16 de novembro de 2007

Entrevista com Abimael Silva na revista Papangu

Principais trechos da entrevista com o editor e sebista Abimael Silva, concedida a este blogueiro para as páginas da revista Papangu, edição de outubro de 2007.

Sobre Mossoró:
"Fazer um evento junino ou comemorar o dia 30 de setembro não quer dizer que seja uma capital de cultura. Mossoró tem uma cara de pau tremenda nesse ponto porque não tem cacife para se candidatar ao título de uma cidade cultural brasileira só por fazer alguns eventos. Ora, Natal ainda é uma capital muito tímida para a cultura, muito franciscana, imagine Mossoró! Tenha dó".

Sobre a Lei Câmara Cascudo de incentivo a cultura:
"Essa Lei de Cultura é um absurdo porque só serve a um mini grupo de três ou quatro pessoas que trabalham com 'cultura'... Há um jornalista que apresentou um projeto na Lei de Cultura para fazer um livro chamado “Rio Grande do Rock”, um livro sobre a música potiguar de 1960 a 2006, e o valor desse livro foi apresentado por R$ 298 mil para fazer mil exemplares. Não existe isso em nenhuma parte do mundo. Se esse livro fosse feito no Japão não vai sair por esse preço, mesmo pagando o frete do avião e todas as despesas. Só é cobrado esse valor por causa da Lei de Cultura que é como se fosse a Casa de Mãe Joana, que não é de ninguém e todo mundo mete a mão com vontade."

Sobre a Fundação José Augusto:
"Essa instituição é o mais vergonhoso cabide de empregos do Rio Grande do Norte. De 1155 funcionários, se salva menos de 10% com qualidade cultural comprovada. Com todo respeito, o restante era para a governadora Wilma demitir numa canetada só e fazer como fizeram com o Bandern: fechar e começar do zero, criando uma nova fundação".

Sobre as Casas de Cultura:
"As Casas de Cultura parecem com as Capitanias Hereditárias, mas com um agravante porque as Casas não funcionam e duas Capitanias deram lucro, que foi a Capitania de Pernambuco e de São Vicente".

Sobre a poesia mossoroense:
"Outro dia, eu vi uma antologia poética com quase 200 poetas mossoroenses. Onde já se viu Mossoró ter 200 poetas! Poeta mesmo em Mossoró somente Antônio Francisco. Os outros são decorações para bolo de festa".

Sobre a Academia Norte-riograndense de Letras:
"Com todo respeito aos imortais potiguares, a Academia é uma vergonha com aquela quantidade de gente sem cacife para assumir algumas cadeiras. Há vários imortais que não sabem o porquê estão ali. Só mesmo um lobby muito forte para conseguir uma vaga".

Sobre a Literatura Potiguar:
"A Literatura do Rio Grande do Norte está de vento em popa. Ela está conseguindo furar o bloqueio em São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. Basta dizer que o romance “As Pelejas de Ojuara” foi adaptado para o cinema, passando no Brasil inteiro e depois, vai para vários outros países de língua portuguesa. Esse filme é uma prova da qualidade da nossa Literatura".

Sobre as preferência quando edita um livro:
"Tenho preferência por livros de prosa sobre Natal e o Rio Grande do Norte. Pode ser a história até de Serrinha dos Pintos ou qualquer outro município do Estado. Normalmente, faço uma parceria com o autor onde eu pago 30% e o autor paga o restante".
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Sobre o Sebo Vermelho:
"Tenho o prazer de ter editado 218 títulos sobre a história de Natal e do Rio Grande do Norte. Tudo que eu consegui na vida até hoje, eu gastei com os livros. Meu grande lucro é ter o pioneirismo de ser o único sebista brasileiro que edita livros".
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Onde encontrar a revista Papangu em Natal:
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Banca do Tôta (próximo ao CCAB Norte, Petropólis)
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Banca Tio Patinhas (Avenida Rio Branco, centro)
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Livraria Siciliano (Midway Mall)
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Livraria AS Livros (próximo ao Natal Shopping)
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Bancas do Supermercado Nordestão

2 comentários:

Marcelo Pegado disse...

Caro jornalista
Muito boa essa entrevista com o sebista Abimael Silva. Haja verdades verdadeiras! Parabéns pela iniciativa e pelo blog. Sou leitor assíduo e divulgo.

Sérgio Vilar disse...

E onde estão os aplausos para o sebista-editor?