12 de abril de 2006

Um poema de Lívio Oliveira

Silêncio do Tempo

(Lívio Oliveira)

Estou mudo agora.
Mudo, tudo fora.
Mudo, mundo dentro.
Não sei até quando
a mudez será sempre.
Sei que a mudez,
às vezes,
é medo de gente,
é medo do tempo,
uivos do vento.

Minha voz,
nem eu a ouço.
Forço-a como quem,
num pesadelo sem fim,
grita no escuro profundo,
buscando a voz terna
da mãe.

Ficarei assim, mudo,
enquanto tudo durar
como algo que não se deve
ver nem acreditar.
Muito menos repetir,
com ato e voz.

Deixo de acreditar
e emudeço,
no tempo em que meu sonho
trava.

Quando o tempo abrir
e o arco-íris despontar.
Quando um vôo de pássaro
no céu,
uma vaga no mar,
uma folha seca de outono
cair sobre os meus olhos,
bailando, antes, lentamente,
no ar,
dança/esperança,
então, não só os olhos
abrirei.

Abrirei, lá, um sorriso,
o mais verdadeiro,
e minha voz, então,
vibrará, forte,
entre milhões de outras,
nas únicas palavras,
aquelas a que resisto
dizer agora:
creio no homem!

Um comentário:

Rubens Barros de Azevedo disse...

Lirismo puro! Faz bem à alma ler poemas assim! Também creio no homem, apesar de tanta desgraça que se vê por todo o mundo.
Aproveitemos a Páscoa para renascer a nossa esperança em dias melhores!
Parabéns, Poeta Lívio!