24 de janeiro de 2010

Fotografia e Poesia

Um Baobá no Recife
João Cabral de Melo Neto

Recife. Campo das Princesas.
Lá tropecei com um Baobá,
crescido em frente das janelas
do Governador
que sempre há.
Aqui mais feliz
pode ter úmidos
que ignora o Sahel.
Dá-se em copudas folhas verdes
que dão as nossas sombras de mel
Faz de jaqueiras, cajazeiras
Se preciso, catedral
Faz de mangueiras, faz da sombra
que adoça o nosso litoral
Na parte nobre do Recife
onde o seu rebento pegou
Vive, ignorado do Recife,
de quem vai ver governador.
Destes, nenhum pensou (se o viu)
que na África ele é cemitério.
Se no tronco desse Baobá
enterrasse os poetas de perto,
criaria ao alcance do ouvido
senado sem voto e discreto
Onde o sim valesse o silêncio
e o não… sussurrar de ossos secos.

Um comentário:

Bєzєяяɑ Guimɑŗãeร disse...

Bela combinação!


Beijos,
Ry.