21 de dezembro de 2006

Poemas de Natal RN

Nesse espaço inexiste luz e fala
Antoniel Campos

Nesse espaço inexiste luz e fala,
o seu tempo é estático e indefinido,
seu formato é de nunca concebido
e um aroma de frio se lhe exala.
Nada fixa e tudo lhe resvala,
tem seu sim quando um não lhe tangencia,
não diz nada e de nada se anuncia,
traz em si tudo o quanto não tem nome,
regurgita esse nada e se consome,
só, então, feito nada, se inicia.

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Soneto para Maria
Licurgo Carvalho

Musa galega! Um gesto de dor ou de afeição
Rogo para nunca a feiúra chegue a esse cândido semblante
Diante de Poti, conserva a rudeza pura do sertão
Do Potengi, suplicai a ausência do inferno pálido de Dante.

Em teu olhar não quero a tristeza; não quero
Em tua boca, o suave e idílico veneno da paixão
Contenta-te com o vultoso guerreiro de Homero
Extraindo prazeres de um parnasiano coração.

Deixai-me com memórias do teu corpo, imagem atrativa
O amor, cujo som, de uma harmonia pulsa incessante
Que cante aos ouvidos d’alma, uma poesia limpa e viva.

Versos que acalentem as lembranças no canto do Curió
No leito de Vênus, onde amamos intensamente,
Deixasse impressões nesse epitalâmico chão do Seridó.

Um comentário:

Laninha disse...

adorei muito bom