15 de janeiro de 2008

Um Pedro Peralta na Esquina do Continente

Fotos: AG Sued
por Alexandro Gurgel

Com 30 anos de carreira, quatro CDs gravados (Esquina do continente, Um Pedro a Mais, Cantam-me e Canto-os), Pedro Inácio Filho soube cantar as belezas natalenses como nenhum outro músico. Escrita há duas décadas, "Linda baby" tornou-se um verdadeiro hino a Natal. A música está na ponta da língua de cada natalense que canta com brio sua terra. “Linda Baby é o hino extra-oficial da cidade”, diz orgulhoso.

Nascido em Parnamirim, no ano da graça de 1963, Pedrinho é filho de um oficial da Aeronáutica, que serviu em várias cidades brasileiras, mas fixou residência em Natal, a Rua Mendes Sá, no Barro Vermelho. Apesar de o seu pai ser músico de carreira, Pedrinho Mendes é um autodidata confesso. Aos 10 anos, o menino Pedrinho ganhou um violão do seu pai e logo tomou gosto pela música.

Aos 14 anos, colocou o violão na mochila para morar em Fortaleza, indo estudar num colégio militar, no qual fez parte da banda marcial estudantil e ao mesmo tempo, começou a compor seus versos. Três anos depois, Pedrinho retornou a Natal onde começou a tocar na noite, em bares da moda como o Beco da Música, ao lado de Chico Elion. Em 1980, Pedrinho já era uma figura concorrida nas noites natalenses, trabalhando profissionalmente nos melhores barzinhos.

Por volta de 1982, no ápice do bar Boca da Noite, o músico relembra que passou de Pedro à Pedrinho. Antes disso, jamais tinha sido chamado de Pedrinho. Pelo contrário. Por causa dos seus quase dois metros de altura, sempre foi chamado de Pedrão. Principalmente, no tempo em que praticava atletismo, onde deixou alguns recordes no salto triplo e salto de altura nas escolas em que estudou.

Logo depois, Pedrinho começou a tocar ao lado de Sueldo Soares nas famosas batucadas natalenses, nos bares como Boteco, Moenda, entre outros agitos. Seu talento já não cabia mais na noite. Nessa mesma época, Pedrinho começou a participar do “Projeto Pixinguinha” em Natal e do "Projeto Pixingão", no Rio de Janeiro, ao lado de João do Vale e Tetê Espínola. Em 1985, ganha o 1º lugar no 2º Festival de Música e Poesia da UFRN. É a consagração.

Um pouco mais maduro, em 1986, Pedrinho começou a pensar no projeto para gravar seu primeiro disco, quando trabalhou durante a campanha de Geraldo Melo para governador e conseguiu levantar a grana para apostar no seu primeiro disco, mesmo contra a opinião de algumas pessoas. Pedrinho juntou 14 músicos e levou todo mundo para Recife, “porque em Natal não havia uma gravadora”, completou.

Em novembro de 1986, ele finalmente gravou “Esquina do Continente”, que foi lançado no ano seguinte, com uma grande força da TV Ponta Negra e com a participação decisiva do saudoso senador Carlos Alberto. Conforme Pedrinho, naquela época estava faltando matéria prima para a elaboração do disco em vinil, que só atendia aos grandes nomes da MPB como Roberto Carlos Caetano Veloso, Fagner, entre outros.

Carlos Alberto usou seu prestígio de senador e conseguiu a prensagem do LP “Esquina do Continente”, com música de Babal, de Carlos Santa Rosa, participação de Sueldo Soares e outras músicas de autoria de Pedrinho como “Linda Baby”, que foi a música que o popularizou.

No final dos anos 80, ele se estabeleceu no Rio de Janeiro, onde morou durante um ano, fazendo várias apresentações na noite carioca. “Meu umbigo está enterrado aqui e resolvi voltar”, relata. Em 1990, volta à Natal para grava seu 2º LP, "Um Pedro a mais", com lançamento simultâneo em Natal (Teatro Alberto Maranhão) e no Rio de Janeiro (Asa Branca). No ano seguinte, novos convites levam Pedrinho à Itália, onde participa do Festival "Marche Canta Brasil" nas cidades de Ancona, Pesaro, Marota, San Benedetto e Porto Recanatte.

A popularidade de Pedrinho aumenta mais ainda quando, no verão de 92/93, apresenta o programa Cabugi Verão, na TV Cabugi, afiliada da Rede Globo. Após sua aparição na tela da Globo, começaram a surgir trabalhos em eventos como Festa do Boi, carnaval na Barra de Maxaranguape e carnaval no Portal das Dunas. “Nessa época, passei muito tempo produzindo música e participando de vários festivais por todo Brasil como em Santa Catarina, Ceará, Paraná, etc.”, conta.

Em 1994, foi vencedor do FECARPO (Festival Regional da Canção Popular), em Cascavel/PR e faz temporada de 6 meses em Santa Catarina, nas cidades de Blumenau e Camboriú. No mesmo ano, firma uma parceria com Babal, viajando à Itacoatiara/AM, onde vence o FECANI (Festival de Canção de Itacoatiara). “Nós fomos os primeiros não amazonenses que venceram esse festival”, revelou Pedrinho. A dupla potiguar recebeu o prêmio das mãos de Nilson Chaves e Cláudio Nucci, do grupo Boca Livre e fizeram shows juntos em Manaus.

Foi finalista do "Canta Nordeste"- no auge do programa promovido pela Rede Globo Recife - e seus shows em Natal sempre contaram com grandes públicos. No mesmo ano, abre o Projeto “6 e Meia”, promovido pela Fundação José Augusto, no Teatro Alberto Maranhão, ao lado de Nico Resende. O talento, seu violão e suas composições o levaram a participar em diversos encontros musicais com Valéria Oliveira, Lane Cardoso, Cida Lobo, Luis Gadelha, entre outros artistas, resultando em várias gravações das suas músicas.

Como conseqüência dessa integração com os artistas, nasceu o CD “Cantam-me”, onde suas músicas eram cantadas por Renato Braz, Madrigal da UFRN, Cida Lobo, Lane Cardoso, Valéria Oliveira, entre outros. Em seguida, foi lançado outro CD com o título “Canto-os”, onde Pedrinho interpretava canções de outros compositores como Babal, Carlos Santa Rosa, Diógenes da Cunha Lima, etc.

Atualmente, Pedrinho trabalha no seu mais novo projeto chamado “Escute Aqui”, com composições mais recentes que tem uma proposta mais acústica. “Foi um disco iniciado todo no violão. Então, comecei a convidar alguns músicos para participar desse novo CD que já está em estúdio”, ressalta Pedrinho, anunciando que o disco “Fera Nova” está pronto para sair no início de 2008. Pedrinho também lembra que o ano de 2007 marca os 25 anos do primeiro show realizado no Teatro Alberto Maranhão que se chamou "Tinta viva" e foi feito ao lado de Sueldo Soares.

Um comentário:

marcelo disse...

Pedrinho, sempre maravilhoso! Ao sucesso!