18 de fevereiro de 2009

Carnaval no Sertão

Marcus da Pitombeira, Acari RN

Carnaval no sertão
Tem toda uma diferença
E pra não perder a crença
Continua a tradição.
O cara pula no chão
Ou rebola atrás do trio
No apito ou no assovio
Faz aquela animação

Tem um tal de mela mela,
de ovo, maizena e pó,
água, mijo e loló
misturado na panela.
Quando ver um abusado
Grita logo pro povo:
Agora peguei um bobo
E deixa o cara melado.

Lá na frente se depara
Com um Papangu atrevido.
Todo alegre e divertido,
Com a mascara cobrindo a cara.
É uma figura bizarra.
Faz munganga com trejeito
E num requebrado malfeito
É o centro da algazarra

O que agora vou contar
E de causar estranheza
Mas lhe digo com firmeza
E caso espetacular.
Lá tem uma bandinha
Diferente por natureza.
Mas toca qué uma beleza.
Frevo, axé e marchinha.

Tocando em sintonia
Acredite minha gente
É uma bichara contente
Que anima essa folia.
O marcador é mestre Sapo.
Tem as manhas do agito,
No gogó e no apito,
Consegue manter o trato.

No tarol um guaxinim
Segue mantendo o compasso
No bumbo tomando espaço
Vem ao seu lado o sonhim.
Mostrando talento de sobra
E muita concentração
Com o instrumento na mão
Quem toca Prato é a cobra.

Espalhando um alarido
Um burro toca trombone.
Um peba morto de fome
Da de beber a um grilo.
Um macaco bom de briga,
Usando todo o amplexo
Tenta sem muito sucesso,
Comer o cu da Formiga.

Nos saxes baixo e tenor
Uma dupla afinada
Vem enfrentando a parada
Com orgulho e com amor.
O peba e o gavião,
Estão na mesma sintonia,
Esparramando alegria
Faz a festa do povão.

Um pavão todo enxirido,
Vinha tocando ganzá,
No ripique do preá
O som fazia sentido.
Ao som da pernambucana,
Uma bode veio na praça,
Bebendo, fazendo graça,
emborcava uma de cana.

Quatro guiné e um peru,
Organizaram uma Orgia
Com um casal de cutia,
Dois mocó e um Tatu.
Na hora do camafeu
No amanhecer do dia
Ninguém pegou a cutia
Comeram só o Cuteu.

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