10 de abril de 2006

Macau, tradição de Sal, Sol e Carnaval no Porto de Ama


Foto e Texto: Alexandro Gurgel

“A ilha de Macau já possuía esse nome velho em maio de 1797, mas seria povoada apenas na década de 1820-1830. Anteriormente seria deserta, por não ter água. Desde a barra do Rio Mossoró, ilhas do Rio Açu, Guamaré, pelo interior às Pendência, estendia-se vida pastoril, fazendas, criação bovina e eqüina, roçarias de mandioca. Pelo litoral, pescarias, exportação de peixe seco, carne-de-sol, couros, sal, muito sal, trabalho de homens livres e negros escravos. Já não mais viviam os indígenas quando a terra se povoou com aldeias, movimentadas e fartas”. (Câmara Cascudo, in Nomes da Terra. 2ª edição, 2002. Editora Sebo Vermelho. Natal, RN.)

A povoação do lugar teve início na Ilha de Manoel Gonçalves, através de portugueses interessados na exploração e no comércio do sal, abundante na região. No ano de 1825, aproximadamente, as águas do Oceano Atlântico, começaram a invadir a pequena ilha, dificultando a permanência dos moradores na área.

Em 1829, tornando-se impossível a permanência dos habitantes na ilha, em função do avanço das águas, decidiram então transferir-se para um outro lugar, escolhendo a ilha localizada na foz do rio Assu-Piranhas, denominada de Macau, nome originado da corruptela da palavra chinesa “Amangao”, que significa “abrigo ou porto de Ama”, deusa dos navegantes.

Macau, com o passar do tempo e com o desaparecimento por completo da Ilha de Manoel Gonçalves, foi crescendo e se desenvolvendo, consolidando-se como um forte povoado às margens do oceano Atlântico.

O povoado de Macau foi fundado pelo capitão português Martins Ferreira e seus quatro genros José Joaquim Fernandes, Manoel José Fernandes, Manoel Antônio Fernandes, Antônio Joaquim de Souza e ainda João Garcia Valadão e o brasileiro João da Horta.

Crescendo sempre, impulsionado pela grade produção de sal, Macau foi desmembrado de Angicos e tornou-se município através da Lei nº 158, de 02 de outubro de 1847. A comarca foi criada pela Resolução nº 644, de 14 de dezembro de 1871, sendo que a Lei nº 761, de 09 de setembro de 1875 elevou à categoria de Cidade e sede do município.

Localizado no litoral norte do Estado, na Região Salineira do Vale do Assu, o município de Macau está a 190 km de distância da Capital, banhada pelo rio Assu, a cidade é cercada por ilhas, praias, mangues e gamboas que encantam nativos e visitantes.

Durante muito tempo, Macau viveu a febre do desenvolvimento da produção salineira e depois teve que enfrentar o declínio de desemprego devido à mecanização da indústria do sal. Nos últimos anos, a economia do município tem se tornado eclética, onde se destacam: a extração de petróleo e gás natural; produção de sal, a maior do país; a pesca; coleta de crustáceos e mariscos; a carcinicultura; atividades turísticas; e é rica na matéria prima de barrilha.

O município de tantas riquezas naturais, e forte potencial econômico é parte do chamado “Pólo Gás Sal” – área de grandes perspectivas de desenvolvimento e produção, localizada entre a região salineira e o Vale do Assu – e tem a esperança de ver funcionar a grande fábrica de Barrilhas, erguida na entrada da cidade.

Percorrendo os caminhos do turismo cultural, o visitante pode relembrar a história da terra macauense através de monumentos históricos como a Coluna da Liberdade, erguida em homenagem ao Centenário da Independência e localizada na Praça da Conceição; e o Cruzeiro da Ilha de Manoel Gonçalves, com quatro metros de comprimentos por dois de largura, construído de madeira rústica, localizado em frente à Igreja Matriz.

Com uma natureza generosa, Macau conta com praias de extraordinárias belezas naturais – Barreiras, Salinas, Camapum, Soledade, Tubarão e Diogo Lopes; com suas antigas e modernas salinas; velhos casarões, o Moinho de Ventos; Museu Marinho. Na área de eco-turismo, a cidade tem a oferecer ainda: passeios de barco, mergulho, manguezais, caminhadas ecológicas e passeio nas dunas. As manifestações folclóricas em destaques são o Fandango, a Chegança, o Coco de Roda, a Lapinha e o Boi de Rei.

O povo macauense é por vocação alegre e festivo. Todo ano, um grande carnaval anima a cidade com trios elétricos e blocos percorrendo as ruas estreitas e muita animação nas praias. Outras atividades festivas no município são: a Festa de São Sebastião, em janeiro; Festival de Música Carnavalesca, no mês de fevereiro; Festa das Flores (comemora a coroação de Nossa Senhora dos Navegantes), em maio; Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, em agosto, com uma grande procissão de barcos; Festa do Sal, em setembro; e a tradicional festa da padroeira da cidade, Nossa Senhora da Conceição, de 28 de novembro a 8 de dezembro.


Patrimônios ecológicos e históricos

As praias que rodeiam Macau apresentam belezas únicas e paradisíacas. Tipicamente de pescadores, as comunidades de Barreiras e Diogo Lopes, localizadas a 30 km de Macau, oferecem toda a beleza da Reserva Ambiental Ponta do Tubarão, onde dunas móveis, falésias, rio, restinga e mangues formam um grande estuário, preservando o lugar contra o turismo predatório.

A 3 km da cidade, a praia de Camapum abriga águas calmas e mornas, atraindo macauenses e turistas. Entre a ilha de Alagamar e a sede municipal, Camapum desponta desde a década de 1990 como a praia mais movimentada do litoral de Macau, tendo como atrativo a vaquejada de praia – única no Brasil – que se realiza anualmente no mês de julho.

Durante o carnaval, a cidade de Macau e suas praias concentram grande quantidade de pessoas, com destaque para o tradicional mela-mela. A cidade se transforma num grande palco com trios elétricos, troças e blocos carnavalescos trazendo alegria e descontração para o povo macauense e visitantes.

O patrimônio histórico concentra o Museu Marinho “Seu Manuíque”, o Museu Marinho, o Museu Carnavalesco “Colo de Santana”, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição com mais de 142 anos, padroeira de Macau, o obelisco comemorativo do I Centenário da Independência do Brasil e os parques salineiros – salinas artesanais. O município disponibiliza à população e visitantes 25 restaurantes e 13 hospedarias.

Terra de poetas como Gilberto Avelino e cronistas como Vicente Serejo, Macau guarda belezas, história e encantamento nas suas terras salgadas, onde o sol aquece a vida de pescadores e foliões.

Um comentário:

Rubens Barros de Azevedo disse...

Mais um belo trabalho da mente privilegiada de Alex!
É o Município de Macau apresentado ao mundo!