12 de dezembro de 2008

Um poema de Licurgo Carvalho, Natal RN

Receita Poética

Pegue uma dose de metáfora
Junte duas colheres de letrinhas
Adicione meio grama de rimas
Encontre um pedaço de alegoria
Use assonância até chegar ao ponto
Sirva o poema bem gelado

Para acompanhar a sextilha
Encontre frases usadas
Faça um caldo de assimetria
Mexa até virar um soneto
Tempere com loas parnasianas
Coma os versos de uma só vez

Relaxe ao som de pontos e virgulas
Navegue em baladas de antítese
Perceba a musicalidade em texto
Deixe que o vernáculo dance solto
Escute os gemidos dos signos
Aumente o volume da função poética

Espere a palavra vir excitada
Apalpe vagarosamente cada estrofe
Use o código da língua nas entranhas
Friccione com desejo a lírica moderna
Introduza páginas nas volúpias métricas
Goze como um poeta na metalinguagem

Um comentário:

neo-orkuteiro disse...

Boa, Alexandro. Que poeta mais porreta!
Venho de um blog do Globo Onliners onde há a indicação deste. Muito bom, mesmo.