24 de novembro de 2007

Escreve-me ou te devoro!

Civone Medeiros usa seu corpo como livro e chama as pessoas para escrever páginas de história.
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O largo da Rua Chile, na velha Ribeira, estava lotado de gente interessada em literatura, desde a tarde de quinta-feira, quando começou o II Encontro Natalense de Escritores. Entre vários escritores, jornalistas e poetas que revezavam a atenção do público no palco armado numa imensa tenda climatizada com capacidade de circulação para mil pessoas, as estrelas foram os escritores Zuenir Ventura e Luis Fernando Veríssimo que falaram sobre "Crônica e seu contexto literário".

Paralelo ao II Ene, vários outros eventos estavam acontecendo em torno do pavilhão. No Bar das Bandeiras, os poetas Aluízio Matias, Eduardo Gosson, Paulo Augusto e Moura Neto debatiam sobre o tema "Suplementos Literários - contextualizando e incluindo a poesia escrita". Na entrada do pavilhão, as pessoas podiam apreciar a exposição do artista Falves Silva, em homenagem aos 40 anos do Poema Processo.

No espaço cultural Calígula acontecia a abertura da exposição "Escrituras e Existências - Mostra de livro objeto ou/e livro de artista", com vários livros em diferentes estilos de formatos, mostrando que seria possível consumir com os sentidos humanos, como livros em braile para cegos, livros sonoros com poesias, livros comestíveis feitos de massa fina para ser degustados na hora, livros de decoração de ambientes, entre outras formas menos usual de se consumir o objeto livro.

Numa performance nada convencional, a artista multimídia Civone Medeiros usava seu corpo nu para ser utilizado como livro, onde as pessoas podiam escrever, formando uma obra viva e em movimento. Segundo Civone, servindo como livro, o corpo ultrapassa os limites dos livros de leituras para se tornar um objeto de arte. "Escreve-me", bradava a artista para que as pessoas deixassem suas impressões sobre seu corpo deitado numa grande mesa.

Considerada uma das poetisas mais atuantes na vanguarda artística do Estado, Civone tem a característica de se adaptar com os mais diversos ambientes. Desde 2003, Civone Medeiros apresenta a instalação itinerante "Arte-Sacra-Vulva" com diversos suportes e mídias, fazendo arte com a genitália feminina. Essa obra conta com várias exposições em galerias e espaços públicos do Rio Grande do Norte, em vários outros estados brasileiros e em Viena, na Áustria, onde morou durante alguns anos.

Civone segue sua performance livresca na exposição "Escrituras e Existências - Mostra de livro objeto ou/e livro de artista" até esse sábado, quando termina o II Ene. Ainda entorpecida pela várias mãos sobre seu corpo, a artista clama contorcendo seu corpo para se adaptar aos escritos: "Sobre meu corpo escreverei minha biografia... Minhas escritas, meus números, minhas listas, paixões, segredos, rituais, minhas existências, meus rumos, meus cantos..."

4 comentários:

Alma do Beco disse...

P O E T A com todas as letras grandes, a nossa Civone.
Sem igual.

Dunga

Youri du bout du monde disse...

Hi,

Visit my body art performance pages
http://yourimessenjaschinbodyart.blogspot.com/

http://bodyartdefinition.blogspot.com/
http://video.moncinema.ch/search/?q=youri+messen-jaschin

Enjoy your sun in Brasil..
all the best for you

youri

Anônimo disse...

Civone Medeiros. Mais do que tudo é ÚNICA. Admiro-a pela grande artista que é. Eu até fiz esse pequenino poema pra ela.

Em ti... CIVONE

Sinto em ti... CIVONE
A força da simplicidade
Dando um tapa no egoísmo
Engolindo a mediocridade

Vejo em ti... CIVONE
A mulher firme e forte
A menina ingênua e doce
Livre pr’um homem de sorte

Sinto em ti... CIVONE
A coragem viva do artista
Um marco da poesia
Na criatividade do repentista

Admiro em ti... CIVONE
Esse teu ar de descontração
E nesse teu jeito moleque
Mora um grande coração

Vejo em ti... CIVONE
O símbolo da liberdade
A corrida do não sei pra onde
Talvez, rumo à eternidade.

Manoel Bomfim
Em 23/08/2007

Blog do Carlos Gomes disse...

Grande Civone,

São com atitudes que cooperamos com as mudanças que este mundo precisa...
O segredo é: servir, amar, avançar...divulgar a cultura, com simplicidade...

Carlos Gomes