28 de fevereiro de 2009

Um poema de Augusto de Campos, São Paulo SP

Desplacebo
( fragmento, 1977)


bebo
a
poesia sem placebo
clareza de cristal
dureza de rochedo
sem mídia sem média sem medo
da contramão da vida
ao beco sem saída

Desfile das escolas campeãs do carnaval de Natal acontece hoje na Ribeira

Que Salgueiro e Beija Flor que nada... O melhor programa para a noite desse sábado cinzento é descer as ladeiras da Ribeira para assistir ao desfile das escolas de samba campeãs do carnaval de Natal.

O evento começará às 17h com o desfile das tribos de índios que venceram o certame carnavalesco e deu o título aos indígenas da taba Tupi Guarani.

O espetáculo na Ribeira termina com todo o glamour, importado da zona norte, sendo distribuído pela agremiação carnavalesca Unidos de Gramoré, escola campeã do grupo “A”.

Na foto de Canindé Soares que ilustra esse post, é notória toda a alegria da colorida passista na Avenida Duque da Caxias, durante os desfiles na Terça Gorda de carnaval.

Loja Blahia chega em Currais Novos

AG Sued
Quem não tem as Casas Bahia vai de Lojas Blahia mesmo!

A inusitada casa de departamento Loja Blahia está localizada em Currais Novos, região do Seridó norte-riograndense, distante uns 220 km de Natal.

A casa, ou melhor, a loja é destaque na região por oferecer um serviço diferencial ao cliente com suas catrevagens expostas ao relento, onde o frequês pode apreciar o produto com luz natural.

A Loja Blahia fica aberta diariamente no calçadão da cidade, que também disponibiliza uma verdadeira feira-livre onde é possível encontrar qualquer quinquilharia de uso pessoal, animal ou doméstico.

Mané Topado, gerente comercial da Loja Blahia, manda avisar que só vende suas mercadorias a dinheiro... nada de fiado!

27 de fevereiro de 2009

Futebol potiguar: uma piada de bom gosto!

Pela ordem, os escudos dos times potiguares que participaram do Campeonato Estadual 2009 no 1º Turno: ABC Futebol Clube, Alecrim, América, Assu, Baraúnas, Corinthians de Caicó, Macau, Potiguar de Mossoró, Potyguar de Currais Novos, Real Independente e Santa Cruz.
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Quando o assunto é futebol no Rio Grande do Norte só vem a cabeça o ABC, time do povão e por isso chamado de “Frasqueira Alvinegra”, e o América, time de uma elite decadente.

Porém, para alegria geral da galera interiorana, o 1º turno do Campeonato Potiguar 2009 vai ser decidido por dois timecos do interior do Estado: Assu e Santa Cruz, equipes que representam as cidades homônimas.

Enquanto isso, os dois principais times, ABC e América, vivem numa crise de identidade sem fim. Os times trocam tanto seus elencos que fica difícil qualquer jornalista esportivo fazer a escalação de cabeça, sem esquecer nenhum jogador.

A crônica futebolística tupiniquim dá conta que o time Real Independente foi rebaixado. Duas perguntas que não querem calar: De onde veio esse tal de “Real Independente”? E vai ser rebaixado pra onde?
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Pensar no futebol potiguar é a receita certa para fazer uma piada de bom gosto, com gargalhadas garantidas.

Alceu Valença desabafa: "A fuleiragem music vai destruir o Brasil lá fora"

Eis algumas das opiniões de Alceu Valença sobre a indústria da música conteporânea brasileira e seus meios de divulgação:

Fora das FMs
"É um negócio complexo para a minha pessoa, porque faz muito tempo que aconteceu isso. Fiz parte da destruição da MPB. Ela foi destruída por gravadoras. Eles quiseram, além de ganhar o dinheiro do que eles vendiam, o direito autoral do artista. Ofereciam música aos artistas para o direito autoral ir para a gravadora. Na RCA, eles tinham várias pessoas que compunham para os artistas. Depois que fiz Estação da luz, eles me ofereceram uma música para eu gravar e não aceitei. Deixaram de botar minha música para tocar. Um clipe que fiz pra Globo, eles tiraram. Então resolvi mandar as gravadoras para a puta que pariu".

Portugal
"Nós do Brasil somos escrotos com Portugal. A gente fala da nossa africanidade, com toda razão, porque ela está presente. Fala-se da nossa coisa indígena. Ninguém fala em Portugal, incrível. Portugal trouxe pra cá o trovador, trouxe pastoril, o fado, músicas juninas, e ninguém fala nisso?"

Gilberto Gil, o ex-ministro da cultura
"Gil não fez absolutamente nada pela MPB. O ministério dele foi melhor do que o de Weffort, Ponto de Cultura é um negócio bacana. Mas música brasileira nada. Não vi nem uma vez ele fazer um esforço e levar todo mundo lá para fora. Houve esforço para levar ele. Eu tentei levar, fiz um projeto para levar todo mundo, o Brasil Novo Tempo, mas não deu certo. O Brasil está sendo divulgado lá fora por um tipo de música canalha! Mas pense o Brasil divulgado pela coisa bonita brasileira, pela sua identidade. Porque os gringos são apaixonados pelo samba, pelo choro. O mundo gosta do Brasil, mas o Brasil não gosta de se mostrar pro mundo".

Complô
"Tenho quase certeza de que a destruição da música brasileira foi um movimento que veio do Departamento de Estado e Propaganda dos Estados Unidos. Não posso entender, como é que você pode destruir uma indústria de um bilhão de dólares? A MPB dava 800 bilhões de dólares. A MPB de qualidade era detentora de 80% do mercado de música brasileira. Os caras chegaram e trocaram Chico Buarque por Ursinho blau blau. Em 1986, tudo acabou. Dentro da minha loucura eu digo o seguinte: isto se deve à queda da ditadura. A MPB era contra a ditadura. Então ficaram com medo de uma nova Cuba, pela influência desses artistas de esquerda. Quem ouviu Bethânia, Chico, Milton tocar depois de 86? Tudo isso podia até ter acontecido, de uma maneira mais vagarosa. De repente caiu tudo, e veio outra coisa".

Fuleiragem Music
"Eles são absolutamente negociantes. A fuleiragem music vai destruir o Brasil lá fora, porque o axé destruiu a imagem de música de qualidade que se tinha do Brasil. Existia na Europa a boa música brasileira. Só iam para Europa os tampas de crush, Caetano, Chico, Gil, Milton. O besta aqui foi muitas vezes. Tinha um tipo de público do cacete. Aí, quando entrou o axé, a fuleiragem, sabe qual o público desta música? Quenga. A fuleiragem aconteceu, mas será que sãos os músicos que fazem a música? Quem faz é o cara não gosta de música, mas sabe trabalhar a coisa, contrata uns caras, o jabaculê come por todos os lados, mas não se faz arte".

Fonte: Entrevista publicada no Jornal do Comercio, Recife Pe, em fevereiro 2009.

Notas da Bexiga Taboca

Aqui se faz Gostoso
Localizado a 120 km de Natal, São Miguel do Gostoso é uma opção para curtir sem pressa, onde o visitante vai encontrar belezas e encantos únicos. O blogueiro passou o carnaval por lar e descobriu que Gostoso tem praias e lagoas de belezas indescritíveis.

Na praia do Santo Cristo pode ser apreciado um pôr-do-sol inesquecível; a praia do Cardeiro tem um belo visual da Lagoa do Sal; a praia da Xêpa, do Maceió e da Rapadura são ideais para quem curte longas caminhadas à beira-mar.

Veja a Galeria de Fotos de Gostoso, clicando AQUI.

Prêmio Núbia Lafayete é prorrogado
A Fundação José Augusto prorrogou as inscrições do Prêmio Núbia Lafayete até 13 de março. Poderão participar os projetos musicais de artistas potiguares, que concorram com obras de sua própria autoria ou de outros autores potiguares. O Prêmio tem como objetivo estimular a produção de obras musicais norte-rio-grandenses, incentivar, valorizar e divulgar obras musicais de artistas potiguares. Serão selecionados 46 trabalhos em três categorias distintas, representando um investimento total de R$ 140 mil por parte do Governo do Estado. Informações: 3232-5319.

Artes Visuais potiguares
Continua aberta ao público a exposição Prêmio Thomé Filgueira, que acontece na Galeria Newton Navarro e permanece em exposição até o dia 27 de fevereiro. A mostra é o resultado do prêmio que selecionou artistas potiguares das artes visuais, reunindo trinta artistas e apresentando obras em gravura, pintura, objeto, desenho, instalação e escultura. A Galeria Newton Navarro fica na sede da FJA e o horário de visitação é das 08 às 17 horas. Não paga nada.

Empreendedorismo Cultural
Aos roteiristas cinematográficos potiguares, amadores ou veteranos, A Fundação Cultural Capitania das Artes está oferecendo a oportunidade de se capacitarem para a apresentação de projetos no novo edital lançado pelo Ministério da Cultura. As inscrições podem ser feitas de 2 a 5 de março na sala da Lei Djalma Maranhão localizada na Capitania das Artes, pela manhã e à noite. O curso acontece de 5 a 13 de março, das 18h30 às 21h30, no Auditório do Museu de Cultura Popular Djalma Maranhão. Serão oferecidas 20 vagas e as aulas serão ministradas pelo roteirista Cristóvão Pereira. Mais informações com Henrique José: 8868-3380.

Tele-dramaturgia
O Ministério da Cultura, no âmbito do Programa Mais Cultura, lança no último dia 9, o Edital de Seleção de Projetos de Desenvolvimento e Produção de Teledramaturgia Seriada. O edital de seleção FICTV/Mais Cultura é voltado para a produção de miniséries com 13 episódios de 26 minutos de duração cada, que proponham uma visão original sobre as juventudes brasileiras das classes C, D e E. As minisséries serão exibidas nas emissoras do sistema público de televisão. Outras informações:
http://www.cultura.gov.br/

Pós-graduação em Jornalismo
Estão abertas as inscrições para o programa de Pós-graduação em “Estudo da Mídia” da UFRN. O Mestrado concentra-se em pesquisas voltadas para os estudos da mídia e práticas sociais e, estudos da mídia e produção de sentido. Os interessados devem procurar a secretaria administrativa do CCHLA até o dia 04 de março. Outras informações: 3215-3597.

Fim de semana em Natal
Caro leitor, se nada de bom tem pra curtir na cidade, vá ler um bom livro e viajar na leitura. Não fique alimentando esse circuito comercial de forró reieira com sotaque cearense ou esse bestial axé abaianado... Valorize o que é bom ou fique em casa, lendo um bom livro.

Saideira
Um estudo recente, realizado pela Universidade Federal de São Paulo, mostrou que cada brasileiro caminha, em média, 1.440 km ao ano. Outro estudo, feito pela Associação Médica Brasileira, mostrou que o brasileiro consome, em média, 86 litros de cerveja ao ano. A conclusão é animadora: o brasileiro faz 16,7 km por litro... Muito econômico.

26 de fevereiro de 2009

Carta do sertão, enviada por Marco da Pitombeira

Acari RN, quarta-feira de cinzas, fevereiro de 2009.

Me responda ligeiro, amigo Alex: Essa crise internacional é tão feia assim como se pinta ou é só pantim de gringo sabido?

Aqui, na feira de Acari não se fala noutra coisa. É a Crise. Mas, por essas ribeiras é como “malassombro”, todo mundo sabe o que é, mas ninguém ainda viu. E se viu, tem opinião e solução pra tudo.

A tal da crise é sentida no preço do gado, no metro de lenha, no frete, no leite, na alta de juros... Deve ser a tal da globalização que tanto falam. O matuto tá antenado. Tá sabido que só o diabo!

Vibrou com a posse de Obama. Conversar sobre esse tal do Obama virou moda. Vai salvar todo mundo ou o mundo todo, profetizam alguns...

Até na guerra de Israel contra o “ramais” (é assim q se escreve?), tem torcida. Simpatizantes dos dois lados, com alguns exaltados fazendo apostas e alguns mais afoito, dando uma “vantagem” de uns 100 mortos de diferença pra Israel. Vê se pode!

Mas, o que matuto faz bem é adivinhar inverno. É na formiga, no maribondo fazendo casa.... É um especialista em decifrar os segredos da natureza. E vá contraia-lo pra tu ver!

Esses metereologistas que se metam a besta. São desmoralizados na hora. Como dizia o padim Ciço: “Quer tirar carta de burro, se meta a prever inverno”.

E por falar no tal do inverno, por essas bandas já ta caindo uns respingo de chuva. Pouca coisa ou quase nada, mas, já é um bom sinal. Água de correr biqueira num teve não senhor. Só umas neblinas pra lavar as telhas.

Tenho noticias de chuvas boas pros lados do Cariri paraibano. Já tem esbarro d’água esborrotando e o feijão e o milho já tão "oiando".

Alex, amigo véio, tô escrevendo mesmo é para espichar um abraço inté ai na capitá e desejar toda felicidade do mundo e que essa, alcance a toda sua família com muita paz e saúde.

Ainda toma “umasinha”? Se quiser mando uma cachaça da Pitombeira pra espantar o frio e as mazelas da chuva. Quer?

No mais, é esperar o inverno “engrossar”, se alegrando com o riscado do relâmpago e o ribombar do trovão na serra.

Mande noticias.

Um abraço.

Marco da Pitombeira
Diretamente da ribeira do Acari, Rio Grande do Norte.

Marketing Inteligente - Wisky Jack Daniel's


Dicas de Leituras

Da série "Alguns clássicos da Literatura Universal que devem ser lidos antes de morrer". O Grande Ponto aconselha a leitura de:

Helena -Machado de Assis
A Carne -Júlio Ribeiro
A Ilustre Casa de Ramires -José Maria Eça de Queirós
Como e Por Que Sou Romancista -José de Alencar
A Alma Encantadora das Ruas -João do Rio
A Carta -Pero Vaz de Caminha
Cândido -Voltaire
Viagens de Gulliver -Jonathan Swift
Redondilhas -Luís Vaz de Camões
Iluminuras - Arthur Rimbaud
Schopenhauer -Thomas Mann
Carolina -Casimiro de Abreu
Triste Fim de Policarpo Quaresma - Lima Barreto
Antologia -Antero de Quental
Outras Poesias -Augusto dos Anjos
Alma Inquieta -Olavo Bilac
História da Literatura Brasileira -José Veríssimo Dias de Matos
Farsa de Inês Pereira -Gil Vicente

Fotografia & Poesia

Foto tirada por volta de 1935, de autor desconhecido
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POEMA
Chico Doido de Caicó
No blog Balaio Porreta

Eu gosto das palavras
xibiu, xota e xoxota.
São palavras redondinhas
Que se apertam e alargam
Quentes, cheias de suco
Úmidas, leitosas
Que a língua tem muito prazer
De dizer: xibiu, xota, xoxota.

Decola Brasil

Na manhã dessa quinta-feira de cinzas, este blogueiro voltou de umas férias carnavalescas, onde foi carregar as baterias do corpo e d’alma .

Estive em São Miguel do Gostoso, distante 120 km de Natal no litoral norte potiguar. Fiquei cinco dias na beira da praia, curtindo um merecido descanso na pousada Enseada dos Amores, um paraíso perdido na esquina do continente.
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Gostoso (esquecendo o arcanjo e dito assim pelos nativos) é um lugar deslumbrante de rara beleza. Uma praia ainda virgem que, aos poucos, está sendo "descoberta" pelos gringos. Não dou 10 anos para virar uma nova Pipa.

Na foto, As vacas na beira do mar é mais uma característica que o sertão encontra o mar, numa simbiose própria da nossa Costa Branca.

Como diria um jargão nacionalmente conhecido, tudo nesse País começa depois do carnaval. Agora, vamos decolar para 2009 com novos projetos e muitas novidades.

AVISANDO LOGO: O Grande Ponto não vai fazer nenhum comentário carnavalesco natalense porque seu funcionário estava viajando e não viu nada que aconteceu por aqui.

20 de fevereiro de 2009

Manicacas, Kengas, Lobisomens e Rock and Roll no Carnaval de Natal

AG Sued
Edmar Viana será homenageado com um boneco gigante pela troça carnavalesca "Poetas, carecas, bruxas e lobisomens", da qual ele foi um dos fundadores.

Há quem afirme que Natal não tem carnaval e que a cidade oferece a maior tranqüilidade para um bom descanso nos quadro dias de momo. Entretanto, alguns bons eventos pontuais, espalhados pela cidade, podem oferecer uma boa folia ao som de orquestras de frevo ou de uma guitarra elétrica numa banda de rock.

Oficialmente, o carnaval de Natal começou nessa quinta-feira, com o “Baile de Máscara” no Largo do Atheneu, onde a prefeita Micarla de Souza entregou a chave da cidade ao Rei Momo e a Rainha do carnaval. Durante o Baile de Máscaras foi lançado o CD "Sem Perder o Passo", iniciativa da cantora e compositora Valéria Oliveira. A proposta do álbum é registrar a forma como se brinca e se faz o carnaval em Natal.

Nessa sexta-feira momesca, a troça carnavalesca “Manicacas no Frevo” arrasta os foliões pelas ruas do Centro Histórico a partir das 17 horas, com concentração no Bardallo’s. Quando terminar o arrastão dos Manicacas, um palco armado ao lado da Assembléia Legislativa onde acontecerá o show de Romildo Soares.

A maioria dos foliões-manicacas devem levar suas esposas. Mas, aqueles boêmios que forem ao Beco sem suas mulheres terão que levar uma “autorização” da esposa para poder brincar o carnaval dentro da troça e sem perigo do “rolo de Macarrão”. Como já virou tradição, haverá a entrega do “Troféu Manicaca do Ano”.

O bloco “Poetas, carecas, bruxas e lobisomens” sai pelas ruas de Ponta Negra no sábado de carnaval, reunindo há cinco anos as famílias que moram no bairro e turistas que visitam a cidade. A galera se concentra a partir das 16 horas na Feirinha de artesanato do conjunto Ponta Negra ao som de Krystal e banda.

Idealizado pelo cartunista da Tribuna do Norte, Edmar Viana, que morreu ano passado, o bloco traz duas novidades nesta edição: Um boneco gigante de seu fundador, que foi desenvolvido pelo artista plástico João Natal, e um novo personagem do folclore do Boi de Reis, o Jaraguá. O blog ainda carrega os bonecos gigantes do poeta, do careca, da bruxa e do lobisomem, arrastados por uma banda de frevo pelas ruas de Ponta Negra.

No domingo de carnaval, a pedida é passar pelo Centro Histórico para curtir o carnaval das Kengas. Há 26 anos fazendo a festa em plena Rua Vigário Bartolomeu, as Kengas oferece um carnaval animado, cheio de irreverência e fantasias luxuosas. No final da tarde, acontece um desfile e a escolha da “Rainha das Kengas”, troféu muito disputado pelas meninas.

Para quem gosta de trio elétrico e música baiana, o carnaval de Pirangi apresenta a Banda baiana Pimenta Nativa na segunda-feira momesca. Cerca de treze bandas foram contratadas para animação na orla e na Praça São Sebastião, começando às 13 horas e se estendendo até às cinco da manhã.

Um festival de rock and roll toma conta do Centro Histórico na terça-feira gorda para a 3ª edição da “Chamada Carnavalesca do Rock”, palco de música alternativa idealizado e coordenado pelo Dosol, com apoio da Capitania das Artes. No palco, programação começa às 17h com entrada livre e vai contar com shows do Los Costeletas Flamejantes, Os Bonnies, Bugs, The Sinks, Camarones Orquestra Guitarrística, Ak-47 e Leno.

Ainda na manhã da terça-feira, a tradicional troça “Os Cão” (assim mesmo, com um erro de concordância) anima o carnaval da Redinha com a galera toda melada com lama de mangue. Na quarta-feira de Cinzas, o folião que ainda tiver pique poderá curtir o “Baiacu na Vara”, que sai às ruas da Redinha pela manhã ao som de uma orquestra de frevos.

19 de fevereiro de 2009

Mantras indianos abrem o carnaval do Centro Histórico natalense

Foto: web
Oficialmente, o Carnaval de Natal começa hoje com o Baile de Máscara, no Largo do Atheneu. Porém, a festa momesca natalense está tão diversificada que inclui até show com temática indiana, em sintonia com a tendência trazida pela nova novela global “Caminhos da Índia”.

A cantora de mantras) indianos, Lucinha Madana Mohana, abre amanhã (sexta-feira 20), a partir das 17h, o carnaval do Centro Histórico. No sábado, nossa sacerdotisa Madana Mohana se apresenta no palco da Redinha com a banda Hare Aruande, a partir das 20h.

Segundo a cantora, o show faz parte do projeto “Carnaval Natureza Amor e Paz”, cujo objetivo é abençoar o carnaval de Natal e os foliões. “O espetáculo desperta o público para a importância da preservação da natureza e da cultura de paz”, diz a cantora.

A apresentação de Lucinha mescla os mantras indianos com o candomblé e os ritmos baianos, no que ela chama de “arte universalista”. Há cinco anos, Lucinha abre o carnaval de Salvador. Esse ano não poderia ser diferente: no primeiro dia de fevereiro apresentou-se no Farol da Barra com a banda Hatha Yatra entoando mantras de paz.

A programação do “Carnaval Multicultural” acontece simultaneamente em seis opções de pólos culturais: Ribeira, Redinha, Centro Histórico, Rocas, Ponta Negra e Alecrim. Valorizando o artista local, o carnaval de Natal oferece vastas e diversificadas opções para satisfazer os mais diferentes gostos.

Pense num carnaval invocado! Nos próximos posts, o Grande Ponto dará mais detalhe sobre o Carnaval de Natal 2009.

Carnaval com teatro e arte plástica

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Pelo segundo ano consecutivo, o Colégio Ciências Aplicadas apresenta o projeto “CulturAPlicada”, começando hoje com teatro e artes plásticas, a partir das 19 horas, com entrada franca.

De acordo com o poeta e professor Plínio Santos, um dos idealizadores do evento, o projeto alicerça-se na realização de atividades e/ou eventos artísticos em todas as expressões e traduz a escola como um espaço (lúcido e lúdico) de ambiência cultural, habilitando um canal interativo entre o saber e a realidade.

Exposição: “Abstrações”, do artista plástico Eduardo Alexandre. São 16 telas em acrílico, com temática expressionista e abstrata. Dunga, além de artista é o criador da “Galeria do Povo”, espaço que serviu de amálgama para o movimento underground natalense; e foi premiado como produtor cultural do ano (2005) pelo Diário de Natal.

O monólogo “Apareceu a Margarida”, do dramaturgo Roberto Athayde, ficou consagrada como uma alegoria da ditadura militar, com sua personagem-título tirânica e obcecada pelo poder. Controladora, alucinada e contraditória, dona Margarida é uma das criações femininas mais cobiçadas do teatro nacional. Na encenação, o ator João Antônio Vale e direção de Rosana Resende.

Teatro e Artes Plásticas
No auditório do colégio Ciências Aplicadas
Rua nossa Senhora de Lourdes, 56 - Tirol (ao lado CAERN)
Entrada Franca

18 de fevereiro de 2009

Eu sobrevivi ao Bush

Camiseta demonstrando o repúdio que os americanos teem ao ex-presidente George Bush e sua administração desastrosa. Se a moda pega por essas terras cascudianas, vamos ter camisetas adoidado com a "cara" de vários políticos sem futuro estampada no peito.

Carnaval no Sertão

Marcus da Pitombeira, Acari RN

Carnaval no sertão
Tem toda uma diferença
E pra não perder a crença
Continua a tradição.
O cara pula no chão
Ou rebola atrás do trio
No apito ou no assovio
Faz aquela animação

Tem um tal de mela mela,
de ovo, maizena e pó,
água, mijo e loló
misturado na panela.
Quando ver um abusado
Grita logo pro povo:
Agora peguei um bobo
E deixa o cara melado.

Lá na frente se depara
Com um Papangu atrevido.
Todo alegre e divertido,
Com a mascara cobrindo a cara.
É uma figura bizarra.
Faz munganga com trejeito
E num requebrado malfeito
É o centro da algazarra

O que agora vou contar
E de causar estranheza
Mas lhe digo com firmeza
E caso espetacular.
Lá tem uma bandinha
Diferente por natureza.
Mas toca qué uma beleza.
Frevo, axé e marchinha.

Tocando em sintonia
Acredite minha gente
É uma bichara contente
Que anima essa folia.
O marcador é mestre Sapo.
Tem as manhas do agito,
No gogó e no apito,
Consegue manter o trato.

No tarol um guaxinim
Segue mantendo o compasso
No bumbo tomando espaço
Vem ao seu lado o sonhim.
Mostrando talento de sobra
E muita concentração
Com o instrumento na mão
Quem toca Prato é a cobra.

Espalhando um alarido
Um burro toca trombone.
Um peba morto de fome
Da de beber a um grilo.
Um macaco bom de briga,
Usando todo o amplexo
Tenta sem muito sucesso,
Comer o cu da Formiga.

Nos saxes baixo e tenor
Uma dupla afinada
Vem enfrentando a parada
Com orgulho e com amor.
O peba e o gavião,
Estão na mesma sintonia,
Esparramando alegria
Faz a festa do povão.

Um pavão todo enxirido,
Vinha tocando ganzá,
No ripique do preá
O som fazia sentido.
Ao som da pernambucana,
Uma bode veio na praça,
Bebendo, fazendo graça,
emborcava uma de cana.

Quatro guiné e um peru,
Organizaram uma Orgia
Com um casal de cutia,
Dois mocó e um Tatu.
Na hora do camafeu
No amanhecer do dia
Ninguém pegou a cutia
Comeram só o Cuteu.

17 de fevereiro de 2009

Manicacas do Beco da Lama caem no frevo nessa sexta-feira carnavalesca

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Alguns boêmios do Beco da Lama assumiram a condição de “dominado pela esposa” e resolveram fundar a agremiação carnavalesca “Manicacas no Frevo”, que pelo 4º ano consecutivo sai pelas ruas do Centro Histórico ao som dos metais da Orquestra de Frevo do Maestro Duarte.

Esse ano, a troça dos Manicacas animará os foliões na sexta-feira carnavalesca, a partir das 17 horas, em frente ao Bardallo’s, para depois seguir pelas ruas da Cidade Alta. Quando terminar o arrastão dos Manicacas, um palco armado ao lado da Assembléia Legislativa receberá o show de Romildo Soares.

A maioria dos foliões-manicacas levam suas esposas; Mas, aqueles boêmios que forem ao Beco sem suas mulheres terão que levar uma “autorização” da esposa para poder brincar o carnaval dentro da troça e sem perigo do “rolo de Macarrão”. Como já virou tradição, haverá a entrega do “Troféu Manicaca do Ano”.

O carnaval dos Manicacas tem o apoio da Prefeitura de Natal, através da Capitania das Artes. Porém, estranhamente a principal entidade do Beco da Lama, a Samba (Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências), ficou de fora dos apoios, como se a entidade não existisse ou não tivesse uma gestão atuante, mesmo que interina.

16 de fevereiro de 2009

Escola de teatro abre vagas

Até depois do carnaval, a Escola Municipal de Teatro de Natal está oferecendo vagas para quem quer ser ator de teatro. As inscrições estão sendo realizadas no Espaço Cultural Chico Miséria, na Zona Norte.

Os interessados devem ser maiores de 18 anos e podem se inscrever na Capitania das Artes portando identidade, CPF e foto 3X4. De acordo com o coordenador da Escola Municipal de Teatro, professor Lenilton Teixeira dos Santos, 15 vagas ainda estão disponíveis.

A Escola Municipal de Teatro de Natal forma atores e atrizes com alto nível técnico, preparando para o mercado de trabalho. A Escola também incentiva a pesquisa teatral e a proposição de idéias, oferecendo conhecimentos teórico-práticos indispensáveis à arte de representar.

"Além disso, a instituição estimula uma postura crítica e produtiva frente ao teatro e ao mundo, para que os futuros artistas assumam a responsabilidade social inerente à sua atividade", ressaltou Lenilton Teixeira.

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A poesia laudatória nordestina nos versos de Gilmar Leite, sob a luz do Romantismo

Vinte anos! derramei-os gota a gota
Num abismo de dor e esquecimento...

De fogosas visões nutri meu peito...
Vinte anos!... não vivi um só momento!
(Álvares de Azevedo)

Texto: Alexandro Gurgel

Mesmo fazendo versos sem ciência do termo “laudatório”, alguns poetas nordestinos cantam exaltando a vida, por vezes sofrida, de personagens do cotidiano sertanejo, como se a literatura já fosse inerente n’alma do vate. O poeta Gilmar Leite, natural do sertão de São José do Egito, cidadezinha pernambucana às margens do Rio Pajeú, em seus versos, canta uma louvação a uma prostituta que viveu na cidade nos idos de 70, chamada Severina Branca.

No tempo em que as meretrizes eram muito pobres ou de pouca beleza, vendendo o corpo para alimentar seus filhos, muitas vezes de pais que não assumiram, e sem o amparo dos órgãos governamentais, Severina Branca foi a pioneira naquele recanto sertanejo de pouca fartura.

Na voz de Severina Branca, o poeta Gilmar Leite decanta a alma romântica do “eu oprimido”, esmagada pela solidão e pela brutalidade do mundo. Uma espessa melancolia se apossa dos seus versos, e por todos os lados vê-se o lado sombrio e inútil da existência.

Ao sentir que os seus vínculos com o mundo foram rompidos, o poeta apega-se no próprio “eu”. Um “eu” incômodo, estranho, que ameaça ora com o caos, ora com o êxtase, ao mesmo tempo, um “eu” angustiado, incapaz de transformar o mundo. O poeta utiliza aspectos da literatura romântica com gritos de subjetividades que confessam seus medos e sofrimentos.

Gilmar Leite verseja a inconformidade do artista romântico com o “mundo cruel” com uma série de procedimentos de fuga, dando voz à Severina Branca, cujo silêncio da noite é a única testemunha daquela vida de muitos pecados. Já que a sociedade não quer escutá-la ou não sabe compreendê-la, já que ela está perdida numa realidade incômoda e brutal, já que sua sensibilidade não possui força para mudar o destino, resta-lhe apenas a tentativa de escapar dessa noite silenciosa, abrindo seu coração para as amarguras da vida.

Uma das características românticas é o “mal do século”, uma “enfermidade moral” e não física. Resulta do tédio (“ennui”, “spleen”), mas não do tédio comum (aborrecimento diante da chatice da vida). A concepção romântica aponta para um aborrecimento desolado e cínico, que ressalta tanto a falta de grandeza da existência cotidiana quanto o vazio dos corações sem esperanças. Estes acreditam ter vivido todas as paixões e ter experimentado todos os abismos.

Severina Branca cria uma espécie de sentimento mórbido de insatisfação da vida e de manso desespero, com a alma machucada de torturas. Algo próximo à sensação de absurdo da vida, quando Severina roga a Deus para que sua vida seja levada, terminada aquele sofrimento agourado por aves estrigiformes de hábitos noturnos.

Em contraponto ao presente insatisfatório, o poeta encontra elementos românticos, constantemente no passado, com versos sublimes, delineando intelectualmente seus valores. Esta condição de mito, onde Severina Branca é ovacionada, obedece a uma tendência de fuga da realidade, pois, de acordo com os ideais românticos, tanto o mundo medieval como o mundo infantil representa o paraíso perdido, uma época de ouro na qual as criaturas seriam felizes.

Pela nostalgia de um tempo que os artistas do Romantismo desconheciam - caso do passado histórico - nega-se o presente, hostil e causador de sofrimentos, conforme podemos ver na narrativa do poeta Gilmar Leite.

Na poesia romântica brasileira, há grande variedade métrica, de ritmos e de rimas, indicando a liberdade de composição que os autores experimentam. Gilmar Leite começa a cantar as desventuras de Severina Branca usando um dístico, glosado e rimado em versos decassílabos.

O poeta faz uso intenso de adjetivos, em função de sua força expressiva e de seu poder de qualificar uma numerosa gama de sentimentos expressos no peito de Severina. Os adjetivos, segundo os românticos, ampliam ao máximo a conotação emotiva das palavras, fixando tonalidades e nuanças da natureza e das paixões humanas.

A saudação aos heróis Dante e Virgílio, criando um vínculo divino entre o poeta e o legado dos antigos aedos, serve como guia para contar a história daquela mulher mitológica, que amargou as horas do ocaso, flamejadas nas manhãs do sertão de Pernambuco.

Ao longo do poema, Gilmar Leite usa uma linguagem romântica, deixando a impressão de nobreza naquele sofrimento sem fim e dando ênfase declamatória à Severina Branca, através de metáforas, hipérboles, alegorias e outras figuras. De alguma maneira, o lirismo desse poeta pernambucano alcançou o grau laudatório dos grandes poetas românticos, conduzindo seus versos para o encantamento, revelado na voz de Severina Branca.

Observação de Gilmar Leite:

O mote abaixo, que é o titulo do poema, foi feito pela poetisa/meretriz Severina Branca. Ele foi dado na década de 70, quando então cantavam em São José do Egito, na barbearia de Zé Rocha, os poetas repentistas Job Patriota (já falecido) e Zé Catota (hoje com mais de 90 anos).

Já descambando pra meia noite, a poetisa perambulando pelas ruas da cidade chega ao recinto da cantoria e fica assistindo aos vates em noite de inspiração. No momento do silêncio da viola, enquanto os cantadores tomavam um aperitivo, alguém presente na cantoria sugeriu que a poetisa desse um mote pra os bardos improvisarem.

A poetisa/meretriz na sua angústia e dor disse o mote abaixo, que por si só é um poema. Os cantadores improvisaram; só que os versos se perderam entre as paredes e as pessoas que estavam presente, sem haver nenhum registro do que foi feito sobre o mote da poetisa/meretriz.

Ela depois fez alguns, que infelizmente se perdeu na oralidade; e outros poetas também fizeram, abordando o tema. Eu nunca imaginei fazer um dia, pois pensava que o assunto já tinha se esgotado. Mas certa noite fui tomado pela inspiração e fiz os decassílabos abaixo sobre o mote de Severina Branca.

Hoje , a Severina Branca reside num povoado distrito de São José do Egito chamado “Mundo Novo”. Nos dias de feira (sábado), antes dos primeiros versos a poetisa/meretriz ainda consegue dizer alguns versos de sua autoria.


O silencio da noite é quem tem sido
Testemunha das minhas amarguras


Mergulhei nos abismos infernais
Que nem Dante deu passos com Virgilio
Na Procura de achar algum auxílio
Eu sofri nos subúrbios marginais.
Vi o ocaso nas horas matinais
Entre os braços de estranhas criaturas
Os contatos fortuitos às escuras
Ecoavam com um sopro dum gemido
O silêncio da noite é quem tem sido
Testemunha das minhas amarguras.

Troquei beijos com bocas amargosas
Sob as luzes de um velho candeeiro
E dos corpos senti estranho cheiro
Entre as nevoas de noites vaporosas.
Hoje as marcas das dores horrorosas
São sinais dos momentos de loucuras
Machucando minh'alma com torturas
E deixando o meu ser enlouquecido
O silencio da noite é quem tem sido
Testemunha das minhas amarguras.

Inda sinto o tremor da mão suja
Afagando o meu corpo pecador
Ao invés do prazer sentia dor
E no peito uma voz dizendo fuja.
Entre as brechas das telhas a coruja
Agourava as minhas desventuras
Eu gritava pra Deus lá nas alturas
Leve logo este ser que é tão sofrido
O silencio da noite é quem tem sido
Testemunha das minhas amarguras.


Muitos homens chegavam embriagados
Dando chutes na porta como loucos
Os gentis para mim foram tão poucos
Eram seres tristonhos, reservados.
Eu perdi a noção dos meus pecados
A miséria causa-me tonturas
Numa vida com facas de agruras
Que cortavam meu peito ressequido
O silencio da noite é quem tem sido
Testemunha das minhas amarguras.


Sobre a cama meu corpo se tremia
De fraqueza, de fome e de sede;
Noutro canto a filhinha numa rede
Quem olhasse pensava que dormia.
Pois a fome causava-lhe agonia
Lhe roubando fagulhas de venturas
Eram cenas cruéis de vidas duras
Condenadas num mundo corrompido
O silencio da noite é quem tem sido
Testemunha das minhas amarguras.

Hoje eu vivo jogada ao relento
Sem um teto sequer para dormir
O passado, o presente e o porvir,
Me jogaram no duro calçamento
Condenada num frio isolamento
O meu corpo só tem as ossaturas
Pra os insetos fazerem aventuras
Ferroando o que já foi consumido
O silencio da noite é quem tem sido
Testemunha das minhas amarguras.

13 de fevereiro de 2009

Notas da Bexiga Taboca

Amanhã, este blogueiro vai de mala, cuia e câmara fotográfica debaixo do sovaco para Mossoró, doido para participar das comemorações pelos cinco anos da revista Papangu, a publicação mais invocada das terras potiguares, berço sagrado de Câmara Cascudo, Vingt un Rosado, José Bezerra Gomes, entre tantos...

Nesse sábado, em plena avenida Rio Branco, todos os papangus, bruxas e simpatizantes teem um encontro marcado para celebrar essa data marcante, junto com a cantora Khrystal e banda.

É um feito heróico publicar uma revista com qualidade nacional num Estado onde há poucos leitores, principalmente para publicações segmentadas e inteligentes. A Papangu já entrou para os anais históricos da imprensa potiguar por ser a publicação mensal com o maior periodicidade... 5 anos é phoda!

Parabéns ao amigo e editor da revista Túlio Ratto pelo feito de segurar a onda. Este blogueiro e papangu juramentado sente um orgulho danado em participar da revista desde a segunda edição. Portanto, só não há textos e fotos de minha autoria na edição de estréia.

Para aqueles que vão curtir o final de semana em Natal, antes do carnaval, o Grande Ponto vai dar algumas dicas e toques legais para programas inteligentes:

Sarau no Canto do Mangue
Nesse sábado, a galera da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins vai fazer seu tradicional “sarau poético-musical”, a partir das 19h, no Espaço Cultural do Canto do Mangue, na Praça Pôr-do-sol, em frente ao Mercado do Peixe. O homenageado é o poeta cordelista, caicoense, Heliodoro Morais. Mais informações com Jaécio: 9444-6831

Sexta-feira 13 no Castelo
O Castelo Pub e Yuno Silva não deixaram passar em branco essa sombrosa sexta-feira 13 fevereiro e está promovendo a tradicional festa à fantasia, ao som dos Mad Dogs e Playboys. O “Halloween fora de época” começa às 23h. Mais informações pelo telefone 8827-2006.

Kengas no América Clube
Nessa sexta-feira, a partir das 22 horas, a banda Perfume de Gardênia e a cantora Krhystal animam o tradicional “baile das Kengas”. Em sua 20ª edição as Kengas comemoram a volta ao clube do América, local que consagrou o evento, em anos anteriores, como uma da melhores prévias do carnaval natalense.

Samba no Beco da Lama
A partir das 19 horas, o Grupo Arquivo Vivo faz uma tremenda roda de samba, lá no Bar de Fátima, que fica por trás da Assembléia, no Beco da Lama. O repertório do Arquivo Vivo é de muito samba, com músicas dos grandes compositores e intérpretes como Paulinho da Viola, Roberto Ribeiro, Cartola, João Bosco, Chico Buarque, entre outros. Não paga nada.

Festa na UFRN
Na próxima segunda-feira, 16 de fevereiro, a Praça Cívica do campus da UFRN será o palco da grande festa que a Universidade prepara para recepcionar seus novos alunos. Toda a comunidade universitária vai participar das apresentações culturais, que começam às 16h e vão contar com muita música, teatro, vídeos e sorteios de brindes. A proposta é realizar uma prévia carnavalesca e, para isso, a produção fechou com a banda Perfume Elétrico – uma versão do Perfume de Gardênia para o carnaval – e com uma orquestra de frevo. O grupo Pau e Lata vai se apresentar no palco e no chão, interagindo com o público e com artistas em pernas de pau. Também participam da festa diversos grupos da Escola de Música. Tudo isso sem pagar nada.

Uma parada para reflexão
“As cidades que concorrem a sede da Copa do Mundo estão apresentando, junto com os projetos arquitetônicos, os projetos das festas de abertura. Bélem mostrou o Carimbó, Manaus a dança da floresta. E Natal o que vai mostrar? Só de pensar nisso me sobe um arrepio na espinha: Imagine um bloco de Carnatal, pulando e sacudindo as mãozinhas! As meninas mostrando a barriguinhas em seus abadás customizados, os homens com uma latinha na mão. Todos numa só voz: vamos dar a volta no trio".
(Franklin Serrão, artista Plástico, in Esquina do Beco.

11 de fevereiro de 2009

Programação do Carnaval de Natal

Todo mundo que tem juízo sabe que a Natal não tem carnaval. Em todo caso, a Prefeitura da cidade, através da Capitania das Artes se esforçou ao máximo para realizar o “Carnaval Multicultural”, trazendo folia para alguns gatos pingados que ficará por aqui.

Serão seis opções de pólos culturais disponíveis à população: Ribeira, Redinha, Centro Histórico, Rocas, Ponta Negra e Alecrim. Até o dia 19 de fevereiro, acontecem diversas prévias carnavalescas, incluindo o Baile das Kengas, dia 13 no Clube América e o Ensaio Geral, dia 14 na Redinha.

A abertura oficial do Carnaval Multicultural será no dia 19 de fevereiro, quando acontece o Baile de Máscaras no Largo do Atheneu, em Petrópolis. É o dia em que começa o reinado de Momo, com a entrega da Chave da Cidade pelas mãos da prefeita Micarla de Sousa ao Rei Momo e à Rainha do Carnaval 2009, eleitos no dia 6 de fevereiro no Baile da Saudade.

O tema do Carnaval é uma homenagem a um ícone da cultura potiguar, o mestre Cornélio Campina, morto em agosto do ano passado por problemas respiratórios. Em 1949, o mestre fundou o Grupo Araruna de Danças Folclóricas e Semi Desaparecidas, no bairro das Rocas

Pólos Multiculturais

Alecrim
Se o folião é amante de bandas de frevo e blocos de carnaval, deve ir ao pólo do ALECRIM. Lá, a folia acontece de 20/02 a 24/04, com muito frevo e blocos tradicionais como "Cheiro de Alecrim", "Aí Vem o Alecrim", "Psyu" e "Recordar é Viver". Os blocos irão se deslocar pelas avenidas Alexandrino de Alencar e Presidente Sarmento.

Centro Histórico
Já o pólo CENTRO HISTÓRICO oferece uma gama mais diversificada de atrações, que se estende de 20 a 24 de fevereiro. Nos dois primeiros dias de carnaval, bandas de frevo como a Banda Frevo no Beco e blocos como "Cabeça Feita", "Bloco da Amizade" e "Manicacas do Frevo" desfilam pelas ruas históricas. Além disso, as Kengas fazem seu desfile no domingo (22/02), data em que Khrystal & Banda, Lucinha Lira e Igor Dantas também fazem shows. Na segunda-feira (23/02) é a vez do Carnaval Junto e Misturado, que traz bandas de rap como Neguedmundo, Nordestenato, Carcará na Viagem e Afronordestina (PB). Na terça-feira o rock invade a Rua Ulisses Caldas, ao som de sete bandas de rock, dentre elas Os Bonnies, The Sinks e o cantor e compositor Leno, que fez sucesso durante os tempos da jovem guarda.

Ponta Negra
Quem for a PONTA NEGRA poderá contar com muito frevo, blocos carnavalescos e shows com artistas locais. Valéria Oliveira, Sueldo Soares, Rodolfo Amaral, Ronaldo Ferrara, Isaque Galvão, Pedrinho Mendes e João Batista, que participou do programa global Fama, são mostras das atrações do pólo. Além disso, blocos como o tradicional "Poetas, Carecas, Bruxas e Lobisomens" animam os foliões da praia. A programação do pólo acontece de 20 a 25 de fevereiro.

Redinha
No pólo REDINHA, a swingueira, os blocos carnavalescos tradicionais (como "Banda do Siri", "Os Cão" e "Baiacu na Vara") e o ritmo do frevo serão os ingredientes da folia. A programação oferece ainda muitos shows com artistas potiguares, e traz também Nonato Negão, ex integrante da Banda Mel. A folia na Redinha vai de 20 a 25 de fevereiro.

Ribeira
A RIBEIRA traz em sua programação um carnaval tradicional, com desfiles de escolas de samba e tribos de índios na Avenida Duque de Caxias, sentido Rocas-Centro.

Rocas
Com a intenção de valorizar os artistas do bairro, o pólo das ROCAS, a pedido dos próprios moradores, contará com blocos e bandas dos habitantes do pólo, como "Gigante das Rocas", "Arialzinho" e "Canguleirinhos". O carnaval segue na Rua Pereira Simões de 20 a 24 de fevereiro.

10 de fevereiro de 2009

Entrevista com Wescley J. Gama

Wescley J. Gama é seridoense de Currais Novos e faz parte da nova geração de poetas que descende de Luíz Carlos Guimarães e José Bezerra Gomes. Vencedor de dois concursos poéticos nos últimso anos, Wescley Gama integra um grupo poético chamado Grupo Casarão de Poesia, que vem espalhando versos pelas ribeiras do Seridó.
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Entrevista e fotos: Alexandro Gurgel

Como surgiu o gosto pela poesia?
Sempre gostei de ler. Quando criança mergulhava profundamente nas viagens das revistas em quadrinhos e de livros como As mil e uma noites, além de muita literatura de cordel. Essas leituras me arrebatavam para um mundo totalmente diferente, uma experiência verdadeiramente transformadora. Já na adolescência, descobri o trabalho de poetas como Ferreira Gullar, Manoel de Barros e Mário Quintana, que me deram uma visão de mundo mais ampla e lírica.

Qual o sentimento de ser considerado um poeta?
É meio estranho, porque essa condição pode trazer paradoxalmente um misto de veneração e desdém por parte da sociedade. O que sinto, na verdade, é que posso interagir com as pessoas através da poesia e provocar, quem sabe, uma reflexão sobre a natureza das coisas, ou sobre as dificuldades que enfrentamos nesse mundo pós-pós-moderno.

Quais suas influencias literárias e quais os poetas que estão marcando sua carreira? Por que?
Acredito que um bom poeta deve questionar e denunciar quando for preciso, apontar a beleza onde outros veem caos apenas, mas principalmente tem que chegar perto do coração das pessoas, transmitir uma sensação, cativar a atenção, e, quem saber, ajudar a transformar suas vidas, mesmo que seja num pequeno grau. Leio muita coisa que chega às minhas mãos, Drummond, Ferreira Gullar, Neruda, Mário Quintana, Iracema Macedo, Iara Maria Carvalho, Wally Salomão, Chacal, dentre muitos outros. Gosto muito de ler romances e contos de Gabriel Garcia Marques, Machado de Assis, Hermann Hesse, Caio Fernando Abreu, Jorge Luís Borges, Júlio Cortazar, MarcelinoFreire.

De que maneira você recebe os prêmios como vencedor de concursos de poesia?
Não deixa de ser um reconhecimento do trabalho, além de um estímulo à produção de um poeta iniciante. Fiquei muito surpreso e grato com os prêmios e espero lançar o primeiro livro em breve, Poemas encharcados de sertão.

O ato de escrever versos é mais inspiração ou mais trabalho em busca das palavras e rimas?
Quando a inspiração vem, você tem que estar preparado. Tem que ler muita literatura para tentar apreender um pouco do que o mundo oferece através do que é visível, palpável. Assim criamos nossa leitura do mundo e damos nossa contribuição de alguma forma.

Afinal, para que serve a poesia?
Ela não tem necessariamente que servir para alguma coisa. A poesia é. Observemos que ela está presente na história da humanidade desde os primórdios da escrita. Será que uma obra como Os Lusíadas não ajudou, mesmo que de forma ínfima, a consolidar a unidade da língua em Portugal, há centenas de anos? Será que Dom Quixote não fez o mesmo no Reino de Espanha? Acho que a poesia pode tirar você de uma letargia, convocar você a contribuir com um pensamento, uma iluminação, por menor que seja. A poesia me ajuda a viver melhor, me dá um sentido a mais pra viver.

Como você o atual momento da poesia potiguar?
Há uma nova geração de poetas potiguares. Mas só dá pra ter uma idéia melhor de uma geração ou de um movimento quando eles passam ou envelhecem. Então você olha de longe e vê os estragos que ela fez (risos).

A que você atribui esse crescente movimento poético em Currais Novos?
Todos já sabem que Currais Novos já tem uma trajetória nesse campo. Luís Carlos Guimarães e José Bezerra Gomes deixaram uma contribuição significativa para poesia potiguar, este a partir da década de 30 e Luís Carlos a partir da década de 60. O que posso dizer sobre o atual momento poético em Currais Novos é que um grupo de amigos vem se dedicando a utilizar a poesia como instrumento de interação com as pessoas. Um exemplo disso é o Grupo Casarão de Poesia, que teve vários de seus membros e amigos premiados nos concursos Zila Mamede e Luís Carlos Guimarães. E olhe que a lista é grande: Iara Maria Carvalho já foi 2º e 3º Lugar no Concurso Luís Carlos 2006 e 2007 e 1º lugar no Zila Mamede 2007, Luciene Danvie, menção Honrosa no Zila Mamede 2008, Adélia Danielli, 3º lugar no Zila Mamede 2008, Luciana Maria Carvalho, menção honrosa no Luís Carlos 2008, Théo G. Alves, 3º lugar no Luís Carlos 2008. Eu fiquei em 1º Lugar no Concurso Zila Mamede 2008 e Luís Carlos Guimarães 2007.

Quais os poetas potiguares de relevância que merecem destaque?
Da curta história de pouco mais de cem anos da poesia potiguar, acho que devem ser lidos Auta de Souza, Ferreira Itajubá, Othoniel Menezes, Zila Mamede, Jorge Fernandes, Nei Leandro de Castro, Moacy Cirne, Luís Carlos Guimarães, Iracema Macedo, Antônio Francisco, dentre muitos outros com os quais cometo agora o pecado de deixar de fora da lista por falha de memória.

Atualmente a chamada "literatura eletrônica" é uma realidade. Em sua opinião, que importância os blogs e os sites possuem com temas literários ou culturais?
Os sites e blogs têm sido uma ferramenta interessante na difusão de idéias. Vencer as barreiras do tempo e do espaço nos dá uma mobilidade e uma flexibilidade impressionantes para que conheçamos e troquemos figurinhas com pessoas de todas as partes do Brasil e do Mundo. Por falar no assunto, há cinco anos mantenho o blogwww.tabernaculo.blogspot.com

Como você vê o acordo ortográfico?
Alguém já disse que quem a faz a língua é o povo. Principalmente a língua falada. Mas eu vejo com bons olhos esse acordo, porque ainda assim cada país vai manter seu dialeto e suas individualidades, que mudam lentamente e ao sabor de múltiplos fatores.

O livro de poesia é um produto que tem mercado no Rio Grande do Norte?
Livros de poesia são produtos que não teem mercado em nenhum lugar do Brasil (risos). Lembro de ter visto uma entrevista de Drummond na qual ele dizia que poucos livros seus eram vendidos, comparados aos romances de outros autores nacionais. Mas o importante é que haja incentivos e iniciativas, por parte das editoras e do governo, para que os autores não tenham que ficar sempre bancados seus livros com recursos próprios. Para criar um mercado de livros primeiro é preciso criar leitores. É preciso mais incentivo à leitura nas escolas, oficinas de poesia, coisas desse tipo. Mas o mais importante não o mercado em si. É necessário estabelecer contato entre as pessoas e os autores/obras, para que, juntos, todos possam crescer.

Como a Academia Norte-riogranden de Letras poderia contribuir para o fortalecimento da poesia potiguar?
Qualquer instituição ligada diretamente ou indiretamente à educação e cultura pode contribuir realizando oficinas, eventos, feiras, concursos, palestras... são mil possibilidades, só é preciso dar vazão às idéias, através de recursos humanos e materiais.

Se você convidado para a ANL, você aceitaria ser um imortal?
É cedo pra falar nesse assunto, pois sou apenas um iniciante, poeta incipiente que não sabe se vai vingar. Flutua no ar a impressão de que todas as academias, começando pela ABL, são instituições enferrujadas e "enferrujantes", mas tudo depende de quem está lá à frente. Essas academias podem sim ter um papel interessante na formação de uma sociedade que valorize mais a literatura.

O que move um poeta?
Depende do momento. Uma indignação, uma beleza. O desejo de condensar a história do seu povo, a ânsia de pontencializar um ato importante que ninguém viu.

Que instrumentos ou assuntos podem virar objeto de um poema?
O importante é como se faz, como se escreve. Qualquer coisa pode entrar num poema, desde que tenha sua sonoridade, sua harmonia, sua sintonia e, principalmente, contribua inesperadamente para o objetivo a que se está proposto, seja qual for.

O sertão inspira a fazer versos?
Uma resposta em prosa para uma pergunta em versos: "Currais Novos amanheceu sitiada. Estamos sitiados. Uma luz de instabilidade estalou sobre as velhas cerâmicas da praça central, enquanto crianças corriam amanhecidas na neblina incomum que pairava sob a cor mulata das ruas de barro. A cada hora que passava mais crianças apareceram e se pareciam umas com as outras. A cada lampejo de olhar estupefato dos cidadãos da pequena vila perdida entre os gravetos acinzentados da caatinga ensanguentadamente vermelha, a população se renovava. Não havia tempo para sentir a situação como absurda. A prioridade era perder a conta. O essencial era absorver o canto infantil que emanava de uma multidão infante. Era assim. Nós éramos essas crianças. Depois que anoiteceu e voltou a amanhecer, a luz que amarelo queimava os casebres noticiou apenas a paisagem deserta. Das águas agridoces do açude dourado às marcas indeléveis deixadas pelas sentadas de cócoras do nossos índios tapuias, perdemos a noção de tempo e espaço. Desconquistamos a possibilidade de zoar coisas boas pelas veredas quentes que circundam nossa atmosfera sertânica e preenchida de traços culturais que talvez remontem a outras paragens além-açude, além-mar, além-imaginação. Tudo o que nos rodeia, sejam desde xique-xiques, água de pote, pedregulhos, riachos correntosos a amigos de sangue, amanheceres em sítios, sentimentos de sol, alegrias de repartição e partilha, tudo que nos envolve nos pode servir de instrumentos afinados prontos a colorir um sentimento que nos faça sentir enraizadamente homens que em meio a adversidades climáticas e econômicas prodigiosamente armadas por forças contrárias à nossa essência simples e inocentemente experienciante, possam garantir que não se desvanecerá a chama oculta acesa pelos homens e mulheres que primeiro pisaram essa terra inóspita, mas que é onde provisoriamente fizemos rancho e nos fizemos parte dessa paisagem sertaneja tão rica em detalhes e tão profunda na sua história deresistência a toda forma de baque arquitetada contra nós. Nós, sertanejos, certamente devemos continuar a nossa descoberta, pois não sabemos um sexto do que somos, de onde viemos, para onde seguimos. Não sabemos. Mas sentimos o fogo da vontade queimar em grandes labaredas que nos instigam ao movimento. Em direção aos ecos da caatinga. Em direção aos gritos noturnos que provém das mais recônditas estradas de barro e das mais pequenas moradas escondidas nos recantos desta terra seridoense. Em direção a nós mesmos. Vamos à descoberta".

Qual o conselho você daria para um jovem que quer ser poeta?
Leia muitos poetas, romancistas e contistas e as instruções de Maiakóviski. Vá escrevendo e mostrando ao mundo. O resto é seqüência.

9 de fevereiro de 2009

Informes Literários

Arca das Letras entrega 25 bibliotecas rurais em MG
O programa Arca das Letras entregou, no último dia 03, mais 25 bibliotecas rurais, agora para as comunidades do Território Médio Rio Doce (MG), beneficiando os municípios de Alpercata, Frei Inocêncio, Governador Valadares, Sobrália, Tumiritinga e Virgolândia. Na ocasião da entrega, também houve a capacitação de 50 agentes de leitura, que serão responsáveis pelas atividades nos locais. Com essa entrega, Minas Gerais passa a ter 403 bibliotecas em comunidades rurais de 172 municípios, beneficiando cerca de 37 mil famílias. No total, o programa já implantou 5.825 bibliotecas rurais em mais de 1.700 municípios brasileiros.

50 mil livros para a Biblioteca Nacional
A Fundação Biblioteca Nacional (FBN) recebeu do Instituto Ecofuturo a doação de 53.785 livros. As publicações, que tratam da história do Brasil, de sustentabilidade, e de conteúdos pedagógicos para promover a leitura e a escrita, entre outros assuntos, serão repassadas ao Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas e posteriormente distribuídas para as bibliotecas do país.

Palavras inglesas "esquecidas" são adotadas por site
O site Save the Words, iniciativa da Oxford University Press, está promovendo a "adoção" de palavras pouco usadas na língua inglesa para que elas não sumam do dicionário, estimulando uma renovação no vocabulário. Fruto de horas de estudos de dicionaristas, a página disponibiliza as palavras como "recortes de revistas" e, ao passar do mouse, elas gritam para chamar a atenção. Após adotar uma palavra, o internauta fica responsável por utilizá-la em conversas e correspondências, recebendo um certificado de adoção.

Dicas de leitura

Memórias de um Sargento de Milícias,
de Manuel Antônio de Almeida
"Era no tempo do rei.Uma das quatro esquinas que formam as ruas do Ouvidor e da Quitanda, cortando-se mutuamente, chamava-se nesse tempo 'O canto dos meirinhos'; e bem lhe assentava o nome, porque era aí o lugar de encontro favorito de todos os indivíduos dessa classe (que gozava então de não pequena consideração).
Os meirinhos de hoje não são mais do que a sombra caricata dos meirinhos do tempo do rei; esses eram gente temível e temida, respeitável e respeitada; formavam um dos extremos da formidável cadeia judiciária que envolvia todo o Rio de Janeiro no tempo em que a demanda era entre nós um elemento de vida: o extremo oposto eram os desembargadores.
Ora, os extremos se tocam, e estes, tocando-se, fechavam o círculo dentro do qual se passavam os terríveis combates das citações, provarás, razões principais e finais, e todos esses trejeitos judiciais que se chamava o processo.
Daí sua influência moral."
Leia este texto na íntegra

Os Timbiras,
de Gonçalves Dias
"Os ritos semibárbaros dos Piagas,
Cultores de Tupã, a terra virgem
Donde como dum trono, enfim se abriram
Da cruz de Cristo os piedosos braços;
As festas, e batalhas mal sangradas
Do povo Americano, agora extinto,
Hei de cantar na lira. - Evoco a sombra
Do selvagem guerreiro!... Torvo o aspecto,
Severo e quase mudo, a lentos passos,
Caminha incerto, - o bipartido arco
Nas mãos sustenta, e dos despidos ombros
Pende-lhe a rôta aljava... as entornadas,
Agora inúteis setas, vão mostrando
A marcha triste e os passos mal seguros
De quem, na terra de seus pais, embalde
Procura asilo, e foge o humano trato."
Leia o texto na íntegra

Agenda nacional

Bienal Internacional do Livro da Bahia
17 a 26 de abril
Mais informações

Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas - MG
17 a 26 de abril
Mais informações

Agenda Internacional

Salão do Livro de Paris (França)
13 a 18 de março
Mais informações

Feira do Livro de crianças de Bologna (Itália)
23 a 26 de março
Mais informações

Feira do Livro de Londres (Inglaterra)
20 a 22 de abril
Mais informações

Feira do Livro de Buenos Aires (Argentina)
23 de abril a 11 de maio
Mais informações

Prêmios Literários

Prêmio Portugal Telecom
Inscrições: até 28 de fevereiro
Aberto a: autores com livros escritos originalmente em língua portuguesa e que tenha primeira edição entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2008. No caso de livros editados em outros países, a primeira edição no exterior deve ter ocorrido entre 1º de janeiro de 2005 e 31 de dezembro de 2008.
Premiação: R$ 100 mil, R$ 35 mil e R$15 mil, respectivamente, para o primeiro, segundo e terceiros colocados.
Mais informações

5º Prêmio Barco a Vapor de Literatura Infantil e Juvenil
Inscrições: até 28 de fevereiro
Aberto a: escritores maiores de 18 anos que tenham textos voltados para leitores de 6 a 13 anos.
Premiação: R$ 30 mil mais o contrato com a editora
Mais informações

Prêmio Euclides da Cunha
Inscrições: até 31 de julho
Aberto a: livros inéditos ou publicados depois de janeiro de 1999 sobre a vida e a obra de Euclides da Cunha
Premiação: Será oferecido R$ 30 mil ao vencedor
Mais informações

Concurso Banco Real Talentos da Maturidade
Inscrições: até 22 de agosto
Aberto a: pessoas com idade igual ou superior a 60 anos
Premiação: Troféu e R$ 7 mil reais para os cinco primeiros colocados de cada categoria
Mais informações

Lição de confiança

Há dias na vida em que podemos nos encontrar numa difícil situação...
-
Mas, nem todo mundo que chega perto de você quer lhe ajudar.


Um poema de Plínio Sanderson, Natal RN

Bequiana

há algo de podre na límpida lama.
a fama do beco bóia no Potengi.
primazia institucional pelo aparelho do Beco
atrapalha o trabalho
sacrofício.

se tudo flui
à cidade e arrabaldes
confluem às suas entranhas.
absorto em pedra, bares e botecos
tudo sedimenta no Beco.
cloaca do universo.

tinha um beco no meio do caminho...
não foi um rio...
foi um beco que ficou em minha vida.
levitante alma na lama
arte não reta, ereta!

intempéries da confusão in urbe.
suspiros poéticos e hospício ao céu que reluz
beco estorvo criador
imagem semelhança das suas criaturas.
tipos. figuras. espécimes. trastes. bichos. personas.
ratos humanos. escrotas corjas. santos dementes.
putas que pariram.
jogo de bicho, toda sorte e azar ao léu.
nicho nojento que dá na bocágua e álcool.

beco umbilical cordão do imaginário udigrudi.
ecos do tonheca no royal cinema
potiguarânia, magestic...
redutos zeros.
amálgama das nações canguleira & xária.
espaço sagrado, vomitado, sangrado.
chão de profundezas infinitas.

não reproduzir provençais
picuinhas políticas tradicionais.
vide seculares oligarquias barrocas
NATALVESMAIA.
chega de tentar dissimular:
discursos modernosos,
lábias & lorotalheias.
ao cerne the question:
práxis!

como diluir lama na fama?
suscitar o beco como saída
contra o tódio desmemoriado?
como inserir, edificar
mítica viela em espaço concreto?
onde assentar os sem-beco?
espacializar & territorializar o beco!

a labuta é fazer tradição.
exercitar história.
render-se à memória.
excitar libido
feito portas de igreja e pernas de prostitutas
sempre prontas a deixar-se passar...

beco vício vil, falaocioso.
o beco não cabe em si
funda-se em santíssimos saberes:
vicissitudes nos coitos cotidianos.

culto à mística do beco é buraco neglo.
da clara lama ao caos da fama
sambas & rachas & bambas
alilás, ofensiva lilás é interseção
entre o rego e o brilho
do gênero ao sui-generis.
na calçada de fama
altos saltos egolátricos.
urge altruísmo!

transformar em tradição é argumento pragmático.
venha a nós todos os quadros
do beco e do bequismo
todas siglas numa suculenta sopinha de letras
todas matizes pereirálticas,
para lavar, pixar, pintar o beco.
Põe Pôla na sua vida e caótico fuxico se instaura.
escarrar no beco enquanto esperamos gardênia.
maledicências febris...

na contramão da abstração “das kapital”
mais-valia boemia, delírios in tremens.
ébria produção vitae.
cada gole como se fosse o último voto.
fosso átimo fossa.

milacrias
beco na veia
no veio ávido
saída onírica
SAMBA em todos os TAOS.

8 de fevereiro de 2009

Cãos e Kengas no carnaval de Natal

Ano passado, este blogueiro registrou o carnaval das Kengas, no domingo e, na terça-feira gorda, o bloco Os Cao (assim, com o erro de concordância mesmo), para mostrar que o carnaval de Natal ainda tem algo de interessante pra se ver.

Para ir até a exposição virtual Caos e Kengas no carnaval natalense, CLIQUE AQUI.

6 de fevereiro de 2009

Tributo a Chico Science

Para aquelas pessoas que estão querendo curtir uma festa legal, a sugestão do Grande Ponto é o Triburto a Chico Science, que acontece hoje, a partir das 22h no Castelo Pub. O evento é considerado o maior Tributo a Chico Science já organizado em terras potiguares e promete invadir mangues, dunas e asfalto para lembrar os 12 anos da morte de Francisco de Assis França (1966-1997).

As bandas "Orquestra Boca Seca" e "Síntese Modular" foram convidadas para formar a bãDAMANGUETAL, especialmente criada para o evento. Convidados especiais toparam participar da festa e já escolheram uma música para celebrar o poeta do MANGUE.

Outros convidados são:
Paulo Souto, Gabriel Souto e Gustavo Lamartine (DuSouto);
Romildo Soares;
NeguEdmundo;
Allan Dread Lion (Rastafeeling);
Leo HC;
DJ Macacco;
Júlio Lima;
Paulo Ricardo;
Henrique Pacheco (Kassava);
Yrahn Barreto;
Arrelia (banda) e Betão (Rosa de Pedra)

São mais de 25 músicos reunidos para fincar a parabólica e fazer contato!

Além de muita música ao vivo e discotecagem TXT, o público também poderá conferir ingressos de shows históricos de Chico Science e Nação Zumbi; panfletos de outros tributos entre outras curiosidades ligadas a cena do Manguebeat.

SERVIÇO
Tributo a Chico Science
Local: Castelo Pub (Rota do Sol, em Ponta Negra)
Data: 06 de fevereiro
Hora: 22
Mulher R$ 5 / Homem R$ 8

5 de fevereiro de 2009

Notas da Bexiga Taboca

Foto: AG Sued
Geringonça Sertaneja
Quem conhece as pequenas cidades do interior, sabe que não existe fiscalização do Detran e tudo funciona na base do improviso. É muito comum ver motos com placas atrasadas ou alguns carros tipo F 1000 usando um bujão de gás de cozinha como combustível, confortavelmente instalado ao lado do motor. O carro da foto é um pau-de-arara, utilizado para transportar pessoas dos sítios para as feiras livres de sertão a dentro.

Carnaval de Natal 2009
“O carnaval da Redinha vai ser tão bom quanto o carnaval de Olinda”, disse o deputado seresteiro Luiz Almir, durante o programa 60 Minutos, na TV Ponta Negra.

Pedrinho Mendes no Potengi
Este fim de semana, a "Lua Cheia" será a maior atração do passeio promovido pela Toa Toa Passeios Náuticos, nos dias 7 e 8 de fevereiro. O cantor e compositor Pedro Mendes embalará o passeio de barco que sairá do Iate Clube, sempre às 17h seguindo para "points" do Estuário do Rio Potengi. O retorno ao Iate será por volta das 20hs. A entrada custa R$ 40 para turistas e R$ 30 para quem é de Natal. No preço estão incluidos 2 drinques e degustação de aperetivos. O barco tem capacidade para 25 passageiros. Mais informações: 3088-1833 / 9999-4488.

Carnaval no Centro Histórico
Nessa sexta-feira, a Banda Antigos Carnavais fará um ensaio para esquentar o folião. Tudo começa a partir das 18 horas com homenagens ao padrinho da Banda, que será o jornalista Leonardo Sodré e a madrinha, a jornalista Elizabeth Venturini. A concentração será do Bar amarelinho, no largo do Memorial Camara Cascudo. A banda de frevos vai reviver as musicas e marchinhas do carnaval do século passado, além de incluir no repertório músicas carnavalescas de Dosinho, o homenageado especial. A Banda Antigos Carnavais sairá nesta sexta-feira, no seu oitavo ano de folia, que reuni foliões de todas as classes sociais num evento de rua, totalmente gratuito.

Rani de Moares na Ribeira
A cantora potiguar finalista do MPBeco, Rani de Moraes, apresentará o show "Não se perca de vista", nesse sábado, dia 07 de fevereiro, na Pizzaria Calígula, Ribeira. A Dj Cris Botarelli também tocará na noite. Os ingressos para a apresentação, que acontece às 20h, custarão R$ 5.

Exposição na Capitania
A Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte) de Natal, disponibiliza um espaço para que artistas de todo o Brasil divulguem suas obras. Trata-se da Galeria de Artes da fundação, que tem inscrições abertas até o dia 13 de fevereiro. A documentação, composta por portfólio e ficha de inscrição devidamente preenchida, pode ser entregue das 9h às 13h e das 14h às 17h no setor de Artes Visuais da Funcarte.

Espetáculo na Casa da Ribeira
“A Mar Aberto", peça do Coletivo Artístico Atores à Deriva volta a Natal após quase um ano de estréia e de viagens pela Mostra Pernambuco Nação Cultural, Festival de Garanhuns, Festival do Crato e Juazeiro do Norte. Nesta nova temporada serão duas apresentações, 07 e 08 de fevereiro, às 20h, na Casa da Ribeira. Os ingressos poderão ser comprados, antecipadamente, na bilheteria da Casa de terça a domingo das 16h às 22h.

DoSol na Vanguarda
O Centro Cultural DoSol inicia nesta sexta-feira , as atividades do "Dosol: Formação, Diversão e Vanguarda". O evento, que segue até o final de fevereiro, traz uma programação cultural variada, com exibição de documentários, shows e bate-papos com quem entende de internet e mundo do rock. Nesta sexta, tem conversa com o jornalista pernambucano Bruno Nogueira, Exibição do documentário Hype sobre a cena de Seattle e Foca Rock Discoteque. Mais informação: http://www.dosol.com.br

Curta Petrobrás
Vale á pena conferir no Cinemark (shopping Midway) até sexta-feira, sessão das 18:00 h, o Curta Petrobrás. Entre os curtas, o premiadíssimo “Câmera Viajante”, dirigido pelo fotógrafo Joe Pimentel. O curta tem 20 minutos de duração e mostra o trabalho de fotógrafos que ainda utilizam equipamentos analógicos (inclusive Lambe-Lambe). Aqueles que curtem fotografia vão amar esse filme. E o melhor: a entrada é gratuita, basta retirar o convite na bilheteria do cinema minutos antes da sessão. Só não pode levar a sua câmera para o cinema.

Impressões visuais
A exposição fotográfica “Impressões visuais”, aberta no dia 22 de janeiro no Museu Café Filho, pode ser vista até 19 de fevereiro. As imagens têm seis eixos temáticos, cada um deles acompanhado por um texto específico elaborado por especialistas de cada uma das áreas, que são herança, política, esportes, cidadania, cultura e meio ambiente. Ao todo, são 126 fotos, coloridas e em preto e branco, sendo 17 delas premiadas, com prêmios de grande destaque, como o Pulitzer dos EUA, prêmios ESSO do Brasil e World Press Photo.

Grana para a cultura
Estão abertas as inscrições para o Capes-Minc do Programa Pró-Cultura. O programa vai conceder 48 bolsas de ensino para estudantes de mestrado e para pesquisas na área cultural, com bolsas no valor de R$ 1.200,00. As inscrições estão abertas até 31 de março e deverão ser feitas por instituições de ensino superior. O edital já está disponível. A divulgação dos selecionados será realizada a partir de abril. Mais informações pelo e-mail: cii@capes.gov.br

Machado de Assis na Web
O segundo número de Machado de Assis em linha!, revista eletrônica de estudos machadianos já está na Internet. Criada pelos membros do Grupo de Pesquisa/CNPq Relações intertextuais na obra de Machado de Assis, a revista é semestral e foi lançada na Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, em 2008, Ano Nacional Machado de Assis. A cada edição é incluído o texto de um(a) jovem pesquisador(a) na revista. Entre 15 de fevereiro e 31 de março, os editores receberão colaborações para o próximo número. Os procedimentos para o envio de textos estão indicados no link Contato, no site www.machadodeassis.net

Prêmio Pontos de Mídia Livre
Foi lançado em Belém, durante a programação do Fórum Social Mundial, o Prêmio Pontos de Mídia Livre, uma iniciativa inédita do Ministério da Cultura para dá visibilidade aos projetos de comunicação alternativos e da mídia de mercado. A proposta deste primeiro prêmio, segundo o secretário de Programas e Projetos Culturais, Célio Turino, é mapear a rede de comunicação livre no Brasil. Participaram do lançamento, diversas autoridades, estudantes, jornalistas, blogueiros, midialivristas e integrantes de Pontos de Cultura. Outras informações: www.cultura.gov.br

4 de fevereiro de 2009

O parâmetro da crise

ARTIGO
Eduardo Alexandre

Vivendo, como nós vivemos, esses tempos de tantas mentiras numa era marcada pelo mascaramento de tudo, maquiagens bem feitas e blindagens perfeitas para o acobertamento da razão e da ciência dos fatos que nos atingem, fico a matutar qual o azimute a ser tomado para medir a marolinha que, parece, chegou ao nosso litoral depois de atravessar o Atlântico.

O Rei Momo de uma banda de carnaval tradicional da cidade foi para a balança e cravou exatos 48,60 quilos. As roupas do Rei, claro, nessa época de dificuldades financeiras mundiais, não puderam ser repostas nem o dinheiro deu para cobrir o que a costureira pediu para a reforma. O remédio foi convencer o Senhor da Alegria a se contentar com um cinturão novo, bem menor que aquele que usou em carnavais passados.

As roupas lhe sobrarão pelo corpo. Mas, o que fazer se não queremos maquiar o Rei, pelo menos esse de Momo, nem entupir suas vestes de enchimentos?

Mas rei que é Rei não é parâmetro de verdades sociais ou econômicas. O financeiro de uma nação não pode ser medido pelo peso ou aparência de seu rei gestor, muito menos o de momo.

Como medir a marolinha, então?

Eu estava nesse dilema quando me chegou uma informação sem aparente muita importância: a Pitú, assim com o u gravemente acentuado, resistindo a tantas reformas ortográficas, reduziu drasticamente o patrocínio que costuma proporcionar aos carnavalescos brasileiros. As camisetas de blocos, que chegavam às centenas, agora minguaram para poucas dezenas; os muitos litros da aguardadente antes distribuídos fartamente para a festa, agora precisam de recipientes para que sejam recebidos.

Aí, o estalo: se a crise atingiu a Pitú, a marolinha pode ser uma tsunami a lavar hábitos bem brasileiros, como o de beber a mais bebida cachaça país afora.

Quando levei essa conversa ao Beco boêmio, o pinguço do balcão desceu do alto do seu tamborete e me encarou:

- Pense num parâmetro sóbrio!

O Centro Municipal de Artes Integradas oferece cursos para as mais diferentes formas de arte

Foto: Candinha Bezerra
Atelier de artes plásticas com aulas de desenho, pintura e modelagem também estão disponíveis à comunidade.


O Centro Municipal de Artes Integradas (Cemai), localizado no Espaço Cultural Chico Miséria, na Zona Norte, iniciou desde o dia dois de fevereiro as suas atividades.

A instituição disponibiliza gratuitamente à população uma infinidade de cursos que ensinam as mais variadas formas de arte aos alunos, além de promover manifestações artísticas como a Semana de Arte e Cultura do Cemai.

Criado em 2005, como parte integrante do Espaço Cultural Chico Miséria (antiga área de Lazer do Conjunto Panatis), o centro oferece cursos de arte gratuitamente para a população. Atualmente, 13 cursos são ministrados, com 787 alunos matriculados, sendo que de música são 577.

O objetivo é revelar novos talentos e contribuir para o desenvolvimento cultural da Cidade. Há cursos de flauta doce, violão, guitarra, baixo, cavaquinho, bandolim, teclado, canto, linguagem e estruturação musical.

Aulas de dança e atelier de artes plásticas com aulas de desenho, pintura e modelagem também estão disponíveis à comunidade. Todos os cursos são conduzidos por profissionais bastante reconhecidos no meio artístico. Ao todo, 16 professores e uma psicomotricista fazem parte do quadro de funcionários da escola.

Os organizadores do Cemai avisam que ainda há vagas para o curso de linguagem e estruturação musical. Os interessados podem se inscrever até 03 de março, munidos de foto 3x4, comprovante de residência e cópia da identidade.

Informação com o Cemai: 3232-8226