30 de julho de 2008

Ceará Mirim comemora 150 anos de emancipação

Foto: Hugo Macedo
O município de Ceará Mirim, localizado a 33 km de Natal, na região do Mato Grande, comemora 150 anos de emancipação política com uma grande festa, nessa quarta-feira, 30 de Julho.

As comemorações começarão partir das 17h com uma missa solene comemorativa aos 150 anos da pedra fundamental da Matriz de Nossa Senhora da Conceição. O destaque fica por conta da exposição "Ceará-Mirim 150 anos - ontem e hoje", uma homenagem ao pintor Tomé Filgueira.

A festa de emancipação política de Ceará-Mirim é tida como uma tradição histórica que conta o desenvolvimento de um povoado formado por uma sociedade alicerçada economicamente na cultura da cana-de-açúcar.

Entre os intelectuais ceara-mirinhenses, destaque para as figuras de Madalena Antunes, Nilo Pereira, Juvenal Antunes, Edgar Barbosa e Sanderson Negreiros.

No folclore, destacam-se os Caboclinhos do Ceará Mirim, que desde o ano de 1952 apresentam-se para o povo. É também Ceará Mirim o município onde existe o maior número de lendas. Entre elas, “O Porão e a Lenda da Cabeça”.

A origem do nome da cidade

De acordo com Luís da Câmara Cascudo, a origem do nome da cidade é dada pela “Seara, várzea do Seara”, rio mencionado pelo historiador no livro “Nomes da Terra”, Sebo Vermelho Edições, que tinha sua nascente entre Lajes e Angicos, atravessando os municípios de João Câmara e Taipu, despejando no mar na Barra de Inácio de Góis. A tradução do vocábulo “Ceará”, segundo o escritor José de Alencar é “fala ou canto do papagaio”.

“No Vale cobriu-se de canaviais e, sede de rico patriarcado agrícola e industrial, com elegância e poderio econômico, Ceará-Mirim tornou-se um dos primeiros municípios da Província do Estado”, escreveu Câmara Cascudo.

29 de julho de 2008

Cascudo - 22 anos de encatamento

Câmara Cascudo "encantou-se" no dia 30 de julho, há 22 anos passados. Para lembrar esta data, o Memorial Câmara Cascudo apresenta a exposição "Câmara Cascudo, cada dia mais vivo", mostrando que ele continua presente na sua cidade, no seu país e na memória dos seus contemporâneos.

MEMORIAL CÂMARA CASCUDO
Praça André de Albuquerque, 30, Centro
Natal/RN - Fone: (0**84) 3201-6425.
Horário: 3ª. a Domingo - 8 às 17h.

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Curso de fotografia básica e avançada

Estão abertas as inscrições para o curso de fotografia básica para iniciantes e um curso avançado de fotografia para aqueles já têm conhecimentos fotográficos

Os interessados em aprender as técnicas, conceitos e regras da fotografia podem se inscrever no “Curso de Fotografia” para iniciantes, que será ministrado pela Practical Cursos, em parceria com a Associação Potiguar de Fotografia (Aphoto). O público alvo é amplo: basta ter uma câmera na mão e estar interessado em explorar todos os recursos da máquina.

Com duração de três meses, o Curso de Fotografia ensina passo a passo todas as técnicas necessárias para que o aluno possa tirar fotos profissionais, usando a composição adequada, além de tirar o melhor proveito dos recursos da câmera. O curso aborda composição, enquadramento, resolução, armazenamento, acessórios, entre outros temas, em aulas teóricas e práticas.

Curso de Fotografia para Iniciantes
Quando: A partir de 09 de agosto
Horário: das 10h às 12h.
Tempo de curso: 03 meses (aulas somente aos sábados).
Investimento: 4 parcelas de R$ 80,00 (material didático incluso).
Informações: 3211-5436 / 8817-3359 / alex-gurgel@oi.com.br


Curso avançado de fotografia

O curso avançado de fotografia (Módulo II) é para aquelas pessoas que querem aperfeiçoar os conhecimentos fotográficos, reforçando e aprofundando as técnicas em diversas situações, dando ênfase a temas como: paisagens, arquitetura, pôr-do-sol, gente, natureza morta, eventos sociais, bichos, fotos noturnas, macro fotografia, entre outros temas.

O objetivo é treinar o olhar fotográfico enquanto a imagem é captada com o recurso da abertura do diafragma em sincronia com a velocidade do obturador. O curso de Fotografia Avançada visa suprir o fotógrafo de informações que o libertem das regras pré-estabelecidas e o possibilitem escolher as melhores fórmulas para representar seus objetivos dentro de sua própria linguagem fotográfica.

Curso de Fotografia Avançada (Módulo II)
Quando: A partir de 09 de agosto
Horário: das 08h às 10h.
Tempo de curso: 03 meses (aulas somente aos sábados).
Investimento: 4 parcelas de R$ 80,00 (material didático incluso).
Informações: 3211-5436 / 8817-3359 / alex-gurgel@oi.com.br


25 de julho de 2008

Curso de fotografia em Natal começará em agosto

Um poema de Antoniel Campos

Fim e Início
In Poros e Cendais

Se é no fim ou no início,

faço, de início, ser fim;

e nesse fim quero início,

só pra fazer outro fim.

Dá-me prazer cada fim,

bem mais que qualquer início.

Sou assim desde o início,

pois desde o início sou fim.

Só sou dúvida no início,

sou só certeza no fim.

Coleta Seletiva 2 - Festa no Castelo

Agenda Cultural de Natal - Final de Semana

Lançamento da revista Brouhaha

Nessa sexta-feira, a Capitania das Artes lançará mais uma edição da revista Brouhaha. O lançamento acontece no Espaço Cultural Buraco da Catita, na Ribeira, onde todas as sextas-feiras acontece rodas de samba e chorinho. Além da atração musical, que fica por conta do grupo Catita e Choro de Gafieira, todas as pessoas entrevistadas nesta edição da revista foram convidadas a participar da festa. O evento tem início às 19 horas.

Síntese Modular

A banda Síntese Modular, formada por Isaac Ribeiro, Adriano Azambuja, Rafael Telles, Jordan Santiago e Juscelino Brito, se apresenta hoje, a partir das 23h, em Nalva Melo Café Salão, na Ribeira). O show mostra o repertório do CD autoral do grupo que será lançado este ano. O ingresso custa 3 dinheiros.

Som da Mata

O arranjador, diretor musical e pianista Eduardo Taufic será a atração de domingo do projeto Som da Mata. Ele será acompanhado por Airton Guimarães (contrabaixo acústico) e Darlan Marley (bateria). Estão garantidas as participações especiais de Gilberto Cabral (trombone), Faissal Hussein (violoncelo), Paulo Oliveira (baixo) e Manoca Barreto (guitarra). O show será no anfiteatro Pau-Brasil, no Parque das Dunas. A entrada custa apenas R$ 1.

Artes Plásticas

Começa hoje e prossegue até domingo uma exposição com as peças produzidas durante as oficinas de reciclagem promovidas pelo projeto Artes da Vida, do Instituto FAL. A exposição e o bazar estarão abertos ao público das 16 às 20hs, no pátio da Igreja Católica da Vila de Ponta Negra.

Supla faz show para o Juvino Barreto

A banda Brothers of Brazil, formada por Supla e seu irmão João Suplicy, mostra a sua bem humorada, dançante e retrô mistura de música brasileira e americana em apresentação no Galpão 29 (antigo Blackout), Ribeira, das 20h às 23h30, neste sábado. A dupla se apresenta como parte de um projeto beneficente em prol dos 64 anos do abrigo Juvino Barreto, meta levada à frente pelo artista plástico natalense Thiago Cóstackz. A festa terá apresentação da atriz e condessa e atriz Jacqueline Dalabona.

Desligue o computador, leia um livro

Nesse tempo chuvoso, se nenhum programa agradar ao leitor do Grande Ponto, o blogueiro sugere a leitura de um bom livro. Então, desligue seu computador, deite numa rede e vá ler um livro, homidedeus!

Santa Cruz é palco do I Festival BNB Cultural

Neste sábado, 26, a partir das 19h, acontece o I Festival BNB de Cultura de Santa Cruz, no Teatro Municipal Candinha Bezerra. A entrada no Festival é gratuita e o evento é aberto à participação de artistas locais, funcionando como mais um espaço para despertar na comunidade a importância da realização de atividades culturais no município, principalmente para valorizar a cultura local.

O evento faz parte do Projeto Semana BNB de Oficinas Culturais, que tem o objetivo de levar capacitação - nas áreas da Fotografia, Rádio, Vídeo, Poesia (Literatura de Cordel) e Elaboração de Projetos Culturais - a comunidades do interior do Estado e despertar nas pessoas a vontade de incrementar a produção cultural no município.

A programação do Festival é composta por apresentações culturais, exposição das fotografias produzidas pelos alunos; projeção de vídeos, inclusive de um vídeo produzido pelos participantes da Oficina de Vídeo; apresentação de cordéis e audição de spots culturais. De acordo com Alexandre Santos, coordenador do projeto, o Festival é uma oportunidade de apresentar à comunidade o que foi produzido nas oficinas, promovendo uma integração em um evento aberto ao público.

24 de julho de 2008

Um poema de Cefas Carvalho

Estilhaços

Rasguei o passado, rompi os tratados
Icei âncora e naveguei em outros mares

Nunca antes navegados

Rasguei os diários, os relatos
Destruí os sonetos
Lancei por terra papéis, porta-retratos
Projetos, sonhos mal feitos

Atirei pela janela as contas
As malas já prontas
Os manuais de instrução
Quebrei o interfone, o portão
As boas intenções
Queimei o livro dos sermões, os cordéis
Estilhacei cartas, papéis
Destruí minhas alianças, meus anéis

Investi contra moinhos, mapeei
novos caminhos
Da lei, fiz só rascunhos
Destruí com os meus punhos
Meus totens tão mesquinhos

Amassei os versos, parti espelhos
Engoli os verbos, fiquei de joelhos
Abri mapas, fechei portas
Escrevi torto por linhas tortas

Por você...

RAPADURA NEWS

Dia do Escritor
Os intelectuais da taba de Poty vão comemorar o seu dia com o lançamento da coletânea "Da Arte de Escrever no Rio Grande do Norte", com textos de 12 autores potiguarinos. O evento será nessa sexta-feira, na Livraria Siciliano, no Midway Mass, a partir das 19h. Os autores dos textos são: Adriano de Sousa, Antônio Francisco, Anna Maria Cascudo, Cláudio Emerenciano, Diógenes da Cunha Lima, Lívio Oliveira, Marize Castro, Nei Leandro de Castro, Nelson Patriota, Pablo Capistrano, Rodrigo Levino, Vicente Serejo.

Lei Djalma Maranhão
Os produtores culturais e artistas interessados em inscrever seus trabalhos na Lei Djalma Maranhão devem ficar atentos. Falta pouco mais de uma semana para que a Lei encerre suas atividades em 2008. O prazo limite será às 13 horas do dia 31 de julho. Após esta data, a Lei reabre somente em fevereiro de 2009. De acordo com a coordenadora da Lei Djalma Maranhão, Denise Siqueira, para dar entrada com projeto é necessário estar cadastrado no estar cadastrado na Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte). Caso o produtor/artista ainda não esteja cadastrado, deverá fazê-lo até o dia 25 de julho (sexta-feira). O modelo do formulário está disponível para download no site http://www.funcarte.com.br/

Mostra sobre Machado de Assis
No ano do centenário da morte de Machado de Assis, o Museu da Língua Portuguesa, de São Paulo, homenageia o autor em seu espaço para mostras temporárias. A exposição, nomeada Mas esse capítulo não é sério, é em grande parte baseada no livro Memórias póstumas de Brás Cubas, e imerge o visitante em ambientes criados de forma a se aproximar aos citados por Machado de Assis em seus livros. A exposição fica aberta até o dia 26 de outubro. Para saber mais, clique aqui.

Bienal do Livro de São Paulo homenageia três países
A 20º Bienal do Livro de São Paulo comemora os 200 anos da indústria do livro no Brasil, homenageando para isso Portugal e a vinda da família real portuguesa para o país. Além dessa homenagem, serão feitos também tributos ao Japão, país que comemora o centenário de imigração para o Brasil e à Espanha, pela realização do Congresso Ibero-Americano de Editores em São Paulo. A bienal ocorre do dia 14 a 24 de agosto e conta com 900 selos editoriais em sua lista.

Curta Natal
Com o objetivo de incentivar as novas produções do cinema de curta-metragem potiguar e nordestino, o Festival Curta Natal recebe, até 15 de agosto, inscrições para as mostras Nordeste, Curta Celular e Videoclipe. Podem participar da 7ª edição do festival filmes produzidos a partir de 2006. Não haverá limite de inscrições por participante. Regulamento, inscrições e outras informações: www.curtanatal.com.br/

Festival Aruanda do Audiovisual Universitário
Estão abertas as inscrições para a 4ª edição do Festival Aruanda do Audiovisual Universitário Brasileiro, que acontece de 8 a 13 de dezembro em João Pessoa (PB). As inscrições são gratuitas e seguem até o dia 8 de agosto, podendo ser feitas via Correios ou na secretaria do Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGC) no campus I da UFPB. Edital, inscrição e outras informações: www.bc10.com.br/aruanda/

Prêmio Culturas Populares
Estão abertas, até o dia 30 de agosto, as inscrições para o Prêmio Culturas Populares - Mestre Humberto de Maracanã, que objetiva identificar, fortalecer e divulgar as manifestações das culturas populares brasileiras, valorizando os produtores dessa arte. O concurso integra o Programa Identidade e Diversidade Cultural - Brasil Plural, e resulta da busca pela implementação de políticas públicas para a proteção e promoção da diversidade cultural no Brasil. Serão premiadas as iniciativas que se destacaram pelo trabalho e ações na área dos saberes das tradições das culturas populares e que tenham, dentre outros itens, favorecido as condições de reprodução, continuidade e florescimento dessas manifestações brasileiras. Edital, inscrição e outras informações: www.cultura.gov.br/

Mostra de teatro e dança na Paraíba
A 14ª edição da Mostra Estadual de Teatro e Dança, a ser realizada entre 22 e 30 de agosto, está com regulamento disponível aos grupos interessados em participar da mostra, que tem caráter competitivo e concede o Troféu Thomás Santa Roza. Os grupos têm até o dia 25 para realizar a inscrição. Este ano, o evento presta homenagem póstuma a diretora e coreógrafa Rosa Cagliani, recentemente falecida. Outras informações: (83) 3211-6210.

Prêmio Sesc de Literatura
O Prêmio Sesc de Literatura está com inscrições abertas para a sua edição 2008. Podem ser inscritos romances ou coletâneas de contos inéditos. As inscrições estão sendo realizadas nas unidades de atentimento de todos os Estados. Outras informações: http://www.sesc.com.br/

Intercâmbio Cultural
Está aberto o edital 2008 do Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural, que cobrirá as viagens a se realizarem de julho de 2008 a março de 2009. O programa destina-se a artistas, técnicos e pesquisadores da área cultural, convidados a participar de eventos fora do seu local de residência, no Brasil e no exterior, para apresentar trabalho próprio, fazer residência artística ou curso de capacitação de profissionais da cultura. Podem se inscrever pessoas físicas, grupos ou entidades privadas sem fins lucrativos. O período de inscrição varia de acordo com o mês em que se realizará a viagem. Os formulários de requerimento devem ser entregues em via única, impressa e sem encadernação. A documentação enviada deve obedecer a Portaria MinC nº 4, de 26 de fevereiro de 2008. Edital, formulário e outras informações: www.cultura.gov.br/

Encontros de Literatura
A partir das duas bem-sucedidas edições do "Palavra na Tela" (2007 e 2008), inaugurar uma nova série dedicada à literatura brasileira contemporânea, discutindo a produção atual em seus mais conhecidos formatos: romance, conto, poesia e crônica. Na penúltima semana de julho de 2008: quinta e sexta-feira, sempre às 20 horas, na Casa Mário de Andrade
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PRÊMIOS LITERÁRIOS
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IV Prêmio Maximiano Campos de Literatura
Período de inscrições: até 15 de julho
Aberto a: contos de crianças, jovens e adultos
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Concurso Sílvio Romero de monografias sobre cultura popular
Período de inscrições: até 31 de julho
Aberto a: monografias inéditas sobre temas da cultura popular e do folclore brasileiros (religião e sistemas de crenças em geral, rituais, cultura material, música, literatura oral, estudos sobre a disciplina folclore, entre outros).
Premiação: de R$ 10 mil e R$ 7 mil
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Concurso Internacional de Monografias sobre a Obra de Graciliano Ramos
Período de inscrições: 30 de agosto de 2008
Aberto a: cidadãos brasileiros ou estrangeiros que exerçam atividades relacionadas ao estudo da língua portuguesa e da cultura brasileira, que residam no exterior.
Premiação: US$ 20 mil, US$ 15 mil, US$ 10 mil, US$ 5 mil e US$ 3 mil, respectivamente, para o primeiro, segundo, terceiro, quarto e quinto colocados.

22 de julho de 2008

Inscrições prorrogadas para o Concurso Fotográfico Um Olhar Sobre a Cultura Popular Nordestina

As inscrições podem ser feitas até o dia 14 de agosto. As fotografias selecionadas farão parte de uma Mostra Itinerante que percorrerá os Centros Culturais do BNB.

As inscrições para o Concurso Fotográfico Um Olhar Sobre a Cultura Popular Nordestina estão prorrogadas até o dia 14 de agosto, devido à greve dos funcionários dos Correios em todo o país, que impossibilita a entrega das fotografias postadas, principalmente na última semana de inscrições. O regulamento do concurso com todas as informações está disponível no site http://www.olharcultural.com/

O Concurso faz parte do Programa BNB de Cultura 2008 e tem o objetivo de incentivar a arte da fotografia e estimular o surgimento de novos talentos, sensibilizando e despertando um novo olhar sobre a cultura popular do Nordeste. O principal requisito para participar do concurso é o interesse em fotografar o lugar em que mora, como forma de valorizar a cultura popular e as tradições regionais.

Com a temática da cultura popular nordestina, o concurso é uma oportunidade para que fotógrafos amadores e profissionais voltem o foco de suas câmeras para as manifestações culturais populares, como as danças, a culinária, crenças, costumes, gente, artesanato, lugares, entre outros aspectos da cultura de cada Estado.

Para se inscrever no concurso os participantes devem enviar até três fotografias, medindo 20x30 cm, em papel fotográfico fosco para o seguinte endereço: Concurso Fotográfico Um Olhar sobre a Cultura Popular Nordestina - Caixa Postal 1653, CEP: 59078-970 - Natal/RN. Para as inscrições será levada em conta a data do carimbo postal dos Correios, por carta registrada. Não serão aceitas fotografias no formato digital, enviadas por CD ou outro dispositivo de armazenamento similar.

As fotografias deverão ser enviadas, obrigatoriamente, com etiquetas informando: nome do fotógrafo, local, data e título da foto, preenchidas e coladas no verso das mesmas.

Premiação
A premiação para as 10 melhores fotografias selecionadas totaliza R$ 3.900,00. Além do prêmio em dinheiro, as fotografias serão contempladas com uma Mostra Virtual no site do concurso e uma Mostra Itinerante que percorrerá os Centros Culturais do BNB (Fortaleza/CE, Cariri/CE e Souza/PB). Além disso, as fotografias serão distribuídas de forma gratuita através de cartões postais que difundirão as imagens selecionadas.

O Concurso é promovido pela Caminhos Comunicação & Cultura, uma equipe de produtores culturais independentes formada por jornalistas e radialistas potiguares, que busca democratizar o aces so à cultura através da comunicação. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones: (84) 9977-6464 (Alexandre Santos) e (84) 9138-7111 (Dayana Oliveira).

18 de julho de 2008

Toda merda agora é arte

AG Sued
Numa visão irreverente, questionando o conceito de arte e fazendo uma analogia inversa à estética, o artista plástico Fábio di Ojuara quer desconstruir os efeitos da produção artística a partir de percepção, emoções e idéias, com o objetivo de estimula a concepção intelectual com uma nova proposta: “toda merda agora é arte”. Segundo o artista, o projeto nasceu para juntar todo tipo de expressão artística de qualidade duvidosa no mesmo balaio popular.

Geralmente, a palavra arte é entendida como a atividade humana ligada as manifestações de ordem estética, feita por artistas para causar emoção em um ou mais espectadores. Porém, Fábio di Ojuara afirma que sua proposta é algo conceitual e pode ser interpretada de diversas maneiras. “O pessoal do Dadaísmo, por exemplo, já trabalhava essa lógica e muitos artistas utilizaram excrementos para compor trabalhos artísticos”, justifica.

Conforme o artista, “toda merda agora é arte” é um projeto internacional de arte-correio e poema processo, criado por ele, que tem ressuscitado o conceito dadaísta aplicado a situação atual. “Hoje em dia, qualquer pessoa pode fazer uns rabiscos na parede e dizer que é arte. Ou então, se jogar de um prédio ou pintar uma lona com o sangue do seu próprio corpo, etc., e afirmar que isso é arte”, disse.

Fábio di Ojuara ressalta o lado positivo do projeto, que é a liberdade de criação. Porém, o artista adverte que por outro lado, alguns artistas fazem umas coisas sem sentido, até sem responsabilidade, vendem por milhões de dólares, e quase ninguém tem coragem de questionar o trabalho, por medo de ser visto como um ignorante cultural. “Pra você ter uma idéia, já tem gente até afirmando que as artes plásticas só atestam sua própria condição de a mais perdida e desnorteada de todas as artes”.

Originalmente, a arte poderia ser entendida como o produto ou processo em que o conhecimento é usado para realizar determinadas habilidades. De acordo com o artista, a má qualidade das expressões artistas apresentadas nas mais diversas áreas, o levou a questionar os atributos para rever o que é ou não arte: “Foi por isso que criei esse projeto, para fazer as pessoas pensarem, refletirem sobre a crise que a arte está vivendo atualmente e isso está surtindo efeito”.

Fábio de Ojuara é um artista de vanguarda e um pensador inquieto. Ano passado, ele foi convidado para participar de um importante evento internacional, o Wassenkraft, que aconteceu em Gmünd, considerada a capital austríaca da arte e cultura. Ojuara ainda realizou performances na 52º Bienal Internacional de Veneza e em alguns países europeus.

O artista é natural de Ceará Mirim, cidade que pertence à região metropolitana da Grande Natal, onde criou e preside a "Associação dos Cornos Potiguares", após descobrir que fora traído por 8 anos seguidos. Sua experiência rendeu um livro, um manual para homens traídos, intitulado “Sabendo Usar... Chifre Não É Problema” (Editora Sebo Vermelho, Natal RN 2007), fruto de anos de pesquisa e suas próprias experiências.

Fábio di Ojuara disse que a repercussão do seu trabalho na Europa foi das melhores. Ele relata que chegou uma holandesa, na galeria, viu a tampa do sanitário, que ocupava um lugar de honra lá, e disse: “é verdade, a arte está perdendo sua identidade”. O artista ainda salientou que na Bienal de Veneza, a sensação era que as pessoas estavam gritando junto “toda merda agora é arte”.

O irreverente artista acredita que o sucesso de uma intervenção como essa se pode medir através da reação do público de rua e dos artistas que participavam da bienal. “Na Europa, tive a aprovação de ambos os lados. Tanto colegas, quanto pessoas não ligadas à arte. As pessoas apoiavam minha iniciativa. Em Viena, tive um reconhecimento internacional de pessoas que realmente entendem do que estão falando, pois convivem com o tema”.

Através da arte-postal, Fábio de Ojuara espalhou o projeto pelo mundo, tendo uma grande repercussão de artistas em mais de vinte países. Ano passado, junto com os artistas natalenses Falves Silva, Jota Medeiros, Anchieta Fernandes, Plínio Sanderson e Marcelus Bob, o artista ceará-mirinense realizou a primeira exposição no Beco da Lama. Conforme Ojuara, a “2ª Exibição Internacional - Toda Merda Agora é Arte”, com mais de 80 obras de artistas do mundo inteiro, aconteceu no último 8 de maio, Dia do Artista Plástico.

A definição de arte varia de acordo com a sociedade e a época. Ela muda conforme as necessidades de cada civilização, que pode separar ou não a arte, como é entendida hoje na civilização ocidental. Segundo Ojuara, as artes plásticas estão chegando a um ponto banal de conceito de arte. “Foi por isso que criei esse projeto, para fazer as pessoas pensarem, refletirem sobre a crise que a arte está vivendo as artes plásticas atualmente e isso está surtindo efeito”.

Fotografia e Poesia

AG Sued
Pele e veludo
Lívio Oliveira, Natal RN

Lembrei-me dos dias
no quintal
em que me lambuzava
com você,
febril,
nas mangas alaranjadas,
róseas, rubras
dos meses quentes,
ancestrais.

A pele em veludo
e suave seda
se desfazia,
aos pedaços,
sob mordidas selvagens,
rudes, famintas,
buscando o sumo oculto,
sumo ácido e doce
que banhava o peito
adolescente.

Derramava-se em mim,
naquelas tardes,
o líquido leve das mangas,
escorrendo da língua
e dos lábios.

E me embevecia,
sorvendo junto,
sofregamente,
o colostro,
mel de teus seios.

Curso de Fotografia em Natal

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Agenda Cultural de Natal - Final de Semana

Amigos no Bardallo's
Amanhã, a partir das 20h, será promovida no Bardallos (Rua Gonçalves Lêdo - 671), o barzinho mais undeground natalense, a Festa dos Amigos da Cidade. O evento será animado pelo show Jorges, do cantor Iggor Dantas. A entrada custa R$ 5. Informações: 3211-8589.

Festa latina
A banda Perfume de Gardênia se apresenta hoje à noite, na Barraca do Caranguejo (em Ponta Negra), tocando música latina.

Chorinho na Ribeira
Camilo Lemos e um grupo de músicos fazem a festa na Ribeira, hoje a partir das 19h, tocando chorinho e sambinhas. O encontro acontece na Ribeira, no beco próximo ao ateliê do artista Flávio Feitas. Não paga nada e a diversão é garantida.

Arraiá em Nova Descoberta
Nesta sexta, sábado e domingo será promovido o 12º Arraiá do Arroxonó, na quadra de esportes ao lado do 7º Becmb - Quartel do Exército (Av. Norton Chaves - Nova Descoberta). As atrações são as banda Traz a Massa e outras. A programação começa sempre às 20h30. Mais informações: 8815-7324.

Festival de Martins
A cidade serrana Martins, a 370km de Natal, entrou com charme e tradição para o roteiro de lazer e gastronomia do estado. A 5ª edição do festival gastronômico e cultural desse município do médio oeste potiguar já vem agitando a praça da cidade desde quarta-feira, e deve atingir o seu ápice de agitação a partir deste fim de semana. Entre os artistas que subirão a serra, estão Pedro Mendes e banda; Diogo Guanabara com o Macaxeira Jazz; Carlos Zens apresentando o novo disco, “Arapuá no Cabelo”; o grupo Catita Samba e Gafieira; o premiado instrumentista Antônio de Pádua e banda, com participação do cantor Rodolfo Amaral; o cantor e compositor Isaque Galvão e o show “Matulão”; As Potiguaras, com a cantora Nara Costa; o cantor italiano Paolo Fiore, mostrando a sua bossa nova à italiana, além de violeiros, artistas da região, e a banda sinfônica do município de Martins.

Som da Mata
O multinstrumentista Antônio de Pádua (cavaquinho, trompete e pandeiro) se apresenta o próximo domingo no Anfiteatro Pau-brasil, no Parque das Dunas, dentro do projeto Som da Mata. Ele estará acompanhado por Ricardo Baia (guitarra), Airton Guimarães (baixo acústico), Roberta Karin e Sami Tarik (percussão), Matheus Jardim (bateria) e a participação especial de João Vitor, filho caçula do artista, na flauta doce. O evento começa às 16h30. A entrada custa R$ 1.

Entrevista com Crispiniano Neto

Fotos: Hugo Macedo Por Alexandro Gurgel

Como foram suas primeiras letras em Santo Antônio do Salto da Onça?
Eu estudei no Grupo Escolar Manoel Dantas. Naquela época, ninguém sabia quem era o Manoel Dantas. É preciso divulgar mais a obra desse grande intelectual. A primeira professora foi dona Altair, que era professora da escola pública. A outra professora era dona Lourdes Barba, que tinha uma escola na minha rua onde estudei alguns anos no tempo em que “argumento” era o nome de uma palmatória. A professora Lourdes fazia meia dúzia de perguntas e se você não soubesse, levada uns bolos de palmatória feita de tábua de aroeira, que os meninos saíam com a mão vermelha. Raramente, eu levava esses bolos. Essa era a pedagogia da época. Meu pai era um agricultor que vinha de uma família de paraibanos. Meu avô era de Bananeiras e minha avó era de Solânia. Meu pai trabalhava basicamente com duas culturas: fumo e mandioca. Quando ele juntava o povo para fazer a farinhada ou ajeitar as folhas de tabaco para fazer os rolos de fumo, ele me botava para ler cordel. Isso desenvolveu minha desenvoltura para a leitura.

Então, foi nessa época que você foi inspirado a fazer Literatura de Cordel?
No interior, o folheto de Cordel é também conhecido como professor porque as pessoas acabam se soltando com a leitura. E isso tudo ficou na minha consciência. Algum tempo depois, eu vim estudar no Colégio Agrícola de Jundiaí. Um dia, o professor Ivo, que era cunhado de Woden Madruga, fez alguns versos comigo, me chamando de irreverente porque eu tinha feitos algumas presepadas por lá. Eu também respondi em versos. A partir de então, eu comecei a fazer poesias e pesquisar um poeta da minha cidade chamado Nestor Marinho. Quero deixar claro que não é o Nestor Marinho de Nova Cruz, pai do deputado federal Djalma Marinho. Estou falando do poeta e violeiro Nestor Marinho, que adoeceu de asma e deixou de cantar. Mas, ele continuou fazendo versos maravilhosos.

De que maneira sua poética foi conduzida para a cantoria de viola?
Quando eu cheguei à Mossoró, eu já trazia todo essa bagagem e me entrosei com os cantadores de viola no Bar Tamandaré, que era localizado por trás do Mercado Público, um reduto de violeiros. Toda manhã, eles se reuniam para bater papo, falar da via alheia, recitar versos e criticar uns aos outros. Ali era onde se encontrava os apologistas, aquelas pessoas que promovem as cantorias. A maioria vinha do interior como Luis Campos, Elizeu Ventania, Chico Pedra, João Liberalino, Manoel Calisto e tantos outros, que iam ao Bar Tamandaré para marcar as cantorias do final de semana e também pegar os pedidos de mote, glosa e poemas que as pessoas faziam para eles cantarem nos programas das rádios Rural e Difusora. Então, eu me entrosei com eles e comecei a escrever meus poemas. Junto com Aldivan Honorato, criamos a Casa do Cantador do Oeste Potiguar, que funcionava onde hoje é a Arte da Terra, as margens do Rio Mossoró. Eu fui um dos diretores da Casa. Ali, eu comecei a escrever. Com a convivência com os cantadores, eu percebi que podia cantar também. Nunca cantei profissionalmente.

Mas, você já teve sua fase de cantar viola e declamar versos por dinheiro?
É verdade. Por causa de perseguições políticas, onde me tiraram meu emprego, fiquei cantando para os turistas no Hotel Thermas, em Mossoró durante um ano. Durante esse tempo, eu sustentei minha família no braço da viola, como se diz no jargão dos violeiros.

Certa vez você declarou que Literatura de Cordel inexiste nos tempos atuais, existiria sim, uma “Literatura de Mala”. Você mudou de opinião ou ainda está valendo sua declaração?
Nos últimos cinco ou seis anos, a Literatura de Cordel passou por uma mudança muito significativa. Houve uma retomada ao Cordel, aparecendo uma nova geração de editores. Havia uma produção de Cordel muito grande com João Martins de Ataíde, Leandro Gomes de Barros, Manoel Caboco e Silva, além de outras 40 editoras fazendo Literatura de Cordel pelo Nordeste. Mas, o papel ficou vinculado ao dólar, se tornado inviável a produção da Literatura de Cordel pelo preço barato que se cobrava nos livretos. Então, surgiu a geração de Gustavo Luz, da editora Queima Bucha, um nome nacional na área, que nos últimos cinco anos publicou mais de 150 títulos de Literatura de Cordel. Depois, surgiu a editora Coqueiro, em Pernambuco, através de um rapaz chamado Igor; Arievaldo Viana e Cledson Viana, em Fortaleza, com a editora Tupinanquim; em São Paulo, o Marcos Aurélio, da Louzeiro; no Rio de Janeiro, Gonçalo Ferreira, da Academia Brasileira de Literatura de Cordel; e a Fundação José Augusto, em Natal, fazendo a coleção “Chico Traíra”, ajudaram a revitalizar a Literatura de Cordel. O que está precisando ser feito é criar uma rede de vendedores para que esses cordéis possam ser distribuídos. Acredito que daqui a dois meses, já estará criada a Cooperativa Brasileira de Literatura de Cordel para viabilizar essa rede cordelista.

Como funcionará a Cooperativa Brasileira de Literatura de Cordel?
A Cooperativa terá sede em Natal, mas ela terá como sócios todos esses editores que citei, além do Piauí, da Bahia, de Sergipe, etc... A idéia e formar uma rede com mais de 200 representantes pelo país inteiro, começando pelo Nordeste. Na hora em que for lançado um folheto em Mossoró, a Cooperativa receber mil exemplares e distribuir nessa rede. Aquele que não venderem os cordéis, devolvem o material com três meses, como faz as bancas de revistas. Nós temos que encarar a Literatura de Cordel como um grande negócio que gera emprego e faz cultura. O Nordeste tem mais de oito mil poetas populares espalhado na Região. Dentre esses, há os que vivem da poesia e os que têm outros negócios. Mas, acredito que 300 a 500 poetas vivem da Literatura de Cordel e, entre cinco ou seis anos, a gente possa construir uma grande rede de negócios.

Você assumirá uma cadeira na Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Inclusive, com as presenças confirmadas do Ministro da Cultura Gilberto Gil e do Presidente Lula. Qual a importância desse título?
Eu acho que é um reconhecimento. Há muita gente fazendo Literatura de Cordel. Inclusive, há muita gente falsificando a Literatura de Cordel. Há aqueles que acham que pegar um papel e colocar versos a esmo, sem as normas técnicas de Literatura de Cordel, sem a poética do Cordel, dobrando uma folha de ofício em quatro partes e dizer que aquilo é Cordel. Quando minha candidatura foi aprovada na Academia Brasileira de Literatura de Cordel, a presidência me deu a missão para criar a Academia de Literatura de Cordel do Rio Grande do Norte, ligada a ABLC. Nessa Academia, só vai entrar quem faz o Cordel verdadeiro.

Qual sua contribuição para a Literatura de Cordel?
O que eu acrescentei de novo no Cordel foi dentro da abordagem e na temática. Aquilo que faz parte do folclore não vira fóssil, pode mudar. Agora, mudar sem se perder, mudar sem falsificar. Ser reconhecido pela ABLC significa que minha literatura continua original.

Você é autor do texto “Auto da Liberdade”, um grande espetáculo teatral que ocorre em Mossoró no dia 30 de setembro. As peças teatrais estão sendo fieis ao texto e qual foi a mudança do texto para os palcos?
Há uma mudança significativa do texto para o palco. Quando eu fiz a peça a pedido de diretor de teatro Amir Haddad, foi sugerido para não usar a estrutura da dramaturgia, dos diálogos, etc. Eles disseram para eu fazer um poema contando os quatro episódios da história mossoroense (o pioneirismo mossoroense de Celina Guimarães, primeira mulher a ter direito ao voto direto no Brasil; a abolição da escravatura, em 30 de setembro de 1983; a resistência ao bando do cangaceiro Lampião; e o motim das mulheres, movimento contra o alistamento de jovens mossoroenses) e deixaria para que ele montasse o que iria para o palco. Nem Amir e nenhum outro diretor que seguiu a frente do espetáculo não falsificaram a mensagem, eles adaptaram. Antes de ser feita qualquer alteração, todos os diretores tiveram a sensibilidade de me chamar para conversar e saber minha opinião.

Numa entrevista à revista Papangu, o sebista e editor Abimael Silva declarou que Mossoró só tem um poeta, que é Antônio Francisco, os outros seriam “enfeites de bolo”. Na pele de um poeta mossoroense, como você avalia essa declaração?
Sem nenhum trauma em relação a minha pessoa. E também como reconhecimento do direito de Abimael em declarar sua opinião. Antes de Abimael ser fã de Antonio Francisco, eu já admirava. Aliás, o primeiro folheto de Antonio Francisco nasceu de um curso que eu ministrei sobre as normas técnicas da Literatura de Cordel. Quando ele me apresentou o primeiro poema, ele disse: “Crispiniano, se você disser que os versos estão bons, eu continuo. Se você disse que não estão bons, eu não faço mais”. E eu disse que aqueles versos estavam no nível de Patativa de Assaré. Antonio foi meu aluno e, tempos depois, começou a fazer Cordel melhor do que eu. Eu respeito o gosto de Abimael. Acredito que ele foi injusto, não comigo, mas com Luis Campos, Chico Pedra, Luis Antonio, José Ribamar, Concriz, Eliseu Ventania, Manoel Calisto, Nestor Bandeira, Onésmo Maia, só para citar alguns poetas mossoroenses.

Hoje, você é engenheiro-agrônomo, bacharel em Direito, jornalista, poeta e dramaturgo e uma história de vida entrelaçada com a cultura no Rio Grande do Norte. Como foi assumir a Fundação José Augusto?
Além dessas qualificações que você colocou, eu tinha sido membro do Conselho Diretor da FJA, que não existe mais, que agora eu vou retomar. Fui também da Comissão da Lei Cascudo durante cinco anos. Fiz o projeto Seis e Meia durante quatro anos em Mossoró. Sempre tive uma afinidade muito grande com a FJA. Por outro lado, fui indicado pelo PT, onde sempre trabalhei com cultura dentro do Partido e participei em todas as lutas pela cultura de Mossoró nos últimos anos, independente de quem era o prefeito ou a prefeita. A minha vinda para FJA tornou-se um processo natural na medida em que a governadora convocou o PT para indicar o presidente da FJA. Algumas pessoas da imprensa tentaram fazer uma guerra entre eu e a professora Isaura Rosado. Mas, não havia essa disputa porque se a indicação para a FJA continuasse com a cota pessoal da governadora, a professora continuaria no cargo.

E qual é o grande desafio que você ainda está enfrentando dentro da FJA? Afinal, qual é a real situação da FJA?
Encontramos uma FJA que cresceu muito, mas foi um crescimento artificial. A substancia não correspondeu ao crescimento. A FJA ficou com uma espécie de elefantíase, aquela doença que cria um inchaço. Foram criadas 45 Casas de Cultura, mas não pensaram na programação. Temos os agentes de cultura com empregos precários e as Casas não têm um quadro definitivo. Os vigias e ASG’s para as Casas são contratos provisórios que a gente teve que suspender porque acabou o prazo e a gente não renovou. Já faz quase um ano que as Casas não têm esse pessoal. A FJA só tinha o Teatro Alberto Maranhão e foram incorporados três novos teatros (teatro de Mossoró, teatro de Caicó e o teatro de Cultura Popular) e não há uma estrutura para corresponder a isso. Nós temos uma orquestra sinfônica que já morreram músicos, já saíram músicos e a gente não tem condições para fazer um novo concurso. O concurso está autorizado, mas nós não podemos fazer por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal que está no limite prudencial que o Estado atingiu. O concurso para o Coral Canto do Povo foi feito, dois anos se passaram, mas não foi possível contratar e prorrogamos para poder contratar. Então, a estrutura cresceu e não há suporte.

E quais são os planos para sair dessa elefantíase?
No ano passado, nós tivemos que dar um mergulho para fazer um salto pra dentro. Esse ano, a gente começa a saltar pra fora. Eu tenho dito que o ano passado foi péssimo e este ano ainda será um ano ruim, mesmo tendo melhorado muito com tudo que a gente está conseguindo fazer como os 53 Pontos de Cultura; um milhão de reais em editais; 30 cineclubes; Festival Nacional de Hap Repente; a retomadas da revista Preá; a recuperação das Casas de Cultura e uma programação para todas as Casas. Agora, se esse ano for ruim, eu tenho certeza que 2009 vai ser bom e 2010 vai ser ótimo.

Você tem sua história cultural ligada a cidade de Mossoró, onde você militava no PT e era atuante na área cultural. Por essa razão, muitos mossoroenses ficaram entusiasmados com a escolha do seu nome para a FJA. Qual foi a participação da FJA nos projetos culturais em Mossoró e Região Oeste?
Em Mossoró, nós temos vários projetos apoiado pela FJA como o Canto Potiguar, Feira do Livro, Circo da Luz que não é de Mossoró, mas esteve por lá, projeto Aonde o Povo Está, o Oratório de Santa Luzia, entre outros projetos. Mas, tem algumas coisas que estamos devendo à Mossoró como a volta do Projeto Seis e Meia. Eestamos lutando por isso e eu só anuncio quando eu tiver a absoluta certeza que vai dá certo e vamos ter dinheiro para bancar o projeto. A outra coisa é uma reforma no Teatro Lauro Monte que custará, no mínimo, R$ 300 mil e temos quer ter paciência. O Teatro está numa situação deplorável com o desgaste natural do tempo. Espero que esse ano, a gente consiga salvá-lo.

Apesar de serem as maiores cidades do RN, Natal e Mossoró ainda não foram agraciadas com Casas de Cultura. Qual a perspectiva para que essas duas cidades tenham suas Casas de Cultura?
A Casa de Cultura foi um projeto concebido na administração François Silvestre para atender as cidades que não têm um auditório para teatro, que não tem um museu, uma pinacoteca e ou uma boa biblioteca. Então, o projeto vai contemplar o que está faltando. A Casa de Cultura tem auditório, biblioteca, uma galeria de arte, um museu, além de alguns boxes para a venda de artesanato e produtos culturais, além de um espaço aberto para grandes eventos. Uma cidade como Mossoró que já tem seus teatros, seus museus, galerias e bibliotecas, não é necessário criar uma Casa de Cultura. Nós temos é que estruturar esses equipamentos já existentes. Agora, dentro do Programa Mais Cultura, lançado pelo ministro Gilberto Gil em Natal, vai existir um “Centro Multiuso de Cultura”, que foi inspirado nas Casas de Cultura do Rio Grande do Norte.

Como vão funcionar esses Centros Multiuso de Cultura?
Esse é um projeto de R$ 3 milhões que será implantado nas regiões mais pobres e com indicadores sociais mais negativos, principalmente em lugares com maiores índices de violência. O Governo Federal, em sintonia com o Governo Estadual e o Governo Municipal, vai implantar esses Centros Multiuso de Cultura. Nessa primeira leva de recursos através do PAC da cultura (leia-se o programa Mais Cultura), já foi definida uma unidade para Natal. Mas, nós vamos lugar por outra unidade em Mossoró. Em Natal, o Centro Multiuso será instalado numa comunidade carente na Zona Norte, provavelmente o bairro Nossa Senhora da Apresentação, que tem esses indicadores sociais.

O ministro da Cultua Gilberto Gil veio à Natal para assinar convênio na ordem de R$ 4,7 bilhões de Reais para a construção de 53 novos Pontos de Cultura no Estado. Como serão administrados esses recursos?
4,7 bilhões é o volume total de recursos para a Cultura brasileira nos próximos três anos. Dentro desse montante, vai caber ao Rio Grande do Norte uma verba de acordo com os projetos apresentados. Por exemplo: vamos ter uns R$ 7 milhões para os Pontos de Cultura, R$ 3 milhões para o Centro Multiuso, além do dinheiro para a modernização de museus e bibliotecas. E assim por diante

A revista Papangu, que tem publicado uma edição todo mês durante os últimos 4 anos e meio, pode ser transformada em Ponto de Cultura e se candidatar para obter uma verba do Programa Mais Cultura?
Ponto de Cultura é um espaço cultural que já existe, tem CNPJ há dois anos e tem uma ação cultural desenvolvida. Não se inventa Ponto de Cultura. Então, a Papangu tem mais de dois anos e durante esse tempo tem feito cultura. Teria que ser feito um trabalho para levar a revistas às escolas, às comunidades pobres para que o pessoal possa discutir seus artigos, de maneira que levassem os jovens a participar do projeto fantástico que é a revista Papangu. É preciso que haja um trabalho com um raio de ação maior e que haja uma conseqüência cultural e social. E não simplesmente fazer a revista e distribuir.

Ano passado, você declarou que seria construído o “Teatro de Natal” com capacidade para duas mil pessoas e outro teatro na Zona Norte, através do Governo do Estado. Como anda os projetos desses dois novos teatros para Natal?
O Complexo Cultural da Zona Norte, onde foi a Penitenciária João Chaves, é um projeto de mais de R$ 5 milhões e já se encontra com mais de 40% de área construída. Eu acredito que até o final do ano será inaugurada. Quanto ao Teatro de Natal é um projeto muito caro, um montante de R$ 30 milhões e a governadora Wilma está buscando parcerias para que se faça um teatro a altura da demanda de Natal, com 2300 lugares. Se houver um show de Caetano Veloso, ou outro grande nome da MPB em Natal, no Teatro Alberto Maranhão, para 600 lugares, o preço do ingresso vai para vai para R$ 200 ou mais ou quem trouxe vai ter um prejuízo grande. Com 2300 lugares pode ser cobrado um preço razoável, tirar as despesas e ainda ganhar dinheiro.

No início da sua gestão, você tinha a idéia de interiorizar a cultura. Até que ponto a FJA conseguiu fomentar a cultura pelo sertão?
O termo “interiorizar a cultura” está dentro do Regimento Interno da FJA. Porém, nós sentimos que era um termo inadequado. Se alguém quiser interiorizar a indústria, vai implantar um pólo industrial em Venha Ver, Santo Antônio do Salto da Onça ou Carnaubais. Outros segmentos são passíveis de interiorização. Porém, o termo “interiorizar a cultura” causa uma sensação que o interior não tem cultura, que a cultura está na capital e a cidade grande vai civilizar o interior. Essa é uma visão estúpida que parece aquela idéia “euro-centrista” da época do Renascimento, onde se pensava que só a Europa era civilizada e queriam civilizar o mundo da maneira deles. Imagine a estupidez! A China com seus milênios de cultura, o Egito, o Japão, etc...

Então qual o termo certo?
Hoje, a FJA trabalha com a idéia de “intercambiar” culturas. Na hora que você tem uma filarmônica de Cruzeta, lá no Seridó; Dona Militana, em São Gonçalo do Amarante; Gilvan Lopes, em Açu; Antonio Francisco, em Mossoró; Xexéu, lá no sítio Lajes, em Santo Antonio do Salto da Onça; os Caboclos de Major Sales ou a banda de Parelhas, é preciso intercambiar essas manifestações, levando os grupos para as outras regiões. Falar em interiorizar a cultura é uma agressão! Natal precisa receber esses grupos porque eles têm muito a ensinar aos artistas e aos intelectuais da capital.

Em agosto do ano passado, a Fundação deixou de fazer uma homenagem ao mamulengueiro Chico Daniel durante a Semana do Folclore. O que houve naquela época que inviabilizou a justa homenagem ao bonequeiro?
Não houve nada disso. Eu diria que houve uma ação de alguém desleal que gosta de “botar boneco” sem ser bonequeiro. Alguém que estava na FJA mais para atrapalhar, apesar de ter uma obrigação de ajudar. O que houve foi o seguinte: O filho de Chico Daniel, Josivan, nos pediu um apoio, que foi dado, para fazer um vídeo sobre Chico Daniel. Ele lançaria durante a Semana de Cultura, que normalmente acontecia no período do Dia do Folclore, 22 de agosto. Ocorre que no ano passado, nós conseguimos uma verba, através do Ministério da Cultura, para fazer a Semana de Cultura e devido às dificuldades da FJA porque não tínhamos as Certidões Negativas. É bom falar a verdade. Então, o dinheiro não chegou e todas as despesas geradas naquela semana e que nós não tínhamos a datação orçamentária disponível, nós teríamos que pagar através de indenização. Como nós já tínhamos mais de 1200 processos para pagar por indenização, nós tivemos o cuidado de suspender a Semana e fazer o Dia do Folclore com o dinheiro que tínhamos em caixa. Só faríamos as outras atividades quando o dinheiro do Ministério chegasse. Por isso, fizemos em novembro a Semana de Cultura Popular. Nunca houve discriminação com ninguém. Tempos depois, o filho de Chico Daniel deu um depoimento dizendo que tinha sido usado.

No início da sua gestão, você tinha a idéia de criar vários pólos, atendendo cada seguimento cultural. Como está funcionando os pólos de cinema, dança, literatura, teatro, música, etc?
Alguns pólos estão bem adiantados, outros menos. Tudo depende do ritmo dos artistas e intelectuais dos setores. A Câmara Setorial não é da FJA, ela está na FJA. Nós convidamos a sociedade civil organizada que faz a cultura para vir aqui e dizer como quer fazer. O pessoal da música tem avançado bastante. Nós lançaremos um edital de R$ 200 mil, prêmio Núbia Lafayette, fruto desse pólo de cinema. O pessoal dos quadrinhos fez uma proposta de edital para o prêmio Moacy Cirne e vamos fazer.

De que maneira a FJA está planejando fomentar a cultura seridoense?
Já temos a confirmação da governadora que vamos transformar o Castelo do Engady, em Caicó, num Centro de Formação de Artistas do Seridó, dando condições de funcionamento para as mais diversas manifestações artísticas seridoenses.

Há grandes projetos que são beneficiados com a Lei Câmara Cascudo acima de R$ 500 mil Reais e há dezenas de projetos com valores abaixo de R$ 50 mil que não conseguem decolar. Como a FJA está gerenciando essa situação?
A gente tem que cumprir a Lei. Nós estamos num processo de mudança da Lei e eu acho que deve ter um limite. A Paraíba tem o Fundo de Cultura Augusto dos Anjos, que uma vez aprovado o projeto o dinheiro é garantido. As empresas depositam a isenção fiscal no fundo de cultura e não para fulano ou para beltrano. Enquanto a Paraíba tem um Fundo de Cultura no valor de R$ 1 milhão e 300 mil, financiando uns 60 ou 70 projetos de boa qualidade, nós temos uma Lei com orçamento previsto em R$ 5 milhões por ano que financia uns 20 projetos. Em nove anos, a Lei Câmara Cascudo só conseguiu financiar 140 projetos, num montante de R$ 40 milhões. Só no Governo Wilma, foram investidos R$ 27 milhões. Estamos mostrando a governadora que essa forma está errada porque há uma concentração muito grande de dinheiro nas mãos dos poucos, mesmo bem intencionados, que tem acesso aos gabinetes dos grandes empresários.

O deputado Cláudio Porpino tem um projeto de lei criando um Fundo de Cultura para gerenciar os recursos dos Incentivos Fiscais da Lei Cascudo. O que o senhor pensa sobre essa iniciativa?
Acho que é o grande caminho. Mas, precisa preservar a Lei Cascudo. Temos que domar a lei do mecenato para evitar que alguns recebam R$ 500 mil e outros não consigam R$ 20 mil. Com a Lei Cascudo, o Fundo de Cultura e os Pontos de Cultura, nós vamos ter três linhas de financiamento para projetos culturais no Estado e vamos atender um espectro infinitamente maior e mais democrático.

E o futuro do poeta Crispiniano Neto? Há alguma coisa no prelo para publicação?
Eu estou me dedicando a FJA. Sou hipertenso, obeso e tenho histórico de diabetes na família. Ainda não tenho, mas sou candidato. Eu tento me cuidar, mas meu ritmo de trabalho não tem permitido. Normalmente, quando saio da FJA às 9 ou 10 da noite, ainda trabalho em casa. Dentro de no máximo dois meses, na minha posso na Academia de Literatura de Cordel, eu quero lançar o livro “Lula na Literatura de Cordel”, que estou trabalhando nele. Ainda no prelo, eu tenho “20 anos de poesia de Crispiniano Neto” com 800 a 1000 páginas. Devo terminar em um ano, um livro em que estou trabalhando chamado “Improvisos Decorados”. O título pode parecer estranho, mas é o tipo de improviso que os cantadores fizeram e de tão bons que são os versos o povo decorou. Até hoje, os versos são recitados por ai afora. Há mais de 30 anos, lá em Mossoró, Luis Campos escreveu um poema que é assim: “Cantar sem ganhar dinheiro /é viajar numa pista / num carro velho quebrado /um chofe curto da vista / e um doido gritando em cima/ atole o pé motorista”. E tem outro de João Ferreira, lá de Pernambuco: “saudade é um parafuso / que dentro da rosca cai /que tem que entrar torcendo / porque batendo não vai/ depois que enferruja dentro / nem destorcendo não sai”.

17 de julho de 2008

Feijão com Letras

No próximo sábado, 19 de julho de 2008, o Sebo Kriterion, de Jairo Lima, localizado no Mercado de Petrópolis, promoverá o "Feijão com Câmara Cascudo", dando início a um interessante projeto que contará com a exibição de diversos vídeos (DVDs) em que serão destacados grandes escritores e intelectuais.

Todos os vídeos serão exibidos nas manhãs/tardes de sábados, a partir das 9hs, culminando sempre com a já tradicional feijoada da Kriterion.

Não custa salientar que a destinação do espaço de Jairo Lima para uma iniciativa como esta em muito contribui para o enriquecimento da cultura da cidade.

16 de julho de 2008

Festival Curta Natal 2008

Estão abertas as inscrições para as Mostras Nordeste, Curta Celular e Videoclipe do Festival Curta Natal em Natal-Rn. Em sua 7ª edição, O Curta Natal mantém-se fiel na proposta de incentivar as novas produções do cinema de curta-metragem potiguar e também nordestino, sem distinção de categoria, formato, tema ou gênero.

Videomakers e diretores que pretendem participar do Curta Natal 2008 já podem realizar suas inscrições, e elas vão até dia 15 de agosto. O festival acontece entre 01 e 06 de setembro, em Natal/RN. Podem ser inscritas obras produzidas a partir de 2006, com até 20 minutos de duração (incluindo créditos), nos gêneros de ficção, documentário, experimental e videoclipe. Não haverá limite de inscrições por participante. O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis no www.curtanatal.com.br

Os valores de premiação da Mostra Nordeste são de R$1500 para os primeiros lugares nas categorias de Ficção e Documentário, R$1000 para o segundo lugar geral e R$500 para o terceiro lugar geral. Ainda haverá premiação para os melhores curta-metragem e videoclipe potiguares, ambos no valor de R$500. Depois da estréia de sucesso, a Mostra Curta Celular volta com força total para sua segunda edição, e nesse ano premiará o vencedor de sua categoria com um aparelho celular.

A novidade do Curta Natal esse ano fica por conta da Mostra Competitiva de Longas-metragens, o Festival CINEMADA. Serão cinco longas nacionais inéditos em terras potiguares , quatro em competição e um convidado.

Fotos de Currais Novos

Figuras rupestres, minas de schellita, trilhas ecológicas, festa de Sant’Ana, queijo de coalho, entre outros atrativos, fazem de Currais Novos o lugar ideal para aqueles que querem sentir a presença constante das mais legítimas tradições sertanejas.

Serras, picos, barragens, rios, açudes e lagoas fazem de Currais Novos um delicioso passeio. Localizado a 180 km da capital, o município oferece uma boa estrutura hoteleira para receber o turista, contando com uma excelente gastronomia regional.

Para ver as fotos de Currais Novos, visite:
http://www.flickr.com/photos/practical-fotos/
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15 de julho de 2008

Poemas de Rosa de França em antologia nacional


Três poemas da poeta potiguar Rosa de França foram selecionados em um concurso nacional, para serem publicados em uma antologia poética, que será lançada pela Editora Andross, na Casa das Rosas, em São Paulo, no dia 26 de julho. O Grande Ponto abrange o convite para o lançamento.

RAPADURA NEWS

Alunos do Emanuel Bezerra realizam Café Poético
Os alunos da Escola Municipal Emanuel Bezerra, no Planalto, realizam nesta sexta-feira (18.07), das 9h30 às 11h, um Café Poético. O projeto foi idealizado pelas professoras de literatura da unidade de ensino, dentro de um plano anual de trabalho, como forma de facilitar o aprendizado e despertar o interesse das crianças do 1º ao 5º ano a desenvolverem as habilidades de leitura e de escrita. As professoras Regiane Regina Sedalto, Maria Auxiliadora Oscar, Ana Marli dos Santos Silveira e Vera Lúcia Câmara Vilela trabalharam com os alunos ao longo do segundo bimestre a poesia. A partir daí, estimularam e orientaram as crianças a desenvolverem atividades que serão compartilhadas com a comunidade escolar no Café Poético.

Abertas inscrições para o 1º Festival da Canção Universitária
Estão abertas, até o dia oito de agosto, as inscrições para o 1º Festival Universitário da Canção da UFRN – FUC. Podem se inscrever alunos dos cursos de graduação e pós-graduação da UFRN e de outras Instituições de Ensino Superior do Estado, devidamente matriculados, com matrícula ativa e comprovação de inscrição em disciplinas no período de 2008.1. O Festival, promovido pela Secretaria de Assuntos Estudantis, faz parte dos festejos dos 50 anos de fundação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e ocorrerá nos dias três e quatro de outubro. As dez músicas concorrentes à final serão classificadas de 1 a 10, e os vencedores receberão os seguintes prêmios em dinheiro, sendo R$ 3 mil para o primeiro lugar, R$ 2 mil para o segundo colocado e mil reais para o terceiro.Mais informações na Secretaria de Assuntos Estudantis – SAE, pelo telefone 3215-3311.

Oficina de Cineclubismo e I Mostra de Cinema Latino-Americano na Unidade Sede CEFET/RN
Nesta terça e quarta-feira, 15 e 16, a Sala de Projeções da DAGESC da Unidade Sede, sediará uma Oficina de Cineclubismo e a I Mostra de Cinema Latino-Americano do CEFET-RN. O evento é resultante da disciplina Estudos da Arte, ministrada pela profª. Elane Simões, com realização do Projeto Cine Lazer e parceria do CEFET, do Cineclube Natal, Vídeo Laser Locadora, Sinasefe e DCE. A participação é gratuita, entretanto o interessado deve se inscrever para a Oficina no Departamento Acadêmico de Serviços (DAGESC) e pegar sua senha para a Mostra no Box de Informações, próximo à entrada de pedestres.

Prêmio São Paulo de Literatura 2008
Em 25 de julho encerra o prazo para as inscrições no Prêmio São Paulo de Literatura 2008. Podem concorrer livros escritos em língua portuguesa e editados no Brasil no período compreendido entre 1º de janeiro de 2007 e 31 de dezembro de 2007. Não são aceitos livros escritos em co-autoria ou que façam parte de compilações ou compêndios. O valor bruto (ainda sem o desconto do imposto) é de duzentos mil reais para cada categoria (Melhor Livro do Ano de 2007 e o Melhor Livro - Autor Estreante do Ano de 2007). O edital e a ficha de inscrição estão disponíveis no site da Secretaria da Cultura do governo paulista.

Dicas de Leitura: Machado de Assis
“Mas eu ainda espero angariar as simpatias da opinião, e o primeiro remédio é fugir a um prólogo explícito e longo. O melhor prólogo é o que contém menos coisas, ou o que as diz de um jeito obscuro e truncado. Conseguintemente, evito contar o processo extraordinário que empreguei na composição destas Memórias, trabalhadas cá no outro mundo. Seria curioso, mas nimiamente extenso, aliás desnecessário ao entendimento da obra. A obra em si mesma é tudo: se te agradar, fino leitor, pago-me da tarefa; se te não agradar, pago-te com um piparote, e adeus.”
Obras de Machado de Assis no site Domínio Público
Biografias, bibliografia e produções acadêmicas no site sobre Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras
Manuel Bandeira fala sobre suas lembranças de Machado de Assis
Abertura do vídeo “O Rio de Machado de Assis”
Abertura do vídeo Machado de Assis: Um Mestre na Periferia
Ano Nacional Machado de Assis
Simpósio Internacional Caminhos Cruzados: Machado de Assis pela Crítica Mundial
Frases retiradas de seus livros

Um poema de Maria José, Currais Novos RN

Sussurros
(em estado de perfeição)
In Espartilho da Eme

Entre um sussurro e outro:

o ar em gotas,
a alma em chamas,
os montes negros,
a voz da cama,
o beijo alado,
peito calado
e as bocas clamando.

Salivando,
salivando...
entre um sussurro e outro.

14 de julho de 2008

Operação Papangu - 53ª edição

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Devido ao chafurdo dos partidos e candidatos, indefinições e brigas antes das convenções, os papangus ficaram de molho esperando que o ouriço desse balaio-de-gatos passasse. Por esta razão retardamos a chegada da Papangu às bancas de jornal e revistas e, por tantas “parcerias” interessantes, resolvemos sapecar em nossa chamada de capa “A briga pelo poder”. A matéria é assinada pelo jornalista Bruno Barreto.

Em Autores & Obras, o bibliófilo Carlos Meireles relata como foi à caça ao livro de memórias do argentino Ernesto Sabato, “Antes do fim”. Depois do achado, Meireles conta-nos detalhes dessa grande obra.

O poeta, tradutor e ensaísta Ivan Junqueira é o nosso entrevistado do mês. Clauder Arcanjo bateu um papo com este carioca que é membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), cadeira 37, e acredita que será lembrado por umas poucas “Odes, canções de gesta/ e elegias sem metro,/ às quais ninguém deu crédito/ ou ouvidos...”.

Em Talento Potiguar, a sensibilidade poética do mossoroense João Pessoa — “Um poeta encarnado em seus versos”, assinado pelo escritor José Nicodemos.

Na Crônica, o professor e engenheiro Antônio Alvino diz que “O preço da liberdade é saber dizer não”; Em Artigo, “Brasileiros na Espanha”, é assinado pelo advogado, professor universitário e doutorando em Direito pela Universidade de Salamanca (USAL), Nelson Cayres; No espaço reservado ao Conto, “Apocalypse 19, versículo 2”, do escritor Glaucio Fabrízio; Eliezer Silvestre assina o “Papangusando”.

Alexandro Gurgel viajou a uma das principais cidades da região do Trairi e, sob as bênçãos de Santa Rita de Cássia, revela aos nossos leitores as riquezas e belezas do lindo município de Santa Cruz.

O Troféu Papangu deste número vai para um patinho feio natalense que queria por que queria ser candidato a prefeito.

Túlio Ratto, Antonio Capistrano, Raildon Lucena, Damião Nobre, Yasmine Lemos, David Leite, Cefas Carvalho e Affonso Romano de Sant’Anna, para a alegria geral da nação papangunista, comentam variados assuntos.

E para finalizar, os sápidos poemas de Sulla Mino, Márcia Maia, Ana Luiza penha, Clauder Arcanjo.

Essa é a “Operação Papangu” — que só agrada.

11 de julho de 2008

Lei seca brasileira


Agenda Cultural de Natal - Final de Semana

Encontro de violas
Um resgate das tradições nordestinas ocorrerá hoje, na AABB, a partir das 21h, quando começa o XVI Encontro das Violas Nordestinas. O evento, organizado anualmente pelo repentista Antônio Sobrinho, contará com seis duplas de cantadores, além de apresentações de coquistas, declamações e modas de viola. A entrada custa R$ 10.

Trio Irakitan em Natal
O famoso Trio Irakitan se apresenta hoje e amanhã, às 22h, no restaurante Aquarela, Top Shopping Center - próximo à Vila de Ponta Negra. NA ocasião eles divulgam as canções do disco Praieira. Informações pelos telefones 3201-2267 ou 3219-0482.

MPB na Ribeira
Com um repertório formado por jazz, MPB e Bossa Nova, o grupo Toca Trio se apresenta amanhã (às 21h30) e domingo (às 19h30) no Calígula Restaurante, Pizzaria e Espaço Cultural (Rua Chile - Ribeira). O couvert é R$ 5. Informações: 3201-8470.

Forró da Imprensa
O 3º Forró da Imprensa será amanhã na boate Music (Rua Chile - Ribeira), às 21h. A festa será animada pela banda Efeito Safona e pelo forró pé-de-serra de Robson Farias. A novidade deste ano é a rave do Forró com o Dj Fábio. O evento contará com a presença da drag Danusa d Salles, além de vários sorteios. As senhas podem ser adquiridas no Pittsburg da Prudente, ao preço de R$ 7. Informações 9421-8469.

Música e poesia
O músico Letto apresenta amanhã o show Letto em concerto poético-musical, que será um recital de canções autorais. O show será no Espaço Calígula Restaurante, Pizzaria (Rua Chile - Ribeira), a partir das 21h. O couvert é R$ 5. Informações e reservas: 3201-8470.

Feijão com rock
No próximo domingo ocorrerá a 21º edição do projeto Feijão com Rock (a partir das 12h e bandas começam a tocar às 14h). O evento será em homenagem ao Dia Mundial do Rock e as atrações são: Sigma 6 (tocando Pink Floyd), Baby Plese (Aerosmith), Jimi Hendrix Cover (Jimi Hendrix) e Jack Black (Deep Purple). A festa será no Village Real (BR 101 - KM 114 - no sentido Parnamirim-São José). A senha antecipada custa R$ 10, na hora R$ 15.

Teatro e música na Ribeira
Uma noite de teatro e música será promovida amanhã na Casa da Ribeira. O evento começa com a encenação da peça O tempo de chuva, às 20h. Em seguida, na sala de exposições do local, terá show com a banda cover dos Los Hermanos, a Desventura, formada por Formigão (bateria), Manel Andrade (baixo), Léo Palhano (guitarras e vocal), Rafa Maia (guitarras), Marcel (sax e vocais), Luiz Caju (voz), Bruno Alexandre (voz). A entrada custa R$ 12.

Sessão Cineclube
No domingo, às 17h, o Cineclube Natal, em parceria com o Teatro de Cultura Popular, apresenta o filme Um Dia Muito Especial (1977), com Marcello Mastroianni e Shophia Loren no elenco. A sessão começa às 17h, no Teatro de Cultura Popular (Rua Jundiaí - ao lado da Fundação José Augusto). A entrada custa R$ 2.

Exposição de desenhos
Está aberta até 30 deste mês a I Mostra de Desenhistas do Estado, no Palácio da Cultura (Praça Sete de Setembro - em frente à Praça da Assembléia Legislativa). A mostra reúne 50 desenhos de artistas renomados entre eles Newton Navarro, Itamar Oliveira, Célia Albuquerque.

Castelo Pub Bar
O novo espaço da cidade, o Castelo Pub Bar (Rua Poeta Jaime Wanderley - Rota do Sol - antes do Frasqueirão), que ainda não foi inaugurado, abre suas portas hoje para a festa Entre amigos, com a banda Boca de Sino. Amanhã o espaço vai servir de palco para o lançamento da banda Carmem Pradella e os 4 elementos. Informações: 4141-0643.

Programação do Orla Sul
Muitas atividades marcam o fim de semana do shopping Orla Sul. Começa hoje a Feira de Antiguidades e Encontro colecionadores. Às 18h começa tem música instrumental com Paulo César e Montanha (piano e sax), em seguida Jan Rodrigues toca MPB e o encerramento será com Dani Negro e banda. Amanhã começa no shopping a Feira Natal hair. Às 12h tem o projeto Orla da Boa Música com Alexandre Siqueira, às 18h o show será com Toca Trio. No domingo a música começa às 12h com Giliane Guanabara. Todos os dias tem programação infantil.

Exército realiza simulado de guerra em Natal

Foto: AG Sued
Esquadilha de helicópteros está em Natal para exercícios de guerra.
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Dez helicópteros do Exército Brasileiro, que vieram de Taubaté, na Grande São Paulo, estão participando de um exercício de guerra, operações que simulam as situações reais de combate e atuação na preservação da lei e da ordem, sobretudo, a soberania nacional.

Tropas do 16º Batalhão de Infantaria Motorizada (16º BIMtz) e do 1º Batalhão de Aviação do Exército participam em conjunto do treinamento. Na instrução, que está acontecendo em Ceará-Mirim até hoje, está sendo usado um efetivo de 120 militares.

Entre Natal e Ceará-Mirim, o exercício será focado no transporte da tropa, em diferentes áreas, simulando uma situação real, onde o local teria sido alvo de um ato de sabotagem, com perturbação da ordem pública.

De acordo com o comandante geral do 16º BIMtz, coronel Montenegro Júnior, as tropas serão deslocadas em dez helicópteros, do tipo "Esquilo" e "Pantera", até Ceará-Mirim, onde a primeira missão será a infiltração dos militares em um pequeno aeroporto da cidade (aeródromo). Depois disso, o Exército ocupará pontos estratégicos, como postos de bloqueio e estradas.

Segundo o comandante do 1º Batalhão de Aviação do Exército, em Taubaté, coronel Guilherme Cabral, a aviação foi recriada no Exército Brasileiro em 1986, e o batalhão presta serviço de apoio em todo o território brasileiro.

Atualmente, só existem quatro batalhões de aviação do Exército no país, sendo três em Taubaté e outro em Manaus. A cada ano, explicou o coronel Cabral, as aeronaves participam de treinamentos de instrução junto às tropas militares que atuam na região Nordeste. No ano passado, o exercício operacional aconteceu em Maceió.

Além do treinamento, os militares desenvolvem uma ação social em três comunidades carentes de Ceará-Mirim. Seis médicos militares, de diferentes especialidades, e seis dentistas garantem uma assistência na área de saúde às comunidades locais. O evento, realizado durante quinta-feira (ontem) e hoje (sexta-feira), também contará com o apoio do Sesi, que disponibilizará corte de cabelo.

Público poderá visitar Esquadrilha de helicópteros

A grande atração da simulação de guerra, que ocorre entre Natal e Ceará-Mirim, é a esqudrilha de helicópteros. Ao todo, são dez helicópteros militares que vieram de Taubaté, na grande São Paulo, para participar do exercício.

Cinco são do modelo "Esquilo", usados em missões de reconhecimento e ataque. O restante é do modelo "Pantera", usado no transporte de tropa (nove homens) e atinge velocidade máxima de 240 km por hora.

Neste sábado, a população norte-rio-grandense vai poder visitar a esquadrilha de helicópteros e conversar com os pilotos, no 16º BIMtz, onde curiosos e interessados poderão ver de perto as aeronaves de combate, das 8h às 12h.

Entrevista de Murilo Mello Filho à Lívio Oliveira


Em todos os seus anos de jornalismo político, quais foram as figuras e os personagens que mais lhe impressionaram, no mundo, no Brasil e no Rio Grande do Norte ?
Esses personagens foram muitos e, para evitar queixas, vou citar apenas os mortos, com os quais estive pessoalmente. No Mundo, John Kennedy, Winston Churchill, Charles De Gaulle, Eisenhower, Salazar, Caetano, Albert Sabin, Thatcher, Golda Meir, Moshe Dayan, Nasser, Indira Ghandi, Ho Chi Min e Sukarno. No Brasil, Juscelino Kubitschek, Carlos Lacerda, José Américo de Almeida, Otávio Mangabeira, Barbosa Lima Sobrinho; Dom Helder Câmara, Betinho, Prestes, e, no Rio Grande do Norte, José Augusto Bezerra de Menezes, Sylvio Pedroza, Gentil Ferreira, Mons. Walfredo Gurgel, José Ferreira de Souza, Café Filho, Djalma Maranhão, Dom Esmeraldo Dantas, Câmara Cascudo, Manoel Benício Filho, Dinarte Mariz, Tarcísio Maia e Aluízio Alves.
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Como se deu sua trajetória no jornalismo? Quais foram os maiores percalços ?
Aos 12 anos de idade, ainda de calças curtas, entrei pela primeira vez na redação de um jornal “O Diário”, aqui em Natal, editado na Rua Frei Miguelinho. Aos 18 anos, fui para o Rio de Janeiro. Eu era então mais um personagem no extenso fabulário da minha geração de jovens nordestinos nômades, que fugiam de suas terras secas aqui no Nordeste para irem batalhar por um lugar ao sol, na selva das grandes cidades.
Hoje em dia, quando vejo a perplexidade e a indecisão de tantas pessoas sem saberem ao certo o que querem e para onde vão, eu me pergunto a mim mesmo o que se passava na cabeça daquele rapaz de Natal, que, menino ainda, e já naquele tempo, decidira ser jornalista no Rio de Janeiro.
Lá me ofereci em todos os 32 jornais diários que então ali se editavam. Nenhum quis nem sequer fazer uma experiência para ver se eu prestava ou não. Comi então o pão que o diabo amassou. Não gosto nem de me lembrar. O único que concordou em me dar uma chance foi o “Correio da Noite”, um jornal da Arquidiocese, na sua seção policial. Sucederam-se depois a “Tribuna da Imprensa”, o “Estado de São Paulo”, a Revista e a TV “Manchete”, dezenas de viagens à Europa, aos Estados Unidos, quatro à Ásia e três à África.
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Quais as maiores vitórias de suas carreiras jornalística e literária? E as maiores lições?
As recompensas jornalísticas e literárias foram várias. E a maior delas foi a minha eleição para a Academia Brasileira de Letras.
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Você ainda acredita que a imprensa escrita permanecerá viva num mundo globalizado e “virtual”?
O jornal escrito já venceu muitas ameaças, como as do rádio e da televisão. Vencerá a mais recente, que é a Internet, porque tem o tato e o cheiro de tinta, que elas três não têm.
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Quais as suas influências essenciais no jornalismo e nas letras?
No jornalismo e nas letras, tive muitos exemplos e lições de correção, competência e dignidade, que tento, mas que nem sempre consigo, imitar.
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Que importância existe para o RN no fato do Senador Garibaldi Filho ser hoje o Presidente do Senado? Ele tem ou terá algum papel de relevância histórica?
O Senador Garibaldi Filho é o segundo norte-riograndense a presidir o Senado. O primeiro foi Café Filho, cumulativamente com a Vice-Presidência da República. Garibaldi é também o terceiro na atual ordem da sucessão de Lula. Os outros dois são o Vice José Alencar e o Deputado Arlindo Chinaglia, presidente da Câmara. Após o descalabro da presidência de Renan Calheiros, Garibaldi tem hoje uma oportunidade única: a de restaurar o prestígio do Senado, que está simplesmente no chão. É uma tarefa quase impossível, mas que ele, aos poucos e com simplicidade, está conseguindo.
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Política, jornalismo e literatura são compatíveis?
São não apenas compatíveis, como complementares. Um jornalista culto será seguramente um bom político.
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Em algum momento de sua história pessoal desejou participar ativamente da política partidária?
Há vários anos, houve algumas chances dessa participação, no Rio, onde eu tinha um programa “Congresso em Revista”, na TV-Rio, de razoável sucesso, que ficou no ar ininterruptamente durante sete anos, com o mesmo patrocinador: “Zenith, Rádio e Televisão”. Naquele tempo, eu contava com o convite e o apoio de Carlos Lacerda, que já havia eleito Amaral Netto, Mário Martins e Raul Brunini. Mas nunca aceitei a aventura por uma razão muito simples: porque eu conhecia de perto a vida de sacrifício e de privações dos políticos realmente dignos e honrados. Não queria ser um deles, inclusive porque a minha profissão de jornalista era permanente e duradoura, e o mandato de deputado era fugaz e passageiro. Enquanto eles passavam como parlamentar, eu continuava jornalista.
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Que políticos vivos ainda podem dar exemplo no Brasil? Ainda haverá um Ulisses, um Capanema, um Afonso Arinos?
Temos de convir que, assim como aconteceu nos esportes, na diplomacia, no jornalismo, no empresariado, no Exército, na Marinha e na Aeronáutica, houve uma evidente piora também no Congresso. Lembro-me bem do tempo em que me iniciava no jornalismo, quando, embevecido e extasiado, assistia no Palácio Tiradentes debates históricos e únicos, num exercício diário de admiráveis oradores: Aliomar Baleeiro, Adauto Cardoso, Prado Kelly, Raul Pilla, Flores da Cunha, Vieira de Melo, Carlos Luz, Artur Bernardes, Nereu Ramos, os dois Mangabeiras (Octávio e João), Gustavo Capanema, Nelson Carneiro, Moura Andrade, Milton Campos, João Agripino, Pedro Aleixo, Juracy Magalhães, Ulisses Guimarães, Abelardo Jurema, José Bonifácio, Bilac Pinto, Gabriel Passos, Afonso Arinos, José Maria Alkmim, Almino Afonso, Oscar Corrêa, Tancredo Neves, Antônio Balbino e tantos outros.
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Que relevo as eleições norte-americanas terão para o Brasil?
Na medida em que os Estados Unidos forem bem, nós iremos melhor ainda. São duas economias interligadas uma à outra, sobretudo agora quando a nossa já começa a dar os seus primeiros passos para assumir uma posição de solidez e segurança, deixando de ser um País sem importância e transformando-se numa Nação de primeiro Mundo.
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Que importância tem a Academia Brasileira de Letras para a literatura nacional?
A minha Academia deixou de ser uma instituição fechada passando a ser um agente aberto para a sociedade brasileira, através dos cursos, seminários, conferências, exposições, debates, edições de livros, etc. Quando eu me elegi, já o fui em nome de uma nova Academia, presente e participante em todo o universo literário do País. Antes, a ABL recebia convites, sobretudo das Academias Estaduais de Letras e nem sequer os respondia. Agora, não. Onde quer que me convidem eu vou. Já fui de Manaus a Porto Alegre. E para compensar-me deste sobe e desce dos aviões, nestes aeroportos imprevisíveis, resta-me o consolo de ver pessoalmente como a minha Academia é unanimemente respeitada e querida.
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A Academia cumpre o seu papel institucional e cultural?
No cumprimento desta nossa missão cultural e institucional, fico comovido com o carinho e a hospitalidade recebidos. Cutucam-me nos braços e nas mãos para verem se sou eu mesmo. Pois afinal de contas, aquela era a primeira vez que eles estavam vendo um acadêmico de corpo inteiro.
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Quais foram, no passado, os maiores nomes da Academia?
A lista é extensa e vou abreviá-la: os Fundadores Machado, Coelho Neto, Rio Branco, Raimundo Correia, Rui, Nabuco, Beviláqua, Bilac, Romero, Veríssimo, Patrocínio, Laet, Graça Aranha, Afonso Celso, Oliveira Lima e os seus Sucessores: João Neves, Mário Palmério, Osvaldo Cruz, Carlos Chagas, Barbosa Lima, Athayde, Callado, Otto Lara, Darcy Ribeiro, Carneiro Leão, Felix Pacheco, Pedro Calmon, Álvaro Lins, Antônio Houiass, Peregrino, Gustavo Barroso, Osório Duque-Estrada, Humberto de Campos, Euclides, Afonso Pena, Macedo Soares, Olegário Mariano, Dias Gomes, Luís Viana Filho, José Lins do Rêgo, José Américo, Afonso Arinos, Gilberto, Genolino e Jorge Amado, Menotti, Bandeira, Aurélio, Joracy, Viriato, Merquior, Setúbal, Chateaubriand, Santos-Dumont, Getúlio, Rocha Pombo, Alceu, Miguel Couto, João Cabral, Rodolfo Garcia, Roberto Simonsen, Vianna Moog, Hermes Lima, Zélia, Rachel, Faoro, Celso e Evandro, todos, hoje, já mortos.
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É salutar a longa permanência de alguns intelectuais à frente de instituições culturais?
Depende de sua capacidade e dedicação. Sendo capazes e dedicados, eles devem ficar à frente de suas instituições, durante o tempo necessário para executarem os seus planos e projetos de trabalhos e de realizações.
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Existe democracia nas Academias de Letras?
Sim, na medida em que elas estão de portas abertas para elegerem candidatos democraticamente apresentados, sem distinção de credos, raças, fortunas ou preconceitos. Eu mesmo, com as origens humildes de onde vim, sou o resultado mais concreto dessa democracia acadêmica.
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Situe-nos a figura de Austregésilo de Athayde.
A ABL foi presidida, durante 33 anos, por um mesmo presidente: Austregésilo de Athayde, ao qual somos muito gratos, pelo seu excelente desempenho no cargo, com a construção de um moderno edifício de 33 andares, bem no centro do Rio de Janeiro. Através de um comodato com a Ecisa, uma empresa imobiliária, ele assinou um contrato de construção do prédio, num terreno recebido em doação e concedendo-lhe, como pagamento da obra, o direito de receber os seus aluguéis durante 20 anos, findos os quais o imóvel retornou de graça para a Academia, que hoje tem nele o grande instrumento para a sua total independência financeira: não tem um metro quadrado vazio.
Com a morte de Athayde e a fim de evitarmos a repetição de sua vitaliciedade, fizemos uma reforma nos Estatutos da Academia, permitindo a eleição dos presidentes por um ano e renováveis apenas por mais um.
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Que sentimento você nutre hoje pelo RN?
Um sentimento de profunda saudade dos tempos da minha infância na Rua Apody, onde, em 1938, fomos praticamente os pioneiros, com a Igreja de Santa Teresinha na frente e o Seminário de São Pedro ao fundo; saudades das peladas com bola de meia nos campos de areia e capim, com Marcelo Carvalho, Renato e Humberto Magalhães; saudades do bonde ronceiro; das regatas no Potengi, com Marito, Sólon e Alvamar; das bailes no Aero-Clube, com Boquinha, Carlos e Antônio Lamas; do papo no Grande Ponto, com Mussolini, Nei e Mozart; dos corsos no Carnaval, com Zé Herôncio, Zé Areias e o Dr. Bacorinha; das conversas na Cova da Onça e no Café Globo, com João Câmara, Aristófanes, Manezinho, Antônio Justino e João Bianor; dos acordos políticos no Grande Hotel, com Teodorico, Dinarte, Djalma e Jessé; dos espetáculos no Teatro Carlos Gomes, com Sandoval Wanderley, Carlos Siqueira, Meira Pires e Alcides Cicco; da boemia na Confeitaria Delícia, com Cascudo, Garcia e Roberto Freire; das madrugadas em “A República”, com Waldemar Araújo, Luiz Maranhão e Rivaldo Pinheiro; das noites em “O Diário”, com Djalma Maranhão, Aderbal de França e Rui Paiva; dos encontros na Farmácia Natal, com Cloro Marques, Dr. Aldo e Duó; das aulas no Atheneu, com Véscio, Cônego Monte, Edgar Barbosa, Gentil Ferreira, Celestino Pimentel, Clementino Câmara e Chamirranha; dos julgamentos no Tribunal do Júri, com Manoel Varela, João Medeiros e Claudionor.
Aqui em Natal, ficaram as minhas raízes, as minhas origens, a minha família: pai e mãe, tios e tias, irmãos e irmãs, primos e primas, sobrinhos e sobrinhas, pessoas muito queridas ao meu coração, das quais até hoje sinto muita falta e saudades imensas.
Saudades de um tempo inesquecível, que infelizmente não volta mais.