30 de abril de 2007

Sai a lista das 20 músicas classificadas para o II MPBECO

Foto: AG Sued
Dorian Lima, um dos produtores do I MPBeco - agradecendo a presença do público - Final do MPBeco.

A produção do II MPBeco – Festival de Música Popular do Beco da Lama divulga a lista das 20 músicas finalistas que disputarão os prêmios oferecidos pelo festival. 106 inscritos, totalizaram o número de 245 músicas.Nesta segunda-feira, dia 30, será oferecido um coquetel para os patrocinadores e músicos classificados, às 19h, no Praia Shopping. Na oportunidade, será realizado o sorteio para definição da ordem de apresentação das músicas durante as eliminatórias. A competição começa no dia 12 de maio, com a primeira eliminatória; a segunda será no dia 19 e a finalíssima está programada para o dia 26.

Confira a lista das finalistas:

1. A RAINHA DO TAPETE VERMELHO (Drica Duarte/Letto)
2. AVESSOS E HARMONIAS (Abdon Fernandes/Hélio Gomes)
3. BABY NÃO ME DEIXE (Luiz Felipe)
4. BELA MORENA (Rubinho Silva)
5. BLUES DA HORA (Gil Oliveira)
6. BRANCAS NUVENS (Antonio Carlos Spinelli)
7. CACHORRO MAGRO (Maguinho da Silva/Carlos de Souza)
8. EMBOLADA CÓSMICA (Mirabô Dantas)
9. ET RESTER (Danina Fromer/Paula Ortiz)
10. EUCALIPTOS (Paulo Barbosa Júnior)
11. FESTIVAL DO AMOR (André Souza)
12. JANELA NA MANHÃ (Wescley José da Gama)
13. NA BASE DA RESISTÊNCIA (Jog MC)
14. NAS GRADES DA PONTE (Graciele de Lima)
15. PERDIDO NA ESTAÇÃO (Glay Anderson/Gustavo Concentine/Paulo Ricardo)
16. POTIGUARAS, GUARANIS (Ricardo Baia/José Fontes Júnior)
17. POTIGUARINA (Geraldo Carvalho/Graco Medeiros/Tertuliano Aires)
18. SÓ VOCÊ (Roberta Karina/Eduardo Gomes)
19. TEMA DA AUTO AJUDA (Jordan Santiago)
20. VOLTE COMIGO (Antonio Ronaldo/João Barra)

A comissão julgadora responsável pela seleção das finalistas foi formada pela jornalista Renata Marques, pelo escritor Antoniel Campos e pelo colecionador Oswaldo Ribeiro. Também tiveram participação, no apoio técnico, os produtores do festival, Dorian Lima e Júlio César Pimenta, mas sem direito a voto. Vale lembrar que, para a seleção das campeãs, será formada uma outra comissão.

Este ano, o II MPBeco traz como novidade o Prêmio do Júri Popular Elino Julião e a realização, em cada sábado da festa, de shows de abertura e encerramento, com artistas convidados pela organização e que estão fora da disputa pelos prêmios.

A programação dos shows especiais está definida: no dia 12 de maio (primeira eliminatória) o mamulengueiro Josivan (filho de Chico Daniel) faz a apresentação de abertura do festival, seguido por uma apresentação musical do grupo pernambucano Casas Populares da BR 232. O potiguar Nêguedmundo faz o show de encerramento. No dia 19 (segunda eliminatória), o cantor e compositor paraibano Adeildo Vieira faz a abertura do evento. A banda natalense Seu Zé faz o show de fundo. E, finalmente, no dia 26, quando haverá a grande final do festival, o também paraibano compositor Milton Dornellas abre a tarde do sábado, sendo também convidado de honra para fazer parte da comissão julgadora. Depois da apresentação das dez músicas que concorrerão ao prêmio, a banda Mad Dogs encerra o evento.

Os prêmios são:
Prêmio Bosco Lopes - melhor intérprete - R$ 900,00
Prêmio Maestro Mainha - melhor arranjo - R$ 900,00
Prêmio Celso da Silveira de 3º lugar - R$ 1.100,00
Prêmio Newton Navarro de 2º lugar - R$ 1.400,00
Prêmio Nazir Canan de 1º lugar - R$ 1.700,00
Prêmio Elino Julião do voto popular - R$ 1.200,00

29 de abril de 2007

Em nome de Kaliene

ARTIGO

Rubens Lemos Filho (Jornalista)

Íamos em grupos, abecedistas e americanos no mesmo ônibus, cantando os hinos de cada um. Descíamos ali onde hoje é um restaurante de comida árabe. Partíamos para a arquibancada munidos de amor. Todos uniformizados. Cada um para o seu lado. Ao final, voltávamos para casa pegando a condução no lugar onde agora é um templo literalmente universal.

Bem, assim eram os clássicos do meu tempo. De craques de sobra e paz ao redor. Nossas famílias sossegavam. Nada havia a temer. Éramos torcedores, não bandidos travestidos. Lembro bem da Camisa 12, da Fanamérica, da TIA, se desdobrando para ver quem soltava mais rojões, quem coloria de preto, branco e vermelho o colosso da Lagoa Nova.

Acabou. Hoje eu tenho duas cadeiras cativas no estádio do ABC. Comprei uma para mim e a outra para o meu filho de 14 anos. Ele nunca pisou lá. Nem vai tão cedo. No lugar dele, quando eu tenho disposição de sair de casa, vai comigo um segurança. Não crio meu menino para conviver com marginais.

Na primeira partida, domingo passado, me liga aflito um amigo, dirigindo o seu carro, ele e o seu garoto, pertinho já do Frasqueirão, em frente à Tererê Churrascaria. O pau literalmente cantava. Facções se digladiavam tomando os dois lados da Rota do Sol num cenário deprimente.

Ele ainda conseguiu assistir ao jogo, assombrado. Não vai neste domingo, muito menos eu. Não vou não é por medo, mas por revolta diante de tanta hipocrisia. Se quisessem já teriam banido, prendido e condenado os delinqüentes que usam o escudo dos nossos clubes gloriosos para expandir sua sociopatia.

Cansei dos discursos sociológicos, das reuniões que não dão em absolutamente nada, da falta de medidas continuadas. Já fui xingado e ameaçado por uma horda desses cretinos.

Foi num jogo de futsal. A polícia chegou e eles fugiram, covardes como são. Isto eles são de sobra. Aí passaram a me provocar pela Internet. A mim e ao meu filho. Se tocarem nele, eu mato. Claro, neste caso, serão aplicadas as rigorosas sanções legais e eu vou ser trancafiado, julgado e condenado por ter tirado um pobrezinho do mundo.

Dói a verborragia dos menores sofridos, mal-amados e que precisam do carinho e da proteção pública. Sou filho de preso político massacrado por espancamentos na Ditadura. Porque tinha idéias diferentes. Nunca matou, jamais roubou.

Podem me chamar de fascista, mas sou a favor do que acontece na Itália. Lá, os facínoras são obrigados a, em dia de jogo, se apresentar à polícia e permanecerem detidos durante os 90 minutos. Aqui, se a ação fosse maior que a falação, já se teria um raio-x desta canalhice. E eles estariam no lugar que merecem: uma cela.

Existe uma tropa de elite chamada Bope, Batalhão de Operações Especiais. Formada por homens treinados e preparados para situações de conflito. Há um tempão não vejo falar que o Bope bate num cidadão de bem. Mas basta um cocorote ou cacetada nestas gangues que os "esclarecidos legalistas" condenam a brutalidade policial.

Pedrada no meu tempo era um ótimo centroavante do América. Pedrada agora é sinônimo de assassinato. Em nome de Kaliene Josino, mãe de duas filhas, que morreu aos 18 anos com uma pedrada na cabeça, peço o mínimo de respeito aos homens de responsabilidade. E por me dar a respeito, não vou ao estádio porque cansei de promessas. E não dá gosto comemorar campeonato com um cadáver sobrevoando nossas consciências.

Fotografia e Poesia

Foto: AG Sued
Mulheres servidas em Bloody Mary
Lívio Oliveira, Natal RN

Receito-me,
ousadamente,
o que se proíbe
ao vulgo.

Indico-me
uma inglesa,
uma colher de molho,
inglesa loira,
preferentemente
de Liverpool,
onde a música
renasceu, pós-Mozart.

Mililitros
de suco de tomates,
vermelhos,
sensuais,
pecaminosos,
com pele
aberta
ao tato,
à língua
cortante
e ácida.

Colher única
de suco cítrico,
limões
para salivar.

Gotas de tabasco
aquecendo
veias reentrantes
nos vôos rasantes
dos atos
do amor.
Vodka,
russa,
ruiva.
Esta serve-me,
entretendo-me,
fazendo-me poucas
as lembranças
vazias.
Vodka,
enchendo-me
de presenças
felizes, santas,
como o sangue de Maria.

Cubos de gelo
derretendo no calor,
milhões, os graus,
Celsius ou Farenheit.

Bocas e pimentas-do-reino:
bela combinação
de sensações
e loucuras latinas,
morenas.

E, quando a receita
parece estar toda,
recomendo-me,
ao gosto,
belos seios
negros,
intumescidos,
e uma pitada
de sal.

Projeto Natal de Formação em Cinema e Vídeo

Foto: Web
Cena 4 – Direção de Arte no Cinemacom Clóvis Bueno e Mônica Delfino - RJ

A Galeria Zoon de Fotografia dá continuidade ao Projeto Natal de Formação em Cinema e Vídeo com a realização da Cena 4 – Oficina de Direção de Arte no Cinema, com a participação de dois profissionais de renome nacional: os cariocas Mônica Delfino e Clóvis Bueno.

O Cena 4 é formado por um seminário, aberto ao público, e uma oficina de uma semana para os alunos interessados. O Seminário Cena 4 do Projeto Natal de Formação em Cinema e Vídeo é uma ação aberta ao público, que propõe o intercâmbio e o diálogo com movimento audiovisual no estado, destacando o papel e a importância da Direção e Coordenação de Arte no contexto do cinema nacional.

Nesta edição, os convidados serão a coordenadora de Direção de Arte Mônica Delfino e o diretor de Arte Clóvis Bueno e o potiguar Amaro Bezerra.Já a oficina teórica tem um programa de 20 horas-aula, referenciada na prática profissional de Clóvis Bueno e Mônica Delfino, que irão transmitir uma visão geral da Direção e Coordenação de Arte no cinema, destacando os seguintes tópicos: Arte e mercado; O aparecimento da direção de arte; O tripé criador (diretor, diretor de arte, fotógrafo + produtor); Lendo e decupando o roteiro; A equipe de arte; Procurando e mapeando locações; Projeto cenográfico; Construção em estúdio; Intervenção em locações; Cidades cenográficas e construções ao ar livre; Custo e orçamento; A produção de arte na construção e no dressing; Acabamentos; Fontes de luz; Maquetes; Efeitos especiais; A participação na pós produção de um filme na era digital; O figurino; A maquiagem; A filmagem; O papel do coordenador de arte junto ao diretor de arte e produtor executivo; Composição do departamento de arte, atribuições e relações entre os diversos departamentos, Orçamentos e prestações de contas.
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Os Profissionais

Clóvis Bueno é paulista, nascido em 1940, atuou como cineclubista e documentarista nos anos 60 antes de ser assistente de direção de Anuska, manequim e mulher (1968), de Francisco Ramalho Jr.. Iniciou a carreira de cenógrafo fazendo cenários de comédias como Luz, cama, ação! (1976), de Cláudio MacDowell, e O pai do povo (1977), de Jô Soares. Nos anos 80 participa de grandes produções nacionais e internacionais, como Pixote, a lei do mais fraco (1980) e Brincando nos campos do Senhor (1990), Hector Babenco, Tornando-se parceiro de diretores estreantes como Suzana Amaral, em A hora da estrela (1985), Jorge Durán, em A cor do seu destino (1986), Roberto Gervitz, em Feliz ano velho (1987). Nos anos 90 trabalhou com Sérgio Rezende, em Lamarca (1994), Walter Lima Jr.e Eliane Caffé, em Kenoma (1999), Carlos Diegues, em Orfeu (1999), e Cao Hamburguer, em Castelo Rá-tim-bum (2000). Fez a cenografia de Carandiru (2003), de Hector Babenco. Estreou na direção ao lado de Paulo Betti com o longa Cafundó (2005). Seu mais recente trabalho é a direção de arte de O homem que desafiou o diabo, de Moacyr Góes, em fase de finalização.

Monica Delfino é formada em artes plásticas pela UEL, com pós-graduação em cinema e semiótica pela ECA-USP e MBA em Produção Executiva em cinema e TV pela ESPM-RJ. Atua como coordenadora de arte e produtora nas áreas de cinema, vídeo, artes cênicas e artes plásticas. Atuou na Coordenação de arte de "O Homem que desafiou o diabo", de Moacyr Góes entre outros.

Seminário: Direção de Arte no Cinema

Abertura: 07 - Segunda - 19h
Teatro de Cultura Popular - TCP
R. Jundiaí, 641 - Tirol - Natal - RN

Oficina: Direção de Arte no Cinema

Data: 7 a 12 de maio 2007
Local do curso: UNP - Unidade Nascimento de Castro
Horário: 18h30 às 22h30
Valor: R$ 160,00
30 vagas - Alunos da UnP têm 10% de desconto.
Informações e Reservas: Keila Sena: keila@zoon.org.br ou 9953 9885

Realização:
www.zoon.org.br

28 de abril de 2007

RAPADURA NEWS

Dirceu de Brito
Jornalista

História do Cangaço
O estudante de história e pesquisador Rostand Medeiros manda e-mail apresentando um álbum de fotos de uma viagem feita para a realização de pesquisas sobre o cangaço, que teve a participação do escritor, juiz de direito e pesquisador do cangaço Sergio Dantas. Esta viagem ocorreu em agosto de 2006, onde foram visitadas cidades de três Estados. Entre as cidades visitadas estão Currais Novos (Rio Grande do Norte), Princesa, Manaíra, São Jose de Princesa, Teixeira (Paraíba), Triunfo, Santa Cruz da Baixa Verde, Serra Talhada, Floresta, Flores e Afogados da Ingazeira (Pernambuco). A idéia da dupla foi buscar as fontes na região de origem dos fatos, utilizando consagrados livros sobre o tema cangaço como referência, bem como notícias vinculadas em jornais de época. Foram mais de 2.000 e mais de 500 fotos. Para acessar o álbum siga o link:
http://cr-medeiros.fotos.net.br/1

Kelly Pitbull
Greice Kelly Bezerra Barbosa, 18 anos, acusada de fazer diversos assaltos a casas lotéricas de Natal, foi detida após se apresentar espontaneamente na Delegacia de Furtos e Roubos. Kelly PitBull é acusada de praticar, juntamente com seu namorado, José Carlos da Cunha, o "Rato Branco", assaltos na em casas lotéricas, farmácias e postos de recebimentos de contas de água, luz e telefone. Uma das casas lotéricas assaltada por Kelly gravou imagens do crime através de uma câmera de segurança e foram essas imagens que permitiram a polícia identificar a autora dos assaltos. Nas imagens, a garota age friamente, armada com um revólver calibre 38, enquanto que o namorado dá cobertura esperando do lado de fora em uma moto utilizada para fugas. O detalhe é que Greice Kelly vem de uma família classe média, filha de uma enfermeira e um sargento da PM. A jovem criminosa estudou a vida inteira em escolas particulares e ganhou vários títulos de judô em competições pelo Estado na categoria infantil quando ganhou a fama de “Pitbull” pela valentia nas lutas.

Beco da Lama
Apesar do desembargador do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, Lázaro Guimarães, ter proibido o funcionamento de bingos, jogos de azar e caça-níqueis em Natal, no Beco da Lama a jogatina corre solta. Uma rápida passagem pelo local, pode se jogar nas máquinas do estabelecimento Imperial, aberta 24 horas, ou fazer uma "fezinha" nos bichos na banca Para Todos, em plena rua Coronel Cascudo.

Educação Zero
Em recentes dados divulgados na imprensa nacional constatam que o Rio Grande do Norte tem um dos mais baixos índices educacionais do país. De acordo com as informações do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) o Estado está entre os piores do ensino fundamental de primeira fase, correspondente a 1ª a 4ª série. Essa foi a herança deixada pelos ex-secretários de educação, reforçada durante a gestão do deputado Wober Junior, que nunca priorizaram a educação do povo potiguar. Agora, a atual secretária de educação do RN, Ana Cristina Medeiros, diz nos jornais que quer a ajuda de todos e culpa a população pela falta de políticas sérias na sua secretaria. “A gente chega a um resultado como esse porque não se deu a atenção devida à escola e isso também é culpa de cada cidadão”, declarou a secretária na maior cara de pau. A senhora Ana Cristina Medeiros esqueceu de frisar que essa “culpa” começa quando a população escolhe os políticos que vão administrar a educação, a saúde, a segurança, etc. É bom ressaltar que a mesma pesquisa apontou a cidade seridoense de Acari como o único município do RN a alcançar um patamar acima da média nacional de 3,8.

27 de abril de 2007

Braço artificial para câmeras fotográficas

A idéia é simples, mas pode levar mudanças significativas ao álbum de foto de viajantes solitários ou casais em lua de mel. Trata-se do Quik Pod, um equipamento que segura a câmera digital e permite que o dono do equipamento também saia (bem) na foto.

Um espelhinho curvado na ponta do equipamento permite ao usuário ter uma noção daquilo que será registrado pela câmera. A novidade vendida por US$ 25 nos Estados Unidos mede 20 centímetros e, quando aberta, chega a 45 centímetros. Seu peso é de 100 gramas. Clique aqui para ver como funciona (vídeo em inglês).

Para usar a novidade, é necessário ter uma câmera com timer, já que a função do Quik Pod é apenas segurar o equipamento (não, ele não aperta o botão). Segundo o jornal “The New York Times”, o equipamento também pode ser útil para tirar fotos em shows (sua altura permite “eliminar” as cabeças do público) e outras situações em que a extensão do braço humano é um limitador.

Agenda Cultural em Natal - Final de Semana

Exposição de fotografia
Começou na Capitania das Artes a exposição fotográfica "Ore rová: nossa cara nossa imagem”. A mostra segue até o dia 5 de maio com 26 fotografias que retratam o cotidiano de oito comunidades de descendentes de índios nos municípios de Canguaretama, Baía Formosa, Caraúbas, Arez, Vila Flor, Maxaranguape, Goianinha, Assu, Ceará Mirim, João Câmara, São Gonçalo do Amarante e Natal. O trabalho é resultado de seis anos de pesquisa de campo realizado pelo repórter fotográfico, Lenilton Lima, através do movimento indígena potiguar. O objetivo é mostrar a existência de remanescentes indígenas em solo potiguar.

A Ditadura dos Generais
O pensador e homem público Agassiz Almeida, autor de A República das Elites, obra internacionalmente celebrada por nomes como José Saramago, irá revolver o sombrio e trágico mundo em que surgiu o nazimilitarismo na América Latina. Nascida do encontro do autor com o escritor Ernesto Sábato, em 1984, A Ditadura dos Generais, o novo livro do escritor é resultado de longos anos de pesquisas, sob a visão da Sociologia Política e da História. A obra será lançada nesta sexta-feira, às 19h00, na livraria Siciliano do Midway Mall. A Ditadura dos Generais faz uma análise profunda e vasta de um contexto histórico que se desatou nas primeiras décadas do século XX e teve seu desenlace na América Latina a partir de 1964.

Cinema e Psicanálise
Nessa sexta, o projeto Cinema e Psicanálise traz o filme "A Estrada", clássico de 1954 do italiano Federico Fellini. O filme, ainda sob o efeito do movimento neo-realista, mostra uma Itália empobrecida nos anos do pós-guerra, onde as pessoas se esforçam para ganhar algum dinheiro. O Cinema e Psicanálise acontece na Casa da Ribeira, hoje, às 20h00. A entrada custa R$ 12 e R$ 6 (meia). Após a sessão haverá debate com psicanalista.

4 anos Hi-Fit
Nessa sexta-feira, a Music comemora 4 anos da Hi-Fit com grande festa. Nada menos que The Vibe Neil Apollo 11, Dj Rafa Correia, Dj Gunner e Dj Mucio estarão por lá arrebentando nas pick-ups. As senhas estão sendo vendidas na Loja Triton do Midway Mall por R$20,00 (pista) e R$ 30,00 (camarote).

Forró na Praia
Hoje, acontecerá mais uma edição do Forró da Praia. O evento promete agitar Pirangi, repetindo o sucesso da última festa que aconteceu no dia 16 de março. Dessa vez, o público vai curtir o som das bandas Brasas do Forró, Messias Paraguay e Cinzeiro de Motel. O Forró da Praia será realizado no Espaço do Forró, próximo ao condomínio Porto Brasil. A festa promete levar muita gente bonita e animada para Pirangi.
Os ingressos são vendidos na loja de moda masculina Bransk, no segundo piso do Midway Mall.

Festa Psy
A Jangada Music Club promove nesse sábado, 28, a Festa Psy. A noitada eletrônica será comandada por DJ Pons tocando House, DJ Gunner tocando Trance e DJ Claudinho tocando Psy. A boate fica na rua Erivan França (beira mar - sentido Morro do Careca). Mais informações pelo telefone 3219.4416.

4º Expoleilão
Começou ontem e vai até domingo a 4ª edição do Expoleilão, apresentando mais de 1,7 mil animais (ovinos, caprinos, eqüinos e bovinos) no Parque Aristófanes Fernandes, em Parnamirim. Promovidos pela Associação Norte-rio-grandense de Criadores (Anorc), os eventos deverão movimentar valores acima de R$ 3 milhões, cerca de 20% a mais do que no ano passado.

2 Anos de rock
A JackBlack Rock Band comemora dois anos de estrada amanhã durante show no Budda Pub, em Ponta Negra.O grupo MobyDick foi convidado para se apresentar na noite. Os ingressos custam R$ 8, vendas na hora.

Rock na Ribeira
Amanhã, a partir das 21h, terá o Rock n’ Night Estação Ribeira. A noite será animada pelas bandas Taxímetro, Sunset Boulevard, Os Bonnies, Cabozó, SeuZé e fechando o evento, Os Grogs. Ingressos antecipadas na Arte Musical do Via direta, por R$ 5. Na hora vai custar R$ 7.

Teatro espírita
A peça teatral “Nada Além” será encenada amanhã e domingo, às 20h00, no Teatro Alberto Maranhão. A montagem foi produzida a partir da comemoração dos 150 anos do espiritismo e se trata dos rap’s, ou seja, a comunicação dos espíritos através das batidas. Informações no 3081 5760.

26 de abril de 2007

Coisas do Grande Ponto

Fashion is cult
Os “cadernos culturais” dos periódicos da capital, dessa quinta-feira, destacam o evento “Natal Fashion Week” e a sofisticação da beleza nas passarelas do Midway Mall. Já não bastava o evento figurar em todas as colunas sociais (as quais ocupam dois terços dos caderno culturais), agora a cultura da moda, com seus alemães e seus canhões, cobrem todas as notícias dessas editorias.

Midway Mall
A nova peça publicitária do shopping Midway Mall mostra várias pessoas no vídeo, mas nenhum desses rostos se identifica com o pessoal daqui. Até mesmo as fotografias expostas na fachada do shopping mostram pessoas que não tem nada haver com nossa gente. Parece-me que o “xopin mideimal” só existe em Natal, mas pelo que se constata, não há nenhum identificação com o povo potiguar.

Filosofia e história
Este blogueiro encontra o filósofo e escritor Helmut Cândido no salão nobre do Sebo Vermelho e numa conversa sem maiores pretenções, o velho filósofo dispara: “O arquiteto Oscar Niemeyer Soares Filho nasceu em 15 de dezembro de 1907, no Rio de Janeiro. Apesar de ateu, projetou mesquitas, igrejas, sinagogas e até um templo evangélico”.

2% da blogosfera fala português
Deu no portal G1 que o Brasil é campeão de horas on-line na internet residencial e os brasileiros dominam ferramentas como Orkut e MSN, mas quando o assunto são os blogs o país passa longe da liderança. De acordo com um levantamento divulgado recentemente pelo site Technorati, que monitora blogs em todo o mundo, o português corresponde a apenas 2% da blogosfera. Este universo é dominado pelo japonês, que tem 37% dos posts, seguido de perto pelo inglês, com 36%.

IV Bienal Nacional do Livro de Natal
O Governo do Estado vai liberar R$ 500 mil, em cheque-livro, para as escolas e bibliotecas públicas adquirirem livros na “IV Bienal Nacional do Livro de Natal”, que ocorrerá de 31 de maio a 9 de junho de 2007. A garantia foi dada pela governadora Wilma de Faria, durante audiência concedida ao coordenador do evento, Salustiano Fagundes. Em seu quarto ano, a Bienal cresceu e diversificou o seu foco, agregando a partir deste ano os quadrinhos e abrindo espaço para discutir as relações entre literatura e cinema e literatura e música. Entre os convidados para os painéis que abordarão esses temas estão Henrique Antônio Bartsch, autor de “Rita Lee mora ao lado”, o cineasta Rui Guerra; o escritor Nei Leandro de Castro, que teve este ano o seu livro “As pelejas de Ojuara” levado ao cinema, e o autor da Turma de Mônica Maurício de Souza.

Pólo de Cinema Potiguar
Deu na Tribuna do Norte que o primeiro passo para tirar do papel o tão sonhado pólo de cinema e vídeo do Rio Grande do Norte foi dado na semana passada, na Fundação José Augusto. Na ocasião, representantes de várias entidades ligadas ao cinema local como a Associação dos Documentaristas e Curta-metragistas do Estado (ABD/RN), o Instituto Técnico de Estudos Cinematográficos (ITEC), CineClube e pessoas ligadas à área se reuniram durante uma hora e meia com o presidente da FJA, Crispiniano Neto, para discutir a implantação do pólo. De concreto, a formação de três comissões para a elaboração de um projeto e um novo encontro marcado para o dia 14 de maio, às 19h, no auditório do Teatro de Cultura Popular (TCP). Os produtores Keila Sena e Josenílton Tavares ficarão responsáveis por fazer a apresentação em power point do projeto.

Dia Internacional da Dança
Para marcar o Dia Internacional da Dança, comemorado em 29 de abril, a Fundação Cultural Capitania das Artes preparou uma programação especial para o próximo fim de semana, no Teatro Sandoval Wanderley. No sábado, 28, Marika Gidali, fundadora e diretora do Ballet Stagium, e Ademar Dornelles, bailarino dessa companhia, conduzem uma comunicação sobre a dança. Já no domingo, 29, o corpo de Baile da Escola Municipal de Ballet Professor Roosevelt Pimenta e o Balé da Cidade do Natal apresentam-se no TSW e recebem mais sete companhias convidadas: EDTAM, Domínio, Gaya, Roda Viva, Cia. do Movimento, Parafolclórico da UFRN e Gira Dança. Além das companhias de dança, apresenta-se o grupo de tradição popular Araruna. A programação começa às 18h. A entrada custa R$ 4. Estudantes e idosos pagam meia.

Troféu Cultura 2007
O Auto do Natal 2007, o espetáculo de ballet A Princesa e o Gigante e os bailarinos Sami Passos e Jarlyanne Alline vão receber hoje, o Troféu Cultura 2007, que premia os destaques da cultura potiguar. O prêmio é uma realização do jornalista Toinho Silveira, numa parceria com o Sistema Ponta Negra de Comunicação e com o Presidente da Fundação José Augusto, Joaquim Crispiniano Neto. A solenidade de entrega do Troféu acontece às 20h00 no Teatro de Cultura Popular (FJA).

Academia Norte-riograndense de Letras tem novo imortal

Foto: AG Sued
Uma comitiva formada pelos imortais Ticiano Duarte, Ernani Rosado e João Batista Pinheiro acompanhou o homenageado até a mesa principal.

Na noite da última sexta-feira, 20 de abril, numa solenidade realizada no auditório da Federação das Indústrias do RN (FIERN), tomou posse o mais novo imortal da Academia Norte-riograndense de Letras (ANL), o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), José Augusto Delgado.

O novo imortal assume a cadeira 36, que já foi ocupada por José Medeiros Filho e Olavo de Medeiros Filho e tem como patrono Benício Filho. “É profundamente grandioso pra mim e faz bem ao meu coração poder fazer parte dessa instituição”, declarou o José Delgado durante o discurso de posse.

José Augusto Delgado foi eleito para a Academia Norte-riograndense de Letras em outubro de 2006, mas só agora tomou posse. Natural de São José do Campestre, o ministro já ocupava uma cadeira na Academia Brasileira de Letras Jurídicas.

O ministro José Augusto Delgado tem uma vasta literatura jurídica publicada, entre os principais livros, destacam-se: “Acesso à Justiça e Celeridade Processual, Direito da Cidadania”, “Interpretação Contemporânea do Direito Tributário e os Princípios da Valorização da Dignidade Humana e da Cidadania” e “Justiça Tributos e Direitos Fundamentais da Pessoa”; entre tantos outros assuntos que marcaram sua carreira.

Em entrevista à imprensa, o novo imortal expressou os agradecimentos ao poeta e presidente da ANL, Diógenes da Cunha Lima que o indicou para a cadeira número 36. José Delgado ainda ressaltou que sua eleição foi engrandecida com a candidatura concorrente do professor José Guará. “Chego envolvido pelos abraços e confiança dos amigos. Deles serei súdito no agradecimento e soldado pronto a incorporar-me aos objetivos centrais da Casa Maior de Cultura do Rio Grande do Norte”, disse o novo imortal.

25 de abril de 2007

Informes do Grande Ponto

Cinema de graça
Nesta quinta-feira, dia 26, o Cineclube Natal, em parceria com a Assembléia Legislativa, apresentam o filme “Abril Despedaçado”, do diretor Walter Salles. Na ocasião também será exibido o curta-metragem “Espantalho”, de Alê Abreu. A sessão começa às 18h00, no auditório da Assembléia Legislativa (Praça 7 de Setembro, Cidade Alta). O acesso é gratuito, com direito a debate e pipoca. Abril Despedaçado conseguiu arrebatar o Prêmio da Casa das Américas e Melhor Diretor (Festival de Havana – 2002), Prêmio do Público Jovem (Festival de Veneza – 2001), além de ter sido indicado ao melhor filme estrangeiro pelo BAFTA (2002) e Globo de Ouro (2002).
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Além da Notícia
A Base de Pesquisa Comunicação, Cultura e Mídia da UFRN lançará nessa quinta-feira, 26, na Cooperativa Cultural do Campus da UFRN, o livro “Além da Notícia”, escrito pelos professores Adriano Gomes e Olga Maria Tavares (UFPB) e pelos pesquisadores Carmem Daniella Spínola, Cid Augusto Rosado, Daniel Dantas, José Zilmar Alves da Costa, Maria do Socorro Lucena e Taciana de Lima Burgos (UERN). De acordo com o professor Adriano Gomes, “Além da Notícia” é uma espécie de monitoramento da mídia, procurando identificar as intenções discursivas cujas informações estão por detrás dos olhos. O evento começa às 14 horas com uma mesa redonda abordando o tema “O discurso além da notícia: considerações teóricas e metodológicas”, no Auditório do Laboratório de Comunicação. Às 17 horas será realizado o coquetel de lançamento do livro, na Cooperativa Cultural do Campus.
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Desentoca e toca
Pedrinho Mendes sai da toca e apresenta hoje, 25 de abril, o show “Desentoca e toca”, a partir das 20 horas, no Teatro de Cultura Popular da Fundação José Augusto. No show, Pedrinho faz um passeio por toda sua carreira musical cantando músicas que nunca foram gravadas e outras famosas como “Linda Baby”, que vem se tornando o hino extra-oficial de Natal. Ingressos no local com preço promocional à R$ 10,00.
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Tuzé de Abreu no TSW
O cantor e compositor baiano Tuzé de Abreu se apresenta hoje, no Teatro Sandoval Wanderley, a partir das 19h00, dentro do projeto Retratos Sonoros, realizado pela Fundação Capitania das Artes. Numa apresentação essencialmente interativa, Tuzé vai fazer execuções com o “piston cretino”, instrumento experimental criado pelo músico e inventor suíço-baiano Walter Smetak. Compositor, cantor, diretor musical, saxofonista e flautista, Tuzé já fez diversas apresentações no Brasil e no exterior. Hoje, a entrada custa R$ 1,00 e de graça para estudantes e idosos.
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XV Semana de Humanidades
Os prazos para inscrição nas atividades da XV Semana de Humanidades encerrarão no próximo dia 27 de abril, sexta-feira. A organização do evento avisa que ainda há vagas para Minicursos e Oficinas. Os interessados deverão comparecer à secretaria do evento, das 7h30 as 11h30. Os interessados em expor seus livros ou revistas deverão enviar seu material para a secretaria da XV Semana de Humanidades, até 4 de maio de 2007. Além de Minicursos, Oficinas e GTs, o evento contará também com Mesas Redondas, dois Colóquios, e as palestras da I Semana de Estudos históricos. Para esses eventos não é necessário fazer inscrição, basta comparecer ao local. Para apresentar trabalho em GTs, Vídeos ou Painéis acessem a página do evento (www.cchla.ufrn.br/humanidades)
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Leitura e escrita na rede pública
O Ministério da Educação publicou um documento por meio do qual pretende motivar e auxiliar os agentes públicos e comunidades na tarefa de levar a leitura e a escrita às crianças. O Indicadores da Qualidade da Educação: dimensão ensino e aprendizagem da leitura e da escrita apresenta um roteiro de questões que ajuda professores e dirigentes escolares a identificar as dificuldades dos alunos para aprender a ler e a escrever. Segundo o site do MEC, “nas cerca de 40 perguntas, a escola terá que responder se os alunos participam de atividades semanais de leitura e escrita, se os professores orientam os pais sobre como eles podem ajudar as crianças nas tarefas de casa, se a escola valoriza os textos produzidos pelos alunos”.
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Crescem ações de incentivo à leitura no Brasil
O jornal Folha de S.Paulo publicou em sua edição de 14 de abril, no caderno Cotidiano, reportagem em que mostra algumas das iniciativas realizadas no país para reverter o baixo interesse dos brasileiros pelos livros. O jornal aponta um aumento nos projetos de incentivo à leitura, algo constatado a partir do crescimento do cadastro de ações do PNLL. A reportagem aponta que o programa praticamente dobrou o número de iniciativas cadastradas em um ano, de 162 para 306. Os jornalistas também lembram que há outras cem ações ainda sob análise da coordenação do plano e que “o prêmio VivaLeitura recebeu 3.031 projetos em 2006, que estão sendo sistematizados e também poderão ser incluídos no plano nacional”.
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Divulgados os vencedores do Pulitzer
O Prêmio Pulitzer, um dos mais disputados pelos jornalistas norte-americanos, também tem seus laureados na área da literatura. E os vencedores da versão 2007 já são conhecidos:Cormac McCarthy por The Road (categoria Ficção), David Lindsay-Abaire por Rabbit Hole (Drama), Gene Roberts e Hank Klibanoffn por The Race Beat (História), Debby Applegate por The Most Famous Man in América (Biografia), Natasha Trethewey por Native Guard (Poesia) e Lawrence Wright por The Looming Tower (não-ficção).

24 de abril de 2007

Sem TV

O Desligue a TV é uma campanha para conscientizar a opinião pública sobre os males do excesso de televisão no cotidiano. Nossa proposta não é banir o meio de comunicação por completo, mas discutir o seu uso e colaborar com a divulgação e criação de atividades alternativas.

Baseado na iniciativa internacional TV Turnoff Network, o seu foco principal é a Semana Mundial, que acontece sempre nos últimos sete dias de Abril, nos países participantes. Trata-se de uma semana dedicada a outras vivências.

Veja mais em: http://www.desligueatv.org.br/index1.html

Um malandro comedido

Foto: Hugo Macedo

Chico Buarque faz show no Teatro Guararapes, Centro de Convenção, em Recife.

ARTIGO

Lívio Oliveira

No espetáculo (conjunto da turnê, em três noites, realizada na capital pernambucana) que pretende ser uma fiel tradução do espírito carioca, o cantor e compositor Chico Buarque de Hollanda provou algumas características que vêm sendo observadas, já há algum tempo, pelo seu enorme público e pela crítica: é um artista extremamente sofisticado e elegante, buscando, ainda, novos e rigorosos experimentos, sutis e inusitados; porém, enfrentando certa crise no que diz respeito ao teor criativo de sua elaboração poética e dos conjuntos harmônico-melódicos de suas novas composições.

O show Carioca, que tive oportunidade de ver em Recife, no dia 20 de abril, explicita as deficiências já exibidas no seu último CD, que, curiosamente, não é, mas parece ser só de canções inéditas. Demonstra, em meio a arranjos sofisticadíssimos, criados e dirigidos pelo maestro Luiz Cláudio Ramos (arranjador do show e do CD), uma baixa temperatura musical que veio se refletir nas faixas do disco executadas no espetáculo, com algumas louváveis exceções.

Numa seqüência que raras vezes foi entrecortada por alguns de seus mais importantes clássicos - todos incorporados ao cancioneiro nacional - o artista mítico interpretou, do novo CD, todas as músicas: Subúrbio; Outros Sonhos; Ode aos Ratos (rap composto em parceria com Edu Lobo); Dura na Queda (já interpretada por Elza Soares); Porque Era Ela, Porque Era Eu; As Atrizes; Ela Faz Cinema; Bolero Blues; Renata Maria (parceria com Ivan Lins, já gravada por Leila Pinheiro); Leve; Sempre; Imagina (esta, um ponto mais alto, faixa já gravada por Tom Jobim, um dos compositores, e que tem elementos folclóricos que foram trabalhados por Câmara Cascudo - como a “Lua Cris‘‘ - segundo depoimento do próprio Chico em DVD recente, em que considera o folclorista potiguar como uma fonte de inspiração para a canção).

Tensão

A tensão, na noite em que tive oportunidade de assistir ao grande músico brasileiro, não se deveu somente às chuvas que alagaram a cidade do Recife e que provocaram um certo tumulto no trânsito até o Teatro Guararapes - Centro de Convenções - onde o concerto seria realizado. Ela existiu, também, devido à ansiedade que se assomava na esperança de se ouvir os belos standards de Chico.

No entanto, o cantor parecia não dar trégua, mantendo-se, quase que durante toda a primeira parte do show, no repertório do novo disco, nitidamente um dos mais fracos de sua extensa e fabulosa carreira. O comportado e morno repertório se repetia na postura elegante de Chico no palco. Elegante, extremamente quieto e recatado, quase sem movimentos e palavras (ensaiou alguns pouquíssimos elogios ao público pernambucano, que considerou muito “cantante‘‘), na leveza do dedilhar de seu violão (em momentos destacados partiu para o tamborim ou para o estranhíssimo kalimba, um instrumento africano de percussão que utilizou na interpretação da sensual Morena de Angola).

Aqui, deve-se fazer justiça. Mesmo com todos esses traços que caracterizaram o show de Recife (que já percorreu outras diversas capitais brasileiras), o carisma de Chico no palco se manteve inabalado. O cantor, na sua quietude e fleuma quase imperturbável, conseguiu emocionar pela sua própria presença, pela força de sua história, por sua personalidade e imagens indestrutíveis. Não vou falar aqui da estridência histérica de gritinhos femininos (e, pasmem, até mesmo de alguns marmanjos), ou da invasão do palco por algumas dessas figuras, mas quero firmar a convicção do imenso respeito que Chico Buarque de Hollanda recebeu da platéia pernambucana (com muitíssimos potiguares que ali estiveram), saudosos de sua presença por aquelas plagas, ausente que esteve por muitos anos.

Impecável

Deve-se também considerar que - do ponto de vista da técnica do espetáculo - o show de Chico foi impecável: horário respeitado (apesar das chuvas recifenses), iluminação perfeita (assinada por Maneco Quinderé), som com boa acústica distribuída no imenso teatro, além de um cenário muito bem elaborado (móbiles pendentes que simulavam a silhueta dos morros do Rio, em contraste com um satélite reluzente).

O conjunto técnico mais importante estava, evidentemente, na excelente banda que, além do maestro Luiz Cláudio Ramos, contou com as presenças fortes de João Rebouças (piano), Jorge Helder (contrabaixo), Marcelo Bernardes (flauta e sopros), Chico Batera (fantástico na percussão!), Bia Paes Leme (que, além dos teclados, fez uma afinada parceria com Chico Buarque nos vocais de Imagina) e o grande Wilson das Neves (que, largando a bateria - Chico o descreveu no palco como seu “baterista preferido‘‘- foi responsável por um dos pontos altos do show, cantando o maravilhoso samba Grande Hotel, de sua parceria com o “patrão‘‘, executando uma performance em que simulava “embaixadinhas‘‘ e toques futebolísticos de cabeça e ombro, envolvendo Chico e até lhe provocando uma certa descontração).

Quase no fim do show, como se tomado de sensibilidade e empatia com os que o assistiam, as grandes composições vieram em sua interpretação, para delícia de todos. Chico atendeu, surpreendentemente, a dois “bis‘‘, e passou a cantar pérolas como Quem te viu, quem te vê; Sem Compromisso; Deixa a Menina; João e Maria (num momento de arrebatamento do público). Noutros instantes, já havia cantado as boas Bye-bye, Brasil; A História de Lily Braun; Futuros Amantes; Morro Dois Irmãos (uma das canções mais explícitas quanto à temática carioca do show, apesar de não constar do último CD).

Uma impressão última que ficou do show de Chico no Teatro Guararapes é a de que o maior artista popular deste país mantém, mesmo que numa fase de entressafra criativa (que o malandro volte de vez!), o respeito, a permanente admiração e o afeto de seu público, ao qual dedicou uma das mais importantes obras musicais da história da MPB, apesar do excessivo comedimento atual.
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Texto publicado no Diário de Natal

Fotografia e Poesia

Foto de 1917 na França. Fotógrafo anônimo.
Alguns poemas de Chico Doido de Caicó
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Sonhei um sonho arretado:
As raparigas de Maria Boa
Me lambiam Da cabeça aos pés.
Quando acordei Lampeão Virgulino
Me olhava com olhos
De poucos amigos.
Caguei-me todinho.
=====
Quero pau, quero pau,
Exclamava a jovem aflita
Com sua nhenheca em brasa
Diante do meu caralhau.
Mais do que depressa
Passei-lhe a pica ardente
Para depois, logo depois,
Ouvir um som fremente:
Quero mais, quero mais.
E eu, com a voz gulosa:
Meu bem, que tal atrás?
Meu bem, que tal atrás?
=====
Sou macho
Eu também já broxei.
Sou macho
Eu também já levei porrada.
Sou macho
Eu também já dancei tango em Caruaru.
=====
Gosto de mulher de tudo que é jeito
Até das muito bonitas
Que não sabem foder muito bem
E até mesmo daquelas
Que nunca deram o xibiu
Para o meu consumo.
=====
Uma talagada de cana
Uma amizade bacana
Uma buceta sacana
Pra que mais?
Pra que mais?
Uma poesia carnuda
Uma palavra cabeluda
jovem bucetuda
Pra que mais?
Pra que mais?

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In “69 Poemas de Chico Doido de Caicó”, organizado por Ney Leandro de Castro e Moacy Cirne. Editora Sebo Vermelho. Natal RN, 2002.
Em tempo: O livro obteve uma adaptação teatral com direção de Leon Góes. O espetáculo “Chico doido de caicó” foi exibido na Sala Monteiro Lobato do Teatro Villa Lobos, no Rio de Janeiro.

23 de abril de 2007

RAPADURA NEWS

Antes de qualquer palavra escrita na coluna Rapadura News, quero agradecer ao blogueiro e jornalista Alexandro Gurgel pelo convite para escrever no Grande Ponto. A coluna será atualizada toda semana com comentários sobre notícias, notas, observações e palpites sobre o cotidiano.

Dirceu de Brito
(jornalista)

VERDADE - Amor é o que acontece entre um homem e uma mulher que não se conhecem.

OURO NEGRO - Depois de uma operação envolvendo a inteligência da Polícia Civil, Militar e Federal em vários Estados só quem está atrás das grades são os atravessadores que compravam gasolina em beira de estradas aos motoristas de caminhão tanque. Os donos de postos de gasolina, os verdadeiros compradores e incentivadores da prática de roubo, estão todos soltos.

LUTO - O ex-presidente russo Boris Yeltsin morreu na manhã dessa segunda-feira, em Moscou, de falência cardíaca. Aos 76 anos, O ex-presidente já tinha um histórico de problemas de saúde com álcool. Yeltsin foi o primeiro presidente russo da era pós-comunismo, seus oito anos de governo marcaram um período de imensas transformações para toda a União Soviética. Hoje à noite lá em Brasília, o presidente Lula vai tomar uma em homenagem ao velho companheiro.

ROMPIMENTO - Rapadura News e toda a imprensa potiguar apostam que o prefeito de Natal vai romper com a governadora antes de agosto. As relações estão desgastadas desde que Carlos Eduardo exonerou Marilene Dantas, amiga pessoal de Wilma. O pai de Carlos Eduardo e prefeito de Parnamirim, Agnelo Alves, antes aliado, agora faz oposição ferrenha à governadora. Recentemente, mais um capítulo dessa arenga aconteceu. Só de pirraça, o prefeito não convidou a governadora para visitar as obras do Machadão e ainda disse que o governo Wilma não colocou nenhum centavo na reforma do estádio. Carlos Eduardo quer mostrar força política, mas Wilma de Faria usa seu poder de persuasão para cortas as asinhas do prefeito.

CHACINA - Não agüento mais ouvir falar na matança de estudantes nos Estados Unidos. Morre muito mais jovens no Brasil, todo dia, por balas perdidas, violência em favelas, brigas de gangs e outras mazelas como a fome, doenças por falta de saneamento básico, hospitais superlotados, e por ai vai...

Em Recife, show de Chico termina na delegacia
Aconteceu uma grande confusão envolvendo o show de Chico Buarque no Teatro Guararapes, no Centro de Convenções, em Olinda. Depois de uma árdua luta para conseguir comprar os ingressos, que custaram R$ 160 (inteira) e R$ 80 (estudante), as pessoas que foram ao espetáculo extra, realizado domigo à noite tiveram uma surpresa desagradável. No ingresso, o show estava marcado para começar às 21h. Entretanto, o espetáculo teve início às 19h. A grande maioria das pessoas que compareceu ao Centro de Convenções perdeu grande parte do show. Muitos sequer viram Chico Buarque cantar. A confusão foi parar na Delegacia de Plantão de Olinda, para onde cerca de 30 pessoas que se sentiram lesadas foram prestar queixa do ocorrido.

Lutador de Jiu-Jitsu espanca a namorada na Zona Sul
O lutador de Jiu-Jitsu Raniere Martins Dias da Costa (foto, clique para ampliar) foi preso na madrugada de hoje no bairro de Capim Macio acusado de agredir corvademente sua namorada e a mãe dela. O meliante ainda invadiu um apartamento vizinho espancou um casal e quebrou alguns móveis. O pai de uma das vítimas acionou a polícia que conseguiu prender o acusado em flagrante quando o sujeito estava escondido em um Matagal nas imediações do bairro. A namorada e a mãe encontram-se hospitalizadas com suspeitas de fraturas em decorrência das agressões. Raniere que está preso no Plantão Zona Sul foi autuado por violência doméstica, ameaça e invasão de domicílio. Será que esse covarde, metido a valentão, conhece a Lei Maria da Penha?

Boneca inflável para cães

Cultura Inútil

Seu cachorro anda trepando em tudo que acha pela frente? Você constantemente precisa livrar visitantes, vendedores e amigos da fúria promíscua do seu animalzinho? Seus problemas acabaram. Chegou a sensacional Hotdoll. Sim, uma boneca inflável para cães.

O corpo da Hotdoll é feito de um material plástico e coberto por uma camada gelatinosa de 1 cm de espessura, que cria uma sensação de maciez. As partes alaranjadas dos bonecos são feitas de borracha, o que permite que ele não escorregue no chão. Seu design é anatômico, de forma que o animal possa se agarrar ao objeto como se estivesse segurando a parte traseira de uma fêmea verdadeira.


A boneca foi desenhada em dois tamanhos, para animais pequenos e grandes, e as cores contrastantes servem para que eles possam ser claramente distinguidos pelos cachorros.

Extremamente útil essa invenção, o que seria do mundo sem isso? Só falta alguém inventar alguma coisa para as fêmeas no cio...

22 de abril de 2007

Pássaro raro é observado no centro de Natal

Texto e fotos: Alexandro Gurgel

O urutau é um pássaro raro, conhecido como ave-fantasma, é um dos pássaros mais cultuados na literatura fantástica. Ele também aparece em lendas, poesias e raramente é observado na área urbana. Espécie em extinção, o urutau existe há pelo menos 20 milhões de anos, muito antes do "Homo sapiens" surgir na Terra.

O urutau foi observado essa semana na área urbana de Natal, em pleno centro da cidade, no final da tarde. A ave estava imóvel, no alto de um velho poste, na praça Senador Guerra, localizada por trás da Igreja do Galo. Quando essa ave surge na área urbana causa estranheza tanto pelo fato de ser espécie noturna, como por sua aparência: tem cabeça larga e achatada, bico e pernas pequenas, enormes olhos e penas com coloração especial para a camuflagem.

É a primeira vez que o urutau é fotografado no centro da capital potiguar. De acordo com David Hasset, membro do Grupo Ornitológico Potiguar, a última aparição dessa ave na área urbana natalense foi no ano passado, quando o urutau foi observado nas matas do Parque das Dunas, nas imediações da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), mas ninguém conseguiu captar imagens.

Segundo David Hasset, o avanço das cidades sobre as áreas rurais é que acaba interferindo no local de habitação dos animais silvestres, é também um dos fatores que leva ao aparecimento de aves tão exóticas como o urutau em áreas urbanas. "É possível que esse exemplar do urutau habite as matas de mangue no rio Potengi, já que é uma área muito próxima de onde o pássaro foi observado", explicou.

Depois de analisar as fotografias, o ornitólogo afirmou que se trata de uma espécie brasileira das mais comuns: o "Nyctibius griseu", que vive tanto nas florestas densas quanto nas bordas de mata, capoeiras e até mesmo em árvores isoladas das grandes cidades. Conforme David, o urutau pertence à família da coruja e é um primo distante do bacurau por ter hábitos parecidos.

"É muito difícil ver essa ave porque ela não voa com facilidade e depende da camuflagem para se proteger dos predadores", disse o ornitólogo, ressaltando que o bacurau se camufla no chão ou numa toca, enquanto as corujas procuram torres de igrejas e copas de árvores para esconderijos. Conforme David Hasset, o urutau é uma ave rara porque para se camuflar procura uma extremidade de um galho, se adaptando de uma forma que se toma o aspecto de prolongamento do galho.

Possui a cabeça chata, olhos grandes e vivos, a boca rasgada de tal maneira que seus ângulos alcançam a região posterior dos olhos. Sua cor é parda acanelada. Isso lhe permite adaptar-se a cor do galho onde pousa. Esse seu disfarce associado a sua perfeita imobilidade o protegem da vista dos caçadores. O urutau não constrói ninho. No período de reprodução, depositam um único ovo em alguma forquilha de galho grosso a grande altura ou numa cavidade natural de seu poleiro noturno, onde permanecem em atividade de choco.

O urutau habita o Norte e Nordeste da Argentina, as matas do Paraguai, o Norte do Uruguai e no Brasil, onde toma vários nomes: "jurutaui" na Região Amazônica; "ibijouguaçú" entre os tupis e "Mãe da Lua" entre os mineiros. "O urutau é uma ave noturna que, em noites de luar, desliza nas alturas, entretendo-se em perseguir e devorar mariposas e besouros", completou David Hasset.

Mitos de um pássaro mágico

Segundo o ornitólogo, o grito do urutau é um "hu-hu-hu", que se faz ouvir após o anoitecer, quando a ave procura a solidão mais espessa das matas, de onde faz solta um assobio de profunda lamentação. Para alguns, parece semelhante ao lamento de uma mulher. Em outras pessoas, o canto do urutau provoca espanto e piedade aos que possam ouvi-lo.

A quase invisibilidade do urutau confere-lhe o caráter de um ente misterioso. Muitos não o tomam por uma verdadeira ave, senão por um ser fantástico, inacessível à mão e aos olhos humanos. Já outros, porém, não duvidam de sua existência, mas consideram-no como um ente enigmático e superior, dotado de muitas qualidades fora das leis naturais, entre elas, a de preservar a pureza das moças.

As qualidades sobrenaturais deste pássaro se destacam nas crendices populares. As penas e a pele do urutau são milagrosas. Conta-se que antigamente matavam um urutau e tiravam-lhe a pele. A pele seca servia para assentarem as filhas das famílias influentes, nos três primeiros dias, do início da puberdade. No término deste tempo, a jovem saía "curada", isto é, invulnerável à tentação das paixões desonestas que pudessem surgir.

Apesar de seu grito de lamentação, o urutau não era tido entre os indígenas como uma ave de mau agouro. Conta-se que os tupinambás consideravam o canto desta ave como saudações de antigos parentes mortos que gritavam para excitá-los à guerra contra os inimigos.

Lenda sertaneja do urutau

Numa humilde casinha do sertão, vivia com seus pais uma moça muito feia. Naturalmente, por causa disso, não conseguia arranjar um namorado. O tempo passava, suas amigas todas se casaram e ela continuava desprezada.

Mantendo ainda alguma esperança de que lhe surgisse um pretendente - pois, afinal, tinha suas qualidades: inteligente, trabalhadeira e boa cozinheira - adquiriu o hábito de sair à noite para passear pelos campos e bosques.

Certa vez, em um desses passeios, ouviu o ruído de um cavalo que se aproximava. O coração aos pulsos, imaginou que ali vinha o homem que se casaria com ela. Em poucos segundos viu descer de um cavalo ricamente arreado, um belo e garboso cavaleiro, um príncipe que se aproximou e perguntou-lhe como podia chegar à estrada principal.

A moça, habilmente, procurou cativar o príncipe pela gentileza e ofereceu-se para acompanhá-lo. Apesar de feia, era muito inteligente e foi fácil manter uma conversa agradável com o príncipe que, impressionado e não lhe percebendo a feiúra, pois não havia luar, pediu-a em casamento.

Mas, infelizmente, sua felicidade durou pouco. A lua surgiu, iluminando o rosto da jovem. O príncipe, tomado de grande espanto, inventou uma desculpa para se afastar e se foi. A jovem, que de nada suspeitava, ficou esperando o seu regresso.

Muito tempo depois, uma feiticeira sua conhecida, ia passando e parou para conversar. A moça contou a ela o que acontecera e pediu para ser transformada numa ave e, assim, poder encontrar logo o príncipe. A feiticeira não queria, mas a jovem insistiu tanto que ela acabou concordando.

Partiu, então, a jovem, transformada numa ave feia e desajeitada. Percorreu toda a região por várias vezes e nada de avistar o príncipe, que àquela altura já estava bem longe.

Desolada, a ave - que era o urutau - procurou a bruxa e pediu para voltar à forma humana. Esta, porém nada pôde fazer e a pobre teve que se conformar com seu destino de ave feia e triste.

É por isso que, quando a Lua aparece, o urutau solta aquele grito triste que parece dizer "foi, foi, foi", lembrando o príncipe que fugira da moça feia. Por essa razão, o urutau também é conhecido como Mão da Lua.
Texto publicado no jornal O Mossoroense, em 21 de abril de 2007.

21 de abril de 2007

Revista Papangu - 39ª Edição - Aquecimento cultural

No mês em que se falou bastante em aquecimento global e apagão aéreo, a nova Papangu, a de número 39, chega às bancas de revistas de todo o Rio Grande do Norte superaquecida e ainda disposta a acender o estopim do bom humor e da cultura.

A capa lampeja a figura da neófita humorista mossoroense, prefeita Fátima Rosado, ganhadora do nosso Troféu Papangu do mês de abril, ela que desta feita se veste de Ofélia, eterna companheira do Fernandinho, personagem do programa Balança Mais Não Cai, da TV Globo. Essa promessa do humorismo potiguar não se acanha e diz em alto e bom som, a célebre frase de que "só abre a boca quando tem certeza".

No Autores & Obras, do bibliófilo Carlos Meireles, "Apontamentos sobre Oswaldo Lamartine". A certa altura, Meireles observa: "Oswaldo Lamartine de Faria, tu conseguiste 'vaquejar e encurralar' muita coisa do Nordeste nesses teus quase noventa verões, cabra da peste. Foram anos de muito ciganismo, mas venceste, pois 'adonde era sombra se fez sol. E adonde era solo se fez chão". Um belo ensaio sobre a vida e obra desse grande nome das letras potiguares.

A Pantera, do escritor Francisco Sobreira, está no espaço reservado ao Conto; A gargalhada de Vanja, da escritora e poeta Rizolete Fernandes, na Crônica; e no espaço dedicado a Artigo "Nísia Floresta: o olhar de uma estrangeira", do professor, graduando em Letras da UFRN, bolsista da Propesq, Pollansky Silva de Figueiredo.

O Talento Potiguar do mês é a talentosa poetisa Iara Carvalho, Espalhando versos pela janela do Seridó. Matéria assinada pelo jornalista Alexandro Gurgel e pelo escritor, presidente da UBE/RN, Lívio Oliveira.

"Currais Novos celebra a Poesia" é a nossa Especial, assinada pelo jornalista Dirceu de Brito. Dirceu, que esteve no dia 24 de março de 2007 nesse evento histórico da cidade Currais Novos, quando foi comemorado, pela primeira vez, o Dia da Poesia.

Com fotos do repórter-fotográfico AG Sued, a Entrevista, assinada pelo jornalista Alexandro Gurgel, é com a professora doutora da UFRN Flávia de Sá Pedreira. Em seu depoimento, Flávia discorre sobre os antigos e novos carnavais realizados na capital potiguar.

Nossos papangunistas, sempre faiscantes: Alexandro Gurgel, David Leite, Damião Nobre, Antônio Alvino, Louro Dedé, Yasmine Lemos, Marco Túlio, Antonio Capistrano, Cefas Carvalho, Raildon Lucena e Túlio Ratto.

Na seção Poemas, o talento e a sensibilidade dos poetas Carmem Vasconcelos ('Flor da Vida'), Marcos Ferreira ('Soneto Municipal'), Iara Carvalho ('Resíduo'), Ítalo Gurgel ('Sinos de São Sebastião'), Jeanne Araújo ('Teatro'), Eliezer Souza ('Caminhar'), Maria José Gomes ('Espartilho'), Cefas Carvalho ('Quase-amor'), João Gualberto ('De Manhãzinha') e João Pessoa ('Quando a Cidade Cresce') são os nomes que ilustram o espaço consagrado à arte poética na Papangu de abril.

Então, amigos, preparem o ventilador e vamos espalhar essa quentura humorística e de cultura pelo Brasil afora.

Locais em Natal aonde encontrar a revista Papangu.

Livraria Siciliano
Livraria AS Livros
Banca do Tôta
Bancas do Nordestão (Salgado Filho e Roberto Freire)

Acontece no Grande Ponto

Foto: AG Sued
Clauder Arcanjo autografa o livro Licânia, na livraria Siciliano.
Licânia na Siciliano
Regado a um bom vinho branco, foi lançado ontem o livro Licânia, do escritor Cláudio Arcanjo, na livraria Siciliano do Midway Mall. O evento foi muito prestigiado pelos intelectuais natalenses, políticos e amigos do escritor. Nomes como o escritor Manoel Onofre Junior, o poeta Bené Chaves, o jornalista Nelson Patriota, o professor Tarcísio Gurgel, o poeta Antoniel Campos, o escritor Francisco Sobreira, a senadora Rosalba Ciarline, entre outros amigos compareceram ao lançamento. Enquanto acontecia o lançamento de Licânia, a diretora financeira da revista Papangu, Adriana Oliveira, fazia assinaturas da revista para novos leitores. Era comum ver pessoas folheando a nova edição da Papangu na fila de autógrafos.

Um novo imortal na ANL
Ontem, em solenidade no auditório da Fiern, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), José Augusto Delgado, tomou posse na cadeira 36 da Academia Norte-Riograndense de Letras. Natural de São José do Campestre, o ministro já ocupava uma cadeira na Academia Brasileira de Letras Jurídicas e agora chega à ANL. O novo imortal tem um vasto trabalho jurídico publicado. Escreveu artigos sobre diversos enfoques do Direito. “Acesso à Justiça e Celeridade Processual, Direito da Cidadania”, “Interpretação Contemporânea do Direito Tributário e os Princípios da Valorização da Dignidade Humana e da Cidadania” e “Justiça Tributos e Direitos Fundamentais da Pessoa” foram alguns dos muitos temas já abordados pelo ministro em publicações de grande circulação.

Caetano Veloso em Natal
Depois de seis anos sem se apresentar em Natal, Caetano Veloso apresenta seu novo show “Ce”, a partir das 20h, no Ginásio Machadinho. Ele irá apresentar as músicas de seu mais novo álbum, lançado no ano passado e reconhecido pela crítica como um dos melhores discos do artista dos últimos anos. Em turnê pelo Nordeste, o show “Cê” já foi apresentado no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e outras cidades do Sul e Sudeste. Caetano apresentará as 12 músicas do albúm, além de algumas composições do disco “Transa” (1972), rever clássicos como “Nine out of ten", “You dont know me” e “Como dois e dois” uma composição feita para Roberto Carlos gravar em 1971, e que agora ganha uma nova roupagem do tipo “balada-rock”. Ele ainda interpretará “Sampa”, que também ressurge com nova e surpreendente versão.

Ecos da Ribeira
A 2ª edição do “Ecos do Bairro” acontece hoje, a partir das 14h00, no Centro Cultural Estação Ribeira (por trás da Rodoviária Velha). Ecos do Bairro é i, projeto sócio-cultural criado pelo Instituto Cultural e Audiovisual Potiguar (Icap) para difundir a arte nos bairros de Natal. Três palcos serão montados para apresentar mostras de curtas-metragens e videoclipes potiguares, palestras, artesanato, mercado livre de idéias e produtos culturais, mostra de artes e intervenções urbanas, além de oficinas de capoeira, fotografia, criação e edição de música digital, colagens, culinária indígena, grafites, história de vida de jovens, macramê, perna de pau, guitarra e pintura em cerâmica. Entre as bandas convidadas estão o Samba Destilado e as bandas Antes que Eu Morra, Belina Mamão, Moonganjah, Casa de Orates, Rastafeeling, Grupo Escolar, Bob Marlon, RBK!, Alexandre Carlos, Rafael do Bandolim, Elegia e seus Afluentes, Tambores Urbanos, Eutimia e Servants. Tudo isso de graça para o público.

Concurso fotográfico
Seguem até o fim deste mês as inscrições para o concurso “Fotografe sua Praia”, que irá premiar as seis melhores fotografias das praias do Rio Grande do Norte e do arquipélago de Fernando de Noronha. O vencedor vai ganhar uma viagem à ilha de Fernando de Noronha, com direito a estadia e acompanhante. As fotos selecionadas farão parte da exposição “Um Outro Olhar”, que acontecerá no Praia Shopping, e ainda de um catálogo de fotos que será editado pela AS Editores. Cada participante poderá concorrer com até duas fotos. O concurso é aberto ao público em geral, e não apenas aos fotógrafos. As inscrições podem ser feitas até 30 de abril, nas lojas AS Livros. Os seis primeiros selecionados serão premiados de acordo com suas colocações.
Informações mais detalhadas no regulamento do concurso

20 de abril de 2007

Ao sabor da poesia


por Rafael Duarte

Resumir “Licânia” a um livro de contos seria um desmerecimento. Tanto ao autor, como a obra apresentada através de 128 páginas que suscitam uma dúvida saborosa, daquelas que deixam você sem saber se o que está exposto ali é prosa ou poesia da boa. Propagandeado na orelha como a estréia em livro do cearense radicado em Mossoró Clauder Arcanjo, “Licânia” se sorve em pouco tempo. Porque se devora. Em Natal, o lançamento da obra que sai pela editora mossoroense Sarau das Letras ocorre hoje, a partir das 19h, na livraria Siciliano do Midway Mall.

Na apresentação, o escritor Manoel Onofre Júnior tenta desmistificar Licânia. Diz ele assim: “Licânia, cidadezinha do interior, onde transcorre a ação de vários contos, é Santana do Acaraú reinventada”. A partir daí, então, não fica muito difícil imaginar que Santana do Acaraú é a cidadezinha do interior cearense onde nasceu o autor do livro.

Posto isso, a impressão é de que Clauder Arcanjo vai burilando, através de uma linguagem caracteristicamente forte e sensível, os personagens com quem conviveu, de que ouviu falar ou que na época a imaginação dele foi capaz de absorver.

Outro ponto que chama a atenção no livro é a forma como o autor achou de confirmar o que Euclides da Cunha (Os Sertões, 1902) eternizou na frase: “o sertanejo é, antes de tudo, um forte”. Não há vestígio de nenhuma busca incessante pelo tal do final feliz. “Licânia” é trágico. O sofrimento parou ali e ficou. E a dor, assim como Licânia, se reinventa.

No conto “Cemitério”, por exemplo, a descrição realista do povoado Sempre Verde é uma pérola. Começa nestes termos. “Era um povaréu que se espreguiçava nas barrancas daquele riacho de pouca água, mas que os mais ingênuos insistiam em chamar de rio. Corpos esqueléticos, tetas secas nas mulheres, barrigas quebradas e intumescidas pelos verme nos meninos, pernas afinadas nos homens, obra da cachaça rotineira. Pedras nos arredores, riacho quase seco no meio, povo depauperado nas ribanceiras - descreve-se assim o povoado Sempre Verde. Os habitantes, esses nem atentavam para aquela ironia. De verde, só o nome. Melhor seria, Sempre Cinza”, escreve.

Melhor ainda é o enredo da história. Naquele canto de mundo, segundo o texto, nasceram Felisberto e Raimundinha. O menino até que nasceu bem. A garota é que veio à luz à base de muito cruz credo. Veio a adolescência e a coisa se inverteu. Felisberto ficou doente e Raimundinha cheia de vida. Acabaram se casando. A menina, então, embuchou e no parto morreram mãe e filha. O coveiro da família foi Felisberto, que não deixou mais o cemitério. A partir daí, depois de descrever a desgraça que se sucedeu na vida do rapaz, o autor levanta os dois pés do chão e pega o rumo de Licânia. Veja você que Felisberto se apega tanto ao cemitério que o local passou a ser o único recanto do povoado com verde e flores num raio de seis léguas daquela redondeza. E a beleza atraiu os meninos que “embandeiraram-se de mala e cuia para as cumeeiras das catacumbas”, as viúvas passam a visitar os maridos mortos, até o padre resolver rezar as missas sob a brisa que soprava por ali. Resultado: o povo abandonou a cidade e foi morar no cemitério que, por ordem de Felisberto, continuou a chamar cemitério.

E essa, amigo, é apenas a quinta das 24 histórias que desembocam na Licânia de Clauder Arcanjo.

Texto publicado na Tribuna do Norte.

19 de abril de 2007

Exposição “Sertão e Mar” emoldura o II Sarau da Aliança Francesa

Foto: Hugo Macedo
O clique mágico do fotógrafo e jornalista seridoense Hugo Macedo poderá ser notado numa das mais belas exposições sobre o Rio Grande do Norte

Um dos mais sensíveis fotógrafos da atualidade, Hugo Macedo, demonstra todo o seu amor pelo sertão e litoral norte-rio-grandense, apresentando nesta quinta-feira, às 19h, a exposição fotográfica “Sertão e Mar”. “Já andei por todo o Estado. São impressionantes as peculiaridades de cada região, sem falar na beleza do nosso litoral e sertão, onde encontrei paisagens e personagens inusitados”, revelou.

O evento contará também com a participação do ator Rodrigo Bico que apresentará uma performance poética das obras dos escritores homenageados, Carlos Gurgel, Eduardo Alexandre e Plínio Sanderson e com representantes do Poesia Esporte Clube (PEC) e da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins (SPVA), que também participaram do sarau declamando poesias.

Sobre os homenageados

Carlos Gurgel - Nasceu em Natal (RN), a 05 de Maio de 1953. É considerado um dos grandes poetas da geração "alternativa". Seu primeiro livro data de 1976, chamado “O Arquétipo da Cloaca - 3X4”, em parceria com Sávio Ximenes, Carlos Paz e Flávio Américo. Em 1979 lançou “Avisos & Apelos”. Em 1982, juntamente com o poeta Eduardo Alexandre, lança no Instituto Histórico Geográfico o livro “Batman e Robin”, considerado por muitos, o maior lançamento performático da poesia potiguar. Carlos é colaborador de diversos suplementos literários e se considera um animador cultural.

Eduardo Alexandre – Potiguar, jornalista, artista plástico, poeta. É o criador da Galeria do Povo, movimento semanal de arte surgido nos anos 70 na praia dos Artistas, Natal/RN. Autor de Batman & Robin - Um Poema Concreto da Abstração Vivencial, em parceria com Carlos Gurgel (1982) e Clip One (1992), ambos de poesia. A sua dedicação pela cultura potiguar torna-o como uma das referência nos movimentos de revitalização do centro da cidade. Foi também presidente do SAMBA – Sociedade dos Amigos do Beco da Lama.

Plínio Sanderson - Nasceu em 15 de fevereiro de 1963, em Caicó - RN. É antropólogo, educador, artista prático e “anima-a-dor-cultural”. Participou das coletâneas, "Ainda Estamos Vivos", 1979; "Cio Poético", 1981; "Fanártico", 1984; e escreveu "Atresia", 1983; e "Afetart, 1985. Plínio Sanderson recebeu em 1986, o prêmio de melhor poesia e melhor performance, no 3o. Festival de Poesia e Música da UFRN. Atualmente prepara seu próximo livro e colabora nos principais jornais da cidade.

Serviço
Sarau da Aliança Francesa de Natal - RN
Rua Potengi, 459. Petrópolis.
19/04/2007 (quinta-feira)
Horário: 19:00h

18 de abril de 2007

Informes Literários

Semana Monteiro Lobato de literatura Infantil
Se a Unesco se prepara para comemorar o Dia Mundial do Livro, aqui no Brasil o 18 de abril é o Dia Nacional do Livro Infantil. A data foi escolhida para homenagear o nascimento de Monteiro Lobato. Em São Paulo, entre os dias 15 e 21, acontece a Semana Monteiro Lobato de Literatura Infantil com contação de histórias, filmes, debate, exposição, lançamento de livro, música, dança e oficina de bonecos. Em Taubaté também estão previstas diversas atividades: na cidade natal do escritor, já são 55 anos comemorando a Semana Monteiro Lobato. De 15 a 22 de abril, o Sítio do Pica-pau Amarelo será o palco dos festejos. Clique aqui para conferir a programação completa em São Paulo, e aqui para as atividades em Taubaté.

Projeto SESC Escola
No Ceará, o SESC desenvolve um projeto de empréstimo de livros e apresentação de histórias dramatizadas que busca atender 3.920 crianças em 2007. O SESC Escola, que integra o Eixo 2 do PNLL (Fomento á leitura e á formação de mediadores), a cada ano entra em contato com as escolas públicas da cidade de Crato, localizada no Cariri cearense, para sensibilizar os professores e garantir o envolvimento deles. E, semanalmente, grupos de 140 alunos visitam a biblioteca do SESC. Os livros emprestados às crianças ficam sob a responsabilidade dos professores, motivados a realizarem dinâmicas de leitura na escola. Este ano, será realizado um acompanhamento sistemático do trabalho que os professores desenvolvem com os livros emprestados.

Espaços virtuais
O Leiturizando é uma página na Internet que oferece dicas para o trabalho com a leitura em sala de aula e relatos de experiências docentes, comentários sobre literatura, resenhas de livros técnicos e resumos da vida e da obra de autores nacionais. Outro espaço virtual que merece ser conhecido é Dobras da Leitura, revista eletrônica dedicada à literatura infantil. Após contabilizar um aumento de 75% no número de visitas e incorporar novos colaboradores em 2006, o Dobras da Leitura também passou a contar com um conselho consultivo e deu iniciou ao suplemento literário Trevo de leitura, que traz resenhas feitas três diferentes autores e é feito em parceria com a Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infanto-juvenil.

Inscrições para a XV Semana de Humanidades
Estão abertas as inscrições em Minicursos e Oficinas da XV Semana de Humanidades, realizada pelo Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) da UFRN. Os interessados podem se inscrever no Espaço Humanitas, no prédio do CCHLA, até o dia 07 de maio de 2007. A lista com os temas está disponível no site www.cchla.ufrn.br. Os alunos interessados em participar dos Grupos de Trabalho, da exposição de painéis e da mostra de vídeos também já podem submeter os resumos de trabalhos pelo site do Centro. O prazo para o envio dos resumos termina no próximo dia 27. A Semana de Humanidades deste ano será realizada entre os dias 14 e 18 de maio, com diversas atividades programadas e eventos propostos por professores do CCHLA. Outras informações podem ser obtidas na secretaria da Semana, que está funcionando na sala 229 do CCHLA, das 7h30 às 11h30 (tel:3215-3573).

Dormindo ao lado do Sol...
Rosângela França, Natal RN

BEIJOU MINHA BOCA...
Praticam a pétala
FALOU-ME AO OUVIDO...
tecida em carmim,
DE MENTA PINTOU MINHA PELE...
beijada em silêncio,
FALOU EM CAFÉ COLORIDO...
servida ao sorriso,
ATOU-ME A UM LAÇO DE FITA...
perdida no escuro
GUARDOU-ME NA CAIXA ROSADA!
à espera de mim.


DORMI SOB SONHO LACRADO...
Sobre a mesa...
SUAS MÃOS CONDUZIRAM O TEMPO...
O toque furtivo.
FECHOU CRUELMENTE MEUS OLHOS...
São dedos fiéis, embora indecisos,
NÃO PUDE OUVIR OS APELOS...
procuram o calor,
DEITOU SUA VOZ EM MEU LEITO...
descobrem o outro,
TROCOU O SORRISO POR ROSAS...
relembram aquele sorriso,
A MÃO FECUNDOU O ABRAÇO...
agora, desnudo
VENDEU O VERSO, GASTOU A PROSA...
provoca os sentidos,
PÔS GRÃOS DE CAFÉ EM MEU PEITO!
cheirando a sabor.

17 de abril de 2007

Curta Natal exibe mostra de animação em homenagem a Otto Guerra

6ª edição do Festival Curta Natal, no Centro Cultural Casa da Ribeira, dedica a terça-feira, dia 17, às animações do diretor Otto Guerra e aos vídeo clipes potiguares

A 6ª edição do Curta Natal faz, nesta terça-feira, dia 17, uma homenagem ao cinema de animação no Brasil através da obra do diretor Otto Guerra, dono dos estúdios Otto Desenhos Animados, surgido em Porto Alegre nos idos de 1978, pelo então jovem de 22 anos Otto Guerra. A empresa é responsável por comerciais, animações, curtas-metragens, cursos e recentemente pelo longa-metragem "Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock'n'roll", inspirado nos desenhos do cartunista Angeli.

Otto Guerra é um dos grandes nomes da animação nacional, e por isso mesmo o Curta Natal exibe uma pequena seleção de trabalhos do diretor: "O Cavaleiro Jorge, de 14 minutos, produzido em 2000, que conta a história do Cavaleiro Jorge antes de virar Santo; "Nave Mãe", de 2004, sobre uma espaçonave e sua tripulação que perdem o controle sobre a nave e sobre si no espaço.

Encerrando com "Wood & Stock, Sexo Orégano e Rock'n'nroll", o mais recente longa-metragem, com os personagens ícones de Angeli. A história começa em uma festa na virada para 1972, na casa de Cosmo, estão os jovens Wood, Stock, Lady Jane, Rê Bordosa, Rampal, Nanico e Meiaoito, que vivem intensamente o barato do flower power ao explodir dos fogos de ano novo. Trinta anos se passam e nossos heróis, agora carecas e barrigudos, enfrentam as dificuldades de um mundo cada vez mais individual e consumista. Família, filhos, trabalho, contas a pagar e solidão são conceitos que não combinam com o universo inconseqüente desses "bichos-grilos'' perdidos no tempo. O jeito é dar ouvidos à voz sábia de Raulzito e ressuscitar a velha banda de rock'n'roll.
Antes da mostra de animação, a torcida será para a mostra competitiva de Vídeo Clipes potiguares, com exibição única na terça concorrendo pelo júri popular ao prêmio de R$ 500,00. Concorrem "Por não andar", da banda Mamute Sound (direção de Emerson da Cruz Ribeiro), Objetos do Instante", de Elegia e Seus Afluentes, com direção de Rita Machado; "Ícaro 4, da banda Allface, com direção de Joça soares; "Laydee", da banda Bugs, dirigido por Ricardo Pinto, "Pram!", dos Bonnies, com direção de Arthur Ricardo e Olavo Luiz; "Doce Avenida", do Bugs, com direção de Joca soares, "Mundo Refém", também de Joca Soares, para o músico Adriano Azambuja.

O Festival Curta Natal vai até dia 20, na Casa da Ribeira, mostrando um novíssimo panorama das muitas linguagens do cinema de curta-metragem produzido no Rio Grande do Norte e em outras cidades do Nordeste.

A entrada é gratuita, mas os ingressos devem ser retirados no local, uma hora antes de exibição. A sessão começa às 20h. Do lado de fora, haverá telão e cadeiras para o público que ficar fora da lotação da Casa da Ribeira.

MOSTRA ANIMADA
Confira a programação da terça-feira

O CAVALEIRO JORGE
ANIMAÇÃO, 14', 2000, RS
DIREÇÃO: OTTO GUERRA
O filme conta a história do Cavaleiro Jorge antes de virar Santo.

NAVE MÃE
ANIMAÇÃO, 12', 2004, RS
DIREÇÃO: OTTO GUERRA
Uma espaçonave e sua tripulação perdem o controle sobre a nave e sobre si no espaço.

WOOD E STOCK, SEXO, ORÉGANO E ROCK'N'ROLL
ANIMAÇÃO, 75', 2006, RS
DIREÇÃO: OTTO GUERRA
Em uma festa na virada para 1972, na casa de Cosmo, estão os jovens Wood, Stock, Lady Jane, Rê Bordosa, Rampal, Nanico e Meiaoito, que vivem intensamente o barato do flower power ao explodir dos fogos de ano novo. Trinta anos se passam e nossos heróis, agora carecas e barrigudos, enfrentam as dificuldades de um mundo cada vez mais individual e consumista. Família, filhos, trabalho, contas a pagar e solidão são conceitos que não combinam com o universo inconseqüente desses "bichos-grilos'' perdidos no tempo. O jeito é dar ouvidos à voz sábia de Raulzito e ressuscitar a velha banda de rock'n'roll.


MOSTRA VIDEO CLIPES POTIGUARES

POR NÃO ANDAR 3'30"
DIREÇÃO: EMERSON DA CRUZ RIBEIRO
BANDA: MAMUTE SOUND

OBJETOS DO INSTANTE 2'18"
DIREÇÃO: RITA MACHADO
BANDA: ELEGIA E SEUS AFLUENTES

ÍCARO 4'
DIREÇÃO: JOCA SOARES
BANDA: ALLFACE

LAYDEE 4'45"
DIREÇÃO: RICARDO PINTO
BANDA: BUGS

PRAM! 3'20"
DIREÇÃO: ARTHUR RICARDO, OLAVO LUIZ
BANDA: OS BONNIES

DOCE AVENIDA 9'
DIREÇÃO: JOCA SOARES
BANDA: BUGS

MUNDO REFÉM 5'
DIREÇÃO: JOCA SOARES
BANDA: ADRIANO AZAMBUJA

Este texto foi produzido pela Fato Novo Comunicação, assessoria de imprensa do Festival Curta Natal. Jornalistas responsáveis: Dionísio Outeda (84 99743839) e Cinthia Lopes (91099113).


Cineclube Natal
www.cineclubenatal.blogspot.com

Fotografia e Poesia

Foto: Dirceu de Brito

Erótica
Iara Carvalho, Currais Novos RN

não quero colo
nem calo:

quero um falo
entre as telhas
do meu mel aguado

coar o vinho pastoso
com minha fenda oblíqua

e acender poesia
com a flama recolhida.

16 de abril de 2007

Informes do GP

Mudanças na Fundação José Augusto
Demorou, mas o PT começou a reclamar os cargos comissionados na Fundação José Augusto, demitindo pessoas competentes para acomodar “companheiros” que nunca fez nada em prol da nossa cultura tupiniquim. De uma só tacada, o presidente da FJA, poeta Crispiniano Neto, exonerou o jornalista e poeta Eduardo Alexandre (Dunga) da coordenação do Centro de Documentação Cultural Eloy de Souza (Cedoc), aonde vinha desenvolvendo um trabalho sério; o fotógrafo Karl Leite, da chefia de cultura da FJA; e o músico Babal, da subcoordenadoria do Instituto de Música Waldemar de Almeida; além de outros nomes.

No apagar das luzes da FJA, da última sexta-feira 13, a notícia foi publicada no Diário Oficial do Estado e assinado pela governadora Wilma de Faria, diretamente do Palácio de Despachos de Lagoa Nova. A exoneração pegou todos de surpresa. Os demitidos só foram avisados pela “nova” diretoria da entidade cultural quando chegaram aos locais de trabalho. Outras pessoas estão apavoradas, com seus cargos a mercê do conluio político entre o PT e o governo do Estado.

Quase um ano depois das denúncias do “foliaduto”, envolvendo o alto escalão da FJA, a entidade se veste de encarnado para alojar militantes do PT que esperavam sua vez para mamar nas tetas do governo Wilma. Agora, a sociedade fica aguardando as ações da nova direção da FJA em favor da cultura norte-riograndense, que até essa data não disse a que veio e começa a ter uma folha de pagamento maior do que a própria entidade.

Mirabô Dantas lança "Mares Potiguares"
O poeta e compositor Mirabô Dantas lança no próximo dia 19 de abril (quinta-feira), o CD "Mares Potiguares", no espaço cultural da cafétéria da Aliança Francesa de Natal. O II Sarau da Aliança Francesa de Natal faz uma homenagem aos poetas Carlos Gurgel, Eduardo Alexandre e Plínio Sanderson. O sarau contará também com uma exposição de fotografias de Hugo Macedo, onde ele aborda o sertão e o mar. O evento terá a presença dos representantes do Poesia Esporte Clube (PEC) e da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins (SPVA), além de uma performance poética do ator Rodrigo Bico sobre as obras dos poetas homenageados.

Clauder Arcanjo lança “Licânia” em Natal
O escritor Clauder Arcanjo, um dos mais engajados homens de cultura deste Estado do Rio Grande do Norte, lançará no próximo dia 20 de abril, sexta-feira, na Livraria Siciliano, no Midway Mall, o seu livro de contos intitulado Licânia. A obra, com 130 páginas, sai com o selo da editora Sarau das Letras. A obra é uma coletânea de contos, que descrevem e dão vida as figuras, os fatos, paisagens, coisas e animais num pequeno mundo interiorano da cidade de Licânia.

Concurso de fotografia
A Secretaria Nacional Antidrogas- Senad, com a finalidade de incentivar a reflexão e a discussão sobre a questão das drogas por meio da linguagem visual realizará, em 2007, o V Concurso Nacional de Fotografia. O tema deste ano é "O Esporte e o Lazer na Prevenção do Uso de Drogas". As inscrições estão abertas até o dia 20 de abril de 2007. A premiação para a categoria profissional será de R$ 4.000,00 para o primeiro colocado e R$ 2.000,00 para o segundo colocado. Na categoria amador o primeiro colocado receberá R$ 3.000,00 e o segundo R$ 1.500,00. Fotógrafos amadores e profissionais concorrerão em duas categorias distintas. Para participar devem enviar uma fotografia, preto e branco ou colorida, tamanho 18x24 cm, juntamente com a ficha de inscrição disponível no sítios da Senad www.senad.gov.br e no portal do Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas - www.obid.senad.gov.br.

14 de abril de 2007

O engenho da palavra nos versos de Antoniel Campos

Foto: AG Sued
Antoniel Campos recebe o prêmio Othoniel Menezes de Poesia das mãos do prefeito Carlos Eduardo Alves.


Por Alexandro Gurgel

Menino sertanejo de Pau dos Ferros, Antoniel Campos chegou à capital para morar na periferia, construindo sua formação intelectual em escolas públicas. Canguleiro das Rocas, o poeta estudou na Escola Estadual Isabel Gondim. Tempos depois, entrou na ETFRN (CEFET atual) “e de lá, para a UFRN”, diz o poeta, carregando o brio dos simples.

Engenheiro civil por formação acadêmica, Antoniel escreve versos por diletantismo. Porém, o poeta não esconde que ainda acalenta o sonho de se tornar um poeta por tempo integral. Como um cartesiano afeito às idéias claras e procedimentos rigorosos, o vate confessa ter as coisas muito bem divididas, compartimentadas, de maneira que poesia e engenharia convivem independentemente, ou raramente se misturando.

Entre os títulos, Antoniel Campos coleciona o primeiro lugar no Concurso Literário Eros de Poesia Sensual, com o poema “é como se as paredes respirassem”, segundo lugar no concurso literário de Piracicaba, com o poema “Contracanto”, além de menções honrosas nos concursos literários Othoniel Menezes e Luís Carlos Guimarães. Também obteve menção honrosa Prêmio Cidade do Recife, com o livro de poesia “A Esfera”.

Ano passado, o poeta foi homenageado no projeto “Poéticas e Prosas Potiguares”, idealizado pela livraria Siciliano, no shopping Midway Mall, em Natal. O sarau poético foi intitulado “de cada poro um poema”, cujo tema é o título do segundo livro de poesias de Antoniel, lançado em 2003. Antes desse, o poeta já havia publicado “Crepes e Cendais”. A terceira obra dele, “Esfera”, foi lançada em 2005.

Pela qualidade dos versos, Antoniel já tinha reconhecimento garantido nas tertúlias literárias nos quatro cantos da cidade. Mas, no último 14 de março, Dia Nacional da Poesia, o vate conquistou o disputadíssimo concurso de poesia, “Othoniel Menezes”, promovido pela Prefeitura de Natal, com a obra “Dialeto interdito no palato”, livro ainda inédito.

Depois de uma década participando do concurso, o poeta confessa que não pensava em participar, esse ano, do prêmio “Othoniel Menezes”, depois de tantas tentativas buscando o primeiro lugar. Faltando menos de uma hora para o encerramento das inscrições, o bardo resolveu imprimir seus versos e leva-los à Capitania das Artes.

No apagar das luzes, Antoniel ainda encontra o poeta Marcos Ferreira e o escritor Clauder Arcanjo, vindos de Mossoró para fazer as inscrições dos seus trabalhos. Ainda na calçada da Capitania das Artes, o escritor Clauder Arcanjo profetiza: “o primeiro lugar vai ficar entre esses dois poetas”. Marcos Ferreira ficou com menção honrosa na prosa e na poesia.
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Dialeto interdito no palato

Antoniel é enfático quando afirma que não houve uma decisão pessoal para tornar-se um poeta. “Escrever versos é uma coisa que acontece naturalmente”, declara o poeta, falando sobre a necessidade de interagir com a literatura e apontado alguns livros que levaria para uma temporada de 66 auroras no país de São Saruê: Eu, de Augusto dos Anjos; Os Lusíadas, de Camões; Sonetos de Shakspeare; As Flores do Mal, de Baudelaire; Missal e Broqueis, de Crus e Sousa; e outros tantos...

Apreciador de uma linguagem dominada pela elipse, por orações reduzidas e fusões vocabulares, os versos de Antoniel fogem do discurso derramado dos românticos. Sua poesia inclui também o uso de arcaísmos (palavras fora de uso) e outras invenções pessoais: metáforas complexas, aliterações, onomatopéias e criações gráficas. Trata-se de um poeta em plena evolução, que surge como uma promessa de ser um fenômeno poético dentro de sua época literária.

Conforme Antônio Lázaro de Almeida Prado, professor de Língua e Literatura na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, Antoniel Campos viaja pelo espaço-tempo heraclitiano em que os extremos se tocam e o que se preserva é sempre o olhar encantado, que dispensa as lentes das regras definitivas e inamovíveis. “Eis que o poeta se reflete no brilho próprio de seus versos, que embora rítmicos (triunfalmente rítmicos), parecem estruturalmente plásticos”, escreveu o professor, em artigo literário sobre o poeta.

Antoniel Campos ressalta que durante seu processo de criação literária não gosta de fazer “poesia intelectualizada” e revela que é um poeta experimental quando refaz a rima, busca a métrica, jogando com as palavras em cada verso. Com fortes influencias simbolistas, a poesia de Antoniel cria um intento de “revestir as idéias de uma forma sensível”, isto é, traduzi-las para uma linguagem simbólica e musical. Pouco a pouco, este intelectualismo se converte numa aventura anti-intelectual, numa negativa à possibilidade de comunicação lógica entre os homens.

O teórico francês Roland Barthes afirma que as palavras têm sabor quando se trata de reinventar a linguagem, explorar suas possibilidades, recriar palavra após palavra, à procura de imagens originais e envolventes. A poesia de Antoniel consiste em não-dizer, não-declarar, não designar as coisas pelos seus nomes triviais. Sua verdadeira poesia está em insinuar, dizer figuradamente, sugerir. Nos versos premiados do poema “dialeto interdito no palato”, o vate alcança o estranhamento, dando tempero às palavras e emocionando os leitores.

ALFABETO
Antoniel Campos, Natal RN

Inexato objeto deixo escrito,
esquisito, incorreto e caricato;
sem extrato, abjeto e contradito,
em conflito e em completo anonimato.

De formato maldito o seu projeto,
dialeto interdito no palato,
seja hiato o seu grito e o seu trajeto
incompleto e ao finito cognato.

Pois vomito no prato em que eu habito,
no não-dito e abstrato me concreto,
no que eu veto retrato o que acredito.

Circunscrito, sem tato e circunspeto,
rarefato, sem teto e adstrito,
seja exato em seu rito esse alfabeto.