17 de junho de 2010

Moradores ameaçados de despejo na Vila da Alcanorte, em Macau

AG Sued
Cícero Braz é um dos moradores que está lutando pela desapropriação das casas.

Os atuais moradores do conjunto habitacional da Vila Industrial da Alcanorte estão sofrendo ameaças de despejos. A Vila foi construída para abrigar os funcionários da fábrica de barrilha (de propriedade mista do Governo Federal e de uma multinacional), implantada em 1974 na entrada de Macau, e ocupada pelos funcionários ativos da Alcanorte.

A princípio, a Vila da Alcanorte foi habitada somente pelos trabalhadores da fábrica. Com o tempo, os funcionários foram despedidos e continuaram ocupando as casas com suas famílias. A invasão das casas aconteceu de fato no dia 21 de abril de 2004, quando mais de 229 imóveis foram ocupados por funcionários e ex-trabalhadores da fábrica. Os moradores fizeram um contrato com a empresa e quem não paga o contrato “eles colocam pra fora na marra”.

O vigilante Cícero Braz ressalta as péssimas condições de infra-estrutura da Vila da Alcanorte com as ruas de barro, sem calçadas, não há praças e nem áreas de lazer. “Como é uma vila privada, a Prefeitura não quer investir”, disse Cícero Braz, morador da Vila há mais de 27 anos e trabalhou durante 10 anos na empresa. “Agora, em tempos de eleição, os políticos se lembram da gente e vêm pedir votos”, completou.

Na época da invasão, a empresa Álcalis do Rio Grande do Norte SA entrou na Justiça com uma Ação de Reintegração de posse, expedida pela então juíza Keity Maria de Saboya. Por outro lado, os moradores têm seus direitos de posse adquiridos por morar lá há muito mais do que 5 anos, o prazo previsto pela Lei para que uma casa vire de propriedade de quem a ocupa. O caso promete se propagar na Justiça.
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Apesar da Vila da Alcanorte abrigar moradores ilustres como a vereadora Leyla Lopes, o vereador Zé Filho, a secretária de assistência social Magali Marcelino, o secretário de infra-estrutura Ubiratan Bezerras e o secretário de cultura Chico Paraíba, nenhum benefício é visto no local. “A maioria dos moradores ricos não pagam aluguel”, afirmou Cícero Braz.

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