madalena Tagliaferro e apenas na adolescência viria a ouvir rock, através dos discos de Elvis Presley.
Com 16 anos, formou a sua primeira banda, ao lado de três garotas, "The Teenager Singers". Tony Campelo as ouviu e passaram, então, a fazer o coro para os Jet Blacks, Demétrius e Prini Lorez. Posteriormente, se juntariam ao "Wooden Faces", dos irmãos Arnaldo Baptista Dias e Sérgio Baptista Dias, surgindo, daí, "O Seis", que chegou a gravar um compacto duplo, ainda na década de 1960 e seria o embrião dos Mutantes.
Apareceu inicialmente em 1967 no "III Festival de Música Popular Brasileira", da TV Record. Na época, integrava o grupo de rock Mutantes, indicado por Ronny Von para acompanhar Gilberto Gil na música "Domingo no parque", com arranjo de Rogério Duprat e classificada em segundo lugar no mesmo festival.
No ano 2000, dois discos seus foram editados: o primeiro, "Rita reelida", composto por remixes de sucessos como "Mania de você", "Lança-perfume" e "Baila comigo", efetuados por DJ´s; o segundo, "3001", com músicas inéditas, inclusive a faixa-título, em parceria com Tom Zé e Roberto de Carvalho. Considerado o mais roqueiro dos seus últimos discos, o CD trouxe também "Pagu", parceria da compositora com Zélia Duncan.

Zé Ramalho encerra “Natal, Dança e Música”

Compositor e intérprete conhecido pelo caráter basicamente nordestino de sua obra, o paraibano Zé Ramalho só começou a pesquisar com mais afinco esse tipo de música por volta dos 20 anos. Até então, suas maiores influências eram o rock da Jovem Guarda, Beatles e Rolling Stones. Na Paraíba conheceu Alceu Valença e Geraldo Azevedo, com quem começou a fazer música.
Mudou-se para o Rio de Janeiro em meados dos anos 70, onde Vanusa gravou sua primeira composição de sucesso, "Avorai". Seu primeiro disco individual, "Zé Ramalho", foi lançado em 1978, e partir daí passou a usar mais da fusão entre a música nordestina, o rock e o pop, sendo também reconhecido como poeta e letrista. No ano seguinte gravou os sucessos "Admirável Gado Novo".
De 1981 a 87 lançou um disco por ano, incluindo os sucessos "A Terceira Lâmina", "Força Verde", "Dança das Luzes", "Desejo de Mouro" e "Mary Mar". Na segunda metade da década de 90 sua carreira voltou a se intensificar. Além dos CDs inéditos "Frevoador" e "Cidades e Lendas" lançou a caprichada produção "Antologia Acústica" em 1997 e dois volumes de "O Grande Encontro", ao lado de Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Avezedo.
Lançou em 2000 "Nação Nordestina", uma homenagem às personalidades nordestinas brasileiras. A capa é uma paródia da famosa capa do disco "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", dos Beatles. O álbum recebeu, no ano seguinte, uma indicação ao Grammy latino como melhor disco de música regional.
Em 2001, o artista lança o CD "Zé Ramalho canta Raul Seixas", projeto que vinha amadurecendo há tempos. O disco ganhou uma versão em DVD, do show de lançamento no Canecão, no Rio de Janeiro. Seu último trabalho foi "Zé Ramalho ao vivo". Lançado em 2005, nos formatos CD e DVD, o registro traz os maiores sucessos do cantor.


NATAL, DANÇA E MÚSICA

SEXTA, DIA 15
Balé da Cidade do Natal, Grupo Parafolclórico da UFRN
Show nacional: Alceu Valença

SÁBADO, DIA 16
Balé da Cidade do Natal, grupo da EDtam
Show nacional: Rita Lee

DOMINGO, DIA 17
Balé da Cidade do Natal, ‘Araruna’ e ‘Congos de Calçola’
Show nacional: Zé Ramalho

8 de dezembro de 2006

Um poeta ultrajado na Terra de Santa Luzia

Por Alexandro Gurgel
"Foi essa a recompensa que o Palácio da Resistência me deu por levar o nome de Mossoró (cidade que se pretende capital cultural deste país) além-fronteiras potiguares. É esse o tipo de apoio que o poder público desta 'terra da liberdade' dispensa a quem insiste em lutar com palavras", desabafou o poeta mossoroense Marcos Ferreira, depois de saber sobre sua sumária demissão dos quadros da Prefeitura Municipal de Mossoró.
Depois de auferir vários prêmios literários no Estado, recentemente, Marcos Ferreira conquistou o prêmio de poesia Violeta Branca Menescal, que faz parte dos "Prêmios Literários Cidade de Manaus", concorrendo com o livro inédito "A Hora Azul do Silêncio". Em outra ocasião, competindo com milhares de poetas de todo o Brasil, os versos do vate mossoroense foram classificados para participar da antologia que reunirá os melhores poemas do "IX Prêmio Escriba de Poesia", promovido pela prefeitura de Piracicaba, São Paulo, concurso nacional em que Marcos já fora igualmente distinguido nas edições de 1998 e 2004.
Numa tarde seca de novembro, sem maiores justificativas por parte do gabinete do secretário municipal Gustavo Rosado, o premiado escritor mossoroense recebeu a notícia de sua exoneração do cargo que ocupava na Biblioteca Municipal Ney Pontes Duarte. "Deixo agora a prefeitura com uma mão na frente e outra atrás, levando apenas comigo a leve impressão de que já vou tarde, como naquela música do Chico Buarque", declarou o poeta.
Com um texto muito apurado, tratando cada palavra com o devido zelo, o escritor e poeta Marcos Ferreira tem um estilo literário próprio dos grandes escribas. Seus premiados textos confirmam a qualidade com que esse "trocador de tintas", como prefere ser lembrado, emprega o vernáculo. O jovem Marcos Ferreira mantém a tradição de grandes escritores da Terra de Santa Luzia, a exemplo de um Dorian Jorge Freire, um Vingt-un Rosado, um Jaime Hipólito, um Raimundo Soares de Brito, um Tarcísio Gurgel, entre outros.
A comunidade literária e intelectual do Rio Grande do Norte está solidária ao escritor Marcos Ferreira e tem repudiado a atitude da prefeitura de Mossoró por essa demissão política, sem sentido prático. Em nota publicada na edição do último dia 22 de seu blog denominado "Coluna Herzog", o jornalista Carlos Santos assim se expressou sobre a exoneração do poeta: "O fato de Marcos ocupar cargo na Biblioteca Municipal, ser premiado nacionalmente e, de verdade, significar um lampejo de cultura num ambiente de faz-de-conta, mostra como as autoridades municipais tratam seus valores. Como trabalhava, cumpria expediente, era competente e não afeito à bajulação endêmica, acabou expurgado".
Pelos seus relevantes trabalhos literários, contribuindo ativamente para a qualidade intelectual das Letras Potiguares, o poeta Marcos Ferreira deveria ter um cargo público vitalício, com a função de "escrevinhador" carimbada na carteira trabalhista.

5 de dezembro de 2006

4º Encontro dos Papangus


A trigésima quarta edição da revista de humor e cultura do Rio Grande do Norte Papangu será lançada amanhã, quarta-feira (6/12), na Livraria Siciliano do Shopping Midway Mall, em Natal/RN.
Todos os meses, a convite da Livraria Siciliano, realizamos o Encontro dos Papangus, proporcionando uma ótima oportunidade para debatermos e discutirmos sobre as questões culturais do nosso Estado. Esse será o 4º Encontro dos Papangus na capital.

A Papangu Nossa de Cada Mês - 34ª Edição

Chegamos às bancas de todo o Estado com a Papangu nossa de cada mês, esta de número 34, com muita alegria e uma ressaca, "eleitoralmente" falando, de fazer voar as tamancas dos candidatos derrotados neste último pleito de 2006.
Vocês pensam que é mole gastar rios de dinheiro, como os nossos políticos em campanha, para fazer a melhor publicação de humor e cultura do Rio Grande do Norte? Se bem que por aqui não omitimos o que gastamos, né verdade? Entretanto, as críticas, opiniões e o reconhecimento do nosso leitor transformam-se em grande recompensa para todos nós papangus.
Nesta edição, portanto, destacamos logo na capa o caso desamoroso entre a senhora governadora Wilma de Faria e Garibaldi Alves Filho (nosso senador coleciona, assim, mais uma derrota para a sua "coleção").
Embarcamos neste número numa viagem interessante ao mundo da aviação. O jornalista Alexandro Gurgel e o escritor José Correia Torres Neto entrevistam o coronel-aviador Fernando Hippólyto da Costa. Um extremo conhecedor de fatos da história do nosso Estado e da aviação brasileira. Sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN), o coronel Hippólyto possui doze trabalhos de pesquisa, dentre eles: "Síntese Cronológica da Aeronáutica Brasileira" (1685 - 1941), publicado em 2000; "Augusto Severo - um pioneiro na conquista do espaço", 2004; "História da Base Aérea de Natal", 1980, e "Santos-Dumont - História e Iconografia", 1982.
Você também confere, na seção Crônica, "Fazendo Música e Jogando Bola", em que se apresenta a boa pena de Paulo Brasil Filho. Em "Artigo", o consultor Célio Gurgel Amorim escreve sobre "Gestão inovadora para o Estado Potiguar". No "Autores & Obras", temos a resenha literária do bibliófilo Carlos Meireles, que enfoca "O pirotécnico Zacarias, e outros contos", de Murilo Rubião.
No rol de colaboradores fixos, nomes já consagrados: Alexandro Gurgel, Marco Túlio, Raildon Lucena, Damião Nobre, Antonio Capistrano, Yasmine Lemos, Cefas Carvalho, Jotta Paiva, David Leite, Antonio Alvino, Louro Dedé, Túlio Ratto e os traços personalíssimos dos cartunistas Antonio Amâncio e Edmar Viana.
Na ala reservada aos poetas, desfila a sensibilidade artística de autorescomo Clauder Arcanjo, Manoel de Barros, Carlos José, Cefas Carvalho e Lilia Souza.
No mais, é só guardarmos uma pergunta para fazermos depois que o nosso leitor "degustar" esta edição. Trata-se da mesma pergunta que a senhora Wilma de Faria fez ao nosso intrépido Garibaldi depois da eleição, agora frisada por nós, tímidos e inocentes papangus:
- Foi bom pra você?
*-*-*-*
LANÇAMENTO
Livraria Siciliano - Midway Mall
06 de dezembro
18:30 h

1 de dezembro de 2006

Memórias pedagógicas de um escrevinhador metido a professor - Parte Final

Prefeito de Natal, Carlos Eduardo, participa das comemorações do “Dia da Criança”, no 2º Núcleo de Apoio à Criança e ao Adolescente.

Natal, 10 de outubro de 2006.

Parte Final

“Há aqueles que não podem imaginar um mundo sem pássaros; há aqueles que não podem imaginar um mundo sem água; ao que me refere, sou incapaz de imaginar um mundo sem livros”.
Jorge Luís Borges

Quando cheguei ao 2º Núcleo de Apoio à Criança e ao Adolescente encontrei bolas multicoloridas ornamentando todo o prédio e, nas paredes, cartazes anunciavam o “dia das crianças” no “Tributo à Criança”. Era dia de festa. Uma atmosfera diferente pairava no ambiente devidamente preparado para receber o mantenedor oficial do programa.

Cabelos cuidadosamente tratados por profissionais, brincos discretos e trajada com um elegante vestido branco, Dona Graça recepcionava os convidados com um largo sorriso e muita simpatia. Nessa tarde, a voz mansa da diretora nem de longe lembrava aquela rigidez costumeira no trato com as crianças assistidas pelo programa municipal.

Alguns professores se prepararam para o evento festivo e outros, como eu, apareceram por lá sem saber que naquela tarde haveria a presença do senhor prefeito de Natal em pessoa. Por volta das 4 horas, o prédio estava lotado de gente, onde funcionários, crianças, adolescentes, pais, professores, monitores, autoridades, assessores e políticos suportavam um calor infernal, esperando o chefe do poder executivo natalense.

Muito simpático, cumprimentando as pessoas (maioria assistida pelo programa educacional do município), o prefeito Carlos Eduardo chegou ao 2º Núcleo de Apoio à Criança e ao Adolescente com o relógio apontando a casa das 5 horas. O prefeito de Natal veio acompanhado da secretária municipal de educação Justina Iva e técnicos da Secretaria Municipal de Educação para participar das comemorações.

Para minha surpresa, as professoras prepararam um grupo de alunos para uma apresentação de dança. Com desenvoltura, articulação, ritmo e técnica, os alunos encantaram a platéia com danças de rua do tipo “hip hop”. Sob aplausos do prefeito, os alunos agradeceram felizes aqueles momentos de catarse, estampados em seus rostos, como se as palmas fosse o estipêndio necessário para estimular novos shows de dança.

Para as mães, além de sorteio de brindes, algumas cestas-básicas foram distribuídas para amenizar a fome. Como é costumeiro em véspera de eleições, ações político-eleitoreiras assistenciais têm intenções de trazer resultados eleitorais nas eleições vindouras. Rapidamente, funcionários públicos entregaram mais de 80 cestas-básicas.

No seu pronunciamento, o prefeito Carlos Eduardo fez duas importantes revelações para aquele povo faminto de promessas: Em 2006, vai aumentar o valor da bolsa do “Tributo à Criança” e inscrever mais 500 mães que há muito tempo vem esperando oferta de vagas. “Vamos brincar, vamos dançar, mais vamos estudar também, e a vida inteira, porque a gente só cresce na vida estudando para ter uma profissão no futuro”, declarou o prefeito.

A adolescente Marília Ilda, 14, estudante da 7ª série da Escola Municipal Celestino Pimentel falou ao microfone para confessar que antes pedia esmolas na rua e agora não pede mais porque é assistida pelo 2º Núcleo de Apoio à Criança e ao Adolescente onde é auxiliada pelo projeto “Tributo à Criança”. Marília agradeceu ao prefeito pela oportunidade que a fez aprender muito com a vivência dentro do programa.

Ao meu lado uma senhora com os olhos mareados de lágrimas, depois de ouvir o depoimento da adolescente, tentava uma conversa comigo. Decobri que se tratava da dona de casa Sônia Dias de Morais, 38, separada e mãe de três filhos. Ela me revelou que sobrevive apenas com a bolsa de R$ 120,00 que recebe mensalmente por ter os filhos inscritos no Programa. “Abaixo de Deus, só o ‘Tributo à Criança’ onde estão os meus filhos, porque se não fosse essa renda eu não saberia como sobreviver”, disse emocionada.

Enquanto comemoramos o “Dia da Criança” no 2º Núcleo de Apoio à Criança e ao Adolescente, faço uma despedida silenciosa dos professores, de dona Graça, dos funcionários e dos alunos. Ainda dentro do prédio, tenho a sensação de que minha estadia no projeto “Tributo à Criança” criou uma visão superficial do programa. Embora tenha participado de experiências pedagógicas e educacionais dentro da disciplina “Pratica de Ensino de Língua Portuguesa e Literatura”, fazendo um diagnóstico pessoal do programa governamental de assistência social, utilizando critérios acadêmicos teóricos como orientador do estágio, dificilmente essa prática poderá ser aplicada em escolas “normais” de ensino Fundamental e Médio.

Considero muito satisfatória a experimentação como “professor amador” dentro de um contexto diferente, fora da realidade educacional tradicional implantada nas escolas públicas e particulares. Utilizar a Literatura de Cordel como ferramenta de ensino foi muito salutar porque serviu como um fio condutor para estudar a linguagem, enquanto era observada a oralidade dos poetas e, no mesmo afã, ler os folhetos escritos por cordelistas potiguares, que cantam nossas tradições e costumes.

Conversando com minha colega de Letras, Concita, há dois anos participando como bolsista do programa “Tributo à Criança” e atuando no 2º Núcleo de Apoio à Criança e ao Adolescente, eu tentei compreender os sérios problemas sociais que envolvem as famílias beneficiadas, em sua maioria habitante de favelas e comunidades carentes. Mas, confesso que evitei, por várias oportunidades, abordar ou dar ênfase a problemática da violência no seio desses conjuntos populacionais que tem seus reflexos sentidos na instituição de ensino.

O estágio vivido no “Tributo à Criança” me trouxe a convicção que a educação pública está falida por falta de compromisso dos nossos governantes que só pensam no seu próprio projeto político. Será necessário fazer uma revolução educacional nos próximos 20 anos para se chegar a níveis aceitáveis de intelectualidade dos alunos que são “beneficiados” pela educação oferecida pelo Estado.

Enquanto os responsáveis pela Educação não entenderem que o crescimento de um país está diretamente ligado à educação de seu povo, a população carente, que tem menos oportunidade à escola, está predestinada a continuar convivendo com a miséria e a pobreza, se colocando na parte inferior da pirâmide social. E as conseqüências dessa situação são trágicas.

Conscientes que a disciplina comandada pela professora Daniella Lago daria oportunidade para ministra alguns aulas durante cinco ou seis semanas – apesar do tempo de observação do funcionamento escola e o preenchimento de intermináveis fichas com entrevistas –, eu e Concita preparamos um plano de aula com intenções de estimular a leitura entre os alunos. Nossa proposta era que enquanto discutíamos aspectos sociais, históricos, geográficos, estávamos observando a tradição do povo durante o tempo em que estudávamos a linguagem através da oralidade e a variante da fala.

Na primeira parte desse pequeno caderno de anotações pedagógicas, coloquei uma epígrafe de Monteiro Lobato dizendo: “um país é feito de homens e livros”, exatamente com intenções de promover a leitura usando a Literatura de Cordel como veiculo pedagógico. Agora, recorro às palavras do escritor Jorge Luís Borges para corroborar a idéias de que sem os livros não há mundo lá fora.

5º Carnabeco

Aos adeptos de uma folia com proporções bem mais modestas que as do Carnatal, a trupe da (Samba) Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências realiza neste sábado, a quinta edição do Carnabeco, uma festa que homenageia a Cidade Alta e os carnavais de antigamente.
O evento tem apoio da Capitania das Artes. A concentração começará em frente ao bar da Dona Nazaré, a partir das 14h, onde já terá música. Um trio de músicos já esquentará o ambiente, tocando o melhor da guitarra baiana, ou seja, os arranjos suingados de Armandinho, Dodô, Osmar, Morais Moreira e cia. Depois que o sol baixar, entra o Maestro Duarte, junto com a banda Leões do Norte, tocando frevos e marchas de carnaval pelas ruas do Centro Histórico de Natal.
5º CARNABECO
Sábado, 05 de dezembro de 2006
Beco da Lama
a partir do meio-dia