11 de dezembro de 2010

Um poema de Antoniel Campos, Pau dos Ferros RN

Moldura

Com meus dedos em L fiz moldura,
e enquadrando o teu rosto, fiz retrato;
com teus dedos, contínuo e pizzicato,
escrevi tua boca em partitura.
Do teu corpo eu me fiz toda a textura,
e do meu, sem censura, te fiz dona.
Cavalguei-te e, de mim, foste amazona,
sem saber quando em cima, quando embaixo,
pois te encaixas tão bem quando te encaixo,
que a noção cima/embaixo me abandona.

Cortesã, quero assim. Quero a madona
— lingeries e cendais onde eu me enfaixo —,
ser no meio, por sobre e por debaixo,
mergulhar sem querer mais vir à tona.
Tuas pernas nos braços da poltrona,
minhas mãos soerguendo-te a cintura.
tu autora da lúbrica pintura,
eu ator principal de cada ato,
eu a fome servida no teu prato,
tu a causa de toda essa loucura.

Um comentário:

thyrone disse...

Essa é para colocar numa moldura!!!