2 de agosto de 2010

Prosa poética de Antoniel Campus, Pau dos Ferros RN

É

"é extremamente necessário que eu comece a dizer de qualquer forma, sem que pense a palavra — frase tampouco — inicial. sem que censure o piegas que me: habita, fala, dita. é preciso eu dizer que estou desnudo. que não finjo, fujo, oculto(-me), escondo, minto. que pulso. que escuto, compartilho e ardo. e cuido. e quero. é pertinente eu declarar que sempre acabo em teus abraços. que tu me és o cais. o norte. a bússola. rumo. azimute. ar. um caminhar de pés descalços. pingos de chuva nas costas. pelos — às favas a reforma ortográfica — pêlos! testemunhos do meu abraço em tuas carnes brancas. as mãos dadas. o cheiro do mato verde. da grama. o vermelho. o carmim. que nunca me foi tão visceral essas palavras: tu e mim. urge dizer, digo, escrever, não! dizer mesmo (chove aqui) que não me engano. que me és certeza. que eu traço a reta que intercepta teu nome. o ponto. o encontro. repito: ardo. é imperioso, nesse instante, que eu grite. se escutas? não. não é imperioso. pois sentes. sexto sentido que sente os demais. e sim. és demais. tu me transbordas ao mínimo falar. e ainda se te calas me transbordas. tens o dom de me expandir. de me acalmar. e eu amo isso. é extremamente necessário que eu comece a dizer de qualquer forma. é. enfim, é."

2 comentários:

Anônimo disse...

Ola Alex Guergel, td bem?
Te enviei um poema sobre Diogo Lopes.
Recebestes?
abs
Tião Maia

Larissa Marques disse...

O nome do poeta é Antoniel Campos.