17 de março de 2009

Um soneto de Gilmar Leite, São José do Egito PE

Lugar da Poesia

A poesia não é pra todo mundo!
É preciso ter grande sentimento;
Ter a alma tão livre como o vento
Libertar o sensível do profundo.

É viver de emoção todo segundo,
Explodir de beleza o pensamento,
Ver o belo, na dor, no sofrimento,
Encontrar o fulgor no lugar fundo.

É preciso ser leve feito à brisa!
Enxergar na palavra a luz precisa
E deixar-se envolver-se pela a vida.

É viver sobre as plumas da magia!
Navegar no fulgor da fantasia
Sobre o barco da alma enternecida.

Um comentário:

Pedro Augusto www.seridopintadocompalavras.blogspot.com disse...

Belo soneto!!! Só discordo do verso "A poesia não é pra todo mundo!"

A crítica não é ao poema, muitíssimo belo por sinal, que tem a licença poética para a expressão. Mas é que realmente acho que a poesia é, ou pelo menos deveria ser, para todo mundo. Outro dia, num domingo cedinho, estava eu em Acari, na porta do açougue para comprar a carne de sol que sempre trago quando volto para Mossoró, quando topei com um papudinho, na crise da abstinência matinal, tremendo mais que toyota bandeirantes em ponto morto e, em troca de uma pratinha para tomar a primeira do dia, soltou a sextilha abaixo:

"Margarida vá simbora
Pra casa do nosso pai
Você vá, siga na frente
Que eu vô seguindo atrás
Que esse mundo pra nós dois
Não está prestando mais

No dia da sua morte
Acompanho o seu caixão
E vou tremendo e chorando
E lhe dando o seu perdão
Que você foi uma rosa
Dentro do meu coração"

Então eu me apeei e só saí da bodega na hora que esgotei o estoque de sextilhas do camarada. Não há mal que não traga um bem. Pelo menos para uma coisa o chifre que Margarida botou no sujeito serviu: para a produção de poemas singelos, mas de uma sentimentalidade muito grande.

Existe poesia para todo mundo e para todo gosto. Com ou sem métrica e rima, poesias eruditas e também matutas, abstratas e concretas, com temas sérios e também com temas hilários. Enfim, tem sapato pra todo pé. Gosto de tudo, mas o meu fraco é justamente o tipo de poesia despretenciosa que o papudinho fez, que para mim é a alma do cordel.

Grande abraço!!!