10 de outubro de 2008

Um poema de Eduardo Alexandre, Natal RN

Era Rio

Depois da resistência,
holandeses vencidos,
muitos se foram
poucos ficaram
a contemplar o rio
como em vigília

Foram anos, décadas
Três séculos de monotonia
e medo da escuridão

Uns, guardados pela Fortaleza
outros, na duna alta
ribanceira oposta ao mangue
de longe, a vigiar a barra

Em volta da capelinha,
deixada da fundação,
cabanas foram ficando
a demarcar meio à mata
sítios ermos, ali, ali

A oeste, o rio pequeno
de beber água boa, pura
como aqueles diasde muita espera
- Tijuru?
- Tissuru, respondia o índio

A pesca, a caça, a coleta
a criação de pequeno porte
a agricultura de poucos elementos
o cuidar dos animais
eram o fazer do dia-a-dia.
Marasmo da vida inteira

Natal nem era cidade
mas o Potengi era rio

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