19 de agosto de 2009

Um soneto de Augusto dos Anjos, João Pessoa PB

Insônia

Vejo diante de mim Santa Francisca
Que com o CILÍCIO as tentações suplanta,
E invejo o sofrimento dessa Santa,
Em cujo olhar o Vício não faísca!!

Se eu pudesse ser puro! Se eu pudesse,
Depois de embebedado deste vinho.
Sair da vida puro como o arminho
Que os cabelos dos velhos embranquece!!!

Por que cumpri o universal ditame??!!
Pois eu sabia onde morava o Vício,
Por que não evitei o precipício
Estrangulando minha carne infame??!!

Até que dia o intoxicado aroma
Das paixões torpes sorverei contente??
E os dias correrão eternamente??!!
E eu nunca sairei dessa Sodoma??!!

Um comentário:

Salomão Rovedo disse...

Bonita poesia, mas não é um Soneto...