17 de agosto de 2007

Casa do Cordel, um espaço para a literatura potiguar

AG Sued
Poeta Abaeté está a frente da Casa do Cordel em Natal.
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por Alexandro Gurgel
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Quem lê pela primeira vez um folheto de cordel não pode deixar de se admirar com a criatividade do cordelista, a abrangência dos temas e o manejo da rima e da métrica. O cordel é assim: desperta admiração e interesse nas pessoas. A literatura de cordel tem suas regras e agora já conta até com uma casa própria: sediada no centro de Natal, a Casa do Cordel possui em seu acervo milhares de folhetos de cordel e centenas de títulos diferentes.

Porque é preciso celebrar a Literatura de Cordel que o poeta Abaeté resolveu inaugurar a Casa do Cordel, nessa sexta-feira, com um café da manhã recheado de poesia sertaneja ao som de um trio tocando forró pé-de-serra, com a presença de cordelistas de Natal, Mossoró e outras cidades do Estado.

No Rio Grande do Norte, a Casa do Cordel é o primeiro espaço cultural destinado à Literatura de Cordel, onde o poeta Abaeté pretende reunir poetas, músicos, escritores, jornalistas e apreciadores desse gênero literário para tertúlias e saraus nos finais de tarde, além de fomentar a leitura do folheto de cordel para novos leitores.

De acordo com o poeta Abaeté, a idéia de criar a Casa do Cordel surgiu em meio a carência que o Rio Grande do Norte tem em reunir a literatura cordelista em um lugar comum. “A Casa nasceu com a finalidade de agrupar nossos poetas para debates, palestras, lançamentos de livros e divulgar nosso cordel para o grande público”, ressaltou o poeta.

Localizada na rua Vigário Bartolomeu, adjacências do Beco da Lama, no centro da cidade, a Casa do Cordel também será a sede da “Unicodern” (União dos Cordelistas do RN), uma lugar para discutir os anseios dos poetas e para abrigar o maior acervo de títulos de cordel do Rio Grande do Norte. “A Casa do Cordel estará aberta para todos os poetas, artistas e músicos do Estado”, afirmou.

Além de milhares de títulos de cordel à venda, a Casa também oferece uma vasta literatura do cangaço, livros de autores potiguares e, recentemente, fez uma parceria com a Editora Sebo Vermelho. “Nossa intenção é criar um ponto cultural para abrigar a arte potiguar”, disse Abaeté.

Na ocasião, haverá declamação de cordel com os poetas mossoroenses Antonio Francisco, Crispiniano Neto e Concriz, além do poeta assuense Paulo Varela e dos natalenses Bob Motta e Manoel Azevedo. De outras cidades potiguares ainda vêm os cordelistas Zelito Coringa, Neto Braga, Ademar Macedo, Zé de Souza, entre outros. O poeta Zé Saldanha vai ser homenageado pelos seus 90 anos de vida e o mais velho cordelista em atividade no país.

Durante a abertura da Casa do Cordel, na manhã dessa sexta-feira, o fotógrafo Antônio Manso fará uma exposição fotográfica intitulada “Agonia da Beleza e o Aquecimento Global”, retratando o desastre ecológico no Rio Potengi. O chargista Amâncio também mostrará o resultado sua arte com charges políticas e capas de alguns títulos de livretos de cordel. Uma festa para celebrar a cultura potiguar.

Um comentário:

Italo Marcelo disse...

gostei da sua exposição na festa do boi, também gosto de escrever, mais estou começando agora!

abraço!

Todo dia um recomeço,
Para reconciliar os erros,
Concertar os defeitos,
E medir os desejos.
Amar sem preconceitos
Pois afinal de contas
Somos imperfeitos...

(Ítalo Marcelo)